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22/07/2006

A gentileza de seu Oscar

Recebo e-mail de Marcos Ritel Franco.

“Caro Luís Nassif,

Comecei a ler "Gustavino e o Culto da Gentileza" (clique aqui) e fiz uma viagem pelo tempo, por volta dos anos 70. Lembrei-me que, um dia, um menino de 13 anos entrou em uma farmácia, na rua Assis Figueiredo,deparou-se com um senhor e lhe pediu trabalho. Talvez o senhor nem estivesse precisando, viu no menino, entretanto, uma necessidade tamanha que não conseguiu dizer-lhe não. Após contrata-lo, percebeu logo que  este não realizava suas refeições no horário de almoço. A partir daquele momento até a venda da farmácia, na hora do almoço, dirigiam-se os dois para sua casa, ele, com o jornal embaixo do braço, e o menino, com as baguetes na mão. O menino passou a partilhar a mesa com a sua família, sem que houvesse, contudo, diferença alguma.

Não sei o porquê, mas ele sabia que, com o seu gesto, ele estava tirando um menino das ruas e dando a ele o sentido de família. O menino cresceu, virou industrial, fazendeiro e construtor, mas permaneceu, sempre em sua memória, o gesto de bondade daquele homem. Fica uma grande vontade de dar-lhe um forte abraço e dizer-lhe obrigado, meu grande amigo, Oscar Nassif”.

O e-mail me pegou meio de guarda baixa. Há tempos não me debruçava sobre as lembranças antigas, andava meio afastado do seu Oscar, que se foi em 1988.

Não cheguei a conhecer o Marcos. Em 1966 saí de casa para estudar em São João da Boa Vista, dali em 1970 para São Paulo. A farmácia foi vendida apenas em 1974.

O distanciamento de meu pai, forjado na minha adolescência, persistiu pelo resto da vida. Quando chegou em São Paulo, depois de ter perdido tudo em Poços, fiquei ao seu lado, antes e depois do derrame que o vitimou. Mas nunca houve a derradeira conversa, nunca soube muito mais do que minhas tias, suas irmãs me contavam, ou minha mãe deixava escapar.

Sabia que era generoso. Soube mais depois, quando me contaram que na esquina da Rua Rio de Janeiro com a Assis Figueiredo havia uma disputa para saber, entre ele e o velho Zé Prézia, quem era o mais generoso. Ninguém saía sem remédio da farmácia, mesmo não tendo dinheiro.

Minha mãe comentava às vezes sobre sua generosidade, mas com uma admiração contida, fruto de uma mal-disfarçada disputa que acomete casais nos quais as duas partes têm temperamento forte.

Comecei a recuperar a memória do seu Oscar depois da sua morte. Foi o Ari Bolão, amigo de infância do Mauro Ramos de Oliveira – o grande capitão da Copa de 62, também amigo do velho – quem me contou que meu pai o viu jogando bola menino ainda, pés descalços, trouxe-o para a farmácia como ajudante. Depois financiou todos seus estudos até a Universidade.

Anos depois, no Pálace Hotel o porteiro do balneário me contou que certa vez parou na frente da farmácia, e ficou vendo os brinquedos expostos na vitrine. Meu pai o chamou, perguntou se queria algum. Era véspera de Natal. Ele respondeu que queria dar de presente aos filhos, mas estava sem dinheiro. Seu Oscar respondeu que presente de Natal era mais importante que remédio. Mandou-o escolher os presentes e que pagasse quando pudesse.

Há uns dez anos, recebi um telefonema de um pipoqueiro que tinha ponto em frente o cine Gazeta. Me contou que mudou-se menino para Poços. Tinha um problema motor que o impedia de falar. Era início dos anos 70, meu pai já envolvido pela crise financeira que o vitimaria. Pois pegou o menino com seu carro, trouxe até a Beneficência, em São Paulo, pagou o tratamento e, depois que o menino melhorou, comprou para ele um carrinho de pipoca.

São incontáveis as histórias. E ele não contava para ninguém, sequer para os filhos. Ao mesmo tempo, tinha total incapacidade de lutar por seus direitos. Ficava esperando gratidão, reconhecimento das pessoas.

Hoje fico pensando em quantas pessoas, a exemplo do Marcos, ele conseguiu encaminhar apenas à custa de uma gentileza, de uma atenção ou, como no caso do Ari Bolão, de ajuda sistemática até a Universidade. E fico mais convencido que nunca da força irresistível da gentileza como agente transformador de pessoas.


Categoria: Crônicas
Escrito por Luis Nassif às 23h53

Os direitos individuais

O estado de direito no país é um problema torto de uma situação torta. Os sistemas de segurança são falhos, a justiça é lenta. E, a exemplo da sociedade européia nos anos 20, somente a partir dos anos 90 surgiu uma opinião pública midiática no Brasil.

Parte dela não acompanhou os anos de chumbo. Não tem noção do que foi a penosa luta pela defesa dos direitos individuais. E não se dá conta de que direitos individuais são valores em si, não dos criminosos. Trata-se da defesa da sociedade como um todo contra desmandos do Estado. Ao se defender o direito individual do criminoso, ao se colocar seu direito acima da sede de vingança, está-se protegendo o direito individual do inocente, quando vier a ser vítima de um arbítrio.

É por isso que nos Estados Unidos –pátria dos direitos individuais--, antes de cada prisão, mesmo do pior dos criminosos, a pessoa é avisada sobre seus direitos, inclusive o de ficar em silêncio para não se comprometer. Depois, há punição severa, muito mais severa que aqui. Em alguns estados, pode chegar à pena de morte. Mas qualquer irregularidade durante o processo, qualquer sinal de que o direito de defesa foi desrespeitado leva à anulação do julgamento.

Esses princípios universais de direitos individuais, algo que a humanidade levou séculos para alcançar, ainda não são compreendidos por parte relevante da opinião pública midiática. E aí se cria essa enorme atoarda, na qual qualquer voz discordante é submetida a um linchamento –no meu caso, felizmente, virtual.

Imagine você, na seguinte circunstância: está passando de carro por um local ermo e, de repente, atropela uma pessoa que atravessa correndo a rua. Você não viu, não pode ser acusado de dolo, mas, na sua frente, começa a se formar uma multidão, insuflada por pessoas como algumas que se manifestaram nesse blog. Você sabe que não teve intenção de atropelar a pessoa, mas será ouvido? Não, porque você não está mais do lado da  maioria, deixou de ser caçador e virou alvo.

Não adianta argumentar que as situações são diferentes, que os Cravinhos e a Suzane são réus confessos e você atropelou sem intenção. Acha que com o clima criado, com os nervos explodindo, com algumas pessoas insuflando a turba, alguém irá parar para ouvir seus argumentos?

É por isso que a civilização criou os direitos individuais, as sociedades civilizadas coíbem o linchamento, a opinião pública civilizada defende a punição como uma defesa da sociedade, não para satisfazer a sede de vingança.

O problema são esses instintos de justiçamento, não a eventualidade dos réus merecerem ou não serem condenados.


Escrito por Luis Nassif às 20h50

O Espelho da Catarse

Bom, agora que já ocorreu a catarse, vamos dar um destaque especial para algumas manifestações da turma que acha que o papel da Justiça não é apenas prender, mas satisfazer a sede de sangue e justiça da população:

A Cibele

Nassif, vá ser babaca assim no meio do frevo, vá, e deixe o monte de estagiários de cujo trabalho você se alimenta fazendo cagadas e mais cagadas. A mídia vive dessa carniça toda e você sabe muito bem disso. Se não souber, é porque alémm de babaca é burro ou se faz de.

