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19/08/2006

O Rei da Malandragem

Na relação cinco maiores sambistas da história, não pode faltar Wilson Batista. Dentre todos, nenhum foi tão eclético e com estilo tão pessoal. Apesar das características pessoais de cada compositor, suas linhas harmônicas e melódicas eram previsíveis. Um acompanhante médio de violão saberá intuir o caminho da maioria das composições de Ataulfo (influenciado pela toada mineira), de Geraldo Pereira, Roberto Martins, Noel. Haverá mais dificuldades com as sofisticações harmônicas de Cartola, menos com as de Nelson Cavaquinho.

Mas Wilson Batista compôs alguns clássicos em que as seqüências não tinham o equilíbrio da música convencional. É como se fosse um vôo desconjuntado, em que faltavam acordes, ou aparentemente se demorava demais para mudar o acorde, para a harmonia se definir. Apenas no final da linha se percebia a beleza estranha, o nível de criatividade, o padrão estético diferenciado. O clássico “Meus Vinte Anos” é um exemplo típico. “Nega Luzia” é outro, assim como “Chico Brito” (com Alberto Teixeira), gravado em 1950 por Dircinha Batista, e “Mãe Solteira” (com J.Castro).

O ecletismo de Wilson Batista ia muito além. Compôs obras-primas do samba convencional como “Emilia” (com Haroldo Lobo, “eu quero uma mulher / que saiba lavar e cozinhar”), e “Volta pra casa Emília” (com Antonio Almeida, “ai, ai / quando visto um terno amarrotado, meu Deus / tenho que me lembrar / da Emília que era tão cuidadosa mulher”), um dos meus clássicos prediletos, “Morro de Zinco” (com Nássara, “aquele morro de zinco que é Mangueira”). Ajudou a dar forma ao samba de breque, com “Etelvina, acertei no milhar” (em que Geraldo Pereira aparece na parceria, mas, pelo que se sabe, a música é apenas de Wilson). E fez marchinhas de muito sucesso, como “Balzaqueana” (com Nássara).

Anos atrás, ouvi um samba de breque típico, parceria de Wilson Batista e Sinhô nos anos 20. Não consegui encontrar o CD. É até possível que tenha havido um erro de informação, pois não consta parceria entre ambos no levantamento da obra de Wilson Batista por Ricardo Cravo Albim.

Wilson Batista nasceu em 1913, em Campos. O pai era guarda municipal. Aos 15 anos mudou-se para o Rio e trabalhou como acendedor de lampião. Para não ter que pegar no batente, largou a família e foi morar em uma pensão da Lapa.

Em 1933 envolveu-se em uma polêmica célebre com Noel Rosa. Wilson tinha apenas 20 anos, Noel 23. A polêmica teve duas partes.  Na primeira, Noel Rosa, já consagrado, lançou “Rapaz Folgado”, para provocar Wilson Batista, que fizera a apologia da malandragem em “Lenço no Pescoço”. Wilson respondeu com “Mocinho da Vila” e Noel deu xeque-mate com “Palpite Infeliz”.

A segunda rodada foi quando estourou o “Feitiço da Vila”, de Noel, e Wilson devolveu a provocação com “Conversa Fiada”, com algumas boas passagens, mas longe da qualidade da música de Noel, que rebateu com “João Ninguém”. Wilson apelou com “Frankestein da Vila”, que acabou deixando-o antipatizado com o público.

Na verdade, embora ambos fossem precoces, com 20 anos Noel já era um compositor maduro. Já a curva de maturidade de Wilson Batista atinge a plenitude apenas em 1940, quando tinha 27 anos. Seus sucessos, de verdade, começaram nos anos 40, com “Oh!, Seu Oscar” (com Ataulfo Alves), “Acertei no Milhar” (com Geraldo Pereira), “Emília”, “Bonde São Januário”, o clássico “Meus Vinte Anos”, de 1942, “Louco”, de 1947, “Mundo de Zinco”, “Nega Luzia”, “Deus no Céu, Ela na Terra”.

Teve alguns grandes intérpretes, como Ciro Monteiro e Jorge Veiga. Nos anos 50, já decadente, e com poucos sucessos, encontrou seu maior intérprete, Roberto Silva.

Nos anos 60, Wilson Batista já era um fiapo de homem, consumido pela boemia e pela bebida. Morreu em 1968, aos 55 anos, sem forças sequer para dar o último depoimento do Museu de Imagem e Som, de Cravo Albim.


Se quiser receber a crônica por e-mail, clique aqui, ou então envie e-mail para cronica@dvnet.com.br com a palavra Incluir no Assunto.

