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17/06/2006

A Maior Cena da História

Eu tinha oito anos quando enfrentei o maior desafio da minha vida: a final da Copa do Mundo de 1958. A campanha brasileira havia sido magnífica. Os “canarinhos” eram da família, pois haviam feito a concentração em Poços de Caldas, graças às ligações entre meu pai, Oscar, e Carlos Joel Nelli, da “Gazeta Esportiva”.

Lembro-me até hoje do batizado da minha irmã Inês sendo interrompido pela notícia de que o Brasil acabara de fazer dois a zero na Rússia e o padrinho Dr. Martinho, e o padre Trajano, e os pais da batizada comemorando. E a batizada chorando, sem entender nada.

Parecia um sonho, até que se chegou à final contra a Suécia. No dia anterior, meu pai acordou macambúzio. Contou-me a desgraça de 1950 no Maracanã, o Brasil, amplo favorito, sendo derrotado pelo Uruguai. Desde então, a imagem que se consolidara era a do país que amarelava na final, que não acreditava em si, que tinha talento mas não tinha fibra. E foi com esse fantasma pairando sobre nós que fomos assistir o jogo na casa do seu Alexandre, nosso vizinho.

A transmissão era pela Rádio Bandeirantes, meio tempo com a locução do Pedro Luiz, meio tempo com a do Edson Leite. Mal começa o jogo, a Suécia faz um a zero. Fez-se um silêncio sepulcral não apenas ali, mas em todo o país.

Olhei o largo do São Benedito, que ficava em frente de casa e ainda não tinha sido asfaltado. No centro, a Igrejinha de São Benedito, linda, caiada, no seu interior as pinturas preciosas da Via Sacra, na frente dela, a escadaria com vinte degraus. Ali mesmo fiz a promessa: se o Brasil virasse o jogo, além de ir na missa com milho no sapato, eu me comprometeria a lamber, um a um, os degraus da Igreja. Cumpri o prometido, contei para minha mãe que lavou minha boca com álcool. Mas o Brasil merecia o sacrifício que, para mim, foi fundamental para a virada do jogo.

Não havia televisão na época em Poços, não havia transmissão ao vivo no Brasil. Mas Pedro Luiz descreveu a cena tal e qual a assistimos dezenas de vezes, nos anos seguintes, seja no cinema, pelo Canal 100 de Carlos Niemayer, seja pela televisão. E descreveu com aquela voz inigualável, de emoção contida, contando todos os detalhes do lance, não apenas os principais.

Foi por sua voz que “vi”, nascendo, a maior cena da história do país. Enquanto a Seleção parecia imobilizada em campo, Didi foi até o nosso gol, pegou a bola no fundo das redes, colocou-a debaixo do braço e caminhou em direção ao meio do campo, carregando-a como se carrega a um fuzil. Foi andando normalmente e, no caminho, soltando palavras de incentivo aos seus soldados.

O que se viu, dali para frente, jamais o mundo veria outra vez, nem em 1970, nem em 1974 com a Holanda, nem em 1982, com a Seleção de Telê. Era como se não apenas a Seleção, mas o Brasil florescesse como uma laranjeira em flor. Os ecos da Semana de 22, o canto orfeônico de Villa-Lobos, as descobertas culturais de Mário de Andrade, a geração de 1942, os regionalistas, os cantores populares, de repente tudo aparecia nítido aos olhos do mundo e, principalmente, aos olhos do país. Habemus um país.

O derrotismo, a baixo auto-estima, o complexo de inferioridade, tudo foi sendo varrido da frente por aqueles passos compassados, firmes do capitão Didi em direção ao meio do campo.

Quando Didi morreu, alguns anos atrás, recordei-me dele em Poços, em 1958 e 1962, a maneira como fazia os exercícios, suas corridas estacionárias nos treinamentos individuais, os lançamentos esplendorosos nos coletivos, o gol de “folha seca”.

Mais tarde foi para o Real Madri, dizem que sofreu boicote do grande Di Stefano. Depois, largou a mulher e se casou com a branca Guiomar. Foi alvo de campanhas preconceituosas de jornais, nada que reduzisse em um milímetro a admiração e gratidão que os brasileiros lhe devotavam.

Os EUA celebram a foto dos fuzileiros em Ivo Jima. O Brasil sempre celebrou o grito do Ipiranga, no quadro de Pedro Américo. Mas para a minha geração, do menino de 8 anos aos velhos septuagenários, a cena de Didi, sua caminhada do nosso gol até o meio de campo, foi um marco, um corte no país que teimava em nascer.

Nos anos seguintes, a auto-estima do país chegaria ao auge. Mesmo com todos os percalços políticos, resistiria incólume ainda por muitos anos.


Categoria: Crônicas
Escrito por Luis Nassif às 19h30

Do leitor

Varig: 1992, o ano que nao acabou

Quem lhe contou a história contou mal (sobre a responsabilidade de Rubel Thomas na crise da Varig). O Sr.Rubel Thomas assumiu a Presidência da Varig em 1990 e saiu em 1994, há doze anos, portanto. É temerário concluir que um único Presidente possa ter feito tanto mal sozinho  a uma empresa; e isso há 12 anos do fato!

Uma simples observação da política econômica da época basta para deduzir-se que o mal maior veio daí mesmo. Tanto quanto veio dessa mesma época –e dessa mesma Presidência- a ação iniciada por perdas do tal plano econômico (pago à Transbrasil e negado à Varig e às outras).  Quanto à “megalomania por linhas internacionais”, a TAM, logo após a morte do Comandante desarticulou de forma totalmente equivocada as linhas internacionais implementadas com sucesso não apenas pelo “megalomaníaco” (como denominei o plano de Thomas na TAM) mas pelo próprio Cte.Rolim e, principalmente, pelo genial Engenheiro Falco.