O Márcio

qual é o problema? um crime barbaro, uma safadinha burguesa, uns assassinos de aluguel, acho q o promotor só transmitiu uma pequena parte daquilo q nós todos, pessoas de boa indole dizer pra estes animais, v a l e u pena q em 2008 estas armas de destruição já estaram em nosso convivio...até lá, poderemos durmir de porta aberta.....abraço

O Adailton

O PROMOTOR NADIR CAMPOS TALVEZ AGIU MEDIANTE AO UM MISTO DE EMOÇÃO E REPULSA AO FALAR DESSES ASSASSINOS E VERMES É PLENAMENTE JUSTIFICAVEL

A Sonia Chaves

Sr Nassif, quem gosta de bandido é bandido. Nojento é o crime que esta nojenta concebeu em seu cérebro de m...a, coração negro, escuro como a noite sem lua. Em Inglês dizemos: Birds of a feather, flock together" Quem defende essa Suzane, merece cadeia como ela. E tenho dito.

O João Kleber

No Brasil só bandidos tem direitos humanos preservados. Por causa da imprensa nojenta e dos partidos de esquerda e que no Brasil, os bandidos tem direitos humanos, gostaria de saber se também os pais de Suzane, dormindo tiveram os seus direitos à vida preservados, acho que o sofrimento deles foi bem maior que as agreções verbais sofridas pelos réus vinda do promotor.

Mas no Brasil viva aos bandidos e pau nas pessoas de bem...

O José de Oliveira

Pena que os mesmos não irão cumprir a ridícula pena de apenas trinta e poucos anos. Deveriam mesmo era ser fuzilados em praça pública.

A Elizabeth Santos

O seu comentário é despropositado, uma vez que os advogados, principalmente o da vagabunda, é de uma grossura e vulgaridade terrível, um desclassificado que teve a cara de pau de falar em pleno ar (Record) na cara da Ana Rickman, que a tal da Suzane era mais bonita do que ela.

A Neli

VAMOS LINCHAR OS PRATICANTES DE CORRUPÇÃO ATIVA E PASSIVA;esses malditos matam mais pais de família e crianças do que esses três .


Escrito por Luis Nassif às 20h08

Kate Lyra e Leonora

Da leitora Kate Lyra

Caro Luis

Adorei tua matéria sobre Leonora Amar, e eu também gostaria imensamente de a conhecer. Temos em comum o fato de que ambas, Ms. Amar e eu, termo trabalhado com Rodolfo de Anda.

Eu fiz um filme com Rodolfo em 1970. Embora casada com Carlos Lyra há pouco tempo (casamos em outubro de 1969), eu (e a minha agente) ainda usava meu nome de solteira, Katherine Riddell, para trabalho. O filme com Rodolfo (com direção do René Cardona (nascido em Cuba), "Manuel Saldivar, el texano", foi lançado em 1972. Nessas alturas, Carlos e eu já estávamos morrando no Brasil.

Grandes abraços


Categoria: Minhas Músicas
Escrito por Luis Nassif às 13h27

O vaudeville

Dos repórteres Laura Capiglione, Luísa Brito e Sérgio Torres, na “Folha” de hoje sobre o do caso Ritchtoffen:

O vaudeville

Se a acusação permitiu-se, nas três horas iniciais a que teve direito, até encenar o homicídio com uma barra de ferro invisível, a um metro de Daniel, e repetindo: "O senhor bateu. O senhor bateu. O senhor bateu", como fez o promotor Nadir Campos Junior; se o Ministério Público encenou um showzinho que o próprio acusador Roberto Tardelli reconheceu parecido com "vaudeville", os irmãos Cravinhos foram representados por um advogado, Adib Geraldo Jabur, que gastou metade da uma hora e meia a que teve direito saudando todos os presentes, até os PMs e funcionários do fórum, "além da torcida do Corinthians".

O advogado de defesa

No final da fala do advogado (Adig Geraldo Jabour) -que incluiu a filha dele, Gislaine Jabur, homenageando sua própria prole-, o comentário na sala do júri era: "Assim, a Promotoria vai ganhar por W.O".

Indignidade

O momento mais tenso da parte do julgamento destinado à manifestação dos acusadores foi durante a fala do promotor Nadir de Campos Júnior. Antes, aos gritos, ele aproximou-se dos réus. "É repugnante, é abjeto, é nojento matar alguém e depois, na entrada do motel, dizer que quer a suíte presidencial", falou, referindo-se ao fato de Suzane e Daniel terem ido a um motel após o crime.

Nessa hora, o caçula dos Cravinhos começou a chorar muito. Campos Júnior prosseguia quando, também gritando, surgiu à sua frente a advogada Gislaine Jabur, uma das defensoras dos irmãos. Ela reclamava do tratamento dispensado aos seus clientes.

Também aos gritos, o promotor pediu a ela que voltasse ao seu lugar imediatamente. O juiz não conseguia controlar a balbúrdia no plenário.
Daniel e Cristian se abraçaram chorando. "A crueldade deles não justifica a sua", gritou a advogada antes de sentar. Antes, o promotor Roberto Tardelli já tinha chamado Suzane de "fedelha assassina".

Segundo um magistrado que assistia ao julgamento, o comportamento do promotor Nadir de Campos Jr., que no intervalo chamou Suzane de "a loira do filme "O Exorcista'", foi despropositado, desumano e covarde. "Atacar uma pessoa algemada, que não pode responder, é uma indignidade", disse. "Nunca se ouviu algo assim num Tribunal de Júri", disse.

 


Jabour, Nacif, Tardelli, Nadir – este com um comportamento que compromete a imagem da promotoria perante qualquer cidadão dotado de civilidade – mostraram o mal que o excesso de mídia provoca em pessoas despreparadas, imaturas. E o mal que o excesso de exibicionismo provoca para a justiça.

Ainda bem que, junto com esses despreparados, havia advogados discretos, e o trabalho quase irrepreensível do juiz Alberto Anderson Filho. Teria sido perfeito – a julgar pela cobertura—se tivesse interrompido o show vergonhoso desse promotor Nadir.


Escrito por Luis Nassif às 10h00

Leonora Amar, atriz e primeira dama

Com a Internet, a pesquisa de música virou um emaranhado de fios. Puxa-se um, vai se desenrolando, chega-se em outro.

O meu novelo de fim de semana começou em Silvinha Mello, cantora dos anos 30 e 40. Recentemente encontrei Ricardo Cravo Albin, em um evento no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro. Mencionei Silvinha Mello. Disse-lhe que não encontrara nem em seu dicionário, nem na Internet. Um dos maiores especialistas da música brasileira, Ricardo admitiu que a falha era grave e ficou de incluí-la em breve em seu dicionário.

Eu tinha sabido dela alguns meses antes, em meus passeios pela praça Buenos Aires, quando o trabalho me libera algumas manhãs para andar, ouvir música e terminar com um cafezinho, um suco de uva e os velhos fregueses do Café Colón. Em uma das edições do jornal da Collectors, fico sabendo que foi das primeiras cantoras a fazer sucesso nos Estados Unidos, em temporadas no Blue Angel, de Nova York, cantando composições  de Ari Barroso.

Silvinha pegou rabeira em Carmen Miranda. Filha de pernambucanos, nasceu em Vitória (ES) em 1914.  Mudou-se para o Rio com 9 anos. Aos 18 anos começou a cantar nos programas de César Ladeira na rádio Mayrink Veiga, junto com Francisco Alves, Carmen Miranda e Silvio Caldas.

