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17/06/2006

A Maior Cena da História

Eu tinha oito anos quando enfrentei o maior desafio da minha vida: a final da Copa do Mundo de 1958. A campanha brasileira havia sido magnífica. Os “canarinhos” eram da família, pois haviam feito a concentração em Poços de Caldas, graças às ligações entre meu pai, Oscar, e Carlos Joel Nelli, da “Gazeta Esportiva”.

Lembro-me até hoje do batizado da minha irmã Inês sendo interrompido pela notícia de que o Brasil acabara de fazer dois a zero na Rússia e o padrinho Dr. Martinho, e o padre Trajano, e os pais da batizada comemorando. E a batizada chorando, sem entender nada.

Parecia um sonho, até que se chegou à final contra a Suécia. No dia anterior, meu pai acordou macambúzio. Contou-me a desgraça de 1950 no Maracanã, o Brasil, amplo favorito, sendo derrotado pelo Uruguai. Desde então, a imagem que se consolidara era a do país que amarelava na final, que não acreditava em si, que tinha talento mas não tinha fibra. E foi com esse fantasma pairando sobre nós que fomos assistir o jogo na casa do seu Alexandre, nosso vizinho.

A transmissão era pela Rádio Bandeirantes, meio tempo com a locução do Pedro Luiz, meio tempo com a do Edson Leite. Mal começa o jogo, a Suécia faz um a zero. Fez-se um silêncio sepulcral não apenas ali, mas em todo o país.

Olhei o largo do São Benedito, que ficava em frente de casa e ainda não tinha sido asfaltado. No centro, a Igrejinha de São Benedito, linda, caiada, no seu interior as pinturas preciosas da Via Sacra, na frente dela, a escadaria com vinte degraus. Ali mesmo fiz a promessa: se o Brasil virasse o jogo, além de ir na missa com milho no sapato, eu me comprometeria a lamber, um a um, os degraus da Igreja. Cumpri o prometido, contei para minha mãe que lavou minha boca com álcool. Mas o Brasil merecia o sacrifício que, para mim, foi fundamental para a virada do jogo.

Não havia televisão na época em Poços, não havia transmissão ao vivo no Brasil. Mas Pedro Luiz descreveu a cena tal e qual a assistimos dezenas de vezes, nos anos seguintes, seja no cinema, pelo Canal 100 de Carlos Niemayer, seja pela televisão. E descreveu com aquela voz inigualável, de emoção contida, contando todos os detalhes do lance, não apenas os principais.

Foi por sua voz que “vi”, nascendo, a maior cena da história do país. Enquanto a Seleção parecia imobilizada em campo, Didi foi até o nosso gol, pegou a bola no fundo das redes, colocou-a debaixo do braço e caminhou em direção ao meio do campo, carregando-a como se carrega a um fuzil. Foi andando normalmente e, no caminho, soltando palavras de incentivo aos seus soldados.

O que se viu, dali para frente, jamais o mundo veria outra vez, nem em 1970, nem em 1974 com a Holanda, nem em 1982, com a Seleção de Telê. Era como se não apenas a Seleção, mas o Brasil florescesse como uma laranjeira em flor. Os ecos da Semana de 22, o canto orfeônico de Villa-Lobos, as descobertas culturais de Mário de Andrade, a geração de 1942, os regionalistas, os cantores populares, de repente tudo aparecia nítido aos olhos do mundo e, principalmente, aos olhos do país. Habemus um país.

O derrotismo, a baixo auto-estima, o complexo de inferioridade, tudo foi sendo varrido da frente por aqueles passos compassados, firmes do capitão Didi em direção ao meio do campo.

Quando Didi morreu, alguns anos atrás, recordei-me dele em Poços, em 1958 e 1962, a maneira como fazia os exercícios, suas corridas estacionárias nos treinamentos individuais, os lançamentos esplendorosos nos coletivos, o gol de “folha seca”.

Mais tarde foi para o Real Madri, dizem que sofreu boicote do grande Di Stefano. Depois, largou a mulher e se casou com a branca Guiomar. Foi alvo de campanhas preconceituosas de jornais, nada que reduzisse em um milímetro a admiração e gratidão que os brasileiros lhe devotavam.

Os EUA celebram a foto dos fuzileiros em Ivo Jima. O Brasil sempre celebrou o grito do Ipiranga, no quadro de Pedro Américo. Mas para a minha geração, do menino de 8 anos aos velhos septuagenários, a cena de Didi, sua caminhada do nosso gol até o meio de campo, foi um marco, um corte no país que teimava em nascer.

Nos anos seguintes, a auto-estima do país chegaria ao auge. Mesmo com todos os percalços políticos, resistiria incólume ainda por muitos anos.


Categoria: Crônicas
Escrito por Luis Nassif às 19h30

Do leitor

Varig: 1992, o ano que nao acabou

Quem lhe contou a história contou mal (sobre a responsabilidade de Rubel Thomas na crise da Varig). O Sr.Rubel Thomas assumiu a Presidência da Varig em 1990 e saiu em 1994, há doze anos, portanto. É temerário concluir que um único Presidente possa ter feito tanto mal sozinho  a uma empresa; e isso há 12 anos do fato!

Uma simples observação da política econômica da época basta para deduzir-se que o mal maior veio daí mesmo. Tanto quanto veio dessa mesma época –e dessa mesma Presidência- a ação iniciada por perdas do tal plano econômico (pago à Transbrasil e negado à Varig e às outras).  Quanto à “megalomania por linhas internacionais”, a TAM, logo após a morte do Comandante desarticulou de forma totalmente equivocada as linhas internacionais implementadas com sucesso não apenas pelo “megalomaníaco” (como denominei o plano de Thomas na TAM) mas pelo próprio Cte.Rolim e, principalmente, pelo genial Engenheiro Falco.

Essas mesmas linhas estão hoje devidamente retomadas – à exceção de uma, por ironia a potencialmente mais importante- e a TAM, corretamente,  quer as linhas internacionais da VARIG.

Quem quiser opinar sobre os problemas da Varig tem que estudar o seus “Colégio Deliberante” e o Conselho de Curadores” . Pode-se começar pelo ano de 1992; o que vem antes não altera nada.

Atenciosamente,

João E.Bratkowski


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 15h30

O livre fluxo de capitais - I

A manutenção desse modelo de alta volatilidade cambial no Brasil, acarreta as seguintes conseqüências:

1.    Elimina a autonomia da política monetária brasileira. Os juros internos têm que ter um olho na inflação interna, outro no “yeld” (rentabilidade) dos papéis brasileiros.

2.    Pressiona fortemente a política fiscal, ao obrigar à acumulação excessiva de reservas cambiais (para enfrentar a volatilidade do câmbio) e a manutenção de juros mais elevados do que seriam sem a volatilidade cambial.

3.    Cria um círculo vicioso, fartamente demonstrado ao longo desses últimos dez anos. Os juros altos provocam uma apreciação do real (devido à liberdade de movimentação do capital especulativo), criam uma situação de desequilíbrio (porque, dentro de algum tempo, se reflete nas contas externas) e seguram provisoriamente a inflação. Depois, quando ocorre a descompressão do câmbio (devido a algum evento externo ou às pressões da balança comercial) a desvalorização traz de volta a inflação, jogando todo o esforço água abaixo.

4.    Não significa um tostão a mais de investimento. Primeiro, porque capital volátil é capital de arbitragem (entra para morder e sair). Depois, porque uma economia exposta a capital volátil espanta o capital de investimento.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 15h14

O livre fluxo de capitais – 2

Afinal, quem se beneficia do livre fluxo cambial, desse capital especulativo que entra e sai a qualquer hora do país?

