UOL Blog
Blog

02/09/2006

O programa econômico de Alckmin

EXCLUSIVO

Nos próximos dias serão anunciados os princípios gerais do programa econômico de Geraldo Alckmin. O cerne do programa , sai da cabeça do economista Yoshiaki Nakano. Um esboço foi antecipado na coluna de Nakano, na semana passada no jornal “O Valor” (clique aqui).

O programa começa citando um estudo do Banco Mundial, baseado na experiência de 80 países, no qual constata que o Brasil deveria estar crescendo 5% ao ano no período 2000-2010.

O programa dirá que o país logrou avançar em várias áreas, desde o início do Real. No grupo das políticas estruturais, experimentou avanços em educação, grau de abertura comercial e infra-estrutura pública. As políticas de estabilização trouxeram controle da inflação e resolução da crise de balanço de pagamentos.

Sobram dois desafios: o peso do governo e os termos de troca (leia-se câmbio).

Com base nos dados históricos de crescimento, de 1940-1980, o trabalho constata que o país tem potencial para crescer 7% ao ano. Mas há a necessidade de um plano estratégico para remover os obstáculos. Acontece que no atual arranjo, as políticas macroeconômicas são repressivas e voltadas unicamente para a estabilidade financeira.

O programa propõe um novo arranjo para as políticas monetária, fiscal e cambial.

No campo fiscal, defende o déficit fiscal zero, com metas de redução da dívida e de redução da carga tributária.

Da política cambial, espera-se que seja uma amortecedora dos choques externos. Isto é, que impeça a apreciação ou desvalorização excessiva do real.

Já a política monetária está exclusivamente voltada para a meta de inflação, esquecendo-se que, ao apreciar o câmbio, não só compromete o crescimento como as próprias metas de inflação, ao permitir a volta de fortes flutuações cambiais.

A partir daí, as idéias se desdobram em cinco propostas:

1) redução do tamanho relativo do governo, para abrir espaço para o setor privado poder crescer de acordo com seu potencial; 2) nova estratégia de integração à economia global, priorizando a ampliação dos fluxos de comércio, colocando em ação novas políticas cambial, comercial e de negociações mais ativa; 3) programa do governo de investimentos públicos em infra-estrutura; 4) reforma da gestão pública para melhorar a qualidade dos serviços públicos, particularmente educação, saúde e segurança, e reduzir os custos burocráticos que pesam sobre o setor privado; 5) flexibilização da legislação trabalhista.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 21h10

Cenas do Rio

Da leitora Memeca Moschkovich

Nossa, que saudade gostosa me deu esse texto. Meu pai era jornalista e convivíamos com vários personagens citados. Um deles era Lúcio Rangel, homem inteligentíssimo, bem humorado, com estórias incríveis. Uma que não esqueço é uma madrugada em que fomos acordados com um pedido de socorro. Lucio em determinado momento de alto teor alcoólico, adorava tocar um trombone imaginário. Morava no Jardim de Alah e não conseguia entender por que seu trombone incomodava os vizinhos a ponto de ser levado para a delegacia, aonde meu pai foi buscá-lo. Acontece que ele sentia prazer em tocar o trombone no telhado de seu prédio (acho que de 2 andares) completamente nu.

Beijos agradecidos.


Categoria: Crônicas
Escrito por Luis Nassif às 15h35

Serra e Genoíno

A defesa do ex-presidente do PT José Genoíno, feita pelo candidato tucano ao governo de São Paulo José Serra tem um significado mais profundo do que um gesto de elegância política.

Caiu a ficha de Serra, como de outras lideranças tucanas expressivas, de que um candidato a cargo majoritário não poderá entrar no clima de radicalismo insuflado pelos radicais de ambos os lados. Primeiro, porque ninguém será eleito em clima de guerra civil. Segundo, porque o radicalismo iria contra o espírito original do próprio PSDB, que necessita ser resgatado.

Não se trata de ser condescendente com a corrupção. Pelo contrário, há que se trabalhar especialmente no campo institucional para reduzir sua margem de manobra como elemento de governabilidade –que resultaram em episódios como a “compra de votos” no governo FHC e o “mensalão no governo Lula.

Impeachment e outras posturas bélicas servem apenas como marketing para promover outros agentes perante uma certa classe média midiática. Não como instrumento de política ou de governabilidade.


Escrito por Luis Nassif às 15h31

O cronista do Rio

Quando retomei a biografia do embaixador Walther Moreira Salles, corri ao Rio atrás das últimas testemunhas. Conversei com José Luiz Bulhões Pedreira, Antonio Bulhões de Carvalho, que acabara de produzir uma belíssima canção de amor ao Rio, em três livros, e Maneco Muller, o Jacintho de Thormes. Quando telefonei, em sua casa avisaram que ele iria se internar na terça-feira. Na quarta ele morreu. E aí, me deu mais saudades do Rio que não conheci.

O grande salto do Rio ocorreu na Guerra, quando passou a abrigar os exilados do jet-set internacional. Os Guinle trouxeram para o Brasil o Barão Von Stucker que, em pouco tempo, revolucionou a vida noturna carioca criando o Vogue, a mais relevante casa noturna que o Rio conheceu.

Para abrilhantá-la, o Barão foi buscar na Europa duas figuras que se tornaram lendárias: o pianista Sacha Rubin, libanês metido a francês que tocava piano com um copo de uísque do lado e um cigarro invariavelmente estacionado no canto da boca; e o chefe de cozinha Gregoire Belinzanski, russo branco que introduziu três pratos clássicos na cozinha brasileira: o strogonoff, o frango à Kiev e o picadinho a brasileira.

Foi nesta mesma Copacabana que na casa do avô Lauro Muller, em 1923, nasceu Maneco, a mais perfeita tradução para o Rio internacional dos anos 40 e 50.