Essas mesmas linhas estão hoje devidamente retomadas – à exceção de uma, por ironia a potencialmente mais importante- e a TAM, corretamente,  quer as linhas internacionais da VARIG.

Quem quiser opinar sobre os problemas da Varig tem que estudar o seus “Colégio Deliberante” e o Conselho de Curadores” . Pode-se começar pelo ano de 1992; o que vem antes não altera nada.

Atenciosamente,

João E.Bratkowski


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 15h30

O livre fluxo de capitais - I

A manutenção desse modelo de alta volatilidade cambial no Brasil, acarreta as seguintes conseqüências:

1.    Elimina a autonomia da política monetária brasileira. Os juros internos têm que ter um olho na inflação interna, outro no “yeld” (rentabilidade) dos papéis brasileiros.

2.    Pressiona fortemente a política fiscal, ao obrigar à acumulação excessiva de reservas cambiais (para enfrentar a volatilidade do câmbio) e a manutenção de juros mais elevados do que seriam sem a volatilidade cambial.

3.    Cria um círculo vicioso, fartamente demonstrado ao longo desses últimos dez anos. Os juros altos provocam uma apreciação do real (devido à liberdade de movimentação do capital especulativo), criam uma situação de desequilíbrio (porque, dentro de algum tempo, se reflete nas contas externas) e seguram provisoriamente a inflação. Depois, quando ocorre a descompressão do câmbio (devido a algum evento externo ou às pressões da balança comercial) a desvalorização traz de volta a inflação, jogando todo o esforço água abaixo.

4.    Não significa um tostão a mais de investimento. Primeiro, porque capital volátil é capital de arbitragem (entra para morder e sair). Depois, porque uma economia exposta a capital volátil espanta o capital de investimento.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 15h14

O livre fluxo de capitais – 2

Afinal, quem se beneficia do livre fluxo cambial, desse capital especulativo que entra e sai a qualquer hora do país?

1       Os rentistas, obviamente. Os donos do capital que podem arbitrar entre as taxas de juros internas e externas, sair correndo a qualquer soluço internacional, voltar correndo a qualquer melhora nos indicadores.

2.     O grande capital informal, de investidores brasileiros que não pagam impostos, usando seu caixa dois em fundos “offshore”, ao crime organizado.

3.     Os gestores de fundos, um amplo leque que vai de administradores conservadores àqueles que transitam na linha da lavagem de dinheiro.

4.     Todos os operadores de mesa e economistas, que ganham em cima dos resultados, com seus bônus sendo depositados no exterior.

5.     Os titulares de ativos brasileiros, que pretendem vender para investidores externos. Todos esses lançamentos recentes de papéis secundários (dos controladores) em Bolsa visavam se beneficiar do movimento especulativo provocado pelos “hedge funds”.  As ações subiriam de valor depois, quando fossem desovadas para os investidores comuns, as cotações desabariam.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 15h14

O livre fluxo de capitais - 3

E quem perde com esse livre fluxo de capitais:

1. Todos os brasileiros sem acesso a dólares, obrigados a pagar mais impostos para fazer frente ao aumento da dívida pública, e mais juros, influenciados pela taxa Selic – que é influenciada pelo livre fluxo cambial.

2. As empresas que vendem para o mercado interno, obrigadas a conviver com a economia travada e com a invasão de importados, devido à apreciação do real.

3. Os exportadores, sendo expulsos dos mercados conquistados por conta do encarecimento do real.

4. As empresas brasileiras que captam no exterior ou em dólares. Ao contrário do que se imagina, o livre fluxo de capitais gera um efeito volatilidade que aumenta em 20% o risco Brasil, em relação às demais economias emergentes.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 15h13

A canção brasileira

Cem anos de música produziram momentos inesquecíveis no Brasil. Nos anos 20, a influência do norte, através dos Turunas da Mauricéia, ajudando a definir a nova música brasileira.  No final dos anos 20, o samba se formando com Donga e Sinhô e, especialmente Noel, e o choro explodindo com Pixinguinha e, no plano erudito, com Villa Lobos e o paraguaio Agustin Barrios.

Nos anos 40, o período de internacionalização da música brasileira, com Ary Barroso e Dorival Caymmi, e os violonistas da rádio Nacional, inspirados em Garoto. E ainda uma linha de música nordestina de Luiz Gonzaga, que se desdobra em muitos galhos nas décadas seguintes. Nos anos 60, a bossa nova, em sua plenitude, com Tom Jobim, Carlos Lyra, Roberto Menescal e, logo depois, com Baden Powell. Em meados dos anos 60, a música dos festivais consagrando a geração de ouro, de Chico, Caetano, Gil, Sidnei Miller, Edu Lobo, Vandré, Milton Nascimento. Os anos 70, com João Bosco, Ivan Lins e Djavan. Os anos 80, com a explosão da música do sertão da Bahia e do pantanal, com o gênio de Almir Satter.

Mas nenhuma escola me emociona mais do que a canção brasileira, um gênero semi erudito que se forma ao longo dos anos 20, atravessa os 30 e 40, e ingressa nos 50, inclusive influenciando o Tom Jobim pré-bossa nova. Pode-se gostar de ”Garota de Ipanema”, “Desafinado”, “Chega de Saudades”. Mas quem ouviu “Modinha” (“não, não pode mais meu coração / viver assim dilacerado...”), dele e de Vinícius, curtindo uma dor-de-cotovelo, não se esquecerá jamais.