 


Categoria: Minhas Músicas
Escrito por Luis Nassif às 22h45

O marido de Ira

Do enciclopédico leitor André Araújo

Nassif:

Interessantíssima a matéria sobre o Baby Pignatari. Um adendo: o Principe Alfonso de Hohenole, que foi o primeiro marido da Ira de Furstenberg, também é um personagem muito interessante. Ele foi o descobridor da Costa do Sol espanhola, uma zona turística hoje de grande importância na Europa e onde ele foi o pioneiro. Estive em 989 no hotel dele , o Marbella Club, em Marbella, um lugar encantador. Acabam de sair na Alemanha as suas memórias. O Governo espanhol concedeu-lhe postumamente a mais alta condecoração pelo trabalho que fez em prol do turismo na Espanha.

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Categoria: Crônicas
Escrito por Luis Nassif às 17h42

Baby, a celebridade esquecida

Um pequeno livro organizado por Alcy Cheuiche, traz alguns elementos sobre a vida do Hugh Hefner brasileiro, o mais famoso play-boy-empresário brasileiro de todos os tempos, Baby Pignatari.

Neto do Conde Francesco Matarazzo, o fundador das Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo, Baby foi um personagem singular na vida econômica e social do país.

No início da década de 1910, já industrial poderoso no Brasil, Francesco decidiu retornar à Itália, devido às suas ligações com o Banco de Nápoles. Lá, sua filha Lyidia conheceu o médico Giulio Pignatari. Casam-se em 1915. Em 11 de fevereiro de 1917, nasce Baby, na verdade Francisco Pignatari. Pouco depois, a Primeira Guerra traz a família Matarazzo de volta ao Brasil.

Giulio resolveu se virar por conta própria e, com o apoio do sogro, tornou-se dono da Laminação Nacional de Metais, empresa que cresceu rapidamente.

Durante o carnaval de 1937, perdeu o avô, no dia exato em que Baby completava vinte anos. Um mês depois, morreu o pai. Desde então, a boemia teve que conviver com o trabalho pesado.

Sua vida sentimental foi entremeada de grandes paixões e enormes galinhagens. A era das paixões foi inaugurada em 1939, quando conheceu Marina, a mulher mais bela da Ilha de Ischia, filha do proprietário da Vila Zavota, onde Garibaldi ficara em convalescença quando ferido na campanha pela unificação da Itália. Marina ganharia o apelido de “Mimosa” e lhe daria o único filho, Giulio Cesare, que teria uma vida trágica.

Por aquele tempo, Baby começara a fabricação dos famosos aviões Paulistinha, impulsionado por uma campanha de Assis Chateaubriand, de incentivo à criação de aeroclubes pelo país. Em 1942, foi convidado para uma conversa com Getúlio Vargas, que lhe ofereceu participação na recém-criada Companhia Brasileira de Cobre, para explorar as minas de Caçapava do Sul. Baby aceitou, depositou o valor correspondente à sua parte e tornou e seria, dali para a frente, o rei do cobre no Brasil.

Bem sucedido como empresário, Baby voltaria a investir na carreira de boêmio, tornando-se membro honorário do famoso Clube dos Cafajestes do Rio de Janeiro. O casamento com Mimosa havia acabado. Mas, logo depois, veio a segunda paixão, Nelita Alves de Lima. Para ela, prometeu a famosa casa na Chácara Tangará, depois adquirida pela Bunge para a construção do complexo Panamby. O casamento com Nelita durou até 1957.

Solto novamente, Baby retomou sua carreira de conquistador internacional, tendo um caso rumoroso com Linda Christian, ex-Tyrone Power. Foi um caso tumultuado, com direito a troca de sopapos em público e um fim de caso inesquecível: da suíte de seu apartamento, no Hotel Excelsior, em Copacabana, Linda é acordada por uma passeata de vinte táxis lotados de mendigos, portando cartazes onde estava escrito “Linda, Go Home”.

O grande caso de Baby, que chegarias a se rivalizar com as desventuras do casal Liz Taylor-Richard Burton, foi com a princesa Ira de Furstenberg, filha do Príncipe Tassilo von Furstenberg e de Clara Agnelli. Linda, casou-se muito jovem com o príncipe espanhol Alfonso von und zu hohenlohe Langenburg.

Baby acaba se separando poucos anos depois. Seu último casamento foi com Regina Fernandes, trinta anos mais moça, e que tinha apenas 18 anos quando se casaram.