1       Os rentistas, obviamente. Os donos do capital que podem arbitrar entre as taxas de juros internas e externas, sair correndo a qualquer soluço internacional, voltar correndo a qualquer melhora nos indicadores.

2.     O grande capital informal, de investidores brasileiros que não pagam impostos, usando seu caixa dois em fundos “offshore”, ao crime organizado.

3.     Os gestores de fundos, um amplo leque que vai de administradores conservadores àqueles que transitam na linha da lavagem de dinheiro.

4.     Todos os operadores de mesa e economistas, que ganham em cima dos resultados, com seus bônus sendo depositados no exterior.

5.     Os titulares de ativos brasileiros, que pretendem vender para investidores externos. Todos esses lançamentos recentes de papéis secundários (dos controladores) em Bolsa visavam se beneficiar do movimento especulativo provocado pelos “hedge funds”.  As ações subiriam de valor depois, quando fossem desovadas para os investidores comuns, as cotações desabariam.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 15h14

O livre fluxo de capitais - 3

E quem perde com esse livre fluxo de capitais:

1. Todos os brasileiros sem acesso a dólares, obrigados a pagar mais impostos para fazer frente ao aumento da dívida pública, e mais juros, influenciados pela taxa Selic – que é influenciada pelo livre fluxo cambial.

2. As empresas que vendem para o mercado interno, obrigadas a conviver com a economia travada e com a invasão de importados, devido à apreciação do real.

3. Os exportadores, sendo expulsos dos mercados conquistados por conta do encarecimento do real.

4. As empresas brasileiras que captam no exterior ou em dólares. Ao contrário do que se imagina, o livre fluxo de capitais gera um efeito volatilidade que aumenta em 20% o risco Brasil, em relação às demais economias emergentes.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 15h13

A canção brasileira

Cem anos de música produziram momentos inesquecíveis no Brasil. Nos anos 20, a influência do norte, através dos Turunas da Mauricéia, ajudando a definir a nova música brasileira.  No final dos anos 20, o samba se formando com Donga e Sinhô e, especialmente Noel, e o choro explodindo com Pixinguinha e, no plano erudito, com Villa Lobos e o paraguaio Agustin Barrios.

Nos anos 40, o período de internacionalização da música brasileira, com Ary Barroso e Dorival Caymmi, e os violonistas da rádio Nacional, inspirados em Garoto. E ainda uma linha de música nordestina de Luiz Gonzaga, que se desdobra em muitos galhos nas décadas seguintes. Nos anos 60, a bossa nova, em sua plenitude, com Tom Jobim, Carlos Lyra, Roberto Menescal e, logo depois, com Baden Powell. Em meados dos anos 60, a música dos festivais consagrando a geração de ouro, de Chico, Caetano, Gil, Sidnei Miller, Edu Lobo, Vandré, Milton Nascimento. Os anos 70, com João Bosco, Ivan Lins e Djavan. Os anos 80, com a explosão da música do sertão da Bahia e do pantanal, com o gênio de Almir Satter.

Mas nenhuma escola me emociona mais do que a canção brasileira, um gênero semi erudito que se forma ao longo dos anos 20, atravessa os 30 e 40, e ingressa nos 50, inclusive influenciando o Tom Jobim pré-bossa nova. Pode-se gostar de ”Garota de Ipanema”, “Desafinado”, “Chega de Saudades”. Mas quem ouviu “Modinha” (“não, não pode mais meu coração / viver assim dilacerado...”), dele e de Vinícius, curtindo uma dor-de-cotovelo, não se esquecerá jamais.

Com o auxilio da “Enciclopédia da Música Brasileira” vou delineando um pouco da vida e obra daqueles músicos talentosos, que ajudaram a formar a canção brasileira, no período em que o Brasil se tornou Brasil.

O grupo central, onde brilha a estrela incomparável de Villa Lobos, era constituído por Hekel Tavares (1896-1969), o paraense Valdemar Henrique (1905-1995), Henrique Vogeler (1888-1964), Marcelo Tupinambá (1889-1953), Jaime Ovalle (1894-1955), todos influenciados pela Semana de 22. Nas letras, sobressaiam Luiz Peixoto (o letrista brasileiro que mais me emocionava, e que vai merecer uma coluna à parte), Manuel Bandeira, Joracy Camargo e Ascenso Ferreira, entre outros.

Obra maiúscula, a Enciclopédia inexplicavelmente deixa de incluir o maestro Sá Pereira, autor de peças para teatros de revista e autor da imortal “Chuá Chuá”. A propósito, numa próxima edição poderia incluir o maestro Portinho (um dos pais do choro moderno, já falecido), Índio Vago (autor de clássicos caipiras), Rosil Cavalcanti (autor das melhores músicas de Jackson do Pandeiro), o violonista José Lanzac (considerado o melhor violonista clássico brasileiro dos anos 20 aos 40) e Atilío Bernardini (professor de Garoto), além do maestro Azevedo, já mencionado pela coluna.

É de 1927 o clássico “Sussuarana” de Hekel Tavares e de Luiz Peixoto (“faz três sumanas / numa festa de Santana / que Zezé Sussuarana me chamou prá conversar”). Hekel é também autor de “Guacira” (“Adeus Guacira / meu pedacinho de terra”), com letra de Joraci Camargo.

Outra figura  excepcional  foi o paraense Jayme Ovalle cuja biografia meu amigo Humberto Werneck estava levantando. Autodidata em tudo –na música e na profissão de diplomata-- , foi nomeado por concurso para a Fazenda Nacional, ocupando cargos em várias capitais do mundo. Era cunhado do diplomata influente Augusto Frederico Schmidt. Na minha limitada opinião, foi autor das duas mais belas canções brasileiras do século, ambas com letra de Manuel Bandeira:  “Azulão” (“Vai azulão, companheiro, vai...”), e “Modinha”.

O paraense Valdemar Henrique é outro que marcou a formação musical da minha geração. Curiosamente, em 1958 compôs música tema para “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Mello Netto. Foi premiado, mas sua versão acabou ficando em segundo plano quando, anos depois, o jovem compositor Chico Buarque musicou a peça. Sua música mais conhecida era o “certa vez de montaria / eu desci o Paraná / o caboclo que remava / não parava de falar...”.  Mas tinha uma ufanista, que meu tio Léo cantava com paixão: “ó meu Brasil tão grande e amado / é meu país idolatrado...”.

Do grupo fazia parte também Henrique Vogeler autor de um dos clássicos definitivos do século, “Ai ioiô”, letra de Luiz Peixoto (“ai ioiô, eu nasci prá sofrer / fui olhar prá você / meus oinhos fechou”).

Nessa linha fronteiriça entre o erudito e o popular, pendendo mais para o popular, tem o uberabense-carioca Joubert de Carvalho (1900-1977), autor de um clássico conhecidíssimo –“Maringá” (“Foi numa leva / que a cabocla Maringá..)—, de uma marchinha inesquecível (“Taí, eu fiz tudo prá você gostar de mim”), de um cateretê maravilhoso (“De papo pro ar”), entre centenas de músicas de primeira, mas de uma canção brasileira que minha turma não se cansa de tocar: “Foi num dia de tristeza / que a cidade abandonei / sem saber o que fazer....”      .

Ah, música de tanta riqueza, música que desbravou a alma brasileira, e que revelou um Brasil solidário, maduro, sentimental. É essa canção brasileira que me acompanhou no último dia antes do ano 2.000, com os amigos boêmios que reuni em casa, para extrair deles o que de melhor o Brasil produziu no século.


Categoria: Minhas Músicas
Escrito por Luis Nassif às 14h06

Do leitor

Análise do caso Varig

Alguns pontos que abordaremos abaixo são uma modesta colaboração sobre o tema, e desde já solicito que você nos considere um "anônimo".