Gravou seu primeiro disco em 1931, interpretando duas músicas de Heckel Tavares, “Chove Chuva” e “O Pequeno Vendedor de Amendoim”. No seu repertório havia basicamente José Maria de Abreu, Sivan Castelo Branco, mas fundamentalmente Joubert de Carvalho –de quem gravou, entre outras, “A Carícia de Tuas Mãos”, “Teu Retrato”.

No jornal confirma a informação de que Silvinha casou com um diplomata francês e se mudou para Paris, onde teria falecido em 1978 –informação não confirmada.

Aliás, como a pesquisa musical brasileira, hoje em dia, se resume esse abstração da “entoação”, muito tema fica solto no ar, à espera de um historiador. Um dos temas poderia ser das cantoras brasileiras de segunda linha, que seguiram para os EUA  no rastro do sucesso de Carmen Miranda.

É o caso de Leonora Amar, nascida em 1926, que fez temporada nos cassinos de Poços de Caldas no início dos anos 40, depois se mudou para os Estados Unidos, tornou-se cantora da rede CBS, fez shows em Nova York, na esteira de Carmen Miranda, se apresentou na NBC cantando "Aquarela do Brasil", "Na Baixa do Sapateiro", "Star Dust" e "Carinhoso" com tal sucesso que foi contratada pela Warner e se tornou a estrela do filme "Equador", estrelado por Errol Flyn, e, depois, de "Capitão Scarlatt", filme de largo sucesso na época. Quando esteve em Poços de Caldas, lá por volta de 1945, dividia com Linda Darnel um apartamento em Burbank, Califórnia. Chegou a ser apontada por algum crítico como das mais belas atrizes daqueles anos.

Em seguida, mudou-se para o México. Descoberta pelo produtor Raul de Anda, estrelou o filme “Desquite” e “Cuide de seu Marido”. Tornou-se celebridade no México, a ponto de ser considerada a rainha de Acapulco, fazendo mais sucesso que a própria Maria Félix – considerada na época das mulheres mais belas do mundo. Lá, conheceu o futuro presidente da República Miguel Aleman, com quem teve dois filhos.

Já era das mulheres mais ricas do México, quando decidiu voltar a Los Angeles, produzindo e atuando em três filmes, através de sua própria companhia, a Produções Sol. No Brasil, estrelou um único filme, “Veneno”, ao lado de Anselmo Duarte e dublada por Cleide Yáconis.

Depois, radicou-se definitivamente no Rio de Janeiro, onde se tornou incorporadora imobiliária. Mora em Copacabana. Recentemente consegui seu telefone. Atendeu uma senhora, que julgo ser ela própria, me informando que dona Leonora está viajando. Mas que irá passar meu telefone para ela que, se tiver interesse, entra em contato.

 


Categoria: Minhas Músicas
Escrito por Luis Nassif às 00h39

21/07/2006

Sadia e Perdigão

A Sadia desistiu da oferta de compra do controle da Perdigão. Na segunda-feira, ela havia feito uma oferta voluntária (e hostil, no sentido que o mercado dá ao termo) pelo controle da companhia. Oferecia um preço equivalente à média dos últimos 30 pregões, mais um ágio de 35%.

Os fundos que controlam a Perdigão não aceitaram. As fundações se juntaram, alegaram falha legal e preço ruim. Posteriormente, ante manifestação da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), mantiveram a tecla no preço ruim.

A Sadia melhorou discretamente o preço, mas os fundos não quiseram sentar para negociar. Alegaram que ela não poderia ter ido a mercado, mas, sim, conversado diretamente com os controladores. A Sadia alegou que no Novo Mercado não existe a figura do controlador, e o que ela fez foi seguir as novas regras.

Na verdade, mesmo em companhias listadas no Novo Mercado, só com ações ordinárias (com direito a voto) existe a figura do bloco de controle.

Ocorre que essa operação é importante demais para o país para submergir por questão de suscetibilidade ferida. Os grandes players internacionais já estão de olho no país. Frangosul e outras empresas foram desnacionalizadas. Internacionalmente, os produtores brasileiros enfrentam barreiras de governos, aliados aos produtores dos respectivos países.

Portanto, a fusão tem uma lógica comercial e econômica clara. A questão é discutir os termos. Só que, para se chegar a um acordo, os dois lados têm que ceder, compartilhamento de poder, de estratégias.

 


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 16h23

O grande desafio

Anote aí o tema central que tomará corações e mentes dos economistas brasileiros nos próximos meses: a reciclagem da poupança. À medida que as taxas de juros internas se reduzam, que cesse a arbitragem para os capitais externos, haverá uma migração de recursos da renda fixa para os ativos reais.

Nessa migração poderá estar o início de um processo virtuoso de crescimento, ou mais uma volta inútil no moto-contínuo da crise.

Há vários riscos nessa transição:

  1. Uma nova rodada de bolha no mercado de ações.
  2. Aumento excessivo nos preços dos ativos reais, de alguma maneira rebatendo nos índices de inflação. E o Banco Central atuando novamente de acordo com o manual, subindo os juros para abortar a nova etapa de crescimento.

Trata-se de uma transição importante, complexa, que exigirá um BC muito mais sofisticado e flexível do que o atual. Por flexível se entenda entender a dinâmica dos preços e parar de atuar sobre as estatísticas (que refletem apenas o passado e não necessariamente a dinâmica do processo futuro).


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 13h06

A inacreditável Palm - 2

Última posição do atendimento da Palm sobre os problemas com o teclado do LifeDrive. De fato, depois de meia hora de uso o teclado trava. O caminho é parar o trabalho, ir até o ícone do teclado, entrar, desabilitar, habilitar de novo e rezar para ver se funciona. Ou seja, dá um tranco para ver se volta.

O pior é que já fiz isso várias vezes, já cheguei a resetar o aparelho. Às vezes volta, às vezes não volta. Como é que pode, em um aparelho para uso profissional, a fonte na sua frente conversando e você anotando, depender dos humores do aparelho?

O atendimento informa que não há nada sobre atualização do sistema operacional, sugere que envie o aparelho para a assistência técnica. Para quê, se é um problema comum a todos os LifeDrive?

Se fosse uma empresa minimamente preocupada com o cliente, teria providenciado um recall no software. E recall em software não tem nem o custo de receber os aparelhos. É só deixar disponibilizado no seu site.


Escrito por Luis Nassif às 11h26

20/07/2006

Isso não é comigo

A VarigLog, o “fundo abutre” que a controla conseguiu, finalmente, adquirir a Varig a preço de banana. É a maior prova de como o Brasil, como um todo, está institucionalmente despreparado para resolver questões estratégicas.

Em todo o processo de crise da empresa, manteve-se à frente a Fundação Rubem Berta, mesmo com todos os sinais de que ela era a maior interessada em inviabilizar qualquer negócio que a tirasse da frente da operação. Boicotes e mais boicotes, planos de reestruturação deixados de lado, suspeitas das mais variadas sobre a atuação dos membros da FRB, nada foi suficiente para que fossem afastados do jogo.

Nem mesmo uma nova Lei de Recuperação de Empresas foi suficiente para tal. Nem mesmo um comitê de grandes credores conseguiu esse feito.

O governo assistiu a tudo passivamente, de Fernando Henrique Cardoso a Lula, vendo mês após mês a empresa erodindo, seus principais ativos sendo vendidos para tapar buraco. Depois, um processo de venda tumultuado, no qual as principais incertezas jurídicas não foram antecipadamente resolvidas, afastando candidatos à compra da empresa.