Com o auxilio da “Enciclopédia da Música Brasileira” vou delineando um pouco da vida e obra daqueles músicos talentosos, que ajudaram a formar a canção brasileira, no período em que o Brasil se tornou Brasil.

O grupo central, onde brilha a estrela incomparável de Villa Lobos, era constituído por Hekel Tavares (1896-1969), o paraense Valdemar Henrique (1905-1995), Henrique Vogeler (1888-1964), Marcelo Tupinambá (1889-1953), Jaime Ovalle (1894-1955), todos influenciados pela Semana de 22. Nas letras, sobressaiam Luiz Peixoto (o letrista brasileiro que mais me emocionava, e que vai merecer uma coluna à parte), Manuel Bandeira, Joracy Camargo e Ascenso Ferreira, entre outros.

Obra maiúscula, a Enciclopédia inexplicavelmente deixa de incluir o maestro Sá Pereira, autor de peças para teatros de revista e autor da imortal “Chuá Chuá”. A propósito, numa próxima edição poderia incluir o maestro Portinho (um dos pais do choro moderno, já falecido), Índio Vago (autor de clássicos caipiras), Rosil Cavalcanti (autor das melhores músicas de Jackson do Pandeiro), o violonista José Lanzac (considerado o melhor violonista clássico brasileiro dos anos 20 aos 40) e Atilío Bernardini (professor de Garoto), além do maestro Azevedo, já mencionado pela coluna.

É de 1927 o clássico “Sussuarana” de Hekel Tavares e de Luiz Peixoto (“faz três sumanas / numa festa de Santana / que Zezé Sussuarana me chamou prá conversar”). Hekel é também autor de “Guacira” (“Adeus Guacira / meu pedacinho de terra”), com letra de Joraci Camargo.

Outra figura  excepcional  foi o paraense Jayme Ovalle cuja biografia meu amigo Humberto Werneck estava levantando. Autodidata em tudo –na música e na profissão de diplomata-- , foi nomeado por concurso para a Fazenda Nacional, ocupando cargos em várias capitais do mundo. Era cunhado do diplomata influente Augusto Frederico Schmidt. Na minha limitada opinião, foi autor das duas mais belas canções brasileiras do século, ambas com letra de Manuel Bandeira:  “Azulão” (“Vai azulão, companheiro, vai...”), e “Modinha”.

O paraense Valdemar Henrique é outro que marcou a formação musical da minha geração. Curiosamente, em 1958 compôs música tema para “Morte e Vida Severina”, de João Cabral de Mello Netto. Foi premiado, mas sua versão acabou ficando em segundo plano quando, anos depois, o jovem compositor Chico Buarque musicou a peça. Sua música mais conhecida era o “certa vez de montaria / eu desci o Paraná / o caboclo que remava / não parava de falar...”.  Mas tinha uma ufanista, que meu tio Léo cantava com paixão: “ó meu Brasil tão grande e amado / é meu país idolatrado...”.

Do grupo fazia parte também Henrique Vogeler autor de um dos clássicos definitivos do século, “Ai ioiô”, letra de Luiz Peixoto (“ai ioiô, eu nasci prá sofrer / fui olhar prá você / meus oinhos fechou”).

Nessa linha fronteiriça entre o erudito e o popular, pendendo mais para o popular, tem o uberabense-carioca Joubert de Carvalho (1900-1977), autor de um clássico conhecidíssimo –“Maringá” (“Foi numa leva / que a cabocla Maringá..)—, de uma marchinha inesquecível (“Taí, eu fiz tudo prá você gostar de mim”), de um cateretê maravilhoso (“De papo pro ar”), entre centenas de músicas de primeira, mas de uma canção brasileira que minha turma não se cansa de tocar: “Foi num dia de tristeza / que a cidade abandonei / sem saber o que fazer....”      .

Ah, música de tanta riqueza, música que desbravou a alma brasileira, e que revelou um Brasil solidário, maduro, sentimental. É essa canção brasileira que me acompanhou no último dia antes do ano 2.000, com os amigos boêmios que reuni em casa, para extrair deles o que de melhor o Brasil produziu no século.


Categoria: Minhas Músicas
Escrito por Luis Nassif às 14h06

Do leitor

Análise do caso Varig

Alguns pontos que abordaremos abaixo são uma modesta colaboração sobre o tema, e desde já solicito que você nos considere um "anônimo".

1- Situação das Companhias Aéreas no Mundo Globalizado

Mesmo antes do 11 de setembro, o setor de companhias aéreas apresenta sintomas de difícil governança.

Durante minha carreira iniciada no Unibanco como Gerente da Área Corporate não recomendava compra das ações da VARIG: na época a VARIG distribuía dividendos com a correção monetária, e sua gestão pela Fundação Rubem Berta era paternalista e sindical.

Internacionalmente as Companhias Aéreas detém uma forte participação dos sindicatos, o número de sindicatos envolvidos na operação aeroviária envolve tapeceiros, eletricistas, mecânicos, pilotos (arrogantes, superados apenas pelos jogadores de futebol), faxineiros, atendentes e agentes comerciais. É realmente uma "zorra" sindical. O grande problema do setor aeroviário é a questão trabalhista e sindical que com o crescimento e o tempo das operações constroem um grande passivo trabalhista e social.