1- Situação das Companhias Aéreas no Mundo Globalizado

Mesmo antes do 11 de setembro, o setor de companhias aéreas apresenta sintomas de difícil governança.

Durante minha carreira iniciada no Unibanco como Gerente da Área Corporate não recomendava compra das ações da VARIG: na época a VARIG distribuía dividendos com a correção monetária, e sua gestão pela Fundação Rubem Berta era paternalista e sindical.

Internacionalmente as Companhias Aéreas detém uma forte participação dos sindicatos, o número de sindicatos envolvidos na operação aeroviária envolve tapeceiros, eletricistas, mecânicos, pilotos (arrogantes, superados apenas pelos jogadores de futebol), faxineiros, atendentes e agentes comerciais. É realmente uma "zorra" sindical. O grande problema do setor aeroviário é a questão trabalhista e sindical que com o crescimento e o tempo das operações constroem um grande passivo trabalhista e social.

As duas melhores referências dessa multiplicidade sindical são nos Estados Unidos, a UNITED AIRLINES, hoje gerida pelos sindicatos; e do outro lado a AIR FRANCE sob gestão profissional nomeada pelo governo francês.

Eu costumo comparar as Companhias Aéreas como os nossos filhos: quando são crianças, e adolescentes são lindos e legais. Quando casam  trazem as obrigações dos " in laws": a nova família que chega e seus passivos e obrigações. Em resumo, Companhia Aérea quanto mais velha, mais problemática, e mais exigente, e porque não dizer perigosa, se mal gerida.

2- A falta de racionalidade.

O Governo Lula pode estar cometendo um erro, pela miopia e o medo que transformou a Nova Esquerda uma horrível referência conservadora pelo imobilismo causado pelo medo. Castañeda tem um lúcido artigo na Foreign Affairs de maio de 2006 quando classifica as esquerdas em radical e conservadora, elegendo o Presidente Lula como a Nova Esquerda Conservadora.

3- O apoio ao juiz Ayoub.

O Brasil é um país de boas surpresas. Frente ao imobilismo do Governo, apenas o Ministro Waldir Pires aponta uma motivação do Governo. É no Juiz Ayoub que encontramos uma semente para construção do consenso, a Sociedade Civil precisa apoiar o Juiz Ayoub.

4- Criação de solução de consenso.

Se você me perguntar o que fazer, eu seria simplista no conceito e complexo na operação. O conceito é salvar a VARIG pelo estoque de conhecimento e contribuição ao Brasil na Economia Global, e equilibrar os empregos com racionalidade. Os países escandinavos, Suécia e Dinamarca são as boas referências simples, sugiro a pesquisa.

Complexo na operação seria a Criação de Uma “Força Tarefa" para execução de Um Plano Eficaz de Recuperação que reflita o Caráter Multidisciplinar de construir o Consenso: Funcionários, Credores, Juiz Ayoub e Govêrno Federal.

O Presidente Lula precisa descer do MURO e pensar como Estadista. Não adianta fatiar a VARIG entre TAM e GOL. Hoje elas são estrelas, mas com o tempo serão problemáticas como nossos filhos. O modelo atual tradicional precisa ser revisto, e chegou a hora de inovar.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 12h44

16/06/2006

Agora, o Kaspersky

É praga, mandinga ou sei lá. Segui a dica de um leitor aqui do blog, e baixei a suíte do programa russo Kaspersky. Em um computador, foi ótimo, sistema inteligente de antispam, aparentemente rigor no antivírus.

Aí resolvei baixar no meu notebook. Na instalação deu algum problema com a senha. Agora não consigo reativá-lo, pois não aceita a senha; não consigo removê-lo, pois não é removível sem senha.

É a última suíte pessoal que cometo a imprudência de instalar em meu micro.


Escrito por Luis Nassif às 17h00

Plataforma Brasil

Um túnel sob os Andes

O desenvolvimento econômico da América do Sul depende diretamente de uma integração física da infra-estrutura regional. Um projeto ambicioso pretende inserir o continente na rota de comércio do Pacífico, através da construção de um túnel sob a cordilheira dos Andes. O objetivo do TunAL (Túnel de Integração da América Latina) é ligar o Porto de Antofagasta, no Chile, ao resto da América Latina (veja o traçado do túnel).

A idéia é encurtar distâncias para o escoamento de mercadorias do Brasil e outros países sul-americanos para Ásia, Oceania e costa oeste dos Estados Unidos.

Fazem parte da parceria de transferência tecnológica a USP e o Tunconstruct (projeto de pesquisa na Universidade da Áustria, co-financiada pela União Européia). Até agora já foram investidos 28 milhões de Euros só na área de pesquisas, com recursos da União Européia e empresas envolvidas. A construção do túnel duraria 15 anos e o custo final é de estimado em US$ 15 bilhões.

Esse trabalho será apresentado no Seminário Financiamento da Infra-Estrutura do Projeto Brasil, na próxima terça-feira.

Detalhes do trabalho.

Detalhes do seminário.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 16h52

O ectoplasma dos juros

Assim como Raul Velloso e Fábio Giambiagi, Armando Castellar faz parte dos economistas que criticam o déficit público e são capazes de relacionar todos os ingredientes que contribuem para seu aumento... com exceção dos juros.

Quando assessorava o Ministro do Planejamento José Serra, no início do Real, Giambiagi era capaz de produzir artigos dizendo que a raiz do déficit público brasileiro não estava nos gastos públicos, mas nos juros. Depois que saiu da assessoria, mudou de opinião. Se cobrado, dirá que na época ele era "chapa branca".

Recentemente, ele e Castellar lançaram um livro falando de uma agenda de reformas que passa pela maior abertura cambial, flexibilização da legislação trabalhista, aumento da segurança jurídica... e nenhuma palavra sobre o custo da volatilidade cambial com a abertura, e sobre as taxas de juros. Para eles, juros são um ectoplasma, uma ficção criada para atrapalhar seus modelitos econômicos.

Na última reunião da COSEC (Conselho de Economia da FIESP), Castellar apresentou um resumo do seu trabalho. Leia aqui.

No trabalho, há um gráfico sobre o crescimento da carga tributária total, que situa em 1994 o início da escalada. Economistas como os mencionados costumam atribuir esse aumento da carga ao fim do imposto inflacionário – que permitia ao Estado se equilibrar atrasando pagamentos ou permitindo a corrosão dos salários.

Mas o aumento desmedido da dívida pública foi razão direta dos juros praticados para atrair capitais externos, depois que a apreciação do real provocou um déficit externo insustentável.

Leia o trabalho e dê sua opinião aqui ou em Fórum (só para assinantes).


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 13h12

15/06/2006

A reação contra a Telemar

Esta semana, o Fundo Brandes (um dos maiores dos EUA) entrou na SEC e na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) denunciando a Telemar de ter proposto uma regra “fraudulenta” de troca de ações dos minoritários PN por ações ordinárias.

Agora, a CVM vai ter que rapidamente definir regras para essas operações de pulverização de capital, como a proposta pela Telemar e por uma lista de empresas.

Veja mais


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 22h20

A teoria dos déficits gêmeos

No plano teórico, as idéias que ajudaram na defesa da liberdade total para os fluxos cambiais foi a chamada “teoria dos déficits gêmeos” – segundo a qual, o déficit externo de um país era conseqüência do seu déficit fiscal.

Foi esse princípio, prontamente aceito por economistas do Real, como Edmar Bacha, que levou à fabricação de déficits em conta corrente que, mais à frente, mataram o projeto de desenvolvimento pós-Real – mas enriqueceram o capital de “arbitragem”. Talvez tenha sido o maior engano teórico da história econômica brasileira, ou pelo menos o de mais funestas conseqüências.

