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12/08/2006

As trilhas de Duprat

Do leitor e cineasta Alfredo Sternheim

Queria lembrar a criação cinematográfica de Rogério Duprat. Fui testemunha de sua estréia na composição da trilha de A ILHA, de Walter Khouri, de quem ele era meio parente. Como assistente do Khouri, acompanhei as gravações, ajudei Rogério no controle do tempo (em cinema caa trecho tem um tempo pré-determinado); ele simpático e criativo. Depois, ele fez outras trilhas, umas 40, a maioria para Khouri (Noite Vazia, Corpo Ardente), mas também para outros filmes de outros diretores. Como Um certo Capitão Rodrigo, de Anselmo Duarte, Ninfas Diabólicas, A Marvada Carne


Categoria: Minhas Músicas
Escrito por Luis Nassif às 20h17

A situação atual de Duprat

Do leitor João Mendes

Chiquinho de Moraes e Nassif:

Foi com tristeza que li esta noticia. Já faz um tempo que Rogério tava dodói e visitas em sua casa ficaram meio que restritas. Acabei de conversar com um de seus filhos e Rogério encontra-se numa UTI do Hospital Santa Marina, acompanhado por sua fiel escudeira, a Lali. é isso. Rezemos por este gênio.


Categoria: Minhas Músicas
Escrito por Luis Nassif às 18h21

A última entrevista de Duprat

Estou tentando recuperar a gravação da entrevista que fizemos, o Gut e eu, com o maestro Duprat, em janeiro de 2005. Problemas no notebook me fizeram perder o original. Mas aí vai uma foto do encontro. 


Categoria: Minhas Músicas
Escrito por Luis Nassif às 17h26

Chiquinho de Moraes e Rogério

Do imenso maestro Chiquinho de Moraes, um dos maiores arranjadores da música brasileira, autor dos arranjos do histórico “Circo Místico”, de Edu Lobo e Chico Buarque.

Caro amigo:

Excelente o seu texto que acabei de ler, via UOL.

Meu mui querido Rogério, ainda violoncelista, gravou comigo muitas vezes nos estúdios de José Scatena (ainda na rua Paula Souza e posteriormente na rua Dona Veridiana), e no "novíssimo" estúdio da rádio Eldorado (no antigo prédio do "Estadão", no viaduto Jaraguá.

Eram gravações para LPs.

Geralmente as gravações comerciais com cordas usavam, no cotidiano, uma dupla de cellos em meio a arregimentação das cordas. Seu companheiro de estante, invariavelmente era o irmão do extraordinário spalla Clemente Capella.

Mal sabia eu que, àquela época, tinha à minha frente um autêntico revolucionador da Música Popular Brasileira!

Grande Rogério Duprat - jovem companheiro sempre bem humorado e sempre pré-disposto a me ajudar na minha recém inaugurada carreira de arranjador na Música Popular.

Gostaria, se possível, de ser informado em que hospital ele se encontra.

E, abusando da sua gentileza, lhe pediria para, também se possível, me enviar o material disponível sobre nosso amigo em comum para que, além de guardá-lo no coração, possa eu arquivá-lo convenientemente.

O fato de ter optado por seguir a formação musical convencional que me foi dada não me impede, de forma alguma, de apreciar, admirar e aplaudir entusiasticamente os colegas que, com genialidade, se encaminham por outras formas de expressão - como tão magistralmente o fez nosso Rogérião.


Categoria: Minhas Músicas
Escrito por Luis Nassif às 17h02

Jornal Nacional e as eleições

São meramente impressionistas as avaliações sobre o resultado das entrevistas do Jornal Nacional com os candidatos à presidência da República. Confesso não ter assistido a entrevista com a Heloisa Helena. Mas o casal William Bonner-Fátima Bernardes, dentro dos limites do tempo da televisão, e de certa obviedade dos temas tratados (inevitável para um jornal com leque tão amplo de público) foi duro sem ser grosseiro com os entrevistados.

Essa tentativa de encontrar escorregões dos entrevistados, aqui e ali, acaba fugindo da questão principal: afinal, o entrevistado ganhou ou perdeu com as entrevistas?

Pelas avaliações que colhi junto a pessoas de várias tendências, aparentemente Alckmin e Lula, se não conquistaram novos eleitores, também não perderam os antigos. Talvez apenas Heloisa Helena tenha avançado com a entrevista.


Escrito por Luis Nassif às 16h15

O Fome Zero e Palocci

Do leitor Humberto de Miranda Santos

Prezado Nassif,

a conta do impacto das aposentadorias já foi feita sim. Pelo próprio IPEA e pelo ex-Ministro do Fome Zero, José Graziano da Silva. Aliás foi Graziano que disse que a aposentadoria rural no Nordeste equivaleria na prática a uma ampla política redistributiva, a "maior do mundo". A outra parte viria com o aumento do salário mínimo e fortes programas de inclusão.

Infelizmente, a área econômica do governo Lula só entende essas políticas pelo lado da transferências de renda pura e simplesmente. Especialmente na época de Palocci.

Um dos motivos que levaram ao afastamento de Graziano, além dos já divulgados, foi a perda da queda de braço com Palocci, que queria restringir o FZ ao Bolsa Família e circunscrevê-la ao âmbito municipal em detrimento do enfoque regional que Graziano queria dar, o que levou àquela declaração infeliz sobre os nordestinos. E o próprio PT não o bancou. Pelo contrário, o objetivo maior foi distribuir o poder com algumas lideranças com peso eleitoral como Benedita da Silva, para atrair a bancada evangélica do Rio de Janeiro.

Foi esse tipo de "negócio" que jogou Graziano aos abutres da mídia que tentaram trucidá-lo com acusações sem fundamento e nunca puseram de fato o dedo na ferida, como você pôs algumas vezes. Falo isso porque acho injusto o título do seu comentário sem reconhecer o esforço de algumas pessoas sérias que estiveram no governo Lula.


Escrito por Luis Nassif às 13h01

O maestro da Tropicália

Os da minha idade sabem o que foi a influência de Rogério Duprat e seus amigos maestros, mais os poetas concretistas, na juventude daquele final dos anos 60. Influenciaram os baianos Caetano e Gil e implodiram com as escolas de música popular, como alguns anos antes haviam implodido com o formalismo da música erudita.

Por tudo isso, quando o Gutenberg Guarabyra, o Gut, me convidou, em janeiro do ano passado, para visitarmos o maestro, concordei na hora. Cheguei um pouco atrasado no pequeno apartamento, perto do Aeroporto de Congonhas, onde o maestro ficava quando vinha a São Paulo, e deixava seu exílio em Itapecerica da Serra.

Duprat estava com 73 anos e vivia seus últimos momentos de lucidez. Estava praticamente surdo, misturava histórias recentes, mas na conversa lembrava-se de sua vida musical com uma lucidez impressionante.

Contou de seus tempos da casa na rua Rodrigues Alves, na Vila Mariana, vizinho da família Gandra Martins, quando ele e seu irmão Régis saiam com seus instrumentos para tocar na rua.

Começou a estudar violão aos 14 anos. Teve dois mestres fundamentais: o maestro Olivier Toni – que foi meu professor no meu primeiro ano na ECA – e o compositor Cláudio Santoro, um ex-discípulo do grande Koelreutter – o homem que trouxe a música atonal para o Brasil.

Rogério aprendeu violoncelo e, durante bom tempo, trabalhou na Orquestra Municipal de São Paulo e na da TV Tupi. Foi naquele período que o grupo de amigos –ele, Damiano Cozella, Júlio Medaglia, Willy Correa de Oliveira, Gilberto Mendes—começou a bagunçar o coreto da música erudita, para desgosto de Camargo Guarnieri. Na mesma época, no Rio, o maestro Eleazar de Carvalho conduzia revolução similar, ampliando o repertório das orquestras brasileiras.

Um pouco antes, uma geração um pouco mais velha –composta por Santoro e Guerra Peixe—já começara a inovar, disseminando os conjuntos de câmera, acabando com o exclusivismo das grandes formações orquestrais nas apresentações.