As duas melhores referências dessa multiplicidade sindical são nos Estados Unidos, a UNITED AIRLINES, hoje gerida pelos sindicatos; e do outro lado a AIR FRANCE sob gestão profissional nomeada pelo governo francês.

Eu costumo comparar as Companhias Aéreas como os nossos filhos: quando são crianças, e adolescentes são lindos e legais. Quando casam  trazem as obrigações dos " in laws": a nova família que chega e seus passivos e obrigações. Em resumo, Companhia Aérea quanto mais velha, mais problemática, e mais exigente, e porque não dizer perigosa, se mal gerida.

2- A falta de racionalidade.

O Governo Lula pode estar cometendo um erro, pela miopia e o medo que transformou a Nova Esquerda uma horrível referência conservadora pelo imobilismo causado pelo medo. Castañeda tem um lúcido artigo na Foreign Affairs de maio de 2006 quando classifica as esquerdas em radical e conservadora, elegendo o Presidente Lula como a Nova Esquerda Conservadora.

3- O apoio ao juiz Ayoub.

O Brasil é um país de boas surpresas. Frente ao imobilismo do Governo, apenas o Ministro Waldir Pires aponta uma motivação do Governo. É no Juiz Ayoub que encontramos uma semente para construção do consenso, a Sociedade Civil precisa apoiar o Juiz Ayoub.

4- Criação de solução de consenso.

Se você me perguntar o que fazer, eu seria simplista no conceito e complexo na operação. O conceito é salvar a VARIG pelo estoque de conhecimento e contribuição ao Brasil na Economia Global, e equilibrar os empregos com racionalidade. Os países escandinavos, Suécia e Dinamarca são as boas referências simples, sugiro a pesquisa.

Complexo na operação seria a Criação de Uma “Força Tarefa" para execução de Um Plano Eficaz de Recuperação que reflita o Caráter Multidisciplinar de construir o Consenso: Funcionários, Credores, Juiz Ayoub e Govêrno Federal.

O Presidente Lula precisa descer do MURO e pensar como Estadista. Não adianta fatiar a VARIG entre TAM e GOL. Hoje elas são estrelas, mas com o tempo serão problemáticas como nossos filhos. O modelo atual tradicional precisa ser revisto, e chegou a hora de inovar.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 12h44

16/06/2006

Agora, o Kaspersky

É praga, mandinga ou sei lá. Segui a dica de um leitor aqui do blog, e baixei a suíte do programa russo Kaspersky. Em um computador, foi ótimo, sistema inteligente de antispam, aparentemente rigor no antivírus.

Aí resolvei baixar no meu notebook. Na instalação deu algum problema com a senha. Agora não consigo reativá-lo, pois não aceita a senha; não consigo removê-lo, pois não é removível sem senha.

É a última suíte pessoal que cometo a imprudência de instalar em meu micro.


Escrito por Luis Nassif às 17h00

Plataforma Brasil

Um túnel sob os Andes

O desenvolvimento econômico da América do Sul depende diretamente de uma integração física da infra-estrutura regional. Um projeto ambicioso pretende inserir o continente na rota de comércio do Pacífico, através da construção de um túnel sob a cordilheira dos Andes. O objetivo do TunAL (Túnel de Integração da América Latina) é ligar o Porto de Antofagasta, no Chile, ao resto da América Latina (veja o traçado do túnel).

A idéia é encurtar distâncias para o escoamento de mercadorias do Brasil e outros países sul-americanos para Ásia, Oceania e costa oeste dos Estados Unidos.

Fazem parte da parceria de transferência tecnológica a USP e o Tunconstruct (projeto de pesquisa na Universidade da Áustria, co-financiada pela União Européia). Até agora já foram investidos 28 milhões de Euros só na área de pesquisas, com recursos da União Européia e empresas envolvidas. A construção do túnel duraria 15 anos e o custo final é de estimado em US$ 15 bilhões.

Esse trabalho será apresentado no Seminário Financiamento da Infra-Estrutura do Projeto Brasil, na próxima terça-feira.

Detalhes do trabalho.

Detalhes do seminário.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 16h52

O ectoplasma dos juros

Assim como Raul Velloso e Fábio Giambiagi, Armando Castellar faz parte dos economistas que criticam o déficit público e são capazes de relacionar todos os ingredientes que contribuem para seu aumento... com exceção dos juros.

Quando assessorava o Ministro do Planejamento José Serra, no início do Real, Giambiagi era capaz de produzir artigos dizendo que a raiz do déficit público brasileiro não estava nos gastos públicos, mas nos juros. Depois que saiu da assessoria, mudou de opinião. Se cobrado, dirá que na época ele era "chapa branca".

Recentemente, ele e Castellar lançaram um livro falando de uma agenda de reformas que passa pela maior abertura cambial, flexibilização da legislação trabalhista, aumento da segurança jurídica... e nenhuma palavra sobre o custo da volatilidade cambial com a abertura, e sobre as taxas de juros. Para eles, juros são um ectoplasma, uma ficção criada para atrapalhar seus modelitos econômicos.

Na última reunião da COSEC (Conselho de Economia da FIESP), Castellar apresentou um resumo do seu trabalho. Leia aqui.

No trabalho, há um gráfico sobre o crescimento da carga tributária total, que situa em 1994 o início da escalada. Economistas como os mencionados costumam atribuir esse aumento da carga ao fim do imposto inflacionário – que permitia ao Estado se equilibrar atrasando pagamentos ou permitindo a corrosão dos salários.