O sujeito que mais disseminou esse conceito foi o Sub-Secretário do Tesouro norte-americano Larry Summers. O conceito quebrou países, mas fez a festa de fundos internacionais, e de seus sócios brasileiros.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 22h02

Para o final de semana

Os guetos musicais de São Paulo

Anos atrás escrevi uma coluna para a Folha falando dos guetos musicais de São Paulo, aqueles lugares quase escondidos onde se toca a melhor música instrumental da cidade. Passo a seguir um roteiro desses guetos, preparado pela pandeirista Roberta Valente – que, junto com o Zé Barbeiro e Alessandro vão me acompanhar o show de inauguração do escritório da ABI em São Paulo, na terça-feira, 20 horas, no Teatro São Pedro.

Bar do Cidão: Rua Deputado Lacerda Franco, 293, Pinheiros

* às segundas, Jane do Bandolim, a partir das 21 h.

* às terças, Grupo Bico de Lacre: Alexandre Ribeiro (clarinete), Alexandre Moura (violão de 7), Henrique (bandolim) e Léo (pandeiro)

* às quintas, João Macacão (7 cordas), a partir das 22 h

* às sextas, das 22 h às 2h30, roda de choro com Zé Barbeiro (violão de 7 cordas), Stanely Carvalho (clarinete) e Léo (pandeiro) .

Ó do Borogodó - Rua Horácio Lane, 21 - Pinheiros. Tel.: 3814-4087. Rodas de samba e choro:

* às segundas, com Grupo Ó do Borogodó  e Verônica Ferriani: Lula Gama (violão), Alexandre Ribeiro (clarinete), Ildo Silva (cavaquinho), Roberta Valente (pandeiro) e Cebolinha (tantã). A partir das 22h30.

* às terças, com Grupo Choro Rasgado e D. Inah:  Zé Barbeiro (7 cordas), Roberta Valente (pandeiro), Rodrigo Y Castro (flauta) e o virtuose Alessandro Penezzi (violão). A partir das 22 h


* às quintas, com Renato Anesi e Juliana Amaral. A partir das 22h30

* aos sábados, das 23 às 3 h, roda de choro com Grupo Cochichando: Paulo Ramos no 7 cordas, João Poleto no sax/flauta, André Hossoi no bandolim, Ricardo Valverde no pandeiro e Ildo Silva no cavaco. 

 Tocador de Bolacha: Rua Patizal, 72 (Vila Madalena), tel.:  3815-7639

* Às sextas-feiras: a partir das 21h30, Grupo Sociedade do Choro:
Carlinhos Amaral (violão 7 cordas), Marcel Martins (cavaquinho), Murilo Cabral (cavaquinho e bandolim), Rafael Brides (violão) e Renato Vidal (pandeiro).

* Aos sábados, a partir das 22 h, choro com Jane do Bandolim, Lula Gama (violão) e Léo (pandeiro).
 

Restaurante e bar Rasgueira: Rua Gabriele D'annunzio, 1346 (Campo Belo), tel.: 5042-3070

 Feijoada com roda de choro. Músicos: Zé Barbeiro (7 cordas), Rodrigo Y Castro (flauta), Marcelo Galani (pandeiro) e Fernando Caram (cavaquinho). Sábados, das 14 às 18 h.

Bar e restaurante Marajá: Rua Martins Fontes, 153 (Centro), tel.: 3104-8727.

No happy-hour, às quintas-feiras, roda de choro com Zé Barbeiro (violão de 7), Cidão (cavaquinho), Stanley (clarinete) e Roberta Valente (pandeiro).  

Magnólia Villa Bar: Rua Marco Aurelio, 883 (esq. Rua Aurélia), Vila Romana, tels.: 3863-9296/3875-7266/3875-7277. Sextas, das 21 à 1 h.  

A pandeirista Roberta Valente e os seus convidados agitam as sextas do Magnólia. Os convidados deste mês são os cantores Bia Goes, Borba e Anaí Rosa, e os instrumentistas Zé Barbeiro, João Poleto, Ruy Weber, Alexandre Ribeiro, Euclides Marques, Ildo Silva, etc.

Lutheria do Manoel Andrade: Rua Alfredo Pujol, 1158 (Santana), tel.: (11) 6283-4986.

As rodas de choro acontecem na oficina do luthier Manoel Andrade. Há um pequeno palco, com diversas cadeiras em volta.
Não é um bar, portanto, não é servido nada, exceto café.

Loja de instrumentos Contemporânea - Rua General Osório, 46 (Santa Ifigênia) 221-8477 / 220-2954.  

A roda de choro é aberta a quem chegar e acontece nas manhãs de sábado, a partir das 10 h, até umas 13 h.


Categoria: Minhas Músicas
Escrito por Luis Nassif às 19h04

A confusão entre PF e PJ

Vamos aproveitar essa repercussão do caso Varig para algumas explicações.

1.      Empresa não é gente. Empresa não comete crimes, a não ser que seja uma organização criminosa. Quem comete crimes, má gestão, abusos são os dirigentes ou funcionários da empresa.

2.      Se são funcionários, eles são demitidos. Se os abusos são cometidos pelos gestores e/ou controladores, tornando a empresa inviável, eles precisam ser afastados.

3.      Ocorre que, nesse processo de má gestão, a empresa cria passivos, com funcionários, fornecedores credores. E aí há a necessidade de diminuir os prejuízos.

4.      Se a empresa for operacionalmente viável, a melhor maneira de diminuir o prejuízo dos credores é mantê-la funcionando. Tome-se o caso da Varig. Em operação, a marca tem valor, assim como o corpo de funcionários, a estrutura de vendas, o treinamento, a manutenção. Parada, tudo isso vira pó, e a Varig se limitará a ser alguns galpões em aeroportos, que serão tomados pela Infraero, e linhas que serão remanejadas pelo DAC (Departamento de Aviação Civil).

5.      Por isso mesmo, o caminho mais racional é separar administrador/controlador da empresa. Afastam-se os maus administradores, que terão que responder civil ou penalmente por seus atos. Aí a empresa é vendida para quem se disponha a pagar (reduzindo os prejuízos dos credores) e tenha competência para geri-la. Quem autoriza a operação é a Assembléia de Credores, fórum mais do que abalizado para tomar decisões, porque é o seu dinheiro que está em jogo.

6.      Mesmo assim, há que se tomar cuidado na venda da companhia. O comprador tem que correr risco, colocar dinheiro, oferecer garantias. Senão, qualquer aventureiro entraria no jogo. Um segundo ponto relevante é a governança. A empresa tem que ser controlada por uma assembléia que reúna vários tipos de acionistas. Não se pode permitir, por exemplo, que se repita o erro da Fundação Rubem Berta, e se mantenha a Varig sob controle dos funcionários. Tem que haver contrapesos, outros grandes acionistas que garantam gestão profissional, coíbam abusos etc.

7.      A Varig tem enormes passivos com o governo, funcionários e fornecedores. Se for fechada, tudo isso vira pó. Se for vendida, pode-se recuperar parte do passivo, preservar empregos e garantir o pagamento de impostos.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 18h49

A Venda da Varig

Não procedem os boatos que circularam no final da tarde, de que a venda da Varig estaria para sair, através de uma associação entre o consórcio Nova Varig Participações (ligada ao TGV, Trabalhadores do Grupo Varig), a SYN Logística e o fundo americano Carlyle.

Pelo menos até às 18 horas de hoje, os principais negociadores do TGV nada sabiam. Existem três frentes abertas de negociação, nada que seja palpável.Em relação aos grupos mencionados, não existe nada. A TGV aproximou-se deles apenas porque conseguiram ser recebidos pelo juiz da recuperação e pela Fundação Rubem Berta. Duas pessoas foram enviadas para conversar com eles, mas apenas para ganhar tempo, porque se sabia que nada teriam a oferecer.