Em 1943, Prudente de Moraes Neto o levou para a “Folha Carioca”. Ficaram por seis meses apenas. A "Folha" virou getulista e Prudente mudou-se de mala e cuia para o "Diário Carioca".

O "Diário" era meio maluco, mas com uma força tremenda. Só tinha cronista. O secretário de redação era Everardo Guilhon. Epitácio Timbaúba fazia crônica policial. Castelinho, crônica política. Lúcio Rangel, crônica de música. Paulo Mendes Campos e Sérgio Porto eram cronistas cronistas mesmo. Vinicíus fazia crônicas poéticas, assim como Fernando Lobo. Prudente fazia crônicas de turfe, com o pseudônimo de Pedro Dantas e assessoria integral da esposa Inah Novaes, sua prima-irmã, com quem teve uma lua-de-mel que entrou para as lendas boemias da cidade. E todo mundo era bem humorado, como documentaram os jornalistas Tales de Faria e Sérgio Rodrigues, em uma monografia recente sobre o jornal.

Aí Prudente, o cronista de turfe, fez o convite a Maneco:

- Você vai ser cronista social.

O pequeno Maneco, de saúde frágil, mas de temperamento petulante, que se gabava de ser aluno de jiu-jitsi da família Gracie, não gostou.

- É coisa de veado.

Mas aceitou, porque o salário não era de jogar fora. Mas sem frescuras! Em lugar de crônicas floridas, Maneco foi buscar a receita no colunismo americano de Elza Maxwell, Nick Boker, Walther Nin e, especialmente, Cholly Knickerbocker, cronista de Nova York cujo nome verdadeiro era Igor Cassini, irmão de Oleg, o costureiro, e citado na canção inicial de “High Society”, cantada no ônibus por Satchmo. Notas curtas, com muito humor e maldade, mais humor que maldade, mais divertido que agressivo, afinal, era filho da sociedade local, e se exagerasse nos venenos ninguém receberia mais em casa "o filho da dona Negra".

E Maneco Muller, a esta altura Jacinto de Thormes, em sua coluna no "Diário Carioca", inaugura a palavra colunismo, e passa a trazer para o ofício o padrão estético da geração dos 40. O "in" passa a ser o despojamento, a simplicidade, o brasileiro.  Dá novo impulso ao "Baile das Debutantes", cria o concurso "Glamour Girl", mais aguardado que eleição presidencial.

O Rio esqueceu Jacintho. Os músicos o cultuam, através das críticas sociais de Miguel Gustavo, no samba choro “Café Soçaite”: “enquanto a plebe rude na cidade dorme / eu sonho com Jacintho, que é também de Thormes”.

 


“Todos os direitos reservados, sendo proibida a reprodução em meio impresso.”

 Se quiser receber por e-mail clique aqui.


Categoria: Crônicas
Escrito por Luis Nassif às 12h48

A idiotia latino-americana

Nos anos 90, Plínio Apuleyo Mendoza lançou um livro campeão, o “Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano” desmistificando teses anacrônicas da esquerda do continente.

Falta, agora, um “Manual do Perfeito Idiota Planilheiro Latino-Americano”. O continente é uma região tão infecta que qualquer idéia ou pensamento que venha do norte, ao atravessar a linha do Equador se derrete como disco velho submetido aos raios de sol.

Os planilheiros são o reverso do reverso da idiotia desmistificada por Mendoza. Como a intervenção virou atraso, a completa liberação virou moderno, independentemente da análise de caso, da avaliação da realidade nacional.  É uma regra geral, tão universal quanto a ignorância, ainda que coberta por creme de leite de um pós-graduação no exterior.

O domínio de teorias internacionais é uma ferramenta que ajuda a entender a realidade nacional. Mas é ferramenta: o conhecimento se dá através da análise da realidade. Aqui, alguns planilheiros são tão primários e anacrônicos, tão despregados da racionalidade, tão incapazes de adaptar o conhecimento à realidade, que esta se torna a variável de ajuste para a teoria. Se liberar geral é "in", então toda situação e análise têm que se adaptar ao liberar geral, para poder aparecer na foto das celebridades. não é assim?

Uma demonstração campeã de pensamento cabeça de planilha é a declaração do Diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Paulo Vieira da Cunha, à repórter Jacqueline Farid do “Estadão” (clique aqui)

Segundo ele, “a desvalorização do real ocorrerá de forma "perfeitamente natural", em conseqüência da perda de competitividade das exportações que, por sua vez, vai reduzir o fluxo de divisas para o País”.

Saia da planilha e entre no mundo real, lentamente para não ser fulminado por um choque térmico.

O câmbio se torna competitivo, e milhares de empresas se preparam para exportar. Compram máquinas, investem em viagens internacionais, enfrentam uma luta hercúlea para afastar concorrentes já instalados nos mercados externos. Depois de todo esse investimento, conquistam o cliente. A partir dali, a manutenção do mercado conquistado dependerá do fornecimento regular de produtos e da melhoria gradativa da produtividade.

Aí vem o Banco Central e permite uma apreciação de 15, 20, 25% do real. O produtor fica sem preço para competir. Resiste um pouco, depois desiste –os mais insistentes quebram. O câmbio vai se apreciando e, a cada semana, novos grupos de exportadores vão desistindo, jogando fora anos de investimento na abertura do mercado externo e –pior--  comprometendo sua imagem com seu comprador.

Quando as exportações caem tanto que não sustentam mais os superávits comerciais, quando as cadeias exportadoras estão destroçadas, quando toda uma nova geração de exportadores é expulsa do mercado pelo câmbio, então o câmbio começará a se desvalorizar “de forma perfeitamente natural”, conforme o manual do perfeito idiota planilhado latino-americano.