Mas o aumento desmedido da dívida pública foi razão direta dos juros praticados para atrair capitais externos, depois que a apreciação do real provocou um déficit externo insustentável.

Leia o trabalho e dê sua opinião aqui ou em Fórum (só para assinantes).


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 13h12

15/06/2006

A reação contra a Telemar

Esta semana, o Fundo Brandes (um dos maiores dos EUA) entrou na SEC e na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) denunciando a Telemar de ter proposto uma regra “fraudulenta” de troca de ações dos minoritários PN por ações ordinárias.

Agora, a CVM vai ter que rapidamente definir regras para essas operações de pulverização de capital, como a proposta pela Telemar e por uma lista de empresas.

Veja mais


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 22h20

A teoria dos déficits gêmeos

No plano teórico, as idéias que ajudaram na defesa da liberdade total para os fluxos cambiais foi a chamada “teoria dos déficits gêmeos” – segundo a qual, o déficit externo de um país era conseqüência do seu déficit fiscal.

Foi esse princípio, prontamente aceito por economistas do Real, como Edmar Bacha, que levou à fabricação de déficits em conta corrente que, mais à frente, mataram o projeto de desenvolvimento pós-Real – mas enriqueceram o capital de “arbitragem”. Talvez tenha sido o maior engano teórico da história econômica brasileira, ou pelo menos o de mais funestas conseqüências.

O sujeito que mais disseminou esse conceito foi o Sub-Secretário do Tesouro norte-americano Larry Summers. O conceito quebrou países, mas fez a festa de fundos internacionais, e de seus sócios brasileiros.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 22h02

Para o final de semana

Os guetos musicais de São Paulo

Anos atrás escrevi uma coluna para a Folha falando dos guetos musicais de São Paulo, aqueles lugares quase escondidos onde se toca a melhor música instrumental da cidade. Passo a seguir um roteiro desses guetos, preparado pela pandeirista Roberta Valente – que, junto com o Zé Barbeiro e Alessandro vão me acompanhar o show de inauguração do escritório da ABI em São Paulo, na terça-feira, 20 horas, no Teatro São Pedro.

Bar do Cidão: Rua Deputado Lacerda Franco, 293, Pinheiros

* às segundas, Jane do Bandolim, a partir das 21 h.

* às terças, Grupo Bico de Lacre: Alexandre Ribeiro (clarinete), Alexandre Moura (violão de 7), Henrique (bandolim) e Léo (pandeiro)

* às quintas, João Macacão (7 cordas), a partir das 22 h

* às sextas, das 22 h às 2h30, roda de choro com Zé Barbeiro (violão de 7 cordas), Stanely Carvalho (clarinete) e Léo (pandeiro) .

Ó do Borogodó - Rua Horácio Lane, 21 - Pinheiros. Tel.: 3814-4087. Rodas de samba e choro:

* às segundas, com Grupo Ó do Borogodó  e Verônica Ferriani: Lula Gama (violão), Alexandre Ribeiro (clarinete), Ildo Silva (cavaquinho), Roberta Valente (pandeiro) e Cebolinha (tantã). A partir das 22h30.

* às terças, com Grupo Choro Rasgado e D. Inah:  Zé Barbeiro (7 cordas), Roberta Valente (pandeiro), Rodrigo Y Castro (flauta) e o virtuose Alessandro Penezzi (violão). A partir das 22 h


* às quintas, com Renato Anesi e Juliana Amaral. A partir das 22h30

* aos sábados, das 23 às 3 h, roda de choro com Grupo Cochichando: Paulo Ramos no 7 cordas, João Poleto no sax/flauta, André Hossoi no bandolim, Ricardo Valverde no pandeiro e Ildo Silva no cavaco. 

 Tocador de Bolacha: Rua Patizal, 72 (Vila Madalena), tel.:  3815-7639

* Às sextas-feiras: a partir das 21h30, Grupo Sociedade do Choro:
Carlinhos Amaral (violão 7 cordas), Marcel Martins (cavaquinho), Murilo Cabral (cavaquinho e bandolim), Rafael Brides (violão) e Renato Vidal (pandeiro).

* Aos sábados, a partir das 22 h, choro com Jane do Bandolim, Lula Gama (violão) e Léo (pandeiro).
 

Restaurante e bar Rasgueira: Rua Gabriele D'annunzio, 1346 (Campo Belo), tel.: 5042-3070

 Feijoada com roda de choro. Músicos: Zé Barbeiro (7 cordas), Rodrigo Y Castro (flauta), Marcelo Galani (pandeiro) e Fernando Caram (cavaquinho). Sábados, das 14 às 18 h.

Bar e restaurante Marajá: Rua Martins Fontes, 153 (Centro), tel.: 3104-8727.

No happy-hour, às quintas-feiras, roda de choro com Zé Barbeiro (violão de 7), Cidão (cavaquinho), Stanley (clarinete) e Roberta Valente (pandeiro).  

Magnólia Villa Bar: Rua Marco Aurelio, 883 (esq. Rua Aurélia), Vila Romana, tels.: 3863-9296/3875-7266/3875-7277. Sextas, das 21 à 1 h.  

A pandeirista Roberta Valente e os seus convidados agitam as sextas do Magnólia. Os convidados deste mês são os cantores Bia Goes, Borba e Anaí Rosa, e os instrumentistas Zé Barbeiro, João Poleto, Ruy Weber, Alexandre Ribeiro, Euclides Marques, Ildo Silva, etc.

Lutheria do Manoel Andrade: Rua Alfredo Pujol, 1158 (Santana), tel.: (11) 6283-4986.