Segundo essas fontes, a TGV tem financiamento assegurado. O problema é o empréstimo fonte, alguém que corra o risco de bancar o pagamento inicial. Mas sucessivas declarações têm reduzido a segurança jurídica, tornando a operação muito difícil.

O curioso nessa história é a participação ainda intensa da FRB nas negociações. Uma hora depois do juiz bater o martelo, negociadores do TGV foram convidados a explicar a operação em uma reunião informal com a Varig. Em lugar de um encontro técnico, reservado, havia um auditório com 50 pessoas da diretoria e do Conselho de Administração querendo saber todos os detalhes. Criou-se uma situação curiosa em que as explicações, em vez de serem dadas aos credores, eram dadas aos devedores.

Não foi a primeira ingerência da FRB no processo de recuperação. Assim que o processo foi homologado, demitiram o presidente da companhia e colocaram um conselho de notáveis. Depois, tiraram o conselho de notáveis e ainda deixaram a companhia com uma dívida de US$ 75 milhões de crédito extra-concursais –isto é, que não entraram na recuperação, portanto fatais para a companhia, se for pedida sua falência.

Na opinião de observadores, idas e vindas, como a da SYN Logística, visam apenas sangrar mais a Varig para, quando estiver em uma situação de não retorno, ser entregue por qualquer valor.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 18h13

A punição das empresas

Problema semelhante ao da Varig foi vivido pelo Mappin. Quebrado, havia a possibilidade de salvá-lo, retirando do controle dos Mansur, processando-os, se fosse o caso, mas preservando a empresa.

Havia compradores aguardando uma decisão. Não foi possível. Fechou-se a empresa, despediram-se os empregados, ficou apenas o prédio. Todo mundo perdeu, dos credores aos trabalhadores, passando pelo governo, que deixou de receber impostos, pelos fornecedores e tudo o mais.

Mais uma vez a burrice nacional penalizando a empresa, em vez de penalizar o controlador. E mais uma vez os clichês, de operação-hospital ou quetais impedindo a racionalidade.

Se tenho uma empresa que tem um lucro de 10 por mês e uma dívida de 10.000, obviamente ela é inviável com essa dívida. Mas essa empresa, mantida aberta, vale, digamos 1.000; fechada, vale 100. Se separo a parte boa da parte ruim, vendo por 1.000 e rateio pelos credores. Todos vão perder, mas muito menos do que fechar a empresa.

Mais que isso, preservo empregos e todos os intangíveis (valores não mensuráveis) da companhia. Mas essa lógica, aceita por qualquer país civilizado, não entra na cabeça da nossa opinião pública.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 16h59

Uma morte estúpida

O final da Varig é a prova maior da ignorância nacional. Mostrou o despreparo e descaso de dois governos – FHC e Lula --, a incapacidade do Judiciário e a incompetência dos credores para chegar a um acordo que salvasse a empresa.

Mais que isso: mostrou o despreparo da opinião pública, em geral, para tratar de casos de recuperação de empresas. Punem-se empresas como se elas fossem gente, que precisassem dividir a punição com seus controladores.

A culpa da crise da Varig é dos administradores da empresa, não da companhia –que tem CNPJ, não RG. Se uma companhia é operacionalmente viável, e passa por problemas de gestão e de excesso de endividamento, em qualquer país racional do planeta, trata-se de afastar o gestor, colocar alguém que implemente um plano de recuperação. Depois, de modo figurado (e jurídico) se criam duas empresas: uma sem dívida, outra que herda as dívidas.

Porque se faz isso? Porque uma empresa como a Varig tem muito maior valor operando do que parada. Porque quando se tenta vender uma companhia com muitos esqueletos (dívidas) seu valor vai lá embaixo, porque o comprador desconta no preço a insegurança em relação ao total do passivo.

Quando se vende uma companhia limpa de passivos, o preço que se alcança é muito maior, e servirá para pagar uma parcela maior das dívidas da empresa velha.

Se o valor da nova companhia não for suficiente para quitar todas as dívidas, não faz mal. De qualquer forma, seu valor será muito superior ao de uma companhia parada.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 16h53

14/06/2006

Do leitor

O etanol e a competição internacional

por André Araújo, a propósito do artigo "As ações no biodiesel", da ABDI

Estimular outros paises a produzirem etanol? Faz sentido? Para tornar o etanol commodity? Mas o etanol já e, tanto que os grandes traders mundiais de commodities já operam o produto em larga escala, como a Cargill, que exportou em 2005 , 600 milhões de litros, algo como 20% do total exportado.  Os EUA produzem mais etanol que o Brasil, 18 bilhões de litros contra 16 bilhões do Brasil,  extraídos de milho, muito mais caro para produzir do que de cana, mas esse etanol é negociado como commodity há muito tempo., a ADM lá domina o setor. 

Os concorrentes surgirão naturalmente e não vamos repetir a besteira do café e da borracha, dos quais já fomos os primeiros do mundo, depois superados por paises menores, mais espertos e mais ativos que nós.

No caso da borracha, as mudas da hevea que criaram as plantações da Malásia saíram do Amazonas, transportadas por botânicos ingleses. Até então (1914) o Brasil era absoluto na borracha natural. A tecnologia do etanol não é um segredo, a África tem terra a vontade apropriada, assim como a Indonésia, a Índia ,  o Sul da Ásia, a Austrália e muitos paises da América Latina e Central, as três Guianas, todo o Caribe.

Que história é essa de ensinar e incentivar outros? A nossa politica deve ser o oposto, manter ao máximo  nossa liderança no etanol de cana até que outros, inevitavelmente e independentemente da nossa vontade, estimulados pela demanda crescente, vão produzir etanol em massa. Me desculpe mas essa conversa do diretor da Agência parece piada de português.


Escrito por Luis Nassif às 15h34

Do leitor

O plano Decola Galeão

Os leitores continuam enviando idéias, sugestões e notícias para nossa Plataforma Aberta de Governo. Do leitor Cláudio Louzada, o Blog recebeu a seguinte informação sobre o plano de logística do Rio de Janeiro.

Falando de Metrô em São Paulo, gostaria de informar que nós, paulistas, estamos também desatentos porque o Estado do Rio de Janeiro trabalha muito sigilosamente em um projeto ambicioso de transporte. Na verdade, trata-se de um projeto de integração logística que irá beneficiar tanto a capital como todo o estado.

A positiva repercussão política e secundariamente, mas não menos importante, econômica em curto e médio prazo será inevitável, com excelente projeção nacional aos seus implementadores. Em verdade, o que está para ser decidido  é a reversão da atual tendência de São Paulo consolidar-se como a capital da América do Sul e principal centro (Hub) de conexões de vôos internacionais.

O esvaziamento do Rio de Janeiro acentuou-se a partir de 1985, com a inauguração do aeroporto internacional de Guarulhos. Este terminal é muito mais que apenas um meio facilitador  de transporte. Hoje, representa a extensão dos poderes políticos e de influência econômica e social do Estado de São Paulo para os mais longínquos pontos do território nacional e dos paises vizinhos. Ciente destes aspectos, que parecem tão óbvios, mas têm passado despercebido dos governantes, o governo do Rio de Janeiro deu início a um projeto com um nome despretensioso:  “Decola Galeão”.

O Decola Galeão é o mais audacioso e viável programa de logística de transporte com cunhos poderosos de desenvolvimento e reflexos na política, na economia  e turismo, e principalmente no âmbito de divulgação e fixação de um nome nacionalmente.