Quando metade do parque exportador sucumbir, os exportadores renascerão como fênix das cinzas. E cinzas são o que restou de qualquer sinal de vida inteligente no BC.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 09h23

Caetano e Gil

Durante anos o Dionísio Caetano ofuscou o Apolo Gil. Ambos têm talento excepcional, músicos completos, dominando a arte da composição, da letra, da interpretação. Mas, fora da música, Caetano era a avalanche, Gil a contemplação. Caetano, a inquietude; Gil a meditação, mais ainda depois que uma tragédia roubou-lhe m filho.

Nos anos 80, Caetano ousou criticar a linha musical do amigo, um patrulhamento estético permitido apenas aos super-músicos, como ele, mas não sobre super-músicos como Gil. E Gil aceitava, não como quem que sucumbe à uma personalidade mais forte, mas como o sábio que devota uma compreensão carinhosa aos arroubos do melhor amigo.

Internacionalmente, Gil conquistava platéias, Caetano, a intelectualidade. Junto com Chico Buarque e Milton Nascimento, mais do que eles talvez, deve ser o músico brasileiro mais cultivado pela alta intelectualidade mundial. José Serra uma vez me disse que Albert Hirchsmann, dos maiores economistas do século, ama Caetano como um fã adolescente.

Mas Gil tornou-se Ministro. Não apenas Ministro de uma pasta sem muitas pretensões, mas personalidade internacional. Com seus discursos zens, um tanto vagos, um tanto poéticos, como o velho sábio que saiu do encontro de economistas assobiando um choro brasileiro, Gil se tornou referência mundial. Encantou encontros de ministros com sua música e encontros de artistas com seu discurso. Enveredou pelo novo mundo digital e do direito autoral. Continuou conquistando não apenas as platéias internacionais, mas também o mundo intelectual; não apenas os saudosistas dos anos 60, como os internéticos do terceiro milênio.

E, aí, Dionísio desandou. Ele, que cantou como ninguém os ciúmes, sucumbiu aos ciúmes do sucesso do irmão, sentimento conhecido vulgarmente como inveja.

Mas Dionísio é gênio. E os gênios são perdoados, quando sucumbem, vez ou outra, à mesquinhez dos sentimentos humanos. Afinal, até nos defeitos os deuses são grandiosos.


Categoria: Minhas Músicas
Escrito por Luis Nassif às 08h37

A Saúde com Lula

Um dos setores que mais consome gastos da saúde no governo federal, não há no Ministério da Saúde um indicador sequer para avaliar eficiência na distribuição de remédios pelo país, na logística, no armazenamento, nas necessidades.

A Saúde está para Lula como a Segurança para Alckmin.


Escrito por Luis Nassif às 08h21

A tartaruga e o pedágio

Para resolver a questão do rodoanel de São Paulo, o governo do estado tinha que tomar conta de uma tartaruga apenas: decidir se haveria pedágio. A tartaruga fugiu: durante quatro anos, o governador Geraldo Alckmin ficou na dúvida hamletiana, entre cobrar e não cobrar.

Ontem, o Secretário dos Transportes Dario Rais Lopes, com luz verde do governador Cláudio Lembo, decidiu recuperar a tartaruga. Anunciou que haverá pedágio e, assim, o rodoanel sairá.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 08h16

01/09/2006

As fundações paulistas

Um dos grandes desafios do provável futuro governador paulista José Serra será enquadrar institutos e fundações do estado, como a Fundação Seade.

Na sua gestão, Mário Covas decidiu reduzir gradativamente a verba orçamentária para essas organizações, visando estimulá-las a buscar recursos no mercado.

Morto Covas, morreu o plano através de expedientes manjados de administração pública.

Por exemplo, hoje em dia, pesquisas são elementos vitais no planejamento de empresas e do setor público. Mas a Fundação Seade não conseguiu avançar um milímetro além dos indicadores que sempre produziu. A maneira esperta encontrada pela administração indireta para contornar a estratégia de Covas foi outras Secretarias encomendarem projetos caros para a Fundação Seade. Através desse estratagema, transferem recursos que a fundação é incapaz de conseguir por seus próprios esforços.

Outro caso é o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas). Instituição histórica no desenvolvimento empresarial de São Paulo, o IPT tornou-se uma organização fechada, que não divulga suas pesquisas, não as torna acessíveis às empresas. E não procura dar escala a iniciativas louváveis, como o SOS Tecnologia –que visa resolver problemas pontuais de empresas.

Não existe sequer indicadores de desempenho para avaliar a relação custo/benefício dos recursos públicos alocados nas fundações e institutos.

São duas caixas de marimbondo que a a gestão Alckmin não quis enfrentar. Remodeladas, as duas instituições poderão cumprir papel relevante em um governo pró-ativo, como deverá ser o de Serra.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 09h55

O (in)decisor

As críticas de Geraldo Alckmin à política cambial e monetária de Lula contrastam com a posição do ex-Ministro da Fazenda Pedro Malan. Contrastam com a posição da Casa das Garças, o centro de pensamento ultra-ortodoxo onde o candidato foi buscar apoio no início da sua campanha. E contrastam com seu próprio estilo, de fugir de qualquer decisão como o diabo da cruz. Se levou quatro anos para decidir se colocaria pedágio no Rodoanel, outro tanto para resolver problemas ambientais, questões comezinhas de administração, o que esperar de sua capacidade de arbítrio para questões macro-econômicas muito mais complexas e sob intenso fogo cruzado?