As rodas de choro acontecem na oficina do luthier Manoel Andrade. Há um pequeno palco, com diversas cadeiras em volta.
Não é um bar, portanto, não é servido nada, exceto café.

Loja de instrumentos Contemporânea - Rua General Osório, 46 (Santa Ifigênia) 221-8477 / 220-2954.  

A roda de choro é aberta a quem chegar e acontece nas manhãs de sábado, a partir das 10 h, até umas 13 h.


Categoria: Minhas Músicas
Escrito por Luis Nassif às 19h04

A confusão entre PF e PJ

Vamos aproveitar essa repercussão do caso Varig para algumas explicações.

1.      Empresa não é gente. Empresa não comete crimes, a não ser que seja uma organização criminosa. Quem comete crimes, má gestão, abusos são os dirigentes ou funcionários da empresa.

2.      Se são funcionários, eles são demitidos. Se os abusos são cometidos pelos gestores e/ou controladores, tornando a empresa inviável, eles precisam ser afastados.

3.      Ocorre que, nesse processo de má gestão, a empresa cria passivos, com funcionários, fornecedores credores. E aí há a necessidade de diminuir os prejuízos.

4.      Se a empresa for operacionalmente viável, a melhor maneira de diminuir o prejuízo dos credores é mantê-la funcionando. Tome-se o caso da Varig. Em operação, a marca tem valor, assim como o corpo de funcionários, a estrutura de vendas, o treinamento, a manutenção. Parada, tudo isso vira pó, e a Varig se limitará a ser alguns galpões em aeroportos, que serão tomados pela Infraero, e linhas que serão remanejadas pelo DAC (Departamento de Aviação Civil).

5.      Por isso mesmo, o caminho mais racional é separar administrador/controlador da empresa. Afastam-se os maus administradores, que terão que responder civil ou penalmente por seus atos. Aí a empresa é vendida para quem se disponha a pagar (reduzindo os prejuízos dos credores) e tenha competência para geri-la. Quem autoriza a operação é a Assembléia de Credores, fórum mais do que abalizado para tomar decisões, porque é o seu dinheiro que está em jogo.

6.      Mesmo assim, há que se tomar cuidado na venda da companhia. O comprador tem que correr risco, colocar dinheiro, oferecer garantias. Senão, qualquer aventureiro entraria no jogo. Um segundo ponto relevante é a governança. A empresa tem que ser controlada por uma assembléia que reúna vários tipos de acionistas. Não se pode permitir, por exemplo, que se repita o erro da Fundação Rubem Berta, e se mantenha a Varig sob controle dos funcionários. Tem que haver contrapesos, outros grandes acionistas que garantam gestão profissional, coíbam abusos etc.

7.      A Varig tem enormes passivos com o governo, funcionários e fornecedores. Se for fechada, tudo isso vira pó. Se for vendida, pode-se recuperar parte do passivo, preservar empregos e garantir o pagamento de impostos.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 18h49

A Venda da Varig

Não procedem os boatos que circularam no final da tarde, de que a venda da Varig estaria para sair, através de uma associação entre o consórcio Nova Varig Participações (ligada ao TGV, Trabalhadores do Grupo Varig), a SYN Logística e o fundo americano Carlyle.

Pelo menos até às 18 horas de hoje, os principais negociadores do TGV nada sabiam. Existem três frentes abertas de negociação, nada que seja palpável.Em relação aos grupos mencionados, não existe nada. A TGV aproximou-se deles apenas porque conseguiram ser recebidos pelo juiz da recuperação e pela Fundação Rubem Berta. Duas pessoas foram enviadas para conversar com eles, mas apenas para ganhar tempo, porque se sabia que nada teriam a oferecer.

Segundo essas fontes, a TGV tem financiamento assegurado. O problema é o empréstimo fonte, alguém que corra o risco de bancar o pagamento inicial. Mas sucessivas declarações têm reduzido a segurança jurídica, tornando a operação muito difícil.

O curioso nessa história é a participação ainda intensa da FRB nas negociações. Uma hora depois do juiz bater o martelo, negociadores do TGV foram convidados a explicar a operação em uma reunião informal com a Varig. Em lugar de um encontro técnico, reservado, havia um auditório com 50 pessoas da diretoria e do Conselho de Administração querendo saber todos os detalhes. Criou-se uma situação curiosa em que as explicações, em vez de serem dadas aos credores, eram dadas aos devedores.

Não foi a primeira ingerência da FRB no processo de recuperação. Assim que o processo foi homologado, demitiram o presidente da companhia e colocaram um conselho de notáveis. Depois, tiraram o conselho de notáveis e ainda deixaram a companhia com uma dívida de US$ 75 milhões de crédito extra-concursais –isto é, que não entraram na recuperação, portanto fatais para a companhia, se for pedida sua falência.

Na opinião de observadores, idas e vindas, como a da SYN Logística, visam apenas sangrar mais a Varig para, quando estiver em uma situação de não retorno, ser entregue por qualquer valor.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 18h13

A punição das empresas

Problema semelhante ao da Varig foi vivido pelo Mappin. Quebrado, havia a possibilidade de salvá-lo, retirando do controle dos Mansur, processando-os, se fosse o caso, mas preservando a empresa.

Havia compradores aguardando uma decisão. Não foi possível. Fechou-se a empresa, despediram-se os empregados, ficou apenas o prédio. Todo mundo perdeu, dos credores aos trabalhadores, passando pelo governo, que deixou de receber impostos, pelos fornecedores e tudo o mais.