Em 1962, com a ajuda da Secretaria da Cultura de São Paulo, Rogério conseguiu assistir um curso de verão na Alemanha, do maestro Karlheinz Stockhausen, um jovem maestro nascido em 1928,e que se tornara o maior nome da vanguarda alemã.

Graças a Duprat, Stockhausen, o norte-americano John Cage, o francês Oliver Messien, caíram na boca da juventude estudantil da época. Dessacralizava-se a música, usava-se o bom humor – como a famosa peça de Cage, um concerto para máquina de escrever.

A bem da verdade, com raríssimas exceções, era uma música que, de minha parte, achava muito chata. Pegava o ônibus na Vila Maria, encontrava com meu amigo e parceiro João Cleber, que vinha do Ipiranga, e esperávamos na fila para assistir música concreta cacetíssima.

Mas quando os maestros da Tropicália trouxeram a irreverência para a música popular, a história dos arranjos populares brasileiros passou por uma revolução comparável às de Pixinguinha e Radamés, décadas antes.

Parte daquele bom humor foi influência direta do LP “Sargent Pepper”, dos Beatles. Naquele fim dos anos 60, achei na rodoviária de São João da Boa Vista um LP de um grupo vocal norte-americano, o “Harpers Bizarre”, que, tenho certeza, influenciou os maestros da Tropicália. Rogério lembrava-se vagamente do nome do conjunto.

Seu grande momento foi nos LPs de Caetano e da Tropicália na época. Mas, na conversa, dizia não perdoar Caetano, por ter criticado uma liberdade poética do maestro em uma das faixas: um sonoro pum. Não apenas o arranjo, como a interpretação do pum foram do maestro.

Cozella foi e deve continuar sendo um arranjador primoroso; Medaglia era outro de primeiro time. Mas os arranjos de Duprat tinham um toque que fazia a diferença.

O maestro agoniza em uma UTI em São Paulo. Me dizem que seu estado é irreversível. Em São Paulo, a música popular não é um valor cultural como no Rio de Janeiro. Por isso, o maestro agoniza sem alarde, completando a grande aventura do som que começou ali mesmo na Rodrigues Alves e terminou integrando a história da música brasileira do século 20.

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Categoria: Minhas Músicas
Escrito por Luis Nassif às 00h31

A reinvenção do PSDB

A declaração do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de que o PSDB precisa saber atuar fora das eleições, apenas comprova várias análises já feitas, sobre a necessidade do partido se reinventar.

A primeira geração de notáveis já se foi. Pessoas como André Franco Montoro e sua capacidade e desprendimento de revelar quadros e lideranças; Mário Covas e sua responsabilidade fiscal; Sérgio Motta e seu espírito guerreiro, sonhando como Don Quixote, agindo como Sancho Pança.

De representante da classe média intelectualizada, a partir de certo momento o PSDB passou a refletir exclusivamente os interesses do grande capital, quando FHC não teve coragem para enfrentar a liberalização financeira aguda e delegou o desenho do país aos economistas do Banco Central e da Fazenda.

Hoje o partido está dividido entre o grupo dos partidários desses economistas, reunidos em torno da Casa das Garças – principalmente Tasso Jereissatti e Arthur Virgílio – e os defensores da visão não ortodoxa da economia – os paulistas que rodeiam José Serra.

FHC e Serra, com suas divergências e convergências, são o último elo entre a geração de criadores do partido e a nova geração que vem por aí. Se Lula, Serra e Aécio forem eleitos, como tudo indica, o PSDB terá quatro anos para se refundar e redefinir de modo claro que partido, afinal, ele pretende ser.


Escrito por Luis Nassif às 00h05

11/08/2006

Preço da TAM com serviço da GOL

Sem competição, o setor aéreo provocou o seguinte movimento das duas companhias líderes: a TAM se equiparou à Gol nos serviços; e a Gol se equiparou à TAM nos preços. E os consumidores perderam duas vezes.

Já houve momentos em que o excesso de regulação impedia a modernização do mercado. Depois, outro momento em que o excesso de desregulação matou muitas companhias. Agora, o pêndulo voltou para o outro lado: há um duopólio no setor, e nem a ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) nem a Secretaria de Direito Econômico podem permitir.

Passado o impacto inicial do rearranjo, da adaptação das empresas às novas demandas provocadas pelo esvaziamento da Varig, tem que haver a definição de regras que garantam um mínimo de conforto e preço aos passageiros.

Por exemplo: exigência de um espaço mínimo entre as poltronas. Encarei hoje um vôo de cinco horas de Belém para São Paulo e cheguei em frangalhos, sem espaço para tossir, mesmo não sendo do tipo corpulento. A refeição limitou-se a um sanduíche frio. E os preços são muito mais altos do que em qualquer outro momento da história recente.


Segundo informações de vários leitores, os preços da Gol continuam abaixo dos da TAM. Só os serviços são iguais.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 23h52

As negociações da TV digital

Nos próximos dias, será anunciada a formação de um grupo interdisciplinar para começar, de fato, as negociações com os japoneses em torno do padrão de TV digital.

Até agora houve apenas jogo de cena. Com a decisão política de escolher os japoneses, o Brasil não se preparou adequadamente para saber o que pedir, como contrapartida. Não adianta pedidos genéricos. A discussão precisa ser em cima de pontos específicos de transferência de tecnologia, das etapas para a assimilação da tecnologia por pesquisadores nacionais, da maneira como o desenvolvimento brasileiro entrará nos padrões japoneses.

Nada disso existia. Ficou-se então naquele genérico pedido de implantação de uma fábrica de chips – que, na verdade, servia apenas de álibi para justificar a decisão política de atender os interesses das emissoras de TV aberta.

Agora, formou-se um grupo com representantes dos fabricantes, das próprias emissoras, e dos pesquisadores que participaram do desenvolvimento do sistema brasileiro. Não será apenas mais um grupo: os fabricantes e as emissoras vão ter que entrar com dinheiro para financiar os estudos.

Aí sim, fora do clamor das eleições, e do lobby do Ministério das Comunicações, começará a negociação a sério com o Japão.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 23h39

Os sócios do crescimento

Se a descoberta do crédito pelos bancos comerciais tornou-os sócios do desenvolvimento brasileiro, os grandes fabricantes de produtos de consumo perceberam o que a concentração de renda prejudica a expansão das suas vendas.

É mais um grupo que percebeu que, independentemente de quem seja o próximo presidente, sem políticas ativas de inclusão social os pobres morrem de fome. E quem não come, não consome.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 23h33

A conta que não foi feita

A opinião pública está careca de ouvir falar do déficit da Previdência. Ou o Brasil mata os velhinhos, ou os velhinhos acabam com o Brasil.

Vamos às contas que não foram feitas pelo grupo de conjuntura do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas), nem pelo Fábio Giambiagi, o Armando Castellar e o Raul Velloso:

1.      A Previdência paga a aposentadoria para os velhinhos e menos velhinhos.

2.      O dinheiro é gasto em despesas básicas. Apesar da desoneração da cesta básica, a maior parte dos produtos têm impostos diretos. Nunca se calculou quanto desse recurso volta para os estados, na forma de impostos.

3.      O dinheiro recebido move muitas economias do interior, especialmente as pequenas cidades nordestinas. Nunca se mediu o impacto econômico desse dinheiro. Hoje em dia há multinacionais de porte, como a Nestlé e a Phillips, preparando ofensivas sobre esse mercado de classe D. Além da primeira onda de impostos pagos (pelos próprios aposentados), que volume adicional é arrecadado com o efeito multiplicador sobre a atividade econômica da região?


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 23h31

A Vale, o mercado e o curto prazo

As agências de risco Fitch e Moody’s decidiram colocar sob observação a classificação da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) após o anúncio de que pretende adquirir a canadense Inço (maior produtora de níquel do mundo) por US$ 18 bilhões.

É mais um sinal de como o curto prazo das agências de risco não enxerga o longo prazo. Com a aquisição, a Vale se tornará a segunda maior mineradora do mundo, líder de produção em uma vasta gama de produtos. No curto prazo, aumentará seu endividamento em moeda estrangeira de US$ 5,9 bi para US$ 25,6 bi.