Não tenho informações suficientes sobre quem é o principal responsável por esse desastre. Talvez seja o lema nacional “isso não é comigo”, usado até por quem deveria ser o responsável por evitar esse prejuízo.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 15h56

Estatísticas e campanha

De um atento observador da falta de gestão que campeia no país:

Operação Tapa-Buraco – foi feito enorme alarde por Lula sobre a operação. Se consultar as estatísticas da Petrobrás, se verá que a venda de asfalto caiu vertiginosamente este ano. Não se sabe com que material os buracos das estradas estão sendo tampados. Deve ser com as estatísticas sobre o setor.

Segurança pública SP – o ex-governador Geraldo Alckmin levantou, em defesa da sua política de segurança, estatísticas mostrando queda na fuga de presos das penitenciárias paulistas. As mesmas estatísticas indicam que 80% dos crimes com sangue em São Paulo são cometidos por indivíduos condenados, foragidos ou indultados. E nunca houve trabalho de inteligência policial nas penitenciárias, porque o Secretário de Segurança era brigado com o Secretário de Administração Penitenciária.


Escrito por Luis Nassif às 15h15

A inacreditável Palm

Sou usuário Palm há muitos anos. Os aparelhos são excelentes, mas a assistência técnica é a pior dentre todos os fabricantes que já conheci.

Costumo levar o Palm em entrevistas, com o teclado infravermelho universal. No último Natal ganhei um LifeDrive, o Palm que vem com 4 gb de memória. Teoricamente, daria para escrever um livro utilizando sua capacidade de armazenamento.

Daí o tal teclado começou a dar problemas. Travava no meio de uma entrevista, me deixando em apuros. Faço uma consulta ao atendimento da empresa. Informam que pode ser conflito com programas, que eu deveria reformatar o HD, instalar programa por programa e testar qual deles daria o conflito.

Supus que o problema fosse com softwares adicionais que instalei no aparelho. Depois de uma longa maratona, decido tirar todos os softwares adicionais e instalar apenas aqueles que vêm com o aparelho. Os conflitos continuaram. Nova consulta ao atendimento, e a informação de que o problema era com o software do teclado. Eu deveria baixar um novo software do site. Baixei.

Os problemas continuaram. Agora sou informado que o conflito pode ser com qualquer outro dos softwares que vieram com o aparelho. Pergunto se outros usuários já enfrentaram esses problemas. Enfrentaram. Nem assim a Palm se deu ao trabalho de mapear qual o software que provoca o conflito. Recomenda a cada usuário que faça a maratona de instalar um programa novo a cada dia.

É de uma incompetência extraordinária. Se é um problema generalizado, caberia à Palm, em seus laboratórios, identificar a origem do conflito e colocar em um FAQ, para atender a todos os seus usuários.

É claro que vou deixar de ser cliente Palm.


Escrito por Luis Nassif às 12h38

Gustavo e o câmbio

Em sua recente polêmica com Márcio Garcia, da PUC-RJ, Gustavo Franco caiu em uma armadilha que atrapalha sua defesa sobre a política cambial do Plano Real.

Na época se escancarou o país para o livre fluxo de capitais, permitindo-se uma apreciação excessiva do real – que acabou levando ao desequilíbrio das contas externas, ao aumento dos juros, à impossibilidade do país crescer.

Na época, foram tomadas medidas insuficientes para conter a enxurrada de dólares, como cobrança de IOF e outras do gênero. A idéia de deixar o câmbio flutuar (para baixo) surgiu de discussões onde se dizia ser impossível utilizar outras ferramentas para conter a invasão dos bárbaros.

Em seu “paper”, Garcia insiste na tese da incapacidade do Banco Central de conter os fluxos financeiros. Na conversa que tive com Gustavo, na semana passada, ele sustenta que o BC dispõe de todas as armas. No “paper” em que pretende responder a Garcia, detalha os argumentos.

Aí se entra na questão: se era possível controlar a inundação financeira, de capitais gafanhoto na época, porque não foi feito, porque se permitiu a apreciação do real e volta da vulnerabilidade externa?


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 12h10

Justiça e exibicionismo

O caso Suzane desmoraliza o exercício da advocacia, através desse inacreditável advogado Mauro Marcondes Nacif e dos dois promotores. Esse exibicionismo alucinado dos três desmoraliza a Justiça, expõe o Ministério Público e o exercício do direito.

Seria importante que o Ministério Público e a OAB se dessem conta que não são apenas os três que se expõem ao ridículo, mas toda a classe dos promotores e advogados.


Escrito por Luis Nassif às 11h28

Sadia, Perdigão e desnacionalização

A fusão das duas empresas poderia representar um enorme salto de qualidade para o país, dependendo das condições em que fosse realizada. Há que se definir o preço justo. O ideal seria um processo de troca de ações que permitisse a gestão compartilhada. E a defesa dos interesses dos consumidores nacionais e dos produtores.

Agora, não procedem as preocupações levantadas por minha colega Mirian Leitão, de que a fusão poderia abrir o caminho para a desnacionalização, como foi o caso da compra da Ambev pela empresa belga, através de troca de participação acionária.

Na época, fui o primeiro a desmascarar a versão da fusão. Era venda mesmo, na qual os controladores da Ambev se tornaram acionistas da Inbev. O fato de ter brasileiros no Conselho de uma multinacional belga não muda a lógica da empresa.

Não há nenhuma semelhança com o caso Sadia-Perdigão. A Sadia é uma empresa de capital nacional, tradicional, com fortes raízes no país, em um setor onde o Brasil é amplamente competitivo. Já a Perdigão é uma empresa exemplar, mas com controladores financeiros: os fundos de pensão. A lógica dos fundos de pensão –assim como a dos antigos controladores da Ambev—é uma lógica financeira. Nada contra: eles precisam maximizar suas reservas para fazer frente a seus compromissos. Isso significa que, em algum ponto do futuro, poderão fazer uma análise de portfolio e decidir pela venda do controle da Perdigão.

Além disso, pelo fato de ter o controle no mercado, a Perdigão estará permanentemente sujeita a ofertas de compra hostis (na qual o comprador oferece um valor pelas ações sem consultar os gestores). Nos últimos dias, os jornais começam a divulgar intenções de grupos estrangeiros.

A junção das duas empresas tornaria muito mais difícil sua desnacionalização. Para tanto, a Sadia terá que melhorar sua proposta, pensar em uma fusão mesmo, não em uma aquisição hostil.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 11h04

19/07/2006

Seletividade

BEIRUTE (Reuters) - Os bombardeios israelenses no Líbano mataram 63 civis e um guerrilheiro do Hizbollah nesta quarta-feira.


Escrito por Luis Nassif às 23h09

Como ser "investment grade"

Do leitor Igor Cornelsen

Tenho tentado sensibilizar alguns amigos, sobre uma convicção, generalizada e equivocada, que há entre os analistas econômicos. Talvez você, por olhar para as coisas com objetividade, e pensar, tenha condições de me entender.

Dizem que o Brasil só pode ser investment grade quando a dívida pública interna tiver 50% dos seus títulos pré-fixados e com um prazo médio de rolagem bem superior ao atual.

Bobagem. A dívida externa pode se tornar investment grade em poucas semanas, independente da interna seus ratings não necessariamente são coincidentes.

O Brasil tem mais reservas do que dívida externa pública. Se o Tesouro amanhã disser que não tomará mais empréstimos em moeda que não seja a local -- assim como os EUA, a Alemanha, a Grã-Bretanha, a França e a Suíça --, e que fará recompras mensais em leilões públicos da sua dívida pública externa em circulação no mercado, em pouco tempo estará com os juros externos a 100 pontos base dos EUA, mesmo sem efetuar qualquer compra.