Mais uma vez a burrice nacional penalizando a empresa, em vez de penalizar o controlador. E mais uma vez os clichês, de operação-hospital ou quetais impedindo a racionalidade.

Se tenho uma empresa que tem um lucro de 10 por mês e uma dívida de 10.000, obviamente ela é inviável com essa dívida. Mas essa empresa, mantida aberta, vale, digamos 1.000; fechada, vale 100. Se separo a parte boa da parte ruim, vendo por 1.000 e rateio pelos credores. Todos vão perder, mas muito menos do que fechar a empresa.

Mais que isso, preservo empregos e todos os intangíveis (valores não mensuráveis) da companhia. Mas essa lógica, aceita por qualquer país civilizado, não entra na cabeça da nossa opinião pública.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 16h59

Uma morte estúpida

O final da Varig é a prova maior da ignorância nacional. Mostrou o despreparo e descaso de dois governos – FHC e Lula --, a incapacidade do Judiciário e a incompetência dos credores para chegar a um acordo que salvasse a empresa.

Mais que isso: mostrou o despreparo da opinião pública, em geral, para tratar de casos de recuperação de empresas. Punem-se empresas como se elas fossem gente, que precisassem dividir a punição com seus controladores.

A culpa da crise da Varig é dos administradores da empresa, não da companhia –que tem CNPJ, não RG. Se uma companhia é operacionalmente viável, e passa por problemas de gestão e de excesso de endividamento, em qualquer país racional do planeta, trata-se de afastar o gestor, colocar alguém que implemente um plano de recuperação. Depois, de modo figurado (e jurídico) se criam duas empresas: uma sem dívida, outra que herda as dívidas.

Porque se faz isso? Porque uma empresa como a Varig tem muito maior valor operando do que parada. Porque quando se tenta vender uma companhia com muitos esqueletos (dívidas) seu valor vai lá embaixo, porque o comprador desconta no preço a insegurança em relação ao total do passivo.

Quando se vende uma companhia limpa de passivos, o preço que se alcança é muito maior, e servirá para pagar uma parcela maior das dívidas da empresa velha.

Se o valor da nova companhia não for suficiente para quitar todas as dívidas, não faz mal. De qualquer forma, seu valor será muito superior ao de uma companhia parada.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 16h53

14/06/2006

Do leitor

O etanol e a competição internacional

por André Araújo, a propósito do artigo "As ações no biodiesel", da ABDI

Estimular outros paises a produzirem etanol? Faz sentido? Para tornar o etanol commodity? Mas o etanol já e, tanto que os grandes traders mundiais de commodities já operam o produto em larga escala, como a Cargill, que exportou em 2005 , 600 milhões de litros, algo como 20% do total exportado.  Os EUA produzem mais etanol que o Brasil, 18 bilhões de litros contra 16 bilhões do Brasil,  extraídos de milho, muito mais caro para produzir do que de cana, mas esse etanol é negociado como commodity há muito tempo., a ADM lá domina o setor. 

Os concorrentes surgirão naturalmente e não vamos repetir a besteira do café e da borracha, dos quais já fomos os primeiros do mundo, depois superados por paises menores, mais espertos e mais ativos que nós.

No caso da borracha, as mudas da hevea que criaram as plantações da Malásia saíram do Amazonas, transportadas por botânicos ingleses. Até então (1914) o Brasil era absoluto na borracha natural. A tecnologia do etanol não é um segredo, a África tem terra a vontade apropriada, assim como a Indonésia, a Índia ,  o Sul da Ásia, a Austrália e muitos paises da América Latina e Central, as três Guianas, todo o Caribe.

Que história é essa de ensinar e incentivar outros? A nossa politica deve ser o oposto, manter ao máximo  nossa liderança no etanol de cana até que outros, inevitavelmente e independentemente da nossa vontade, estimulados pela demanda crescente, vão produzir etanol em massa. Me desculpe mas essa conversa do diretor da Agência parece piada de português.


Escrito por Luis Nassif às 15h34

Do leitor

O plano Decola Galeão

Os leitores continuam enviando idéias, sugestões e notícias para nossa Plataforma Aberta de Governo. Do leitor Cláudio Louzada, o Blog recebeu a seguinte informação sobre o plano de logística do Rio de Janeiro.

Falando de Metrô em São Paulo, gostaria de informar que nós, paulistas, estamos também desatentos porque o Estado do Rio de Janeiro trabalha muito sigilosamente em um projeto ambicioso de transporte. Na verdade, trata-se de um projeto de integração logística que irá beneficiar tanto a capital como todo o estado.

A positiva repercussão política e secundariamente, mas não menos importante, econômica em curto e médio prazo será inevitável, com excelente projeção nacional aos seus implementadores. Em verdade, o que está para ser decidido  é a reversão da atual tendência de São Paulo consolidar-se como a capital da América do Sul e principal centro (Hub) de conexões de vôos internacionais.

O esvaziamento do Rio de Janeiro acentuou-se a partir de 1985, com a inauguração do aeroporto internacional de Guarulhos. Este terminal é muito mais que apenas um meio facilitador  de transporte. Hoje, representa a extensão dos poderes políticos e de influência econômica e social do Estado de São Paulo para os mais longínquos pontos do território nacional e dos paises vizinhos. Ciente destes aspectos, que parecem tão óbvios, mas têm passado despercebido dos governantes, o governo do Rio de Janeiro deu início a um projeto com um nome despretensioso:  “Decola Galeão”.