Não tenho elementos para avaliar estrategicamente esse lance da companhia. Mas fiquemos no exemplo da Embraer. Após a privatização, houve investimento maciço em pesquisa e desenvolvimento. Se não tivesse havido, certamente as avaliações das agências de risco sobre a companhia teriam sido muito melhores nos primeiros anos. Mas o futuro estaria comprometido.

É por isso que a obsessão por agregar valor de mercado às companhias pode ser boa – no sentido de trabalhar de olho nos resultados --, mas pode ser fatal, se o curto prazo engole o futuro.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 23h26

10/08/2006

Duprat na UTI

Um dos grandes arranjadores da história da música brasileira, figura relevante do “Tropicalismo”, o maestro Rogério Duprat está internado em uma UTI. Aparentemente, seu estado é irreversível.


Categoria: Minhas Músicas
Escrito por Luis Nassif às 22h30

O Brasil dos "sem dólares"

Coluna de 11/08/2006

Porque o risco Brasil caiu e os dólares inundaram o país, provocando nova queda na moeda, e conseqüente apreciação do Real? Isso se deve à taxa Selic praticada pelo COPOM (Comitê de Política Monetária), e à livre movimentação de capitais autorizada pelo Banco Central.

O investidor externo fica com duas alternativas para aplicar no país. A primeira, comprando títulos da dívida lá fora. Os títulos pagam a taxa básica dos títulos públicos americanos de cinco anos, mais um diferencial de risco. 205 pontos de risco equivalem a 2,05 pontos a mais na taxa dos títulos. Ao todo, 7% em dólares.

Esses 7% funcionam como uma espécie de taxa de equilíbrio, de bóia de caixa d’água. Quando cai o risco Brasil, se a taxa Selic não acompanha, o nível da bóia fica muito abaixo da taxa Selic. E aí entram dólares em abundância, apreciando o real e obrigando o Banco Central a comprar parte deles para colocar nas reservas cambiais.

É por isso que os macro-economistas estabelecem relações entre a taxa de juros Selic e a taxa de câmbio. Todos os demais fatores se mantendo inalterados, caindo os juros internos, diminui o diferencial em relação aos externos e, com isso, reduz a entrada de dólares, deixando de pressionar o câmbio.

Hoje em dia, se a taxa Selic ficasse em 10%, ainda assim atrairia bom volume de capitais especulativos, mas o câmbio seria menos pressionado e o dólar poderia valer R$ 2,30 ou algo assim. A 10% ao ano, a redução dos juros anuais sobre a dívida pública equivaleria a algo como 3% do PIB –uma enormidade, quando comparado ao esforço fiscal que se faz para obter um superávit primário de 4,5%.

Essas contas trazem à tona uma das maiores e mais fatais distorções do sistema de crédito brasileiro, a divisão do Brasil entre os “com dólares” e os “sem dólares”.

Suponha uma empresa AAA (as de menor risco). Ela faz uma operação de pré-pagamento de exportações. Consegue antecipar em até 5 anos o valor das exportações, pagando meros 5,8% ao ano, com o banco cobrando um “spread” ridículo. Aí ela traz os dólares para o país e vende no mercado, aplica o dinheiro em juros brasileiros. Com o ganho financeiro, sua taxa de cambio efetiva passa a ser de R$ 2,30 a R$ 2,40.

Ou seja, só com o ganho financeiro de captar em dólares e aplicar em reais, a empresa consegue o mesmo efeito de 14% de desvalorização cambial.

Se o BC não adquire os dólares ocorre uma apreciação no câmbio –que ajuda na morte lenta das pequenas empresas que não têm acesso a essas linhas externas e receberão o câmbio de R$ 2,10. Se o BC adquire os dólares, aumenta as reservas e cria um custo fiscal adicional – que terá que ser pago pelos contribuintes em geral.

Além de não ter acesso aos dólares, a pequena empresa e a pessoa física pagarão a conta do câmbio apreciado, a conta do aumento do custo da dívida pública e a conta dos juros internos –excessivamente elevados—e a conta do “spread” bancário, excessivamente alto porque há pouca oferta de crédito comercial.

Por isso mesmo, a cada melhora no “risco Brasil”, eu tremo na cadeira.

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Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 22h15

"Investment grade" e crescimento

Porque o Brasil ainda não conseguiu o ambicionado “grau de investimento”, que pemitirá baratear o custo dos empréstimos, se todos os sacrifícios já foram feitos na área fiscal?

Explicação do economista Juliana Braga, do UBS, membro do grupo “Tornos e Planilhas” –economistas de mercado e da economia real que se reúnem mensalmente na Agência Dinheiro Vivo:

Outros fatores são analisados pelas agências de classificação, como a relação entre a dívida líquida do setor público e o Produto Interno Bruto, e o histórico de crescimento econômico dos últimos cinco anos. No último item em especial, o Brasil fica bem abaixo dos países que são grau de investimento. O Brasil tem de crescer ou apresentar um desempenho que aponte para tal trajetória antes de se tornar investment grade.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 21h17

O fantasma do crédito do ICMS

O maior fantasma das empresas exportadoras se chama, hoje em dia, crédito tributário do ICMS. Como o ICMS é um imposto não-cumulativo, em cada etapa da produção a empresa paga ICMS sobre o valor de venda do produto e desconta o que já foi pago pelo seu fornecedor.

Ocorre que as exportações são isentas de tributos. Quando chega no fabricante final – o que vai exportar o produto – ele tem uma montanha de créditos do ICMS (pagos pela cadeia de fornecedores) e não tem para quem repassar. Ele cobra, então, do governo do Estado. Só que os estados não pagam nem dizem se vão pagar.

Cria-se, então, a mesma situação dos mortos sem sepultura. A empresa lança o valor no balanço como crédito a receber. Sua empresa de auditoria exige que ela faça o “write-off” (ou seja, lance o crédito como prejuízo). Os valores são tão elevados que, se empresa seguir a recomendação, seu resultado contábil vai para o buraco.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 21h14

O atoleiro do Líbano

Do leitor André Araújo

A decisão do Governo de Israel de expandir a invasão terrestre do Líbano está longe de ser unânime em Israel. Este artigo de hoje no The Jerusalem Post, principal jornal em língua inglesa de Israel, mostra a estupidez e irracionalidade dessa decisão e propõe que Israel coopere de forma decidida com a ONU e com o Exército libanês para controlar a fronteira sul. Sem essa cooperação, segundo o articulista, o  Exército de Israel vai entrar em um atoleiro do qual será dificil sair e que não trará solução militar e diplomática para o Estado judeu.

Clique aqui


Escrito por Luis Nassif às 15h47

Jáder e o Pará

Cheguei a Belém do Pará. No vôo, um passageiro me conta que o ex-senador Jader Barbalho, hoje deputado federal, apesar de ter passado o último mandato submergido praticamente controla todas as indicações federais no Estado.


Escrito por Luis Nassif às 14h55

A porta do avião da TAM

Parece que a opinião pública midiática perdeu a percepção do que são irrelevâncias e do que são fatos graves. A queda da porta do avião da TAM só não se consumou em uma grande tragédia por acaso: a porta caiu antes que o avião estivesse em altitude elevada.

É inconcebível uma porta de avião cair. A grande tragédia com o avião de TAM, na década 90, decorreu de um problema com o motor, de difícil prevenção. Mas, uma porta caindo, evidentemente não é a mesma coisa. Ou foi problema de manutenção ou falta de treinamento da aeromoça.

De qualquer forma, a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) não pode tratar esse caso com a burocracia costumeira. Há aviões voando com histórico de acidentes. Depois da morte do Comandante Rolim, mais 2 Fokkers caíram (felizmente sem vítimas) por falta de manutenção.

Depois do episódio da porta caindo, qualquer acidente que resulte em morte será de responsabilidade direta da direção da TAM e da ANAC. AInda mais após os lucros recordes da empresa no último balanço.