A confiança gerada por esta atitude teria duas conseqüências.

1) Forçaria as empresas de rating a darem o investment grade da dívida externa pública do Brasil, baixando o custo de captação das empresas brasileiras que queiram financiar novos projetos em moeda estrangeira, independente do que seja o rating da dívida pública interna,  Botswana por exemplo é AAA, não por ser uma nação virtuosa e desenvolvida, mas porque não tem dívida externa.

2) Melhoraria a percepção de risco e a  credibilidade da dívida interna pública, reduzindo o custo e o prazo de sua rolagem, eventualmente até a dívida indexada à SELIC poderia deixar de ser atraente, como foi o caso da indexada ao dólar, evidentemente que com a taxa SELIC inferior à taxa de curto e médio prazo dos títulos pré-fixados vendidos em leilões pelo Tesouro.

O Tesouro já tem os recursos para peitar esta recomprar da dívida.  Só falta competência.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 22h58

O "espetáculo do desenvolvimento"

Em agosto de 2003, por falta de espaço na “Folha” publiquei na “Folha Online” um trabalho chamado de “O Espetáculo do Desenvolvimento”, tentando colocar de forma gráfica o moto contínuo da crise brasileira, desde que a economia ficou exposta ao livre fluxo de capitais.

Esses ciclos continuados de crise-melhora-crise foi interrompido momentaneamente pela alta dos preços das commodities, que permitiu a excepcional performance da balança comercial brasileira.

Mas quem quiser ler o trabalho, clique aqui.

 


Escrito por Luis Nassif às 18h15

Planilhas com cérebro

Pode ser um mero movimento dentro do governo sem o aval de Lula. Mas começou um trabalho de prospecção no mercado, por parte de membros do governo, de analistas, estrategistas e consultores de primeiro time, os chamados "planilhas com cérebro", capazes de implementar a política de metas inflacionárias sem a ortodoxia obsessiva dos atuais diretores. Tudo pensando em uma eventual reeleição de Lula.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 16h26

A década fundamental

Na minha coluna de amanhã, quinta-feira, na “Folha”, lanço uma provocação que reputo importante. Em geral, avalia-se os anos 80 como a década perdida Defendo que foi a “década da transição”. No período foram consolidados os principais conceitos que teriam permitido, na década seguinte, o país mudar de patamar, saindo da fase da substituição de importações para a de integração competitiva com a economia global.

Nos anos 80 nasceram os primeiros programas de qualidade e inovação, a defesa do meio ambiente, o Código de Defesa do Consumidor, o Sistema Único de Saúde (SUS), os primeiros elementos de ajuste fiscal (LDO, PPPs, Secretaria do Tesouro Nacional, fim da “conta movimento” do Banco do Brasil).

Foi tipicamente uma década de transição profícua.

Fernando Collor pega esse conjunto de idéias e avança extraordinariamente, um trabalho pouquíssimo conhecido, porque engolfado por sua arrogância e imagem negativa. Mas prepara o país para o último desafio: o fim da inflação, o que ocorre com o Plano Real.

A perda de rumo se dá nos anos seguintes, quando o pensamento “cabeça de planilha” de impõe sobre essa enorme massa crítica de idéias contemporâneas desenvolvidas no período anterior.

 


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 14h54

O caso Suzane

No dia 2 de junho, sob o título “Pedaços de Suzane”, bloguei uma crônica com alguns depoimentos que me chegaram sobre ela (clique aqui). Nesses depoimentos, de um vizinho e de um integrante do primeiro grupo de investigação do caso, ficou claro o seguinte:

1.      O casal Richtofen tinha uma vida normal com sua filha.

2.      O irmão Andrés se considerava manipulado por ela (só agora, no julgamento, essa informação veio a público).

3.      O namorado Daniel Cravinhos tinha uma relação absoluta de dependência com ela. Na reconstituição do crime, ele e o irmão choraram abundantemente, chegaram a vomitar, mostrando um remorso evidente.

4.      Em contrapartida, Suzane apresentou um comportamento frio, a ponto do vizinho levar uma psiquiatra, em uma das visitas a ela, que considerou-a portadora de desequilíbrio evidente.

O julgamento parece que está confirmando esses depoimentos.


Escrito por Luis Nassif às 12h51

Modismo ou revolução?

O “creative commons” é um novo modelo de direito autoral desenvolvido por advogados norte-americanos e encampado, entre outros, pelo Ministro da Cultura Gilberto Gil. No Brasil, está sendo apadrinhado por professoras da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro. Por ele, o autor pode abrir mão de parte de sua propriedade intelectual, permitir que sua obra seja modificada por terceiros etc.

Organizadora de um seminário na OAB-SP, que em breve discutirá a propriedade intelectual, a advogada Eliana Abraão julga que o “creative commons” – como tantos modismos gerenciais importados dos EUA – é mais um modismo que só complica, em vez de facilitar.

Hoje em dia, com a Internet permitindo o contato direto do criador com o público, ele poderia simplesmente se valer do velhíssimo instituto do “copyright” sob licença e autorizar o uso da obra. Em vez disso, agora terá que passar por um terceiro, o “creative commons”, com sua parafernália de possibilidades.


Escrito por Luis Nassif às 12h21

A arte dos números

O competente Cristiano Romero, no “Valor” de hoje (clique aqui), apresenta estudos do economista Anthony Élson, publicado na última edição da revista “Finance and Development”, do FMI, comparando a América Latina copm a Ásia Oriental.

Com base nos indicadores médios da região, Élson tira suas conclusões de que o crescimento na Ásia Oriental foi maior do que na AL porque os asiáticos conseguiram, antes dos latinos, credibilidade na área fiscal. Em segundo plano vêm outros indicadores.

Nenhuma discussão maior sobre a importância da credibilidade fiscal. Mas o que os indicadores demonstram é algo muito mais relevante, e presente em várias análises críticas de economistas e analistas sobre o modelo de atração de capital externo brasileiro. O investimento externo, quando entra no país, tem efeito substitutivo, ocupando lugar da poupança interna. Entram os dólares, são convertidos em reais, depois o Banco Central enxuga os reais da economia através de compulsórios ou colocação de títulos públicos. Quem tem dólares, portanto, acaba rendo plena liquidez, porque não tem limite para captação e colocação. E quem não tem dólares sofre todos os efeitos desse efeito-substituição. Pior: os dólares que entram, em geral, não são para investimento, porque focados no curto prazo.

Por isso, o pensamento não-ortodoxo (da Escola de Economia da FGV-SP ao Instituto de Economia da UFRJ) sustenta que o desenvolvimento só será alcançado com o uso da poupança doméstica -- que existe, é ampla e está aplicada basicamente na indústria de fundos.

Volte para a tabela do Élson, e se fixe em outras linhas, para entender porque o PIB per capita da AO cresceu 7% ao ano no período 2000-2005 e o da AL 1%:

Setores onde AL leva vantagem:

1.      Fluxos de capitais privados: na AL cresceu 3,9% ao ano, contra 2,5% na AO. Em todos os períodos analisados, o crescimento desse item foi maior na AL.

2.      Investimento estrangeiro direto: 3,7% ao ano na AL contra 2,5% na AO.

Setores onde AO leva vantagem:

1.      Investimento doméstico bruto: 32,7% do PIB contra 19,8% da AL.

2.      Poupança doméstica bruta: 36,8% do PIB contra 19,6% da AL.

3.      Saldo comercial: crescimento de 4% ao ano contra 0,9% da AL.

4.      Déficit público: média de 1,8% do PIB contra 2,4 da AL.

Pela análise dos grandes números, fica evidente que o fator primordial de crescimento foi o investimento doméstico bruto,  financiado pela poupança doméstica bruta.