O fim de Baby foi inglório. Com resistências no regime militar, enfrentou enormes dificuldades com sua mina de cobre em Camaçari, a abertura indiscriminada das importações de cobre. Depois, a doença que o matou com pouco mais de 60 anos.

Morto, a herança foi pilhada. O filho Júlio era dependente de drogas e interditado. Advogados conseguiram levantar a interdição e assumiram a sua guarda, praticamente desaparecendo com seus bens. Pela venda da Chácara Tangará, o filho recebeu o equivalente a um carro Aero-Willys.

Depois, morreu o filho de morte súbita, morreu Regina, de morte estranha, e morreram outros mais, em uma história policial que ainda não foi contada.


Categoria: Crônicas
Escrito por Luis Nassif às 12h46

As Musas de Baby

Pela ordem:

1. Jackie Lane.

2. Jill Saint-John, disputada por dez entre dez playboys da época, e dando conta dos dez.

3. Linda Christian, a Jane do Tarzan de John Weismuller.

4. A princesa Ira Furstenberg, um sequestro no México.

5. Miiko Taka, par amoroso de filmes com Marlon Brando.

6. Tina Louise, modelo e atriz.

7. Soraya, que foi casada com o Xá do Irã.


Categoria: Crônicas
Escrito por Luis Nassif às 11h46

Os "spreads" bancários

Medidas tomadas pelo Banco Central nos últimos anos para baixar os “spreads” bancários:

1.      Sistema de Pagamentos Brasileiro.

2.      A nova Lei de Falências.

3.      Liberdade cambial praticamente absoluta.

4.      Concentração do sistema bancário, para permitir ganho de escala.

5.      Inclusão dos créditos do FCVS utilizados no PROER no cálculo das exigibilidades dos financiamentos ao Sistema Financeiro da Habitação.

E o tal do “spread” ainda não baixou.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 10h13

A linhagem da INCO

Alguns dados sobre a INCO (a mineradora canadense que a Companhia Vale do Rio Doce quer comprar) enviados pelo leitor André Araújo:

A INCO é grande dama aristocrata do mundo da mineração, fundada há mais de cem anos pela junção de interesses birtânicos, a Mond Nickel Co.Ltda., do mesmo Sir Alfred Mond (depois Lord Melchett) que fundou a Imperial Chemical Industries Ltd. com interesses canadenses da International Nickel Co.of Canada, então controlada pelo grupo do lendário  banqueiro John Pierpont Morgan, padrinho da fusão.

A nobreza é tão antiga que a INCO está listada na Bolsa de Nova York desde 1915 e compõe o seleto grupo de 30 empresas do índice Dow Jones desde 1928.

As minas da INCO no Canada foram visitadas por duas vezes por Reis e Rainhas da Inglaterra.

O pedigree é indiscutivel. Os números, não.

Em 2005, com vendas de US$ 4,7 bilhões  (menos da metade da Vale), a INCO ganhou US$ 868 milhões (a Vale ganhou três vezes mais). Já os ativos da INCO estão avaliados em US$ 12 bilhões, valor próximo da Vale (US$ 15,9 bilhões). Mas no valor de mercado ou de bolsa, a Vale bate a INCO longe (sempre em dezembro de 2005): INCO, US$9,3 bilhões e Vale US$53,2 bilhões.

A  Vale está pagando pela INCO quase o dobro do que o mercado lhe valoriza. E pior, pagando em dinheiro vivo, resultado de um empréstimo de curto prazo.

Nesse ponto há uma discordância de analistas de mercado consultados pelo Guia Financeiro da Agência Dinheiro Vivo. Segundo eles, o lucro da INCO seria equivalente ao serviço da dívida do empréstimo contraído para adquiri-la.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 10h09

A retórica do terror

Cinco questões levantadas pelo The Guardian sobre a ameaça de terrorismo na Inglaterra, anunciada pelo governo Blair, entre elas:

1. Ainda não apareceu uma evidência desse mega-atentado.

2. Ninguém foi indiciado ainda.

3. As providências de segurança tomadas foram absurdas e levaram o caos aos aeroportos do país.

Nesse mesmo número há uma matéria sobre a declaração da RyanAur, a maior companhia aérea de baixo custo da Inglaterra, que diz que vai processar o Governo britânico pelos prejuízos que teve com os exageros nas medidas de segurança nos aeroportos, que a companhia alega que são desnecessárias e inúteis.

É curioso que, em plena era da informação, ainda se tentem criar Planos Cohens (o plano falso atribuído aos comunistas, em 1937, que permitiu a Vargas dar o golpe do Estado Novo), em uma potência de primeira classe.