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 09h22

Guido cresce

Piada que começou a circula: “Guido é manteiga, mas não derrete fácil”. O trabalho interno que Mantega está fazendo no governo é para ser acompanhado. Tem determinação e estratégia claras, de buscar uma transição suave para um novo modelo de câmbio e juros. E peça chave nessa estratégia é o Secretário Júlio César Gomes de Almeida.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 09h20

Macaco em loja de louças

Em áreas sensíveis do Planalto, o Ministro Hélio Costa é tratado com a condescendência com que se tratam pessoas despreparadas. Ele tem apenas uma utilidade para o governo Lula: garantir bom trânsito junto as emissoras até as eleições. Sua única ofensiva – de querer definir onde serão fabricados componentes da TV digital – mereceu a mão pesada (embora educada) do Ministro do Desenvolvimento Luiz Furlan. “O Ministério que cuida desse assunto está no Bloco J da Esplanada dos Ministérios”. Há duas maneiras de entender essa intromissão de Costa, ambas denotando desinformação evidente:

1.      Ele não sabia que política industrial é atribuição do MDIC.

2.      Ele achou que os interessados no jogo não sabiam que a política industrial é atribuição do MDIC.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 09h20

A conta do câmbio

Se o setor externo tivesse tido para o PIB, nos últimos dois anos, o desempenho que teve em 2002 e 2003, o crescimento poderia ter chegado a 5%, por baixo.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 09h19

Guerra de ego

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso recomendou ao PSDB que “botasse fogo no palheiro”. O governador Cláudio Lembo repreendeu-o, dizendo que seria uma estratégia equivocada. FHC rebateu dizendo que venceu várias eleições concorrendo com Lembro, logo saberia mais sobre política do que ele. As eleições foram vencidas em São Paulo – reduto tucano --, ao embalo das “diretas já” e, mais tarde, do Plano Real.

Nos jornais de hoje, mesmo os “incendiários” do PSDB – como Arthur Virgílio – informam que não vão colocar fogo no palheiro, pois já receberam avisos insistentes dos eleitores de que perderiam voto.

FHC está colocando uma questão pessoal – sua competição individual com Lula – acima do bom senso e dos interesses do seu partido. Mais uma vez, o vaidoso vence o inteligente.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 09h18

A reedição do desastre anunciado

Coluna Econômica – 01/09/2006

No início da semana, o inacreditável Grupo de Conjuntura do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas), elaborou a seguinte compensação sobre a frustração do crescimento econômico: “Às vezes as pessoas minimizam os resultados menos favoráveis. Mas talvez sejam importantes. Ainda que saiam abaixo do esperado, talvez sejam importantes como alerta e como pergunta. Será que o Brasil já criou as condições para crescer mais?”. O autor dessa preciosidade é o economista Estêvão Kopschitz.

Ou seja, aprecie o real até o limite da irresponsabilidade, mantenha os juros em níveis elevadíssimos, tire qualquer condição de crescimento da economia. Depois, diga que o país não cresce porque não tem condições para crescer. Resolvido o dilema.

Em 1997 e 1998 o governo Fernando Henrique Cardoso começava a se encontrar. Foi atropelado pelos erros do real apreciado. O mesmo filme está se repetindo agora. Apesar da crise política, ou até devido a ela, o governo Lula começa a engrenar em várias frentes. Poderia fazer um segundo governo capaz de apagar as manchas do primeiro. Vai ser atropelado da mesma maneira que FHC pelos erros do Banco Central na condução do câmbio.

Ontem o IBGE divulgou os dados referentes ao segundo trimestre de 2006. Se se tomar a soma dos quatro quadrimestres em relação ao mesmo período de doze meses antes, o PIB veio caindo inexoravelmente, de 4,4% no segundo trimestre de 2005, para 3,1%, 2,3%, 2,4% e, agora, 1,7%.

E o PIB ainda não está refletindo de maneira objetiva o que vem pela frente. Por exemplo, a indústria automobilística ainda mantém as exportações, por conta de compromissos já firmados. A partir do momento que o setor perder as esperanças de uma reversão no câmbio no próximo ano, a interrupção das exportações será inexorável.

O PIB agrícola cresceu 1% no segundo trimestre em relação a igual período de 2005. As culturas que responderam pelo aumento foram o café (18,8%) e a soja (2,9%). Tudo indica uma enorme queda da produção de soja para o próximo ano, em função do câmbio. Plantou-se com um custo de produção afetado por um dólar mais forte. Agora, tem que se colher de qualquer maneira. Na hora do replantio, com o setor endividado, é que o país vai sofrer.

E tudo isso por quê? Pela falta de coragem de encarar a questão cambial e do livre fluxo de capitais. Produziu-se uma apreciação do real que está provocando a segunda onda de destruição das cadeias produtivas nacionais –a primeira foi no período 1994-1998. Quando o Sr. Crise resolveu dar uma mãozinha para o Brasil e promoveu a desvalorização cambial de 2002, nos dois anos seguintes se tinha fazendeiro de Mato Grosso abrindo estradas com seus próprios recursos. Ou seja, resolvida a questão da demanda, o investimento começou a jorrar.

Agora volta-se à mesma situação de antes. Assim como no segundo governo FHC, Lula poderia sair por cima no seu segundo governo, com a depuração do PT e o fortalecimento dos ministros gerenciais. O país vai perder de novo pela tibieza continuada de dois governantes que jogaram pela janela a maior oportunidade de crescimento da história.

 


“Todos os direitos reservados, sendo proibida a reprodução por meio impresso.”