Escrito por Luis Nassif às 10h32

A guerra, segundo Boaventura

Contribuição do leitor Márcio Parra

E-mail recebido com excelente argumentação Carta de Boaventura de Sousa Santos: professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal).

“Escrevo-te esta carta com o coração apertado. Deixo a análise fria para a razão cínica que domina o comentário político ocidental. És um dos intelectuais judeus israelitas -como te costumas classificar para não esquecer que um quinto dos cidadãos de Israel são árabes - mais progressistas que conheço. Aceitei com gosto o convite que me fizeste para participar no Congresso que estás a organizar na Universidade de Telavive. Sensibilizou-me sobretudo o entusiasmo com que acolheste a minha sugestão de realizarmos algumas sessões do Congresso em Ramalah. Escrevo-te hoje para te dizer que, em consciência, não poderei participar no congresso. Defendo, como sabes, que Israel tem direito a existir como país livre e democrático, o mesmo direito que defendo para o povo palestino.

“Esqueço" com alguma má consciência que a Resolução 181 da ONU, de 1947, decidiu a partilha da Palestina entre um Estado judaico (55% do território) e um Estado palestino (44%) e uma zona internacional (os lugares santos: Jerusalém e Belém) para que os europeus expiassem o crime hediondo que tinham cometido contra o povo judaico. "Esqueço" também que, logo em 1948, a parcela do Estado árabe diminuiu quando 700.000 palestinianos foram expulsos das suas terras e casas (levando consigo as chaves que muitos ainda conservam) e continuou a diminuir nas décadas seguintes, não sendo hoje mais de 20% do território. Ao longo dos anos tenho vindo a acumular dúvidas de que Israel aceite, de fato, a solução dos dois Estados: a proliferação dos colonatos, a construção de infra-estruturas (estradas, redes de água e de electricidade), retalhando o território palestiniano para servir os colonatos, os check points e, finalmente,a construção do Muro de Sharon a partir de 2002.

“As dúvidas estão agora dissipadas depois dos mais recentes ataques na faixa de Gaza e da invasão do Líbano. E agora tudo faz sentido. A invasão e destruição do Líbano em 1982 ocorreram no momento em que Arafat dava sinais de querer iniciar negociações, tal como a de agora ocorre pouco depois do Hamas e da Fatah terem acordado em propor negociações. Tal como naquela época, foram forjados os pretextos para a guerra. Para além de haver milhares de palestinianos raptados por Israel (incluindo ministros de um governo democraticamente eleito), quantas vezes no passado se negociou a troca de prisioneiros? Meu Caro Frank, o teu país não quer a paz, quer a guerra porque não quer dois Estados. Quer a destruição do povo palestino ou, o que é o mesmo, quer reduzi-lo a grupos dispersos de servos politicamente desarticulados, vagueando como apátridas desenraizados em quadrículos de terreno bem vigiados.

“Para isso dá-se ao luxo de destruir, pela segunda vez, um país inteiro e cometer impunemente crimes de guerra contra populações civis. Depois do Líbano, seguir-se-á a Síria e o Irã. E depois, fatalmente, virar-se-á o feitiço contra o feiticeiro e será a vez do teu Israel. Por agora, o teu país é o novo Estado pária, exímio em terrorismo de Estado, apoiado por um imenso lobby comunicacional - que sufocantemente domina os jornais do meu país - com a bênção dos neoconservadores de Washington e a vergonhosa passividade a União Européia. Sei que partilhas muito do que penso e espero que compreendas que a minha solidariedade para com a tua luta passa pelo boicote ao teu país. Não é uma decisão fácil. Mas creio que, ao pisar a terra de Israel, sentiria o sangue das crianças de Gaza e do Líbano (um terço das vítimas) enlamear os meus passos e embargar-me a voz.


Escrito por Luis Nassif às 10h16

A taxa de risco e a SELIC

Eis um resumo da capa da próxima edição do Guia Financeiro, da Agência Dinheiro Vivo (www.dinheirovivo.com.br)

A redução do risco Brasil para perto dos 200 pontos é mais um fator de pressão para a queda dos juros internos.  E entrada de capital financeiro no Brasil é regulada pela chamada taxa de arbitragem – que consiste na taxa básica dos títulos americanos, mais o risco Brasil (cada 100 pontos equivale a um ponto a mais na taxa) mais um pouco por conta do risco de volatilidade do câmbio.

Quando a taxa Selic está muito acima dessa taxa de equilíbrio, há uma inundação de dólares no país, apreciando o Real, dificultando mais ainda a vida dos exportadores e dos setores que concorrem com produtos importados, obrigando o Banco Central a comprar dólares para segurar a queda, pressionando a dívida fiscal.

Segundo avaliações do grupo “Tornos e Planillhas” – grupos de economistas que se reúne mensalmente na Agência Dinheiro Vivo --, a taxa Selic de equilíbrio, hoje, poderia ficar por volta de 8% a 10%. Com 8%, o dólar poderia voltar a R$ 2,40, refrescando um pouco as pressões sobre as exportações.

Com o BC tornando-se cauteloso, enquanto os investidores externos mostram-se entusiasmados com as perspectivas de ganhos no Brasil, a tendência será mais apreciação do câmbio.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 06h31

09/08/2006

A corrida ao ouro

Coluna de 10/08/2006

Nas últimas três licitações para compra futura de biodiesel pela BR Distribuidora, apareceram dezenas de candidatos. Eram pequenas empresas, donos de postos de gasolina, até grandes empresários rurais. Foram adquiridos, para compra futura, 850 milhões de litros ao ano, pelo prazo de dois anos, 50 milhões a mais do que os 2% previstos para a mistura com diesel pelo governo federal.

Atenção: isso é apenas um prenúncio, O que vem por aí supera qualquer outro movimento da história econômica do país, desde a expansão da lavoura cafeeira para São Paulo no século 19, mais do que a expansão canavieira dos anos 70 ou o desbravamento do cerrado. É um movimento com implicações excepcionais na geração e distribuição de riqueza, na consolidação do agronegócios, na sustentabilidade da agricultura familiar e no crescimento do setor de máquinas e equipamentos, da pesquisa agrícola e tecnológica.

Com o biodiesel em uma ponta e o etanol na outra, o Brasil se preparará, pela primeira vez na história, para tentar conquistar e manter a liderança de um setor-chave para a economia mundial, me conta a Ministra-Chefe da Casa Civil Dilma Rousseff.

Desde que a Agência Internacional de Energia colocou definitivamente o etanol na matriz energética, as vantagens do Brasil se tornaram evidentes. Presidente da Única (a associação que congrega a cadeia produtiva do setor sucro-alcooleiro) explica que este ano os Estados Unidos produzirão 1,5 bilhão de galões (de 3,7 litros cada), passando o Brasil como maior produtor, mas com toda a produção destinada ao mercado interno. Só que seu álcool de milho consome uma unidade de energia fóssil para cada 1,3 de álcool. Nessa conta entra toda a energia consumida do poço à roda, na fabricação do aço dos tratores aos fertilizantes.

No Brasil, a relação do álcool de cana é de 8,3 unidades para cada unidade de energia fóssil consumida, porque aqui até o bagaço vira energia. Quando subir a pressão das caldeiras, a relação subirá para 10 ou 12. Quando se começar a aproveitar a palha da cana, se aumentará mais um terço.

Todo esse potencial explode no justo momento em que o mundo entra em novo ciclo histórico

1. O petróleo já é visto como um produto finito.

2. As áreas periféricas à OPEP diminuirão sua produção, fazendo com que aumente proporcionalmente a participação da OPEP no fornecimento global de petróleo.

3. O aquecimento global tornará gradativamente impossível continuar queimando energia fóssil, tanto o petróleo e carvão como o gás natural (que, ao contrário do que supõe o senso comum, é altamente poluente).

4. Há um brutal potencial de desenvolvimento que as fontes alternativas poderão dar aos países que forem capazes de se mobilizar. Nunca vai ser substituto total da gasolina, mas 10, 20% do consumo mundial.