Tinham razão os franceses: Blair é um ator político de segunda classe, um semi-Bush.

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Escrito por Luis Nassif às 10h03

Os migrantes e a educação

Reportagem da Folha de 11 de janeiro de 2002, da repórter Gabriela Athias:

Pela primeira vez, desde o final da década de 70, São Paulo registrou um saldo positivo de migração. Ou seja, na década de 90, mais gente chegou ao Estado, vinda de outras regiões, do que saiu.

Na década de 80, para cada mil paulistas, havia dois migrantes vivendo no Estado. Nos anos 90, esse número pulou para quatro.

Para ter uma idéia da dimensão da migração- calculada pela Fundação Seade com base no Censo Populacional 2000-, entre 1980 e 1991 o Estado recebia cerca de 50 mil migrantes ao ano.

Entre 1991 e 2000, o Estado recebeu 147 mil pessoas por ano, o que dá um total de 1,3 milhão em nove anos. As estatísticas de 91 são contabilizadas na década de 80. O ano é citado nas duas décadas por ser uma referência demográfica em razão do Censo de 1991.

Estatísticas populacionais são essenciais para o planejamento público, explica a demógrafs Sonia Perillo, da Seade.

Apesar do aumento de migrantes, a taxa de crescimento populacional do Estado continua caindo (passou de 2,1% ao ano entre 80-91 para 1,8% entre 91-00).

Isso não quer dizer que a população deixou de crescer, mas indica que o crescimento está ocorrendo num ritmo mais lento.

Sonia explica que o fato de a chegada dos migrantes não alterar a redução do ritmo de crescimento mostra que as taxas de fecundidade e de mortalidade (ainda não atualizadas por década) são os fatores que mais influenciam na demografia paulista.

Os últimos dados de fecundidade mostram que em 1980 as mulheres tinham 3,4 filhos. Em 1999, caiu para apenas 2,4. Ou seja: uma queda de 29% no período.

Essa multidão que veio para São Paulo nos anos 90 fixou-se principalmente nos municípios da Região Metropolitana e no interior.

A capital, com seus 10,4 milhões de habitantes, continua perdendo população. No interior, a região de Campinas é a que mais recebeu gente no período. Na Grande São Paulo, Guarulhos é recordista.

O estudo da Seade não informa a origem dos migrantes, mas indica que municípios pobres, onde a população tem baixos níveis de escolaridade- caso de Guarulhos e Itaquaquecetuba-, continuam recebendo cada vez mais gente, o que agrava a miséria.

Para calcular a migração, a Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) comparou os dados do Censo 2000 com os nascimentos e óbitos do Estado. Quem não consta nesses registros, mas figura no último censo, é migrante.


Na verdade, é apenas um argumento a mais para alimentar uma discussão besta. É evidente que migrantes, quando chegam, impactam o nível do ensino. Se vem de uma realidade diferente, com um nível de aprendizado diferente, vão derrubar a média para baixo. Também é evidente que a migração, per si, não é suficiente para explicar toda a queda da qualidade do ensino. A razão maior foi o trabalho do Secretário Chalita, e o fato do ex-governador Alckmin jamais ter aprendido a gerenciar por indicadores, para poder responsabilizar seus secretários e promover mudanças de rumo.

Daqui a pouco, o "politicamente correto" vai considerar preconceito afirmações do tipo "o analfabeto não sabe ler".


Escrito por Luis Nassif às 01h23

18/08/2006

A economia da coca

O renascimento das FARC (Forças Armadas Revolucionárias Colombianas) tem um histórico curioso, relatado pelo senador colombiano Rafael Pardo no seminário “Terceiro Foro Sul-Americano”, promovido pelo IUPERJ, no Rio de Janeiro.

Até 1994 havia uma estrutura de especializações na coca. 90% da coca e da pasta de coca eram produzidos no Peru e na Colômbia. O refino ficava na Colômbia, que respondia por 90% da produção total e 90% do que entrava no mercado americano. Esse predomínio dos cartéis colombianos prosseguiu até 1995.

Aí teve início uma interferência direta dos Estados Unidos na região. Os cartéis colombianos foram varridos do mercado americano. Em seu lugar entraram novos cartéis, surgidos no México.

Por conta dessas pressões, mudou a geografia da coca e a Colômbia passou a cultivar coca no sul do país. O plantio chegou a ocupar 250 mil hectares. Só que o cultivo da coca determinou a necessidade do controle territorial. A ascensão dos grupos paramilitares contribuiu para o acirramento da guerra interna. O país experimentou deslocamentos populacionais enormes.