Por aqui, toda a política monetária visa atrair fluxos de capitais privados, pagando juros que só agora (se não sobrevier nenhuma crise externa) permitirão a reciclagem da poupança financeira para o mercado de capitais.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 12h04

A invasão indiana

A Tata, empresa indiana de software que se instalou no Brasil, está promovendo uma blitzkrieg sobre os desenvolvedores nacionais, inflacionando o mercado e tirando quadros de todas as empresas.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 11h38

Raul Cortez

Não sou um especialista em teatro. Na verdade, nem gosto muito do gênero. Durante anos, fui um seguidor constante de telenovelas. Portanto, as opiniões que tenho são de um telespectador observador apenas.

Nos velhos tempos da Tupi, assistia Sérgio Cardoso, suas apresentações “hamletianas”, seu estilo fundamentalmente de teatro, que impressionava mas destoava um pouco da televisão. Era excessivamente barroco.

Depois, apareceram os grandes atores de gênero, alguns vindos da radionovela, como Paulo Gracindo e Lima Duarte, meu primo Armando Bógus, três estupendos atores. Houve atores de humor, como Luiz Gustavo (por onde anda?), Nei Latorraca, Marcos Nanini e o impagável Luiz Fernando. Cheguei a pegar os estertores de Procópio Ferreira. Houve a longa linhagem dos galãs, desde os pioneiros Walter Foster, Tarcísio Meira e Francisco Cuoco.

Mas dos atores completos, capazes de transitar do drama ao humor, de serem solenes ou informais, na minha memória televisa houve três imbatíveis: Paulo Autran, Walmor Chagas e Raul Cortez. Em tudo, na presença na tela, no timbre de voz, na capacidade de passar ironia no olhar, no pequeno esgar, um minimalismo que o teatro não permite, até pela distância da platéia.

 


Escrito por Luis Nassif às 11h37

18/07/2006

O conflito Israel x Líbano

Do leitor André Araújo

Os melhores analistas da política no Oriente Médio estão em Londres. Os ingleses tem uma secular experiência com a área e não nos esqueçamos que Thomas Edward Lawrence, mais conhecido como Lawrence da Arabia era um especialista respeitado em assuntos arabes antes de ser agente inglês no Oriente Médio durante a 1ª Grande Guerra.

Os dois melhores jornais ingleses do ponto de vista qualitativo e de independência de opinião são o  The Guardian, de Manchester e o The Independent,  de Londres. As minuciosas análises de ambos, publicadas nestes ultimos dois dias dão um quadro abrangente da situação do conflito Israel-Libano.

1.O governo libanês representado pelo Primeiro-Ministro e seu gabinete era fortemente pró-ocidental. O Líbano estava em uma fase de prosperidade com uma previsão de 1,6 milhão de turistas este ano.  O setor bancário, com 130 bancos estava em franca ascensão. Um dos bancos e não dos maiores, o BLOM, Banque Libaneise por l´Outre Mer tinha 10 bilhões de dólares de depósitos, o dobro do que tinha há 4 anos.

O ataque que parece que não vai acabar tão cedo, destruirá a economia libanesa. A elite cristã de Beirute, que governa o Líbano, discretamente pró-Israel (foi a milícia falangista cristã que cometeu os massacres de Sabra e Cahtila em 1982, com a cobertura do Exército de Sharon) está enfurecida com Israel. Ironicamente foi essa elite, da qual  o ex-Premier Rafic Hariri era o maior expoente, quem conseguiu colocar o Exército sírio fora do Líbano. Foi um mau negócio. Se ele lá estivesse ainda hoje, dificilmente Israel teria atacado o Libano.

2. Os governos árabes pró-ocidentais (Jordânia, Egito, Arábia Saudita, Kuwait e paises do Golfo Pérsico) no geral condenam a ousadia do Hezbollah em seqüestrar os dois soldados de Israel. Mas a rua árabe, a massa, está totalmente a favor do Hezbollah, que julgam defender a dignidade do povo árabe. Esse sentimento que já existia, só aumentou com o conflito.

3. O ataque de Israel aumentou o fosso entre o Islã e os Estados Unidos, aumentou muito a tensão na região e encurrala os governos pro-ocidentais, cada vez mais temerosos da massa anti-ocidental.

4. A espantosa cegueira do Governo Bush é a pá de cal final para o agravamento da instabilidade regional, que fatalmente terá desdobramentos. O Governo Bush perdeu o ultimo fiapo de credibilidade para intermediar qualquer conflito regional, um capital politico precioso que Bill Clinton sempre soube manter.

5. Uma das chaves regionais é a Síria, com um Exército enorme (em números é maior do que o do Brasil), Força Aérea e blindados, tudo algo decadente pela secura da fonte de suprimentos bélicos, que era a antiga URSS. A liderança síria é bem moderna, o Chefe de Estado herdou do pai um capital político que se mantem, a primeira dama, Asma al Assad, londrina, antes de casar era chefe de divisão de fusões e aquisições do JP Morgan em Nova York, um casal antenado e cosmopolita e um pais respeitado como potencia regional. Não parece provável que Israel ataque a Síria mas a histeria israelense torna tudo possível, sem a contenção do freio americano.  Se isso acontecer e parece que é o que Bush quer,  o mercado de petróleo será sem dúvida afetado e o barril de cem dólares não mais será uma miragem. O Brasil deve se preparar para o pior.


Escrito por Luis Nassif às 22h29

Suzane e a Globo

A respeito da polêmica sobre o direito ou não da Globo de divulgar a conversa gravada sem o conhecimento de Suzane, encontrei-me hoje com um colega de lá. Nos anos 80, disse-me ele, o então diretor de jornalismo de São Paulo Woile Guimarães criou uma regra de ouro, fixada inclusive no quadro de avisos:

Mais ou menos isso: “A entrevista pertence ao entrevistado. Até o momento de ir ao ar, ele poderá solicitar que não a divulguemos ou pedir para retificar o que falou”.


Escrito por Luis Nassif às 20h25

Judias e libanesas

No final de semana, refugiadas judias asilaram-se no Líbano. Saíram com as libanesas, trocaram idéias sobre assuntos variados, compartilharam experiências de vida. Quando amanheceu, as judias se foram. Hoje foi a vez das libanesas se asilarem em Israel. Só há uma diferença de tratamento. Em Israel não se permite assistir a novela das “Rebeldes”, o que é uma prova da ancestral sabedoria judaica.

As libanesas são minhas caçulas de 8 e 7 anos; as judias, duas coleguinhas da escola. São quatro brasileirinhas que não estão nem aí para essas questões de raça. É essa convivência que permite acreditar que, apesar dos políticos, dos sanguessugas, este é o país que, no futuro, fará a mediação mundial.

Ontem, um brasileirinho morreu no Líbano, esmagado por bombas da intolerância.


Escrito por Luis Nassif às 19h47

17/07/2006

O Blog e os leitores

Prezados amigos,

Quem tem bons leitores, não morre pagão. Gostaria de parabenizar os leitores do Blog em geral pelo elevado nível das argumentações, pela aceitação do contraditório, por se praticar a democracia com argumentos, fugindo-se do simplismo, embora o clima de campanha eleitoral às vezes esquente o sangue de um ou de outro. Vocês estão ajudando o Blog a cumprir o papel a que se dispôs: ir contra as unanimidades e o maniqueísmo.