Nas próximas semanas será anunciado um plano integrado para o biodiesel e o etanol. E, mais algum tempo, uma estrutura que poderá se lançar sobre a África, o sub-Sahara e a América Central, juntando os capitais de bancos de investimento, a tecnologia da Embrapa, a tecnologia de universidade buscando outros produtos, a indústria de base e grandes grupos empreendedores.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 23h48

O conflito, segundo Kamel

A pedidos, o link para o artigo de Ali Kamel, no “Globo”, com críticas a atuação dos países árabes no conflito com Israel. Clique aqui. Há um razoável simplismo no Kamel, de reduzir a guerra à questão do atentado aos soldados israelenses. Notícias de hoje em alguns jornais mostram a desproporção do ataque, a falta de critério dos bombardeiros, a ponto de muitos pilotos israelenses regressarem à base sem disparar suas bombas, por ato humanitário ou por receio de incorrerem em crimes de guerra.

Solicito aos leitores -- como a Guida -- que sentem falta do contraditório em alguns temas, que remetam artigos com visão contrária, links de jornais estrangeiros ou de articulistas nacionais, ou coisas do gênero. Sendo de bom nível, serão publicados. E, por bom nível, não entendam critérios ideológicos, mas de argumentação.

Pelo ritmo de trabalho que tenho, fica difícil sair atrás de artigos e matérias que mostrem todos os lados. É por isso que os leitores estão aí para colaborar e ajudar nesse trabalho em rede, de prospectar as diversas visões sobre o tema.


Escrito por Luis Nassif às 23h40

Ataque aos spreads bancários

Nos próximos dias, o governo deverá anunciar uma ampla ofensiva visando induzir o sistema bancário a reduzir os "spreads" (diferença entre custo de captação e aplicação). A recente reunião entre Lula e os presidentes do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal foi apenas o início da história.

Lula já está de posse de estudos técnicos que o convenceram a agir mais duramente na matéria.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 22h08

O processo 1844/192

Com base em informações da leitora Maria da Conceição Quinteiro

Na 38º Vara do Trabalho de São Paulo corre o processo de número 1844/192. Tem como réus um casos de idosos, ambos com 79 anos, doentes, com enormes gastos com doenças crônicas. O marido é um homem rústico, ingênuo, trabalhador incansável. Três infartos e ainda trabalha no bar que lhe garante parte do sustento. Tem poucos imóveis, uma casinha com um cômodo e cozinha no fundo da sua, que é alugado para completar o orçamento. Sua esposa, quase cega e com sérias dificuldades para se locomover, precisa da assistência permanente de outra pessoa.

No passado, um empregado entrou com uma ação trabalhista para receber duplicadamente o que já havia recebido. Esse senhor, honesto ,ingênuo e burro, havia acertado as contas e nunca pediu um recibo

Anos depois foi intimado pela Justiça do Trabalho, contratou um advogado que lhe comeu o quanto quis e ainda o tapeou, dizendo que estava tudo acertado. Na semana passada, o casal de velhos soube que está com os bens penhorados, os dois aluguéis que recebiam têm que ser pagos na justiça.

Em 1° de maio de 2006 a dívida com o empregado (que trabalhava no balcão) ascendia a R$ 837.513,59.  Supondo-se que o salário de um balconista de um pequeno bar seja de R$ 600,00, a indenização corresponderia  a 107 anos de salário.

E são devidas por um casal de velhos, que T um bar capaz de ser tocado por apenas um empregado.


Escrito por Luis Nassif às 11h25

Enquanto isto...

Enquanto isto, no reino do faz-de-conta, o inefável grupo de conjuntura do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas e Aplicadas) sustenta que a atuação do Banco Central foi irrepreensível, e pouco prejudicou a produção e a atividade internas.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 11h25

Investimentos frustrados

Do economista Antonio Correa de Lacerda, que trabalha na Siemens:

As filiais de multinacionais, no Brasil, estão perdendo sistematicamente todas as disputas para atração de investimentos, para filiais sediadas em outros países. Já perdemos disputas por plantas no setor automobilístico, de telecomunicações, de máquinas e equipamentos. As cadeias produtivas locais estão sendo substituídas rapidamente por produção da China.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 11h23

Câmbio e exportações

De um executivo ligado à indústria automobilística e que pertence ao conselho mundial de uma das maiores empresas agrícolas do planeta, no encontro “Tornos e Planilhas” promovido mensalmente pela Agência Dinheiro Vivo:

Vendas de máquinas agrícolas: 40% abaixo do ano passado.

·         Adubos: 25% abaixo

·         Sementes selecionadas: 35% abaixo

·         Área plantada: 10 a 12% a menos

·         Níveis recordes de devolução de máquinas agrícolas para os bancos financiadores.

·         A soja do Mato Grosso tinha o menor custo do mundo. Com o real apreciado, o custo de produção passou a superar o próprio custo dos EUA. Ainda se está exportando porque, mesmo tendo sido plantada a um dólar de R$ 2,40, não tem o que se fazer até terminar a safra. O tombo maior será no próximo ano, quando o impacto do aumento de custos e de apreciação do Real se fará sentir em uma plenitude sobre o setor.

·         As exportações de automóveis ainda não despencaram porque da decisão até a exportação a empresa mais eficiente do mundo leva três anos. Tem que preparar o mercado comprador, levar peças de reposição, treinar revendas. E não pode interromper as vendas porque, nesse caso, cai o valor de revenda dos automóveis e destrói a reputação das marcas.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 11h23

O caso Dreiffus e Rui Barbosa

Uma das lendas nacionais favoritas do início do século foi a de que coube a Rui Barbosa a primeira defesa mundial de Andrés Dreiffus, o militar francês perseguido, vítima do anti-semitismo.

Na verdade, Rui enviou alguns artigos de Londres para a imprensa carioca. Escrevia a a partir do que lia nos jornais britânicos, todos eles críticos da perseguição movida a Dreiffus. No período em que escreveu, ainda não tinha sido identificado o anti-semitismo da campanha movida contra o oficial.


Escrito por Luis Nassif às 07h15

A imprensa árabe e os âncoras

Esta matéria vem do coração do Oriente Médio, os Emirados Arabes Unidos, no seu principal jornal KhaleejTimes.  É sobre a mídia eletrônica americana. O colunista árabe elogia o profissionalismo dos famosos jornalistas judeus da TV americana, como Larry King e Alan Colmes, que identifica como muito mais isentos e objetivos, tentando compreender o lado libanês, do que a maioria dos âncoras americanos.

Clique aqui.


Escrito por Luis Nassif às 07h11

A mini-constituinte e a CBIC

A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) entra em contato para informar que partiu dela a primeira manifestação a favor da mini-constituinte. Foi no ano passado, em um evento que contou com a participação e apoio dos deputados Alberto Goldmann e Roberto Freire, e do ex-presidente da OAB Reginaldo de Castro.


Escrito por Luis Nassif às 00h31

A unanimidade perdida

Coluna de 09/08/2006

Nos últimos tempos, rompeu-se a unanimidade do mercado financeiro em relação às decisões do COPOM (Comitê de Política Monetária). Antes, seguiam ao pé-da-letra a máxima de Maílson: em qualquer circunstância a Selic sempre estará cinco pontos abaixo da taxa de equilíbrio da economia.

Agora, vozes sensatas se juntam aos não-ortodoxos para denunciar a falta de discernimento do Banco Central, e a demora em derrubar as taxas.

Não pense em inovações teóricas, em novas teses fundamentando a mudança de postura de parte do mercado. Obviamente, sempre houve economistas independentes, de primeiro time, denunciando os excessos do BC. Agora, há um fato novo: os bancos descobriram que podem ganhar muito dinheiro cumprindo sua função primordial: concedendo crédito.

Ao mesmo tempo, a queda do risco Brasil, no exterior, tem provocado uma pressão adicional sobre a taxa Selic. Se cai a taxa lá fora, e não há uma queda correspondente aqui dentro, aumenta a entrada de dólares, obrigando o BC a correr atrás do prejuízo, adquirindo dólares sem impedir a apreciação do Real.