Veja aqui mais detalhes.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 15h19

Como avaliar governantes

Quem foi melhor administrador, Lula ou Alckmin? A bem da verdade, é quase impossível saber. Não há metodologias consagradas para medir a eficiência de um governante. O máximo que se consegue é saber alguns programas que foram lançados com maior ou menor imaginação, e algumas estatísticas precárias.

Como realidades complexas, é possível levantar dez itens em que o governo Lula se saiu bem, e outro tanto em que ele se deu mal. O mesmo pode se fazer com o governo Alckmin.

O problema é que o Brasil está na pré-história em termos de sistemas de avaliação de governo. Por exemplo, o ex-Secretário de Ciência e Tecnologia de Alckmin, João Carlos Meirelles, se gabava de ter criado 45 Arranjos Produtivos Locais. No fundo, o que fazia era organizar um evento, juntar empresários de um mesmo setor em uma determinada região, e decretar a fundação do APL. E mais nada.

Esse tipo de jogada estatística também foi aplicada por Lula. Apresentam-se dados numéricos, sem entrar nos qualitativos. Fica-se, então, na mesma história do elefante e dos sete cegos, cada qual apalpando apenas uma parte do bicho para tirar conclusão.

Lula tem um mérito insofismável: a universalização das políticas sociais. E um erro imperdoável: o aparelhamento da máquina pública.

Alckmin tem um mérito inquestionável: a manutenção dos quadros técnicos do governo do estado. E um erro imperdoável: a falta de decisão e de ações estruturantes.


Escrito por Luis Nassif às 13h05

Incertezas do caso Varig

Não será o juiz Ayoub quem irá dar garantia jurídica aos novos compradores da Varig, de que não herdarão pendências trabalhistas e fiscais. A nova Lei de Recuperação de Empresas está no mesmo nível hierárquico da CLT (que prevê prioridade aos débitos trabalhistas) e a que prevê prioridade para os débitos fiscais. Há um conflito de interpretação que não foi resolvido ainda nos tribunais superiores. É isso que levou o procurador-geral da Fazenda a um parecer acaciano de que a nova empresa não será responsabilizada pelas dívidas da velha empresa, se elas forem devidamente quitadas. Mais detalhes no Guia Financeiro.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 12h51

As ações no biodiesel

O esgotamento das reservas mundiais de petróleo e a instabilidade política em torno do assunto levam o mundo a pensar em novas fontes de energia. O Brasil sai na frente com o uso do álcool na matriz energética, mas para se consolidar como líder mundial e conquistar uma fatia importante do mercado, algumas medidas se tornam necessárias.

Segundo o diretor da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industria (ABDI), Mario Sergio Salerno, a principal estratégia do governo é estimular o desenvolvimento de novos países produtores e tornar o produto uma commodity internacional – para que os importadores não fiquem na dependência de fornecedor único. Ele destaca algumas missões internacionais realizadas pelo governo que contribuem para acelerar essa estratégia:

1- Missão ao Japão que ficou conhecida pelo rótulo de “TV Digital”, mas que tratou de álcool

2- Missão e “Brazilian Day” em Londres, quando se discutiu com o governo britânico o apoio tecnológico e empresarial para produção de álcool na África do Sul.

3- Missão na América Central na semana de 28 de junho, quando será inaugurada uma usina joint-venture.

O representante da ABDI destaca que o foco inicial é ampliar os mercados internacionais e dar visibilidade ao álcool brasileiro, mas o desenvolvimento tecnológico também está previsto na Política Industrial e Tecnológica e de Comércio Exterior. Nesse sentido, é importante a articulação de novas variedades de cana para regiões hoje não produtoras (como o Sul do Brasil) e articulação de processos nano e biotecnológicos para aumentar a eficiência do todo, aproveitar resíduos e inaugurar novos usos para o carburante (como uma alcoolquímica renovada).

Estudos mostram que a demanda global do produto em 2010 deve atingir 80 bilhões de litros por ano se considerarmos uma adição de 5% de álcool à gasolina. Em 2004 esse consumo foi de 26 bilhões de litros em 2004. O álcool de cana-de-açúcar no Brasil é o biocombustível de maior produtividade no mundo, com 6 mil litros por hectare por ano. Através inovações tecnológicas, esse valor opde chegar a 14 mil litros de álcool por hectare por ano.

O artigo completo de Mario Sergio Salerno que mostra o provável cenário para 2025, as perspectivas para o Brasil e as ações de governo em curso, estão no site www.projetobr.com.br. A política energética está diretamente ligada à infra-estrutura e integração da América latina, dois dos temas abordados na Plataforma Aberta de governo que o Projeto Brasil está elaborando. Dê sua contribuição no site ou através de e-mail.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 12h14

O fator Nike

É cedo para maiores avaliações, mas tenho a impressão de que a entrada de Ronaldo em campo, sem nenhuma condição física, se deveu ao contrato que mantém com a Nike.

Como se recorda, na semana passada se noticiou que a chuteira especial criada pela Nike para o “Fenômeno” tinha provocado bolhas em seus pés. Ontem, em campo, o problema de Ronaldo não era falta de forma física, era dificuldade em andar mesmo. Saiu de campo como mulher que usa sapato de salto alto machucando. No banco, parecia aliviado como a mulher descalça.

Aparentemente, foi mantido em campo para cumprir contrato, esperando que as bolhas melhorem.

Escrito por Luis Nassif às 12h12

13/06/2006

O risco do McAfee

“Internet security” é o nome que se dá a um conjunto de ferramentas que protegem o usuário dos perigos da Internet da pior maneira : travando o computador.

Já havia me dado mal com a suíte do Norton, que tornava o meu notebook mais lento do que o Ronaldo no jogo contra a Croácia. Nesse final de semana, cometi a imperdoável imprudência de tentar instalar o “internet security” da McAfee. Travou completamente meu Outlook, mesmo quando desinstalei aquela praga encaixotada. A única saída foi a reformatação do HD, com as inevitáveis perdas de dados.

Voltei correndo, e de joelhos, para meu singelo AVG, que é de graça e nunca me deu trabalho.

Hoje, em uma reunião de manhã, de quatro presentes, três haviam caído tido o mesmo problema com o programa. Donde se conclui que os firewalls nos protegem do mundo; mas quem nos protege deles?


Escrito por Luis Nassif às 21h59

O momento dos multimercado

Os fundos long/short têm ganhado destaque na categoria de multimercados – fundos que diversificam as aplicações em renda fixa, renda variável e outros ativos, em busca da melhor relação entre risco e retorno. A vantagem dos long/short é que sua performance não depende das oscilações do mercado, o que significa que não importa se a bolsa se valoriza ou não. A rentabilidade é garantida de duas formas. Se a ação escolhida para compra (long) tem desempenho superior à alternativa de venda (short) ou se a desvalorização do papel vendido é maior que a do comprado. Por exemplo: se a ação adquirida caiu 5% e a vendida 10%, o ganho foi de 5%. Mais detalhes no Guia Financeiro Online


Escrito por Luis Nassif às 21h46

A Maior Seleção da História

Como o Brasil inteiro discute futebol, no vou também dar meus pitacos. Virou voz corrente que a maior seleção da história foi a de 1970. Aquele campeonato foi inesquecível. Mas, meramente analisando os analistas esportivos, suas avaliações sobre os jogadores de todos os tempos, e recordando os jogos, será que a de 1958 não foi superior?

Os tempos eram outros. Em 1958 não havia a marcação mais cerrada de 1970. Mas o futebol ainda não tinha passado pela revolução holandesa de 1974, com a estratégia de se marcar o campo inteiro. Por isso, não é de toda descabida a comparação entre as seleções de 1958 e 1970.