Escrito por Luis Nassif às 22h49

Os crimes individuais

Do leitor Rafael Martín`

Em relação ao que escreve André Santos em seu blog, concordo com parte e discordo da outra parte. Como você parece incentivar que as pessoas dêem as suas opiniões, passo a escrever o que acho.

Concordo que é desprezível a forma como foi tratado o caso da Suzane von Richthofen e Irmãos Cravinhos. Nestes casos, a imprensa simplesmente reflete a média da opinião pública sobre o caso e promove uma espécie de linchamento moral, para a satisfação de todos. Poucas linhas foram gastas tentando-se avaliar o que de fato teria acontecido, nem se o parricídio teria uma razão oculta.

Também concordo que 'uma análise minuciosa dos meandros do meio, da personalidade e da vida que eles viviam talvez ajudasse a entender o porquê da tal brutalidade praticada, embora não a justificasse'.

Mas incomodo-me com o salto que se faz a partir daí, vinculando os problemas da sociedade aos problemas da juventude de hoje e ao caso Richthofen em si. A sociedade de hoje tem seus problemas, de fato, mas não acho que possa ser necessariamente responsabilizada pelo acontecido.

Nem sempre o problema é da sociedade de consumo. Apesar dos problemas familiares, o assassinato de pais não é uma coisa comum. Apesar da desigualdade, nem toda pessoa pobre comete crimes. Na realidade, diariamente, apesar dos problemas, da desigualdade, da discriminação, há milhões de pessoas que escolhem não cometer crimes.

Quase sempre, as pessoas possuem livre arbítrio para decidir. Não se trata do caso em que um indivíduo se viu sem alternativas para continuar vivendo. Não se trata de um pré-adolescente sem perspectiva nenhuma, que entra para o tráfico como tantos outros a seu redor.

Não me sinto responsável por Suzane ou os irmãos Cravinhos. Não consigo imaginar nada que eu tenha feito ou tenha deixado de fazer, que eu tenha pensado ou dito, que pudesse ter contribuído para que tomassem a decisão de matar os pais de Suzane. Até onde posso ver, eles tomaram a decisão sozinhos, e a sociedade, com todos seus problemas, não tem como ser responsabilizada pelos seus (deles) atos. Eles tomaram uma atitude que todos nós concordamos ser errada, e a sociedade os julga dessa forma.

Ainda assim, o linchamento moral não era necessário. Eles cometeram um erro monstruoso e deplorável, devem pagar por isso, e só. A imprensa deveria ter analisado melhor as razões pelas quais Suzane e os Irmãos Cravinhos tomaram a decisão que tomaram -- justamente porque, sendo seres humanos imperfeitos, não estamos isentos de cometer erros. Saber como eles tomaram a decisão que tomaram talvez ajudasse a evitar que outras pessoas tomem decisões erradas.


Escrito por Luis Nassif às 22h46

De crimes e abutres

Do leitor André Santos

É desprezível a forma como tem sido tratado o caso Suzane von Richthofen. A parcialidade da imprensa e opinião pública mostra claramente a alcatéia que nos rodeia. Um bando de pseudos-moralistas que aguardam o primeiro equívoco alheio para dispararem suas 'verdades irrefutáveis'.

Me parece que, por natureza, temos o hábito de julgar. Julgamos tudo e todos. E disparamos julgamentos que na maioria das vezes não refletem nossa real opinião, mas o que os demais aceitarão. O receio da rejeição, por acoitar o que o senso comum julga errado, nos faz tomar posições vergonhosas onde atropelamos nosso próprio direito de expressão.

Das vezes que me prestei a acompanhar, através da imprensa em geral, o desenvolvimento do caso, em nenhum momento enxerguei imparcialidade no julgamento, mas uma grande tendência à execração e condenação dos envolvidos. Não estou aqui defendendo os réus, longe de mim. Devem pagar pelo que fizeram, sim, até porque são confessos. Mas uma análise minuciosa dos meandros do meio, da personalidade e da vida que eles viviam, talvez ajudasse a entender o porquê da tal brutalidade praticada, embora não a justificasse. Não se parou para analisar que eles podem ser apenas mais uns de milhares de jovens transtornados pelos outros milhares de problemas da vida moderna.

Temos observado o crescimento em proporções geométricas de crimes cometidos por jovens das classes sociais mais altas. Vivemos num país de terceiro mundo e com a eterna má distribuição de renda entre as camadas da sociedade. Vivemos também uma época em que as relações entre pais e filhos têm se superficializado em função da mudança de valores que veio com a globalização e invasão de novas culturas.

Os jovens da burguesia são produtos de uma educação onde a babá é mais presente que a mãe e o afeto se resume a um novo celular, um novo carro ou talvez uma viagem. Jovens que têm crescido sem uma estrutura familiar de valores nobres, mas com uma estrutura formada apenas para as fotos.

Lá embaixo, ao pé da pirâmide, encontramos a outra face da juventude, que sofre de problemas semelhantes, mas por motivos diferentes e ainda são objetos de preconceito. Em geral, esta face da juventude, além de não ter estrutura familiar, ainda é acometida pelo infortúnio da discriminação social e da falta de recursos.

E numa sociedade onde o incentivo ao consumo é ordem geral, jovens sem boa orientação psico-pedagógica são facilmente seduzidos e levados a cometer crimes para sustentar uma realidade por eles criada para que se sintam menos rejeitados pela sociedade.

A partir destes exemplos simplistas, não nos parece óbvio que o problema não está nos jovens? Não fica explícito que eles são frutos de uma sociedade mal organizada e de valores mesquinhos? Sociedade esta a qual fazemos parte. Logo, me parece claro que também somos parcialmente responsáveis por estes jovens.

Voltando ao caso, por envolver uma família de altos padrões financeiros e sociais, do relacionamento da 'menina rica' com um 'marginal do subúrbio' e do horrendo crime, a celeuma em torno do caso tipicamente 'hollywoodiano' não poderia ser menor. No entanto, nada justifica a voracidade com que os abutres atacam os pedaços que restam dos réus. Pura covardia!

Não acredito que este cenário mude. A Suzane e os irmãos Cravinhos são culpados e ponto final. E como a constituição nos permite liberdade de expressão, podemos saborear cada pedacinho deles, mas é claro, com a consciência tranqüila de quem nunca cometeu um erro e com a absoluta certeza de que nunca cometeríamos crime tão hediondo... afinal, somos perfeitos.

Tristemente,

André Santos


Escrito por Luis Nassif às 20h27

Na UTI, mas com saúde - 2

Do sábio recluso, com quem converso sempre, a respeito das comparações entre as economias da Turquia e do Brasil

Nassif

Se na economia introduzirmos as categorias de história e geografia, a Turquia é incomparável com o Brasil e tentar estabelecer paralelos só serve como exercício de sala de aula. Nada, absolutamente nada, tem ambos os paises em comum. Mas se é para ficar só em números as dúvidas só aumentam: como a Turquia pode crescer 9,5% no ano passado, tendo um déficit comercial de US$45 bilhões, um déficit em conta corrente de US$25 bilhões, uma inflação de 8,2%, mas com reservas internacionais quase iguais à nossas, eles com US$56 bilhões e nós com US$59 bilhões?

Se nada bate, nada se correlaciona, o que interessa, nesse xadrez, o superávit primário deles em comparação com o nosso?

É tão irrelevante que nem se cita esse dado nos publicações internacionais de economia, quando se comparam paises. Para um monetarista dogmático como Pastore isso é, todavia, o único dado importante. Mas no caos geopolítico e econômico que é a Turquia, com grande massa de curdos dentro e vizinhos tipo Rússia e Iraque fora, certamente tem a relevância do resultado do campeonato turco de futebol.