Percebendo essa inevitabilidade, parte do mercado está se posicionando em fundos “equity” (de investimento em empresas), e, especialmente, se preparando para um “boom” nos investimentos imobiliários.

Com isso, dividiu-se o mercado em três grupos. Os economistas de Tesouraria seguem a máxima de Maílson. Os bônus que recebe depende do desempenho da Tesouraria, estreitamente ligado aos rendimentos da renda fixa. Um segundo grupo, de economistas de banco, obedecem à lógica econômico-financeira da instituição, que procura expandir a concessão de créditos. E um terceiro grupo, de economistas de bancos e atacado, começa a apostar na reciclagem da poupança para ativos reais. Como eles acreditam que, em um ponto qualquer do futuro, a renda fixa deixará de ser tão vantajosa, ocorrerá uma migração para ativos reais (imóveis, ações, aquisição de empresas), o que provocará uma elevação nas suas cotações e preços. Constituindo os fundos, eles se antecipam a esse movimento, apostando na alta dos ativos.

Contas públicas e bicicletas

O competente economista Fábio Giambiagi, em seu último artigo ao “Valor Econômico” produz uma afirmação retumbante: se nos últimos quinze anos o Brasil tivesse tratado com carinhos as despesas correntes, hoje estaria crescendo mais do que a Coréia. É uma frase da importância histórica de outra que ouvia na minha infância: “se minha avó fosse roda, eu seria bicicleta”.

A construção de um país passa por uma gama mito mais ampla de fatores, por educação, tecnologia, inovação, investimento em infra-estrutura, estratégias comerciais, integração continental. Mas sua especialidade são os números macro-econômicos, especialmente as contas públicas. Assim, ele procura supervalorizar o seu peixe. Relações políticas, diplomacia, governabilidade, fatores sociais, fatores de desenvolvimento, inovação? Bobagem.

Para economistas como Giambiagi o que vale é a sopa de pedras das contas públicas e a certeza de que, se minha avó era roda, eu só podia mesmo ser uma bicicleta.

 


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 00h14

08/08/2006

A morte de um gênio

Música popular brasileira de luto, com a morte do imenso Moacir Santos. Saxofonista de primeiríssima, autor de clássicos como “Nanã”, um dos principais músicos da linha de frente que conquistou o jazz para a música brasileira, Moacir morre aos 80 anos, depois de ter recebido a consagração no Brasil nos últimos anos.

Recebeu carinho e reconhecimento ainda em vida.         


Categoria: Minhas Músicas
Escrito por Luis Nassif às 14h49

07/08/2006

Invasão planejada

Mais uma provocativa matéria do The Guardian (clique aqui). O ataque de Israel ao Líbano estava longamente preparado muito antes do Hezbollah capturar os dois soldados. Estava tudo pronto aguardando o pretexto. O The Economist desta semana, que nada tem a ver com o The Guardian, chega à mesma conclusão.

Lembro que Demétrio Magnoli, quando da desocupação da faixa de Gaza, alertou em sua coluna na “Folha” que, longe de representar um ato de paz, era, na verdade, uma maneira de desocupar o terreno para poder atacar com mais facilidade os inimigos.


Escrito por Luis Nassif às 22h32

Coluna 08/08/2006

Os conformistas

Ortega y Gasset dividia os governantes entre os estadistas, os escrupulosos e os pusilânimes.

O estadista seria capaz de atropelar o pai para poder cumprir sua missão de transformar   o Estado. O escrupuloso, em geral associado à figura do intelectual no poder, utiliza o excesso de escrúpulos como álibi para a não-ação. E o pusilânime é o sujeito dotado das pequenas virtudes e defeitos do homem comum, mas sem nenhuma das qualidades e defeitos que fazem o estadista.

Cada qual enquadre como quiser Fernando Henrique Cardoso e Lula nessa tríade sintetizada por Ortega y Gasset. Mas, o fato real, é que a afirmação de que não há alternativas ao atual modelo econômico é autodefesa de conformistas.

Em sua entrevista à revista “Época” desta semana, FHC aborda pontos relevantes do modelo político brasileiro. No campo econômico, porém, insiste que o modelo é inevitável, qualquer que seja o governante, e que o único problema real é a falta de recursos de investimento do governo federal.

Trata-se de uma evidente simplificação. Se foi o modelo que provocou o aumento exponencial da dívida e esgotou a capacidade de investimento do Estado, como pode ser virtuoso? E, não sendo virtuoso, como tratá-lo por inevitável?  Em FHC, a passividade é argumento para absolver o passado; em Lula, álibi para não encarar o futuro.

FHC tem uma obra sociológica relevante, onde, ainda nos anos 60, deixava clara a descrença na capacidade do empresariado em montar um projeto nacional. A saída seria se conformar em ser capital associado. Mas sempre tratou o “ser” capital associado como uma fatalidade que não podia ser modificada pela história, não como passos de uma estratégia de mais largo prazo. 

Os Estados Unidos do século 19 se tornaram potência se abrindo ao capital inglês. A China do século 21 se tornou potência atraindo investimentos externos, não o capital gafanhoto, mas máquinas, tecnologia, compromissos de exportação.

A gigantesca liquidez internacional das últimas décadas, mais os novos ciclos tecnológicos, abriram espaços extraordinários para saltos quânticos em países com visão estratégica. Mas qual foi a visão estratégica do governo FHC, qual tem sido a do governo Lula?

A estratégia de permitir o livre fluxo de capitais criou uma profunda concentração de renda. E nem se venha acenar com os dados do FIBGE ou com o coeficiente Gini para afirmar que a distribuição de renda melhorou. Não consta que o FIBGE tenha familiaridade com fundos “offshore”.

Esse modelo –que FHC e Lula julgam inevitável—provocou a apreciação do Real, duas ondas terríveis de desindustrialização, e tornou o Real o plano de estabilização mais longo da história –doze anos para começar a dar frutos. Agora se entra nessa fase “inevitável”. Internamente, juros e câmbio limitando o crescimento do mercado interno. Externamente, a queda do risco Brasil deixam disponíveis recursos vultosos para as grandes empresas brasileiras. Onde irão aplicar? É evidente que no exterior.

Um modelo que, primeiro concentra o poder nas grandes empresas, depois expulsa os investimentos para o exterior, por falta de mercado interno, pode ser virtuoso? Só para os conformistas.

 

Se quiser incluir seu nome na lista de destinatário da Coluna Econômica, clique aqui e envie o e-mail. Se não abrir o e-mail, escreva para coluna@dvnet.com.br e coloque a palavra Incluir no campo Assunto.


Escrito por Luis Nassif às 21h53

Reforma política e mandatos

Do Leitor Gutenberg Guarabira

..política é mais política do que reforma.

De toda forma, creio que alguma mudança terá que ser feita na próxima gestão. Pelo menos a questão da reeleição, acho que tem de ser decidida.

Aí, veio-me uma idéia:

 Penso que, sempre que algum governante está acertando, é uma pena (num país de tão parcos bons candidatos) que não seja mantido no cargo por mais tempo.

Sendo assim, seria legal conceder um prazo adicional para quem estivesse fazendo um bom governo. Só que, este segundo mandato teria a duração de apenas mais dois anos e seria decidido em eleição restrita às cãmaras estaduais (no caso dos governadores) e ao Congresso Federal (no caso do presidente).

Explico:  um ano antes da data oficial da eleição popular, uma votação nas câmaras estaduais aprovaria (ou não) mais dois anos de mandato aos governadores, enquanto, no Congresso.Federal, a mesma decisão se daria em respeito à presidência. Os candidatos (governadores e o presidente no cargo) que não fossem aprovados nesta votação, terminariam o mandato na data prevista - e as eleições aconteceriam normalmente, na data normalmente prevista. 

Creio que, manter um governante no cargo por um período suplementar, só vale a pena se o cujo tiver aprovação e apoio do legislativo. 

Nesse exato momento, inclusive, há o risco de problemas caso Lula se reeleja. Pois, ainda que seja reconduzido pelo voto popular, é mais do que provável que governe com falta de apoio no Congresso - e, ainda por cima, por mais 4 anos.