Por posição:

Goleiro: sem comparação, Gilmar, de 1958, era infinitamente superior a Félix de 1970. Seleção de 58.

Lateral direito: os melhores comentaristas esportivos não hesitam em apontar Djalma Santos (apesar de ter participado apenas da partida decisiva da Copa de 58, tendo ficado na reserva de De Sordi a maior parte do campeonato) e Carlos Alberto como os maiores da posição. Empate.

Lateral esquerdo: em 1958, Nilton Santos, considerado unanimemente o maior da história, seguido de perto por Júnior e Roberto Carlos. Em 1970 se tinha o estilo clássico-frágil de Marco Antonio, e o épico-rombudo de Everardo. Seleção de 1958.

Beque central: 1958 tinha Bellini, 1970 Brito. Ambos de estilo limpa gelo. Apesar do desempenho excepcional de Brito, Bellini era um jogador que somava o desempenho na área com a liderança de capitão. Seleção de 1958.

Quarto zagueiro: 1958 tinha Orlando, 1970 Piazza. Apesar de Piazza ter muito mais classe, jogava fora de posição, já que a sua fora ocupada por Clodoaldo. Nessa posição, não parecia ser muito superior a Orlando. Empate.

Apoiador: 1958 tinha Zito, substituindo o grande Dino Sani. 1970 tinha o heróico Clodoaldo. Apesar do desempenho fantástico de Clodoaldo, Zito era superior, com uma liderança calada em campo que Clodoaldo não conseguia repetir, com seu jeito tímido. Leve vantagem de 1958.

Armador: 1958 tinha Didi, rei absoluto. 1970 tinha Gerson, comandante supremo. No Canal 100 Gerson é apresentado como o maior lançador da história. Quem disse que Didi ficava atrás? Empate.

Meia esquerda: 1958 tinha Pelé com 17 anos, explodindo energia e talento. 1970 tinha Pelé com 29 anos, com menos fôlego, mais experiência. Empate.

Centroavante: 1958 tinha Vavá; 1970, Tostão. Apesar do imenso talento de Tostão, sua posição real era de meia esquerda. Os centro-avantes rompedores que jogaram a Copa, Roberto e Dada, não se igualavam ao rompedor Vavá. Empate, devido à genialidade de Tostão.

Ponta direita: em 1958, Garrincha. Em 1970, Jairzinho, em forma exuberante, atuando muito mais como centro-avante. Apesar do brilho de Jairzinho, quem superava o gênio de Garrincha? Seleção de 1958.

Ponta esquerda: 1958 tinha Zagalo, cumprindo função tática relevante. 1970 tinha Rivelino, uma explosão de talento que chegou perto de Maradona. Seleção de 1970.

Técnico: a de 1958 tinha Vicente Feola que, contam as lendas, dormia no banco. A de 1970 tinha Zagalo que, apesar de criticado por Deus e o mundo, era um técnico que sabia armar muito bem seus times. Seleção de 1970.

Obviamente, é apenas mais palpite de torcedor. E o seu, qual é?


Escrito por Luis Nassif às 20h25

Do leitor

Formulação ou gerenciamento?

Faço referência a sua coluna de 11 p.p.

Sua sugestão/convite é muito interessante. O que falta ao Brasil não é exatamente a formulação de conceitos, é o gerenciamento adequado de uma enorme e surpreendente quantidade de conflitos de interesses, nem todos de origem política, e uma estreita visão da ação administrativa que, a rigor, paralisa, ou limita substancialmente, todos os programas de governo. A estrutura organizacional do Governo Federal é resultado mais de conflitos de interesses do que de fundamentos técnicos.

As atuais agencias, chamadas reguladoras, não têm nenhuma utilidade. Desconheço qual teria sido a finalidade de quem as criou. Da forma como se apresentam estão em completo desacordo com a Teoria Geral de Administração. As duas mais inúteis são também as duas mais importantes, não por desmerecer as outras, mas porque, na modelagem atual, no que lhes cabe fazer, são elas essencialmente dependentes dos resultados destas duas (das ações). As duas agencias: Aneel, a mais inútil das duas, e a ANP. Se analisarmos a questão pela ótica, apenas, da “amplitude de controle”, o Poder Executivo não está apto, e menos ainda em condições, de regular e/ou controlar coisa alguma.

Dos cinco itens listados na sua sugestão/convite, quatro estão bloqueados pela (dês)ação das diversas agencias “reguladoras”.

O SUS. Deveria operar nos moldes de um seguro saúde, está limitado por duas delas: uma (dês)trata de previdência complementar e a outra de saúde(?) complementar.

Segurança Pública é assunto a nível municipal, tratado a nível federal.

Saneamento. Essencialmente deveria estar sob o enfoque da ANA, que nada tem a dizer.

Integração da América Latina e Gestão e Planejamento Público. Áreas interligadas e absolutamente engessadas por quase todas as agencias e, mais ainda, pela completa ausência de um Orçamento Público. O Poder Executivo não tem Orçamento, o que tem esse nome não vincula origens a destinos, é o ato burocrático de registro do que muito provavelmente não será feito.


Escrito por Luis Nassif às 00h41

12/06/2006

O sábio recluso e o BC

Poucas vezes vi o sábio recluso (com quem converso de vez em quando) tão irritado como agora, depois de ter passado os olhos nos papers do Banco Central. Repasso o que ele me escreveu:

Os grandes cozinheiros franceses quando vêm ao Brasil para festivais grastonômicos repetem uma regra clássica: a melhor cozinha é sempre aquela que utiliza os produtos locais frescos, do país. Essa regra simples e lógica não agrada os economistas americanizados que compõe a totalidade das equipes do Real.

O Banco Central, refletindo essa clonagem cultural mal assimilada, tem uma seção do seu site nacional para Trabalhos em Discussão, a que dá o nome de Working Paper Series, assim mesmo, com erro de concordância do plural em inglês.

O pior é que aceitam trabalhos em inglês, de autoria de economistas brasileiros, para serem publicados no Brasil para o público brasileiro. Como consequência da macaqueação, dos oito trabalhos submetidos em 2006, seis são em inglês.

É uma aberração. Muitos bancos centrais de paises importantes tem, alem do site nacional, um segundo site em outra lingua. Mas o site nacional é sempre no idioma  nacional. Depois tudo se traduz para o segundo site, mas a  lingua-mãe sempre é a base.

Nosso BC usa uma lingua estrangeira no site nacional, assim na boa. Lembra os  chefes tribais do antigo Congo Belga que usavam fraque e cartola sob o sol tropical para fingirem que eram belgas. E o pior é que sequer tem noção do ridiculo. Afinal esses trabalhos em discussão são para quem discutir? Australianos? Presume-se que sejam para brasileiros, pois dizem respeito ao Brasil. Então porque em inglês?


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 21h20

Plataforma Aberta

Integração da América Latina

Em sua tese de doutorado, o professor Pedro de Camargo desenvolveu para a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo um trabalho que aponta as falhas na integração física da América do Sul.

 O continente sul americano tenta se inserir no processo de globalização com uma política confusa e muito contestada. Um projeto de integração energética está em andamento e prevê a construção de um gasoduto que ligaria as reservas de gás natural da Venezuela até a Argentina, passando pelo Brasil e possivelmente Bolívia. Para uma união estável economicamente é preciso pensar também na integração física que garanta o escoamento ágil da produção. Atritos políticos devem ser superados o mais rápido possível.

É a primeira contribuição à proposta do Blog e do Projeto Brasil de começar a discutir uma plataforma aberta de governo, com a participação dos leitores especializados. 

Leia mais sobre integração da América Latina e faça o download do trabalho no Projeto Brasil.