O acordo com os EUA permitiu aparelhar o exército colombiano. Foram doados 60 helicópteros e treinados trinta batalhões. As estatísticas indicaram que a área plantada havia se reduzido para 60 mil hectares e, nos últimos tempos, para 50 mil.

Aí a velha economia entrou em cena. Não se via aumento do cultivo dos países vizinhos. O controle da oferta deveria levara um aumento do preço. Mas não havia nenhuma indicação de queda nas cotações no mercado americano, ao contrário

No ano passado um satélite americano vasculhou a região e descobriu erros de medição. A área plantada está em 85 mil hectares, não nos 50 mil. E as últimas medições indicam que a produção continua nas mesmas 800 toneladas/ano.

Donde se conclui que não é apenas a Embrapa que desenvolveu tecnologias agrícolas tropicais eficientes.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 16h42

O gasoduto aos pedaços

Outras conclusões de Cuevas

Um dos concorrentes do gasoduto é o GNL (Gás Natural Liquefeito). Três dos últimos contratos fechados entre países indicam um preço entre US$ 5 a 8 milhões o BTU.

Segundo ele, o GNL passa a ser mais econômico do que o gasoduto em terra para distâncias superiores a 3.540 km.

Sua proposta é tocar o gasoduto passo a passo.

De um lado, completar o Anel Energético do Cone Sul (Argentina + Brasil + Chile + Paraguai + Uruguai + Bolivia + Peru).

Na outra, o gasoduto Venezuela, Brasil, com duas conexões: uma ao norte, com Amazônia e Nordeste; outra com sul do país, Argentina e Uruguai.

Depois de completados os dois sistemas, se investiria na interconexão entre o Anel Energético do Cone Sul e o Gasoduto Sulamericano.


Categoria: Geral
Escrito por Luis Nassif às 13h56

Objeções contra gasoduto

Na visão de Miguel Cuervo, da Fundación Crear, da Argentina, as maiores incógnitas para o gasoduto da América do Sul são as seguintes:

A Venezuela sequer cubou (mediu suas reservas). Essa cubagem leva de 5 a 7 anos. Como entrar no projeto sem saber o quanto existe de gás?

  • Definição do volume máximo de abastecimento.
  • Bases para a tarifa de transporte.
  • Fixação do preço do gás na boca do poço.
  • Aspectos regulatórios, legais, fiscais e institucionais

As objeções mais freqüentes feitas pelo setor privado são as seguintes:

  • Comprimento e outras condições do traçado.
  • Custo do investimento.
  • Preço do gás nos citigates (a central de distribuição em cada grande centro).
  • Estabilidade da oferta.
  • Impacto ambiental.
  • Proteção contra atos de terrorismo


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 13h50

Integração Energética na AL

Comparações entre integração da União Européia e da América do Sul, adaptada à questão energética, na visão de Ricardo Sennes, da Prospectiva Consultoria, para o seminário “Terceiro Fórum Sul-Americano”, promovido pelo IUPERJ.

Visão Européia: Integração como opção estratégica; Estado patrocinando investimentos e cobrindo riscos; promovendo e instituições regionais

Visão incremental para América do Sul: convergência regulatória focada em destravar negócios; viabilizar mercado atacadista regional; macro-coordenação das políticas energéticas; criação de um instrumento financeiro de suporte aos projetos; eliminação de restrições para livre comércio de serviços regionais e Estado responsável pelo investimento essencial


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 13h24

Sachs e o Piauí

Do leitor Ignacy Sachs, economista francês, com ligações estreitas com o Brasil e uma obra seminal em relação à economia e meio ambiente:

“O seu artigo sobre o Piauí aponta para um tema da maior importância para o Brasil.

Há anos venho perguntando aos meus amigos " quantas Califórnia no Piauí, no Nordeste, no Brasil?", sem obras faraônicas, identificando e aproveitando todas  as oportunidades de pequenos perímetros  de irrigação, usando tecnologias de irrigação poupadoras de água. E, ao mesmo tempo,refletindo como se deve aproveitar os abundantes recursos hídricos da Amazônia  como vantagem comparativa num mundo que vai enfrentar crescentes problemas relacionados  com a escassez de recursos hídricos, principalmente nas regiões que têm  hoje uma agricultura florescente,mas ao preço de bombeamento excessivo dos aqüíferos  explorados como minas de água e portanto esgotáveis.