Isso não aconteceria se fosse reeleito pelo próprio Congresso para mais dois anos. Ganharia fôlego e moral. E teria grande chance de cumprí-los bem, para felicidade geral da nação.


Escrito por Luis Nassif às 21h50

FHC na "Época"

Do leitor Ricardo Amaral, para alimentar o ping-pong

A análise do José Maia é um primor... do simplismo e do "partidarismo". Não questiona as críticas de FHC, até porque prova não ter estofo para tanto, mas diz que Lula "fez melhor". Fez melhor o quê, cara-pálida? Aumentou a dívida? Roubou mais? Lula pedia o impeachment de FHC a cada 5 minutos e isso era considerado "maravilhoso", um exemplo de "coerência" e coisas do gênero. Quando FHC faz críticas, os petistas se ouriçam com uma raiva que mostra todo o autoritarismo por trás de sua ideologia. Nassif faz bem em colocar este tipo de material online: só reforça a minha impressão sobre a tragédia intelectual que vivemos - já que nem bons críticos possuímos.


Escrito por Luis Nassif às 20h20

Duas visões do orçamento impositivo

Há uma boa discussão na página de opiniões do “Valor” de hoje sobre o orçamento impositivo – aquele que obriga o Executivo a efetivamente aplicar o que for determinado pelo orçamento votado pelo Congresso.

Contra essa obrigatoriedade está Valdemir Pires (clique aqui) cuja argumentação é centrada na falta de credibilidade dos congressistas e na perda de flexibilidade do Executivo para tratar com quebras de arrecadação e coisas do gênero.

Mais convincente é o artigo a valor, de Sérgio Werlang (clique aqui). Depois de lembrar o óbvio –o de que a criação do Parlamento foi fundamentalmente para definir a destinação dos recursos orçamentários – Werlang aponta as várias disfunções da falta de obrigatoriedade na aplicação dos recursos. Entre elas, a compra de parlamentares através da liberação de suas emendas; o uso reiterado das vinculações orçamentárias para garantir recursos para determinado setor; a enorme barafunda que é o controle de despesas na boca do caixa, com contingenciamentos determinados sem regras claras.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 14h55

FHC e Chico de Oliveira

Na entrevista de Fernando Henrique Cardoso, há um flagrante erro de julgamento em relação ao sociólogo Francisco de Oliveira – de quem já divergi publicamente muitas vezes.

É aqui:

ÉPOCA - O sociólogo Francisco de Oliveira deu uma entrevista recente em que lamentou o fato de a política ter se tornado irrelevante. Ele não está certo?

FHC - Quando ele diz que a política é irrelevante, tem no horizonte a revolução

É evidente que não foi essa a intenção de Oliveira. O que ele tem dito é que, ao abrir a conta capitais ao livre fluxo de capitais, o país se tornou refém dos humores e valores do grande capital internacional. A cada tentativa, há um enorme alarido no mercado, que impede qualquer mudança.


Escrito por Luis Nassif às 10h55

FHC na "Época"

Do leitor José Maia, sobre a entrevista de Fernando Henrique Cardoso para a revista Época:

FHC: “O Lula nunca me convidou para tomar um café. Ele tem algo que o trava em relação a mim.” Ora, o Príncipe palpita e critica Lula desde que passou a faixa. Se apropria do feito pelo Lula, como política do seu governo. Imagine tendo tomado um café com o Lula! Compreende-se que PSDB-PFL digam isso para enganar o eleitor. Mas quando o Príncipe diz, é vaidade pessoal. Na segunda parte da frase tem uma insinuação de extrema maldade. É preconceituosa e intelectualmente desonesta. O Príncipe não suporta Lula não ser sombra dele. E sem ser sombra, não ser um desastre. Fez melhor. Já pensou o FHC dizendo hoje que foi o mentor do governo Lula, porque tomou dois cafés com o Presidente! E as imagens do encontro na propaganda eleitoral provando a sombra de FHC. FHC já insinuou impedimento para um segundo mandato, caso o Lula se reeleja. Citou Clinton. Imagine como FHC escreveria essa história em seus livros. É melhor que ele escreva: “O Lula nunca me convidou para tomar um café”.

Nesta entrevista, enfim, ele diz que talvez não exista outra política econômica possível. É mais honesto. Não se iluda, nós brasileiros estamos cansados de desonestidade intelectual. O quanto já se escreveu sobre a descontinuidade das políticas no Brasil. Cadê o elogio para a continuidade? Não o elogio com “diminuição” implícita, com se fez! O PT obrigou o FHC a fazer alianças inimagináveis, apenas para ser oposição. Para a platéia. Pensei que o PSDB fosse ser diferente. Mas foi igual. Deixou o Lula sem saída. Assim como pensei que o PT seria diferente no campo ético. A soberba dos PSDBistas rachou esta união que poderia ter feito muita diferença para o Brasil. Agora, fora dos partidos, o FHC está sendo uma decepção como ex-presidente intelectualmente preparado. Mostra-se egoísta, vaidoso e raivoso. Nunca imaginei. Jamais deu uma sugestão que fosse desinteressada, que não fosse pela mídia, que não pretendesse caracterizar o caráter “autoral” e portanto, “superior”, “próprio”.

‘Trecho: “Para comandar, você precisa saber para onde vai. Mas a sensação é que eles não sabem. O projeto deles é o nosso. Talvez nem haja outro, porque a História não tem projeto novo a todo momento.” Para FHC, não seguir o que ele pensa, é não saber para onde vai. O Lula é um desastre no detalhe, mas soube dar a direção. É inaceitável que gente como FHC, com compromisso acadêmico, não seja mais correto, intelectualmente. Quando a imprensa quer bater no Lula, quer dar manchetes debochantes, não discute a direção, pega o detalhe.

Trecho: ”Depois da transição pacífica que fizemos, pensamos que o PT iria caminhar para uma convergência. Mas eles tomaram a decisão oposta. Quem definiu que o PSDB era o inimigo principal foram eles. Foram fazer as alianças que fizeram com o outro lado.” Se auto-elogiar por uma transição pacífica? Ficou claro logo em seguida, que convergência para FHC / PSDB era passar para a população que o PSDB continuava “governando” na sombra.


Escrito por Luis Nassif às 10h53

Faça a manchete

A partir de hoje, vamos inaugurar uma nova seção no Blog: “Faça a manchete”.

Consiste no seguinte:

1.      Indico uma matéria rica em enfoques, que pode gerar várias manchetes.

2.      Mostro a manchete escolhida pela publicação.

3.      Mostro outros ângulos que poderiam ser explorados na manchete

4.      Os leitores lêem a matéria e ajudam a escolher outras manchetes.

Será um exercício interessante para entender melhor o poder avassalador da manchete, a dose de subjetivismo de cada manchete, a riqueza de ângulos de uma matéria bem feita e a dificuldade objetiva de escrever manchetes de impacto.

Vamos começar com a entrevista de Valdo Cruz e Eduardo Scoleze, da sucursal da “Folha” em Brasília, com Luiz Dulci, Ministro da Secretaria Geral da Presidência (clique aqui).

A manchete é ”Governo trocou emenda e cargo por apoio, diz Dulci”.

Para quem não tiver acesso à matéria, aí vão outros ângulos para manchetes alternativas, em cima de declarações de Dulci:

1.      O único pecado do PT foi no financiamento de campanha

2.      Nem Serra nem Humberto Costa foram responsáveis por sanguessugas.

3.      Distorções políticas estruturais afetam PT e oposição

4.      Método de cooptação do PT foi o mesmo da reeleição.

Lembre-se que o jornalista fecha na pressão, e tem que se limitar aos 50 toques do título.


O leitor João Marcelo Souza produziu uma manchete que é um primor: "Homem forte do PT confirma: PT e PSDB tem o mesmo DNA"

Da leitora Karla: "Financiamento de campanha iguala PT ao PSDB"

De Marcos Barreto: "Distorções políticas estruturais afetam PT e oposição".

Do Hélio: "Reforma Política é solução contra lógica da corrupção".

De Adjutor Alvim: “Democracia pós-64 não saneou processo político”.