 

Se quiser incluir seu nome no mailing, clique aqui e envie o e-mail. Se não abrir o e-mail, escreva para coluna@dvnet.com.br e coloque a palavra Incluir no Assunto.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 07h06

31/08/2006

O cordão dos vitoriosos

A celebração recíproca de Pedro Malan, Antonio Palocci e Maílson da Nóbrega, em seminário ocorrido ontem em São Paulo, é a própria elegia ao fracasso do país e ao sucesso de setores econômicos restritos. O grande final teria que ser mesmo a comprovação, hoje pelo IBGE, pelo 12o ano seguido, do "vôo de galinha" em que se transformou a economia brasileira, por mérito de ministros tão brilhantes. São incompetentes? Depende do ângulo que se analisa. Alcançaram plenamente seus objetivos de criar o mais prolongado período de benefícios ao capital não produtivo, às custas do sacrifício de toda a nação.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 22h16

30/08/2006

A compra de medicamentos

Coluna Econômica - 31/08/2006

No final dos anos 80, havia uma grande discussão entre as grandes redes de supermercados, sobre a melhor maneira de gerenciar as compras. A primeira mudança foi uma descentralização das compras. Argumentava-se que o gerente de cada unidade tinha muito mais sensibilidade para suas necessidades e para as oportunidades de compra do que um departamento centralizado. De fato, as compras centralizadas acabavam atrasando a reposição dos estoques ou entregando todos os produtos de uma vez, dificultando o giro das lojas. Por outro lado, a compra descentralizada dificultava o controle e o poder de barganha dos gerentes para conseguir bons preços.

Tudo se resolveu com a informatização. Com bons sistemas e processos, o departamento de compras passou a acompanhar o movimento de estoques de cada loja, as vendas, as necessidades, as particularidades. Comprava-se de forma centralizada, mas atendendo às especificidades de cada loja.

O Estado brasileiro –entendido como União, estados e municípios—é o maior comprador de remédios do país. A compra centralizada trazia os mesmos inconvenientes do sistema centralizado dos supermercados. Optou-se por transferir recursos para os municípios, para que cada qual adquirisse os remédios de acordo com suas necessidades. O resultado foi uma enorme disparidade de preços de compra, uma enorme dificuldade de controle, e reduzido poder de barganha dos pequenos municípios.

Com o uso inteligente da informática, um sistema centralizado de compras resolveria a questão. SUS (Sistema Único de Saúde), estados e municípios definiriam suas necessidades de medicamentos, e haveria um leilão reverso (aquele em que os vendedores vão disputando quem oferece o menor preço) que uniformizaria o preço por baixo.

No Seminário sobre “Distribuição de Medicamentos”, organizado pelo Projeto Brasil, foram apresentadas as seguintes dificuldades para a implementação desse modelo:

  1. Risco de crédito: não há garantia para o vendedor de que irá receber o pagamento dos pequenos municípios e mesmo de alguns estados.
  2. Qualidade do produto ofertado, já que há importação de insumos indianos, a preços baixos, mas com qualidade sofrível.

Ora, todos esses problemas já foram tratados pela Bolsa Eletrônica de Compras, criada em São Paulo na gestão Mário Covas. Os municípios só poderiam comprar remédios através de pregão eletrônico. Para tanto, teriam que prestar contas sobre seus estoques e suas necessidades. Em seguida, com o seu consentimento, o SUS bloquearia em um banco público os recursos que garantiriam sua participação no leilão. Na ponta vendedora, os produtos que seriam oferecidos teriam que ser certificados pelo INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia) e vendidos através de empresas previamente cadastradas. Completada a compra, haveria a liberação imediata do pagamento para o vendedor, e a garantia de entrega imediata do medicamento para o comprador.

Dez anos atrás, uma proposta dessas pareceria ficção científica. Agora está tudo disponível, tecnologia, modelos bem sucedidos já implantados. Falta apenas capacidade de montar um projeto e levá-lo adiante.


Se quiser receber por e-mail, clique aqui. Caso não abra o e-mail, escreva para coluna@dvnet.com.br e coloque a palavra Incluir no campo de Assunto.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 22h27

As dicas sobre o Mozilla

Uma síntes da contribuição dos leitores:

Do leitor Rafael Spoladore

Search Engine Ordering https://addons.mozilla.org/firefox/2164/ : além de ordenar, permite também adicionar qualquer campo de busca de um site entre as opções de busca do firefox –

Adblock Plus https://addons.mozilla.org/firefox/1865/ : barra banners, frames e outros entulhos –

Flashblock https://addons.mozilla.org/firefox/433/ : basicamente, "pausa" todo flash em um site, colocando um "play", ou seja, todos os flash só passam a aparecer quando você quiser (com opções de whitelist) –

CustomizeGoogle https://addons.mozilla.org/firefox/743/ : várias opções para melhorar o google, como links para busca na concorrência, retirada de adlinks etc –

Image Zoom https://addons.mozilla.org/firefox/139/ : para aumentar ou diminuir o tamanho de imagens.

 

Do leitor Emerson

FasterFox, Gmail Notifier, ForecastFox, Tab Mix Plus, Session Manager (é melhor que o Session Saver), Fetch Text URL, Adblock Plus (é melhor que o Adblock), PDF Download.

 

Do leitor Ivan Massocato

O Sothink SWF Catcher captura e salva os arquivos Flash existentes na página. A nave-mãe, o Sothink SWF Decompiler, faz o que o nome diz.

 

Do leitor Petardo

Fasterfox (acelera a performance do navegador); DownThemAll (gerenciador de downloads); All-in-One Gestures (comandos de navegação usando gestos com o mouse; absurdamente útil); FoxyTunes (controla tocadores de mídia direto no navegador; essencial para quem navega ouvindo música); Adblock (filtra anúncios indesejados); FireFTP (cliente FTP para o navegador); IE View (abre a mesma página no IExplorer); Image Zoom (zoom nas imagens); PDFDownload (gerenciador de arquivos PDF); Download Statusbar (controle de downloads sem abrir nova janela); Update Notifier (procura e notifica updates para extensões e temas); Tab X (acrescenta um pequeno botão de fechar a cada uma das abas); FoxLingo (tradutor para várias línguas).