Saudações cordiais

Ignacy Sachs


Escrito por Luis Nassif às 13h01

O "tucanês" de Marco Aurélio

Um dilema curioso nessa integração latino-americana, é que a bandeira tem sido aprofundada em um momento em que o ponto em comum entre as principais economias – Brasil, Argentina, Venezuela e Bolívia – é o nacionalismo. E o nacionalismo é, em geral, adversário de formas de integração. Na sua forma mais tosca, o nacionalismo é para dentro. O internacionalista é para fora.

O primeiro acredita resolver todos os problemas. O segundo aceita acordos e complementaridades. Só que os internacionalistas brasileiros olham com desprezo a América do Sul, e pensam na ALCA. E os nacionalistas criam problemas permanentes, como Hugo Chaves e Evo Morales.

O assessor especial da Presidência, Marco Aurélio, propõe uma receita zen de relacionamento. Ao melhor estilo “tucanês’, lembra que os Estados Unidos tem um presidente com estilo “peculiar”. E ele e Lula se dão bem. Do mesmo modo, Chaves e Morales têm estilo “peculiar”.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 12h45

Mercosul e opinião pública

Segundo Carlos Álvares, do CEPES (Argentina), a idéia do Mercosul tem apoio integral da opinião pública argentina; ao contrário do Brasil e do Paraguai, onde a opinião é dividida.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 12h32

O Airbus da América do Sul

Um dos grandes fatores de integração da União Européia foi o projeto Airbus, juntando fornecedores de vários países. No caso da América do Sul, há idéia do governo brasileiro de fazer o mesmo com os estaleiros navais. Mas ainda há muitas diferenças entre os parques industriais dos diversos países. Será um grande desafio definir o modelo de cadeia produtiva.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 12h30

Mercado de moedas na AL

Estou no Rio de Janeiro, participando do “Terceiro Foro Sul-Americano” promovido pela IUPERJ (da Universidade Federal do Rio de Janeiro), a Universidad Torcuato Di Tella e a Universidad Central, de Caracas, Venezuela.

Há uma longa lista de participantes, mais de quarenta acadêmicos, analistas e políticos do continente discutindo a integração. A primeira parte do seminário consistiu nas exposições de Marco Aurélio Garcia, Luis Maira e Pavel Rondon.

Embora não tenha sido tema dominante dos debates, a questão mais relevante é a integração financeira do continente. As demais dimensões da integração – infra-estrutura, congresso, cooperação tecnológica – são mais ou menos óbvias. A financeira, não.

As relações comerciais entre os países da região são pautadas pelo dólar. Os Convênios de Crédito Recíproco (CCRs) – conta de compensação entre países, em que as operações têm garantia de pagamento dos governos centrais – são uma gambiarra para melhorar o financiamento do comércio na região.

O grande modelo de integração se daria no momento em que uma BM&F (Bolsa Mercantil de Futuros) se juntasse a outras bolsas do continente e passasse a atuar como uma “clearing” (local onde se fazem os acertos entre comprados e vendidos) das diversas moedas nacionais, permitindo a compensação entre elas. O dólar continuaria sendo uma mera referência nominal – permitindo às moedas serem fixadas em relação à sua paridade com o dólar.  Mas o modelo permitiria a negociação interna apenas com moedas nacionais. E seria a ante-sala para a moeda única do continente.

A exemplo da União Européia, a moeda seria um fator de estabilidade e de identidade continental.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 12h27

O Brasil de André - 4

O ponto focal desse desastre foi a decisão tomada, na partida do Real, de flutuar o câmbio para baixo. Nas discussões preliminares, todas as conseqüências negativas tinham sido identificadas pelos economistas do Real. Todas, do risco do excesso de dólares apreciando o real, do custo fiscal das reservas cambiais excessivas, da necessidade de conter o capital gafanhoto.

Nada foi feito para prevenir os desastres anunciados. André participou diretamente da decisão de apreciar o câmbio, que matou a grande oportunidade de crescimento do país no século. E foi beneficiário direto desse erro. No final de 1994 seu banco estava vendido em quase US$ 1 bilhão no mercado futuro de câmbio. E ele continuava participando diretamente das formulações da equipe econômica.

Nos anos seguintes, tornou-se personagem típico do romance "O Encilhamento", do Visconde de Taunay. Comprou carros de corrida, viajou para Londres transportando cavalos em avião.

Agora, vem com essas considerações de cunho filosófico-político, como se essa deterioração do país nada tivesse a ver com as decisões econômicas?

Deveria se contentar em continuar apenas milionário.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 10h28

O Brasil de André - 3

Coluna minha, de 29 de maio de 1995, sobre as consequências da política implementada:

1) Empresas pequenas e médias, menos capitalizadas, rodariam, jogando no mercado um exército de desempregados --donos de pequenos negócios e funcionários.