Do Roberto: “Dulci e as diferenças e semelhanças entre Lula e FHC"
 

 


Escrito por Luis Nassif às 09h09

Os técnicos públicos

Do leitor Carlos Garcia de Souza

A realidade da época exige mudanças, principalmente na CF, pois, os cargos de Conselheiros dos Tribunais de Contas, deveriam ser formado por técnicos das áreas de Contabilidade, Advocacia Tributarista, Economista e de Administração de Empresa, ambos com mais de 10 de anos de efetivo registro no seus respectivos Conselhos (claro).

O atual texto contido no art. 73 da CF, contribui para a falência da democracia, pois os políticos quando não conseguem mais nada na política, viram conselheiros dos Tribunais de Contas.

Por um outro lado, coitado daquele Cidadão que exerce cargo como ordenador de despesas, que queira praticar principios da transparência e da isonomia (pois suas contas poderão ser reprovadas/aprovados, dependendo do esquema).

Tenho absoluta certeza que se fossem os técnicos, teria sim, um julgamento correto.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 08h48

06/08/2006

O belo gesto - 2

De outra corrente da Internet, a inesquecível cena de Casablanca, em que o herói da resistência (marido de Ingrid Bergman) enfrenta os alemães na boate de Humphrey Bogart, regendo a Marselhesa.

Clique aqui


Escrito por Luis Nassif às 21h18

O GSM e o CDMA

Nesses períodos de rápidas inovações tecnológicas, e de globalização da produção, nem sempre o a melhor tecnologia é a vitoriosa, na hora de definir o padrão universal.

A vitória do GSM sobre o CDMA é exemplo disso. No início da telefonia, a Telesp Celular (depois Vivo) adotou o padrão CDMA enquanto sua concorrente, a BCP, adotou o TDMA. A definição do padrão correto e uma gestão inicial irrepreensível garantiram a vitória da Vivo.

Depois, as novas gerações de transmissão digital trouxeram o padrão GSM. Lembro-me quando a Qualcomm tentou obter uma faixa do espectro de telefonia para que a Vésper pudesse implantar o CDMA. Houve uma longa discussão em que nós, jornalistas não especializados, fomos bombardeados por estatísticas e descrições técnicas dos dois lados.

Ao final, se percebia que tecnologicamente o CDMA era superior. Mas quem venceu a guerra foi a GSM porque tinha uma estratégia de cobertura melhor. Além do chip campeão (que permite colocar em qualquer celular e manter o mesmo número), estava escudada em um consórcio que garantia a cobertura em um número muito maior de países. Essa escala barateava fantasticamente os aparelhos, além da comodidade do roaming (a possibilidade de falar com outras operadoras). Internamente, cobria todo o território nacional, sem os clarões de cobertura da Vivo.

A adesão da Vivo ao GSM, em um momento em que ela parece estar em queda livre, comprova que o modelo de negócios por trás da tecnologia adotada, é mais relevante do que a própria tecnologia.


Escrito por Luis Nassif às 20h53

Constituinte e Caixa de Pandora

Erram os que vêem a mini-constituinte como tentativa de golpe; mas acertam os que a percebem como uma Caixa de Pandora, capaz de provocar turbulências políticas de monta.

Não se tenha dúvida de que, sem alguma espécie de pacto, qualquer que seja o resultado das eleições, a Segunda Guerra será iniciada no dia 1º de janeiro. E aí vem a questão: a mini-constituinte seria a melhor maneira de costurar esse pacto?

Na Primeira Guerra, a mídia entrou de cabeça, mas não chegou a envolver o Parlamento, a não ser nas CPIs visando desgastar Lula para as eleições. O sentimento da legalidade –e a popularidade de Lula—falaram mais forte, quando algumas vozes radicais tentaram abrir a campanha pelo “impeachment”.

Mas, na mini-constituinte, as portas se escancaram. Não haverá mais anteparos legais para impedir ou a redução do poder do presidente até o limite da ingovernabilidade, ou sua ampliação até o limite do absolutismo.

Qualquer pacto implica em fixar limites para a ação do presidente, como contrapartida à garantia de governabilidade. Em casos excepcionais de crise, esses pactos podem dar ao presidente poderes absolutos por tempo determinado, como ocorreu com o gabinete Mendez-France, na França dos anos 50, ou agora, com Nestor Kirschner, na Argentina; ou podem resultar em perda de poderes, como no parlamentarismo imposto para a posse de Jango.

Constituintes, mini ou máxi, são frutíferas em ambientes menos radicalizados, quando o consenso ou a crise produzem a boa vontade, como no caso da França. Jânio Quadros tentou reproduzir o modelo Mendez-France com sua renúncia. Saiu de mãos abanando. Em ambiente de radicalização é mais fácil mini-constituintes produzirem guerra do que concórdia.

A única coisa certa sobre ela é que será uma caixa de Pandora.


Escrito por Luis Nassif às 19h08

O belo gesto

Recebi de uma dessas correntes que correm a Internet:

Jogo do Ajax, um jogador vai devolver a bola ao time adversário e, sem querer, faz um gol. Na seqüência, todos os jogadores do Ajax ficam imóveis, esperando o adversário marcar o seu gol e reparar o erro.

Clique aqui


Escrito por Luis Nassif às 13h57

Os alvos civis no Líbano

O artigo abaixo, do The Guardian de hoje mostra a situação da guerra vista a partir de Israel e dos erros deliberados de pontaria de seus pilotos de F-16.

Queixam-se os pilotos da péssima inteligência militar israelense que está indicando prédios cheios de civis como sendo redutos do Hezbollah e depois de atingido o alvo vê que a informação estava errada. Alegam os pilotos que se a inteligência militar não consegue localizar nem as plataformas de lançamento de mísseis do Hezbollah, menos ainda saberá aonde estão guerrilheiros dentro de prédios.

Os pilotos estão muito incomodados com o morticínio de civis e temem inclusive serem processados por crimes de guerra no futuro. O longo artigo do The Guardian explica em detalhes a situação.

Atalho para:

http://observer.guardian.co.uk/world/story/0,,1838437,00.html


Escrito por Luis Nassif às 13h26

O pai da mini-constituinte

A idéia de Mini-Constituinte não é originariamente de Lula. Surgiu no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) apresentado pela Federação das Indústrias do Paraná (FIEP).

Pela proposta, seria uma constituinte exclusiva, com 160 constituintes eleitos em eleições proporcionais – um para um milhão de habitantes, reduzindo as distorções que hoje ocorrem na representação, com estados menores podendo eleger seus representantes com  menos votos do que os estados maiores. Os outros 160 parlamentares seriam escolhidos pelo próprio Congresso.

A tal mini-constituinte deliberaria sobre as reformas política, trabalhista, previdenciária, vinculações orçamentárias, enquanto o Congresso continuaria trabalhando normalmente.


Escrito por Luis Nassif às 11h13

O poder militar

O que ainda dói é saber que, depois de tudo tudo o que vivemos, depois de quase 200 anos de vida independente, depois de 21 anos de recuperação do poder civil, foi o poder militar, não o civil, quem mais contribuiu para a construção da nacionalidade.

Foi o Exército quem instituiu a meritocracia na vida pública nacional, quem primeiro aceitou os da classe pobre, quem se irmanou com os escravos na Guerra do Paraguai, e, com a própria guerra, plantou a semente da nacionalidade.

Foram as Forças Armadas quem garantiram a unidade do território, a introdução das primeiras pesquisas tecnológicas, a modernização pós-1930, a modernização pós-64. E, não fosse a penúria orçamentária, estariam na linha de frente da pesquisa tecnológica até hoje, desenvolvendo submarinos nucleares e outras pesquisas avançadas.

Mas foram também as Forças Armadas quem aceitaram a tortura como instrumento de ação política nos anos 60 e 70, e permitiram o crescimento irracional do Estado nos estertores do regime militar.

Juscelino Kubitscheck é uma luz solitária de afirmação do poder civil, nessa nação tão desconjuntada, tão complicada de nome Brasil.


Escrito por Luis Nassif às 00h42