Do leitor Ricardo Amaral

Mouse Gestures, UnZip, Video Downloader, Tab Mix Plus, PDF Download.


Escrito por Luis Nassif às 19h56

Spy vs Spy

A ênfase do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em induzir a campanha do PSDB para as denúncias contra o governo Lula, visa, no fundo, desviar o foco da atenção de dois pontos: a comparação entre os dois governos e a impossibilidade de criticar a política econômica de Lula –que acabou seguindo ao pé da letra o modelo de estabilização-com-estagnação gestado no próprio governo FHC.

São complicadas as comparações entre momentos diversos. Os defensores de FHC alegam que seu governo enfrentou várias crises internacionais, o de Lula nenhum. E o de Lula, em muitos pontos, avançou em cima do que foi plantado antes. No que tem razão, também. Além disso, a economia mundial foi um céu de brigadeiro na gestão Lula.

Na gestão FHC, entendia-se o país ser apanhado no contrapé pela primeira crise internacional (a do México). Mas, depois, com a Coréia, com a Rússia, com a Argentina foi demais. Depois da primeira crise, qualquer governante racional teria preparado o país para não ser afetado pela crise seguinte, resolvendo o ponto básico da vulnerabilidade externa. Nada foi feito, a não ser pelo Sr. Crise.

Em relação ao governo Lula, não houve crises internacionais e o PIB mundial cresceu de forma inédita. Mesmo assim, o país não conseguiu acompanhar a média mundial, menos ainda a média dos emergentes.

Por isso a discussão não sai do lugar. Nem Lula nem FHC têm o que defender, em termos de política econômica. O que ambos gostam de repetir é que deixaram o país melhor do que receberam. A comparação não é com o próprio país mas com outros países. Os dois deixaram um país, em termos relativos, muito pior do que receberam, na comparação com outros países.

Talvez um segundo governo Lula possa mudar o rumo da economia. Até agora, só se conseguiu vôo de galinha.

No fundo, viva o Sr. Crise, o único com capacidade de tirar o país de impasses como esse que já dura 12 anos.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 15h52

Dicas do Firefox

Como existem muitos Internautas “novidadeiros”, que tal enriquecerem o debate com sugestões das melhores extensões do Mozilla Firefox que utilizam em seu browser?

Minhas suggestões:

Gspace: que transforma o Gmail em um diretório virtual.

IETab: que transforma a aba em um similar ao Internet Explorer

New Sticky: que permite colar anotações em páginas web

SessioSaver: que permite salvar as abas abertas em seções


Escrito por Luis Nassif às 10h47

Uma moeda para o Mercosul

Ministros da Fazenda dos países do Mercosul começam a discutir a adoção da moeda única nas compras internas (clique aqui). Não se trata de unificar moedas mas procedimentos comerciais. Há dois caminhos em discussão: as CCRs (Convênios de Crédito Recíproco), onde o risco soberano é bancado pelos governos; ou uma câmara de compensação no âmbito das bolsas de mercadorias, onde o risco será privado.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 10h43

Os gastos com medicamentos

Mais dados de Marcelo Gouvêa Teixeira, Secretário da Saúde de Minas Gerais:

No último ano, o PAB (Plano de Atenção Básica), conjunto de medicamentos fundamentais previsto no SUS (Sistema Único de Saúde), consumiu 7% dos gastos com compra de medicamentos, ou R$ 290 milhões. Já os gastos com medicamentos de caráter excepcional, liberados por medidas judiciais, chegam a 22%, ou R$ 1,2 bi.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 10h36

Remédios mais vendidos

Do Seminário “Universalização de Medicamentos”, do Projeto Brasil

Dados de Marcelo Gouvêa Teixeira, Secretário da Saúde de Minas Gerais:

Medicamentos mais vendidos no Brasil e,m faturamento

1.      Viagra

2.      Dorflex

3.      Tylenol

 

Medicamentos mais vendidos em unidades:

1.      Microvlar

2.      Ncosaldina

3.      Hipoglós

4.      Rivotril

5.      Buscopan Composto


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 10h17

O custo da pesquisa farmacêutica

Do Seminário “Universalização de Medicamentos”, do Projeto Brasil.

Pedro Palmeira, Chefe do Departamento de Produtos Químicos e Farmacêuticos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), e responsável pelo Profarma (o programa de estímulo à indústria farmacêutica) sustenta que os dados sobre custos de desenvolvimento de novos medicamentos, divulgados por multinacionais (muitas vezes US$ 1 bilhão) são formas de desestimular a pesquisa em outros países.

Esse valor se refere a apenas alguns medicamentos fundamentais, que criam novas categorias terapêuticas. Há amplo espaço para avanços incrementais, que custam dezenas de vezes menos. Como o desenvolvimento de um novo fitoterápico por empresas brasileiras.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 09h52

O fantástico IPEA

Do inacreditável Grupo de Conjuntura do IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas), acerca da frustração do crescimento econômico, segundo o Estadão de hoje (clique aqui):

““Às vezes as pessoas minimizam os resultados menos favorávis.Mas talvez sejam importantes. Ainda que saiam abaixo do esperado, talvez sejam importantes como alerta e como pergunta. Será que o Brasil já criou as condições para crescer mais?”. O autor é o economista do Ipea Estêvão Kopschitz.

Ou seja, aprecie o real até o limite da irresponsabilidade, mantenha os juros em níveis elevadíssimos, tire qualquer condição de crescimento da economia. Depois, diga que o país não cresce porque não tem condições para crescer.

Em outras áreas, o IPEA produz estudos relevantes.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 09h27

O Mozilla Firefox

Não experimentei ainda o Internet Explorer 7, mas duvido que alcance o Mozilla Firefox, software livre. O modelo de extensões dele, desenvolvidas de forma aberta, é extraordinário. Tenho extensões que permitem clipagem de notícias, utilizar o Gmail como disco virtual, arquivar vários sistemas de abertura de abas, transformar uma aba Mozilla em compatível com o IE.

