30/06/2006
A Musa de São João
Em janeiro, Leilah Assumpção me liga para informar o falecimento de Lúcia Azevedo Costa. Vocês não imaginam quem foi ela. Morreu aos 90 anos em Mococa, para onde se mudou há dez anos, para morar com uma irmã. Voltou para ser enterrada
Nos anos
-- Ninguém resistia à beleza da Lúcia, me dizia o embaixador Walther, completando o causo.
-- Nem o senhor?, provoquei.
-- Eu? Fiquei profundamente apaixonado, mas ela também não me quis.
Lembrava-se de Lúcia na minha adolescência
Depois que o Dr. Walther me contou as maravilhas de Lúcia, fui atrás de minhas fontes poços caldenses para recolher mais histórias. Não existe melhor fonte que o professor Antonio Cândido. Que as poços caldenses não nos ouçam, mas o professor costumava dizer que as poços caldenses de seu tempo eram admiráveis, educadas, simpáticas, sabiam receber como ninguém. Mas a beleza das sanjoanenses era insuperável.
Em uma das conversas com ele, perguntei da deusa Lúcia. Ele me contou que, professor da Faculdade de Filosofia e Letras, certa vez foi entrevistar uma aula que se candidatava ao curso. Deu de cara com a Lúcia.
-- Para mim, foi uma revanche!, me contou o mestre.
Indaguei a razão, o que a deusa poderia ter cometido contra ele:
-- Me desprezou quando eu era adolescente!
Também o professor apaixonou-se perdidamente por ela, com um agravante: devia ser uns quatro anos mais novo.
Lúcia saiu de São João, fez Filosofia, Pedagogia, Psicologia. Escreveu um livro, o “Quem é Você”. Mas sua única paixão foi a Igreja e as obras sociais. Quando passou por São João Dom David Picão, um bispo revolucionário e bastante sedutor, tornou-se sua assistente quando foi transferido para Santos. Mas a sedução de Dom Picão foi para outras belas mulheres de São João. Para Lúcia, interessava apenas as obras sociais.
Trabalhou na Caetano de Campos e em inúmeras obras sociais e evangélicas vida afora.
Deixou uma multidão de fãs, de Plínio de Arruda Sampaio, cuja mulher Marieta era sua prima, ao prefeito de São Paulo José Serra.
Porque jamais se casou? Nos cursos que dava, Lucia deixava transparecer que casamento era responsabilidade muito grande. Cuidar do mundo, pelo visto, era tarefa mais leve.

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Na coluna que escrevi “A CTEEP e a luta da CESP”, baseei-me em dados que me foram fornecidos, por entrevista telefônica, pelo Secretário de Energia de São Paulo, Mauro Arce.