O Decola Galeão é o mais audacioso e viável programa de logística de transporte com cunhos poderosos de desenvolvimento e reflexos na política, na economia  e turismo, e principalmente no âmbito de divulgação e fixação de um nome nacionalmente.

Veja aqui mais detalhes.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 15h19

Como avaliar governantes

Quem foi melhor administrador, Lula ou Alckmin? A bem da verdade, é quase impossível saber. Não há metodologias consagradas para medir a eficiência de um governante. O máximo que se consegue é saber alguns programas que foram lançados com maior ou menor imaginação, e algumas estatísticas precárias.

Como realidades complexas, é possível levantar dez itens em que o governo Lula se saiu bem, e outro tanto em que ele se deu mal. O mesmo pode se fazer com o governo Alckmin.

O problema é que o Brasil está na pré-história em termos de sistemas de avaliação de governo. Por exemplo, o ex-Secretário de Ciência e Tecnologia de Alckmin, João Carlos Meirelles, se gabava de ter criado 45 Arranjos Produtivos Locais. No fundo, o que fazia era organizar um evento, juntar empresários de um mesmo setor em uma determinada região, e decretar a fundação do APL. E mais nada.

Esse tipo de jogada estatística também foi aplicada por Lula. Apresentam-se dados numéricos, sem entrar nos qualitativos. Fica-se, então, na mesma história do elefante e dos sete cegos, cada qual apalpando apenas uma parte do bicho para tirar conclusão.

Lula tem um mérito insofismável: a universalização das políticas sociais. E um erro imperdoável: o aparelhamento da máquina pública.

Alckmin tem um mérito inquestionável: a manutenção dos quadros técnicos do governo do estado. E um erro imperdoável: a falta de decisão e de ações estruturantes.


Escrito por Luis Nassif às 13h05

Incertezas do caso Varig

Não será o juiz Ayoub quem irá dar garantia jurídica aos novos compradores da Varig, de que não herdarão pendências trabalhistas e fiscais. A nova Lei de Recuperação de Empresas está no mesmo nível hierárquico da CLT (que prevê prioridade aos débitos trabalhistas) e a que prevê prioridade para os débitos fiscais. Há um conflito de interpretação que não foi resolvido ainda nos tribunais superiores. É isso que levou o procurador-geral da Fazenda a um parecer acaciano de que a nova empresa não será responsabilizada pelas dívidas da velha empresa, se elas forem devidamente quitadas. Mais detalhes no Guia Financeiro.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 12h51

As ações no biodiesel

O esgotamento das reservas mundiais de petróleo e a instabilidade política em torno do assunto levam o mundo a pensar em novas fontes de energia. O Brasil sai na frente com o uso do álcool na matriz energética, mas para se consolidar como líder mundial e conquistar uma fatia importante do mercado, algumas medidas se tornam necessárias.

Segundo o diretor da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industria (ABDI), Mario Sergio Salerno, a principal estratégia do governo é estimular o desenvolvimento de novos países produtores e tornar o produto uma commodity internacional – para que os importadores não fiquem na dependência de fornecedor único. Ele destaca algumas missões internacionais realizadas pelo governo que contribuem para acelerar essa estratégia:

1- Missão ao Japão que ficou conhecida pelo rótulo de “TV Digital”, mas que tratou de álcool

2- Missão e “Brazilian Day” em Londres, quando se discutiu com o governo britânico o apoio tecnológico e empresarial para produção de álcool na África do Sul.

3- Missão na América Central na semana de 28 de junho, quando será inaugurada uma usina joint-venture.

O representante da ABDI destaca que o foco inicial é ampliar os mercados internacionais e dar visibilidade ao álcool brasileiro, mas o desenvolvimento tecnológico também está previsto na Política Industrial e Tecnológica e de Comércio Exterior. Nesse sentido, é importante a articulação de novas variedades de cana para regiões hoje não produtoras (como o Sul do Brasil) e articulação de processos nano e biotecnológicos para aumentar a eficiência do todo, aproveitar resíduos e inaugurar novos usos para o carburante (como uma alcoolquímica renovada).

Estudos mostram que a demanda global do produto em 2010 deve atingir 80 bilhões de litros por ano se considerarmos uma adição de 5% de álcool à gasolina. Em 2004 esse consumo foi de 26 bilhões de litros em 2004. O álcool de cana-de-açúcar no Brasil é o biocombustível de maior produtividade no mundo, com 6 mil litros por hectare por ano. Através inovações tecnológicas, esse valor opde chegar a 14 mil litros de álcool por hectare por ano.

O artigo completo de Mario Sergio Salerno que mostra o provável cenário para 2025, as perspectivas para o Brasil e as ações de governo em curso, estão no site www.projetobr.com.br. A política energética está diretamente ligada à infra-estrutura e integração da América latina, dois dos temas abordados na Plataforma Aberta de governo que o Projeto Brasil está elaborando. Dê sua contribuição no site ou através de e-mail.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 12h14

O fator Nike

É cedo para maiores avaliações, mas tenho a impressão de que a entrada de Ronaldo em campo, sem nenhuma condição física, se deveu ao contrato que mantém com a Nike.

Como se recorda, na semana passada se noticiou que a chuteira especial criada pela Nike para o “Fenômeno” tinha provocado bolhas em seus pés. Ontem, em campo, o problema de Ronaldo não era falta de forma física, era dificuldade em andar mesmo. Saiu de campo como mulher que usa sapato de salto alto machucando. No banco, parecia aliviado como a mulher descalça.

Aparentemente, foi mantido em campo para cumprir contrato, esperando que as bolhas melhorem.