02/06/2006
Pedaços de Suzane
Delegado de Polícia, Professor de Direito Penal e especialista em criminologia,
Milani testemunhou o comportamento dos irmãos Cravinho na reconstituição do crime. Os dois irmãos tiveram um ataque histérico. “Daniel, o namorado, passou mal e teve que ser atendido, tamanha a culpa que neles se instalou”.
Já o promotor de justiça Roberto Tardelli, também em e-mail, me deu a seguinte explicação para seu pedido de prisão preventiva dos irmãos Cravinho, após a entrevista à rádio Jovem Pan: “Partindo de dois autores de assassinatos brutais (...) ao anunciá-lo a milhões de ouvintes, mais do que dizer, um e outro anunciaram seus serviços”.
José Fernando conheceu a família Von Richtofen e conheceu Suzane desde criança. Seus pais eram vizinhos dos Von Richtofen e foram padrinhos de batismo de Suzane. José Fernando tratava Manfred de tio, Marisa de tia, praticamente nasceu em sua casa, e nunca observou um desvio sequer de comportamento, nem deles, nem de Suzane. Não tinham a afetividade derramada de uma família árabe ou italiana, mas eram pais atenciosos, que nunca bateram ou destrataram os filhos.
Em nenhum momento Suzane demonstrou qualquer desvio de comportamento. Discutia com os pais como qualquer adolescente. Nunca brigou com o irmão, jamais manifestou agressividade fora dos limites de uma adolescente.
Depois do crime, José Fernando levou uma amiga psiquiatra para visitar Suzane, presa. Em nenhum momento Suzane aparentou remorso. Na saída, a amiga foi taxativa: a menina padecia de psicopatia, era doente.
Também conviveu com os irmãos Cravinho. Foram influenciados ou influenciaram? Nunca vai se ter a resposta certa. Havia uma química louca, que levou uma moça a planejar a morte dos pais, e dois rapazes a assassiná-los de modo brutal.
No começo, foi divulgado um bilhete imputado a ele, que dizia “Suzane, eu te perdôo, você é minha amiga”. Ele não escreveu o bilhete, e não ficou solidário com a irmã. Ficou apenas em desespero total, aos 16 anos, órfão de pai e mãe, assassinados pela irmã.
Os Richtofen tinham um bom padrão de vida, mas construído ano a ano, conta José Fernando. Marisa era psiquiatra bastante bem sucedida. Fluente em alemão, sempre atendia a estrangeiros, recebendo
O advogado que abrigou Suzane em sua casa não era amigo de Manfred, apenas colega de trabalho, e com tão pouca intimidade que seu nome jamais havia sido comentado nas rodadas com os vizinhos.
Leio os e-mails, tento imaginar a vida normal dos Von Richtofen, uma semana antes do crime. Penso nas minhas menininhas, as pequenas e as adultas. E não consigo evitar uma profunda pena de Suzane e dos irmãos Cravinho, do casal Richtofen e de seu caçula
Tempos atrás, os jornais noticiaram a história da menina de 12 anos, filha de um pedreiro, que chorou desesperada quando assistiu a prisão de Suzane. No dia seguinte tentou envenenar o pai.

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