É um software campeão.


Escrito por Luis Nassif às 09h19

O Metrô e a valorização imobiliária

A proposta do Metrô, de, alguma maneira, se beneficiar da valorização dos imóveis relacionada com sua expansão é perfeitamente legítima, desde que acompanhada da necessária contrapartida: o ressarcimento, por lucro cessante, das empresas prejudicadas pelas obras.

Nos anos 50, o grande planejador Rômulo de Almeida pensou em estratégia semelhante para a cidade de Salvador. A prefeitura desapropriaria terrenos em regiões mais abandonadas. Recuperaria a região, construiria conjuntos habitacionais e venderia as terras no entorno, se beneficiando da valorização. Os recursos seriam utilizados para novos projetos semelhantes.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 09h16

29/08/2006

O jogo da convergência digital

Coluna 30/08/2006

Um dos temas mais instigantes dos próximos anos, especialmente no Brasil, será o papel das novas mídias de opinião, concorrendo com a mídia tradicional. Nos anos 90, em que pesem inúmeros exageros cometidos com a espetacularização da notícia, a mídia brasileira tentava cultivar alguma forma de pluralismo. O desafio era atingir o mais largo espectro de leitores. Havia o esquerdista e o direitista de plantão, e uma cobertura supra-ideológica, cujo maior objetivo era conseguir repetir o feito da derrubada de um segundo presidente. Fernando Henrique Cardoso foi alvo dessas tentativas. Mas, a não ser na cobertura financeira e seu falso viés técnico, não havia um componente ideológico, apenas compromisso com o show. Calhava da esquerda petista e seus procuradores fornecerem o roteiro para o show.

Esse modelo prosseguiu com o atual governo, a partir do episódio Waldomiro Diniz. Mas a campanha contra Lula foi um divisor de águas por várias razões. A maior de todas é não ter conseguido nem derrubar nem afetar a popularidade do presidente fora do campo da opinião média midiática. É o fim de um ciclo de prestígio da mídia tradicional, que começou com a campanha das diretas e atingiu seu auge com a queda de Collor.

Havia denúncias graves a serem apuradas, é fato, mas a mídia cedeu a uma radicalização cada vez maior. O movimento do pêndulo saiu da diversidade anterior para uma gradativa homogeneização da análise, se deslocando para a direita. Mais que isso, assumindo um profundo corte ideológico que, não raras vezes, enveredou pelo preconceito social –em que pese, repito, a gravidade evidente de muitas das denúncias—com um viés de intolerância em alguns veículos impossível de se sustentar ao longo do tempo: cansa o leitor, esgota.

À medida que a campanha contra Lula avançava --e ele resistia--, criou-se um jogo de braço com perdas para todos os lados. Perdeu o governo Lula, pela resistência radical que passou a provocar na opinião média midiática; perdeu mais ainda a mídia em geral, por ter comprometido a diversidade de pensamento e a objetividade das apurações e análises. A homogeneização do pensamento acabou deixando ao relento fatias importantes do público, do leitor intelectualmente mais exigente àquele cujas preferências políticas deixaram de ser contempladas pelo conjunto da mídia.

Todo esse quadro se formou no momento em que a proliferação de blogs, na Internet, criou novos espaços de opinião. Antes, tinha-se o jornal dando a visibilidade a seus colunistas, emprestando parte de seu prestígio e recebendo, de volta, a agregação de mais leitores e prestígio. Com os blogs, o aval não é mais do jornal, mas é individual, do blogueiro.

Os blogs são apenas a parte mais visível de um processo de criação de novos centros de opinião, como grupos de discussão, fóruns, ONGs. E novos atores de peso entrando no jogo, como as empresas de telefonia e os portais.

Nos próximos anos, a mídia brasileira passará pelas maiores transformações da sua história. Os jornais que entenderem o processo continuarão no jogo.

 


“Todos os direitos reservados, sendo proibida a reprodução total ou parcial.”

 Se quiser incluir seu nome no maling, clique aqui e envie o e-mail. Se não abrir o e-mail, escreva para coluna@dvnet.com.br e coloque a palavra Incluir no Assunto.


Escrito por Luis Nassif às 23h59

Convergência Digital no Projeto Brasil

http://www.projetobr.com.br/Content.aspx?Id=720

Data: 13/09/2006 - Hora: 09:00

Local: Intercontinental Hotel

Seminário sobre Convergência Digital, com a presença do Ministro da Cultura Gilberto Gil


Categoria: Evento
Escrito por Luis Nassif às 22h52

Serra e a inovação em São Paulo

Um dos principais teóricos da inovação no país, ex-reitor da Unicamp, Diretor Científico da Fapesp, o professor Carlos Henrique da Brito Cruz foi o responsável pelas principais definições que ocorreram nos anos 90, sobre universidade, institutos e inovação.

Coube a ele delimitar claramente o papel da universidade (como formadora de pessoal), dos institutos de pesquisa (como pesquisa experimental) e das empresas (como agentes principais da inovação).

Membro do Conselho Temático de Inovação do Projeto Brasil (www.projetobr.com.br), Brito Cruz está preparando o programa de inovação de José Serra para o governo do estado. Na sabatina da Associação Paulista de Jornais (APJ) ontem à tarde, Serra considerou que o programa de Brito Cruz será sua principal aposta se eleito.

A idéia será criar uma Agência de Desenvolvimento, com uma perna na inovação, outra no financiamento, articulando todos os agentes envolvidos no processo: universidades, institutos, associações empresariais, Sebrae etc. Segundo Serra, o interior de São Paulo é uma pequena Europa, com potenciais enormes para serem explorados.