2) Grandes empresas reduziriam sua produção, aumentando o número de desempregados. Mas preservariam lucros porque, sendo líquidas, compensariam seu prejuízo operacional com aplicações financeiras.

3) Pelo simples exercício de trazer dinheiro lá de fora e aplicar nesses inexplicáveis 4,5% ao mês, os bancos de negócios repetiriam os extraordinários lucros do ano anterior.

4) Todo o lucro do setor capitalizado da economia seria bancado pelo Estado, à custa do aumento exponencial da dívida interna. Tudo o que se arrecadasse com a venda de estatais não seria suficiente para bancar o mero crescimento da dívida interna, em função desses juros.

5) Com a queda da atividade econômica, em pouco tempo as receitas tributárias iriam despencar.

 


Escrito por Luis Nassif às 10h21

O Brasil de André - 2

Com apenas 18 meses com a economia de volta às mãos dos pacoteiros, e apenas com sua capacidade de brincar de fliperama com as políticas monetária e cambial, tinha-se:

1) O país em nova crise cambial;

2) a volta de alíquotas super-protetoras em muitos setores;

3) crescimento exponencial da dívida interna, comprometendo o futuro ajuste fiscal;

4) e uma multidão de empreendedores arrependidos até a medula dos ossos por terem apostado no país e programado investimentos.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 10h20

O Brasil de André - 1

A respeito das considerações politico-filosóficas de André Lara Rezende, na cerimônia em que recebeu o título de “Economista do Ano”.

O Brasil que os economistas do Real, André entre eles, receberam quando FHC assumiu o Ministério da Fazenda

1) Mudanças no comércio exterior, acabando com a parafernália burocrática, e permitindo a mais empresas o acesso a mercados e fornecedores internacionais.

2) Fim de todas as reservas de mercado, especialmente a da informática.

3) Abertura gradual e previsível da economia, induzindo as empresas nacionais a se tornarem mais competitivas.

4) Mudanças na política cambial, acabando com o sufoco histórico das crises cambiais.

5) Lançamento do Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade e Produtividade, que tomou de assalto corações e mentes do setor produtivo, apontando o caminho que deveria percorrer para competir com os importados.

6) Interrupção do paternalismo do BNDES.

7) Fim da ciranda financeira, com o bloqueio de cruzados e com o lançamento do fundão, levando as empresas a perceberem que a única segurança de que dispunham era na sua atividade específica.

8) Lançamento do Código de Defesa do Consumidor.

9) Reinserção do Brasil no mercado internacional de capitais, com o levantamento da moratória e a reaproximação com o Japão.

10) Contas internas equilibradas, contas externas equilibradas, dívida pública irrisória.

11) Um furor reformista que permaneceu, mesmo no governo Itamar Franco.

Faltava apenas resolver a questão da inflação.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 10h18

17/08/2006

O "boom" do Piauí

Coluna de 18/08/2006

Os vizinhos pernambucanos, maiores e mais fornidos, têm por hábito tratar a soma do Piauí com Ceará como “pior serão”. Agora estão mordendo a língua. Quem conta é o Secretário do Planejamento de Pernambuco, Cláudio Marinho, uma das referências nacionais em política científico e tecnológico, durante o Seminário “Caminhos da Inovação”, promovido pelo Projeto Brasil e pela Agência Dinheiro Vivo.

A água jorra no Piauí e até os estrangeiros descobriram que a agricultura capitalista chegou ao nordeste. Depois da colonização do Paraná, da aventura do centro-oeste e do cerrado, a fronteira agrícola migrou pelas costas da Bahia, além do São Francisco e chegou ao sul do Piauí. Não há necessidade de água, de transposição do São Francisco. Recentemente, indianos compraram 100 mil hectares de um empresário cearense. Para efeito de comparação, todo estado de Pernambuco tem 42 mil hectares de terras irrigadas. Na região de Petrolina e Juazeiro, a fruticultura irrigada gerou propriedades com tamanho máximo de 150 hectares, responsável hoje em dia por 90% da produção de manga do país.

Agora, com a explosão do biodiesel, o “boom” da região já é uma realidade. Se não houver preconceito na convivência da pequena propriedade (que esmagará biodiesel) com o etanol, o país poderá aproveitar a oportunidade do século, diz Marinho.

Segundo Alosio Asti, do BNDES, só em Piauí já existem seis usinas de processamento de óleo em construção. Estudos do banco indicam que, em dez anos, o nordeste irá produzir 40% do álcool consumido no país.