Escrito por Luis Nassif às 17h33

Tema 1: o SUS

Vamos ao primeiro tema de discussão: o Sistema Único de Saúde (SUS).

Instituído por lei em 1990, o SUS é constituído pelo conjunto de ações e serviços de saúde, prestados por órgãos e instituições públicas federais, estaduais e municipais, da Administração direta e indireta e das fundações mantidas pelo Poder Público. Passados mais de 25 anos da promulgação da lei 8.080, o Sistema ainda provoca divergência quanto a sua forma de atuação.

Há quem diga que o SUS não precisa ser repensado, mas ainda deve ser devidamente implantado no País, obrigando estados e municípios a se envolverem mais com a questão. Outros acham que sistema fracassou e que isso aconteceu em grande parte por causa da prioridade no atendimento de doenças crônicas. É o caso do médico Eugênio Vilaça Mendes, que apontou que o Brasil deveria priorizar o tratamento de doenças infecciosas, uma vez que as crônicas atingem na maioria das vezes pessoas ricas, que atualmente utilizam a rede particular de atendimento.

O modelo ideal para romper esse modelo seria o Programa Saúde da Família (PSF), em que equipes formadas por médicos, enfermeiros e auxiliares visitam as casas dos pacientes, fazendo atendimento preventivo. A eficiência desse programa foi comprovada através de um estudo realizado por pesquisadores das Universidades de Nova Iorque e São Paulo. Segundo o trabalho, o PSF contribuiu para a redução da taxa de mortalidade infantil entre os anos de 1990 e 2002. O Farmacêutico e Bioquímico Luiz Benjamin Trivellato também aposta no programa para alavancar o SUS.

Já o médico Marx Golgher não acredita no sucesso, pois o sistema domiciliar limita o trabalho dos médicos a poucas famílias e ainda é passível de corrupção. Golgher levanta um outro ponto divergente no debate: a utilização de recursos do SUS para obras de saneamento. O Artigo 6º da lei 8.080, que institui o Sistema Único de Saúde, permite justamente esse tipo de investimento com verbas da saúde.

Para o médico Gonzalo Vecina Neto, professor do Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês, um dos desafios do SUS é pensar a questão da regulação. Ele diz que é inaceitável alguns municípios não aderirem ao Sistema, uma vez que é uma política pública nacional, deve ser aplicada em todo o País.

Os artigos mencionados nessa matéria podem ser encontrados no site www.projetobr.com.br.


Escrito por Luis Nassif às 12h24

Planejamento em Rede

Leitores atenderam à convocação do blog e começam a mandar trabalhos para serem discutidos, visando a montagem de uma plataforma de governo “sem governo”. Ou seja, juntando as idéias de especialistas, que se encontram espalhadas pelo país, e dando visibilidade na rede.

Já vieram trabalhos sobe Segurança Pública, sobre Integração da América Latina, sobre Saúde e SUS e sobre infra-estrutura. Até amanhã eles estarão organizados para que todos possam ter acesso, opinar e enviar suas contribuições.

Se você faz parte de listas de discussão sobre políticas públicas, envie o contato para o Blog ou cadastre-se no Projeto Brasil (www.projetobr.com.br)  que a grande discussão vai começar


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 12h03

11/06/2006

Leituras de Domingo - 4

O tema do planejamento

A questão da falta de estratégia para um projeto de país é abordada ainda por Luciano Coutinho, na “Folha” de hoje e na minha coluna no mesmo caderno “Dinheiro”.

No Projeto Brasil, há um levantamento precioso sobre os princípios da nova política industrial e tecnológica, a partir de estudos do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada).

Nas próximas semanas, farei algumas provocações aos leitores, propondo uma discussão em torno de alguns temas fundamentais, como SUS, Segurança Pública, Política Industrial.


Escrito por Luis Nassif às 13h18

Leituras de Domingo - 3

As iniciativas sem "acabativas" do governo Lula

O governo Lula é beneficiário de uma infindável lista de denúncias vazias. O ex-Ministro da Fazenda e embaixador Rubens Ricúpero, na “Folha” de hoje apresenta uma relação consistente de críticas contra as iniciativas sem “acabativas” do governo, a dificuldade de Lula em arbitrar conflitos, a demora em definir a nova Lei de Informática.

Dados de Ricupero: “Cifras para os incrédulos da desindustrialização lerem na cama: em 1990, o setor tinha 200 empresas de componentes, das quais 20 de semicondutores; hoje, são 60 de componentes e 3 de semicondutores.”

Se quiser crescer na campanha, o PSDB terá que demonstrar a consistência crítica de Ricupero e não cair na armadilha das campanhas preconceituosas que mais ajudaram do que atrapalharam a candidatura Lula.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 12h40

Leituras de Domingo - 2

O crescimento chinês de Alckmin

O discurso econômico de Geraldo Alckmin, em sua entrevista de hoje no Estadão é filho direto da escola PUC e da Casa das Garças – a mesma que domina a política econômica e a política monetária praticamente desde a gestão Marcílio Marques Moreira. Não chega a ser um discurso, mas é uma repetição dos mesmos bordões de Lula e reflete, no fundo, falta de conhecimento e falta de coragem de enfrentar o mercado. Os dois candidatos são parecidos nesse quesito.

Agora, no “Valor” de sexta-feira passada se fala em mais um “economista de Alckmin”, Antônio Márcio Buainaim, que estaria organizando grupos de estudo para definir um programa que garanta ao país um “crescimento chinês”. Parte dos estudos deverá ser apresentado hoje, em Belo Horizonte.

Faz parte da esquizofrenia dos partidos políticos brasileiros. A escola da PUC tem um viés anti-desenvolvimento, sempre colocando o receio-futuro-de-problemas-não-identificados-com-a-inflação como álibi para manter a economia amarrada. Faz parte intrínseca do sistema de “metas inflacionárias” adotada pelo BC (e defendida por Alckmin na entrevista) segurar toda forma de crescimento, ainda mais um do nível chinês.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 12h30

Leituras de Domingo - 1

A Concertação e a Reforma do Estado

Há um engano conceitual na proposta do Ministro-Chefe da Secretaria de Relações Institucionais do Governo Tarso Genro, em sua proposta “Concertando a Reforma” (“Folha” de hoje).

Tarso é um quadro de centro-esquerda, que sonha, há anos, com uma “concertação”  -- grande acordo nacional – como a que permitiu à Espanha seu grande salto de modernização.

 A questão são os pontos centrais desse pacto. Ele propõe uma agenda imediata, que passaria pelo Congresso, com a aprovação de leis de inclusão social, leis de redução gradativa da carga tributária, leis de limites para o salário do funcionalismo.

O jogo é mais em cima. O primeiro passo, é se definirem os objetivos e metas e, a partir daí, o Estado de que necessitamos. As leis devem refletir, a posteriori, os diagnósticos sobre o país.

Um dos grandes problemas que o país enfrenta há anos é o generalismo. Precisa reduzir despesas? Faz-se controle na boca do caixa, contingenciam-se verbas, desmonta-se o plano de investimentos de todos os órgãos do governo, para ostentar um índice de superávit parrudo.

Definir, a priori, tetos para o funcionalismo, obedece à mesma lógica. O Brasil moderno foi desenhado por funcionários públicos de alto nível. Roberto Campos, Celso Furtado, Jesus Soares Pereira, Ignácio Rangel e outros, dedicaram a maior parte de sua energia a pensar o país enquanto funcionários públicos.

O consulado americano em São Paulo, por exemplo, tem um adido de negócios que foi recrutado no mercado privado. Um Estado enxuto e eficiente não pode prescindir de uma elite pensante que ganhe muito bem.

Por isso, há que se começar pelo começo. As leis apenas finalizam o processo.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 12h19