Economia é bem mais complicada do que superávit primário em um pais encruzilhada do mundo, como é a Turquia.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 19h21

Na UTI, mas com saúde

Conclusões dos economistas Affonso Celso Pastore e Maria Cristina Pinotti em artigo no “Valor” de hoje (clique aqui), no qual comparam a Turquia – que está passando por crise avassaladora --  com o Brasil.

Nos últimos meses, em função da crise internacional:

·         A lira turca depreciou-se em 30%, a taxa básica de juros foi elevada em 400 pontos base. No Brasil as taxas estão caindo, o Banco Central está comprando dólares para evitar apreciação maior do Real e o risco Brasil refluiu.

·         Na Turquia a inflação continua se acelerando, passando dos 10% nos últimos 12 meses. No Brasil está em queda.

·         Na Turquia, o déficit nas contas correntes chegou a inacreditáveis 7% do PIB. O Brasil é superavitário, ainda que à custa do aumento nos preços das commodities. Mas o ajuste externo brasileiro foi feito com desdolarização da dívida pública, aumento das reservas internacionais.

·         As dívidas líquidas do setor público são semelhantes nos dois países, em torno de 50% do PIB

·         Mesmo assim, segundo os autores a Turquia está mais preparada que o Brasil para enfrentar crises futuras, embora esteja se desminlingüindo-se na crise presente. A razão? A Turquia vem fazendo superávits primários da ordem de até 7% do PIB, enquanto o Brasil parece ter arrefecido, com as queixas em relação às altas taxas reais de juros, “quando as condições para reduzi-las estão na conquista da austeridade fiscal”.

Mas se a Turquia já faz 7% de superávit primário, porque as taxas básicas de juros foram elevadas em 400 pontos-base e ela está passando por toda essa tempestade? E e ainda ostentando um déficit de contas correntes da ordem de 7% do PIB, quando, pela chamada "teoria dos déficits gêmeos" (utilizada por vários economistas de mercado para justificar as taxa de juros escandalosas praticadas nos últimos doze anos no país) bastaria o ajuste fiscal para equilibrar o quadro externo. Faltam elementos adicionais na análise.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 14h33

A Perdigão e Secches

Ex-funcionário do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), o presidente da Perdigão, Nildemar Secches, ao longo dos últimos anos se destacou como um dos CEOs que ajudaram a revolucionar a gestão no país.

Foi para a Perdigão em 1995, quando a empresa estava afundada em má gestão e ele, Nildemar, cotado para a presidência do BNDES. De lá para cá transformou a Perdigão em uma empresa à altura da própria Sadia.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 13h57

O diagnóstico sobre São Paulo

O diagnóstico de alguns analistas da equipe de José Serra sobre a situação do estado de São Paulo não é dos mais alentadores. Consideram vantagem Geraldo Alckmin não ter promovido uma lambança nas contas públicas. Mas os problemas de gestão são generalizados, com dois destaques negativos individuais: a Sabesp e a Secretaria da Educação.


Escrito por Luis Nassif às 13h34

O programa de Serra

Convidado por um grupo de jornais do interior paulista a expor seus planos de campanha, o candidato José Serra recusou por uma razão objetiva: tem receio de ser plagiado pelos demais candidatos, especialmente o do PT, Aluízio Mercadante.

Serra tem dedicado 40% de seu tempo a estudar os problemas do estado. E acha que, se as propostas saírem em veículos impressos, a tendência dos demais candidatos será chupá-las e colocá-las nas campanhas de televisão, que pegam um público mais amplo.


Escrito por Luis Nassif às 13h25

16/07/2006

O bombardeio do Líbano

do leitor André Araújo

O Brasil tem tal força integradora multicultural que dissolve todas as nacionalidades e raças (com exceção de uma). A diáspora libanesa no Brasil, a maior entre todas, desligou-se de tal forma do país de origem que não se ouve aqui, nem por formalidade, qualquer manifestação pela preservação do Líbano frente aos desproporcionais e injustificáveis ataques de Israel a alvos civis dentro do território libanês, alvos que não tem qualquer relação com os ditos ataques do Hezbollah e que visam unicamente espalhar o terror sobre a população civil libanesa, uma tática tìpicamente nazista.

Os brasileiros de origem libanesa, se contados por terem pelo menos um lado libanês (como eu) atingem 16 milhões. De sobrenome libanês as melhores estimativas dão como 7 a 8 milhões. É uma população extremamente representativa, mas que não está presente nos conselhos da diáspora, congregada em torno da União Libanesa Mundial com sede no México, onde há só um desconhecido brasileiro.

Talvez seja essa uma força e uma fraqueza do Líbano. Os libaneses se integram tão bem que esquecem as raízes, especialmente no Brasil.

De qualquer forma é estranhável o alheamento por completo dos clubes e associações libaneses no momento que o país de seus ancestrais está cercado, bloqueado e sob bombardeado, com mortos exclusivamente civis e dentre esses grande numero de mulheres e crianças, um massacre estúpido e sem sentido a que o mundo aparentemente assiste impassível.

A diáspora libanesa nos EUA, a segunda em número após a do Brasil, está fazendo muito barulho por lá, embora em absoluta desvantagem frente à esmagadora força dos judeus na sociedade americana, grande em números (mais de 6 milhões) e especialmente em influência e mais do que tudo, uma diáspora judaica ultra-radical pró-Israel sem nenhum balanceamento.

De qualquer modo os libaneses-americanos são valentes lutadores e tentam fazer o seu papel.

No Brasil? Nada.


Escrito por Luis Nassif às 21h19

Sadia faz oferta de compra da Perdigão

Nesta final de semana, a Sadia mandou para a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) documentação anunciando a intenção de adquirir 100% das ações da Perdigão. A oferta será válida por 90 dias, seguindo toda regulamentação e todos os instrumentos dos estatutos da Perdigão. Equivale a 35% de prêmio sobre o valor médio das ações da Perdigão negociadas nos últimos 30 pregões e superior ao laudo de avaliação que o Bradesco calculou para a nova empresa que surgiria dessa compra.

Se aceita a oferta, a Sadia será a segunda maior exportadora de carne do mundo, quarto maior exportador brasileiro. Será o segundo maior produtor de frangos, encostado no primeiro. Terá 80 mil funcionários, 26 fábricas operando em 8 estados. Em conjunto, pensa explorar mercados até agora restritos aos grandes grupos internacionais.

Mais detalhes clique aqui.

 


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 19h55

Tristes Meninas

Ah, meninas da moda, de rosto exangues, de pernas finas, com o ar triste de pássaros engaiolados, o que o mundo da moda fez com vocês? Tirou sua juventude, extirpou de sua expressão a alegria da adolescência, do seu olhar o frescor da juventude, a sexualidade jovem e sadia das outras meninas da sua geração, chupou o seu sangue de tal maneira que o corpo esquálido reflete apenas tristeza da celebração antecipada das purgações da vida adulta.

São estranhas criaturas, com o corpo cinzelado por sopros de anemia, esquálidas, indiferentes, não indiferentes, tristes mesmo, de uma tristeza extravagante, mais discreta que a dos jovens góticos que se estraçalham buscando diferenciações grotescas, mas igualmente tristes.

Aqueles expõem suas chagas, castigam-se por pecados que nem identificam; estas expõem seus ossos como se, nesse mundo do espetáculo permanente, qualquer outra forma de expressão humana já tivesse sido suficientemente banalizada.

Tristes meninas.

Fotos de Alexandre Schneider/UOL


Categoria: Crônicas
Escrito por Luis Nassif às 11h55