Marinho foi um dos responsáveis por ter tornado Recife um pólo de tecnologia de alta qualidade, com o Porto Digital, um parque tecnológico em pleno centro velho da cidade.

Sua preocupação é pelo tamanho do desafio, e pela precariedade dos instrumentos institucionais existentes. “O tamanho da oportunidade é muito maior do que os instrumentos de que o Brasil dispõem para política industrial”, diz ele.

Em sua opinião, haveria a necessidade de uma reforma da política industrial e do Sistema Nacional de Inovação, incorporando o BNDES como principal motor dessa nova etapa.

Se quiserem abrigar o capital externo, os novos centros regionais terão que oferecer escolas em inglês e outros recursos internacionalizados. Em Eliseu Martins, no Piauí, têm executivos indianos e americanos sem escolas onde colocar os filhos. Em Luiz Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia, tem duas escolas de inglês para filhos de executivos. No Porto Digital, em Recife, uma das condições para a atração de empresas estrangeiras é a existência de escolas em inglês para os filhos dos executivos.

Marinho considera que essa “territorialização” da política industrial resgata a política de desenvolvimento que foi seqüestrada pelos macro-economistas. O recurso mais escasso nessa nova fronteira não é o capital financeiro, mas o capital humano para gerenciar os empreendimentos, desde o executivo até o chão de fábrica.

Mas já não se tem dúvida, pelo nordeste que a dinâmica da nova economia da bio-energia já iniciou seu processo transformador na região.


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Escrito por Luis Nassif às 22h24

A vez do Piauí

As fronteiras agrícolas, que historicamente se expandiram para o centro-sul e, depois, para o centro-oeste, finalmente começam a bater nas portas do nordeste.

Durante o Seminário de Inovação, do Projeto Brasil, o Secretário de Planejamento de Pernambuco, Cláudio Marinho, mostrou –utilizando os mapas da Google—a invasão do agronegócio sobre o nordeste, a partir oeste da Bahia, passando pelo Piauí.

Convivem desde grandes propriedades modernas, até pequenas propriedades de 100 hectares, utilizadas na produção de frutas para exportação.

O agronegócio, a fruticultura e a agricultura familiar moderna irão modificar em pouco tempo a cara do nordeste, sustenta o secretário.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 16h55

Pequenas empresas e inovação

O empresário José Ripper, da ASGA, apresentou uma visão bastante crítica dos sistemas de inovação no país.

Primeiro, questionou as estatísticas sobre gastos de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) no setor privado. Muitas vezes interessa ao empresário lançar os investimento como despesas.

Discorda também da relevância das patentes depositadas nos EUA pelo Brasil. A patente patente interessa apenas à grande empresa, diz ele. Se invento algo patenteável, tenho que patentear em todos os lugares do mundo onde produto pode ser utilizado. Tenho que ter estrutura para patentear em todos os países e outra para fiscalizar. É impossível para pequenos.

Questionar o desenvolvimento em P&D das multinacionais no país, com incentivos fiscais, mas sem que os resultados sejam apropriados pelo país.

A última Lei de Informática dá um pequeno incentivo para produtos desenvolvidos no país, mas não foi regulamentada. Não adianta P&D genérico nem incentivos à microeletrônica, diz ele, se não houver o principal: mercado.

Ele fabrica produtos de microeletrônica. Tornou-se importador.

 


Escrito por Luis Nassif às 11h50

São Paulo suspende seu provão

Matéria do Estadão de hoje, de Renata Cafardo e Simone Iwasso (clique aqui) informa que o estado de São Paulo cancelou o Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar no Estado de São Paulo (Saresp), avaliação que existe desde 1996.

Os motivos não foram explicados.

“Procurada pelo Estado, a Secretaria da Educação informou que o exame não será feito porque não houve tempo para estruturar possíveis mudanças para 2006 nem avaliar os resultados de 2005”, diz a reportagem.

 


Escrito por Luis Nassif às 11h38

As pesquisas nas empresas

Quais as dificuldades para as empresas privadas desenvolveram programas de pesquisa e desenvolvimento. Presidente da Rhodia, Marcos de Marchi aponta a dificuldade de importação de equipamentos, de liberação de equipamentos importados para pesquisa, de exportar amostras.

A Rhodia tem laboratório pronto na França, querendo trazer inteiro para Brasil. Mas existe legislação que protege determinados equipamentos com similar nacional. Nada contra ABIMAQ, diz ele, mas quando é caso de pesquisa, teria que ter tratativa diferenciada.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 11h26