A propósito, repito nota que bloguei em 9 de junho, sobre as fraquezas de Alckmin:

“Segunda fraqueza: jogar fora oportunidades históricas”

Em nenhum setor do governo FHC havia mais excelência do que na área de tecnologia e inovação. Quando começou o governo Lula, a área mais criticada era justamente o Ministério de Ciência e Tecnologia, com Roberto Amaral desmontando o trabalho do governo anterior.”

Se tivesse visão de estadista, Alckmin teria convocado um Américo Pacheco, um Britto Cruz (reitor da Unicamp), um Vogt (presidente da Fapesp) e montado um sistema de inovação no Estado à altura de qualquer grande país europeu. São Paulo tem universidades excepcionais, institutos de pesquisa de ponta, uma instituição de financiamento da pesquisa exemplar, a estrutura da FIESP, do Sebrae. Um secretário com visão de futuro teria revolucionado a área”.

Em vez disso, em um arranjo político interno, Alckmin nomeou para a pasta João Carlos Meirelles, um agricultor sem conhecimento do riscado. O resultado foi pífio. Não se soube de nenhuma articulação entre universidades, empresas e institutos patrocinada pelo governo do Estado”.

No site você encontrará a palestra de Brito Cruz no último seminário de inovação do Projeto Brasil, assim como link para seu trabalho.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 22h38

O economista da Febraban

Em seus cinco anos de Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) o economista Roberto Troster vestiu a camisa, comandou a torcida e deu um novo status ao Departamento Econômico da Federação. Participante assíduo do grupo “Tornos e Planilhas”, da Agência Dinheiro Vivo, sempre alimentou a discussão aberta e a tolerância.

Deu algumas declarações infelizes, assim como outro grande participante do grupo – o economista Júlio César Gomes de Almeida, hoje na Secretaria Econômica do Ministério da Fazenda. Sua saída da Febraban não o livra de continuar participando do grupo, e de ser considerado por todos como um grande praça.


Categoria: Geral
Escrito por Luis Nassif às 21h59

A progressão continuada

A queda de qualidade no ensino em São Paulo não se deve à progressão continuada (o sistema que abole as repetências), mas à maneira como foi implementado.

A Secretaria da Educação não cuidou sequer de informar os professores sobre o Projeto de Lei que instituiu o sistema. Os professores foram informados apenas que a reprovação estava proibida. Sequer se cuidou de explicar as razões de tal política. Não havia acompanhamento pedagógico. As estatísticas melhoraram artificialmente, mas a qualidade desabou.

Essas conclusões são da doutoranda em Psicologia Escolar pelo Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), Lygia de Sousa Viégas, que acompanhou o projeto por dois anos. E constam da edição da próxima quinta-feira da Agenda Brasil – um projeto de discussão de políticas públicas que a Agência Dinheiro Vivo fornece para a Associação Paulista dos Jornais (que congrega os 16 jornais de maior tiragem do interior do estado).


Recebo e-mail do jornalista Joaquim Maria Botelho -- que, presumo, assessor da Secretaria da Educação (não tenho como confirmar pelo adiantado da hora) informando que os dois primeiros anos da educação continuada se deram na gestão de Rose Neubauer na Secretaria da Educação. De qualquer forma, a manutenção do programa passava por Chalita.

 


Escrito por Luis Nassif às 14h19

A nova mídia

Tem razão o Clóvis Rossi, na coluna “Nossa Morte Anunciada” (clique aqui) comentando o suposto documento do PT de fortalecimento da mídia alternativa. Não há mais nem espaço nem razão para o aparecimento de novos jornais ou revistas impressos. A arena de luta do novo será através dos meios eletrônicos. As novas tecnologias permitem, pela primeira vez na história, furar a barreira de entrada no mercado. Antes, o investimento em gráfica, papel, na conquista de leitores já fidelizados pelos jornais e revistas existentes tornava quase impossível a entrada de novos concorrentes. Agora, não.

Para tanto, uma das grandes batalhas será a regulamentação da distribuição de conteúdo pelas teles. As emissoras abertas querem as mesmas regras exigidas para elas: maioria de capital nacional etc. Caiu a ficha da Casa Civil sobre as diferenças entre a infra-estrutura de transmissão e fornecimento de conteúdo. As teles se enquadram no primeiro caso, da transmissão, de infra-estrutura, e terão papel revelante para viabilizar a produção eletrônica independente. A produção é que precisa ser de capital nacional.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 09h26

28/08/2006

O país dos grandes

Coluna Econômica - 28/8/2006

Porque a sua vida está ruim, se diariamente aparecem manchetes falando em melhora da economia? É simples entender.

Na reunião do CEDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social) de quinta-feira passada, o presidente Luiz Ignácio Lula da Silva defendeu o lucro dos bancos e salientou pesquisa recente, indicando que o setor produtivo conseguira rentabilidade maior. 

Quando ele fala em setor produtivo, se refere às 180 maiores empresas, cuja rentabilidade motivou a notícia. O que bancos e as 180 maiores empresas têm em comum? Primeiro, o fato de, em geral, atuarem em ambientes cartelizados. Segundo, terem acesso a capital externo a um custo extremamente mais barato do que as linhas internas de crédito. Terceiro, terem recursos em caixa, que podem aplicar no mercado financeiro.

Quando se referem ao setor produtivo, tanto Lula quanto seu adversário Geraldo Alckmin têm em mente essas 180 empresas. Essa é a parte pior da herança de Fernando Henrique Cardoso quando, nos primeiros anos do Real, permitiu a divisão do país em dois: os com dólares e os sem dólares. O Brasil que conta é esse universo das grandes empresas que, sozinho, não compõe um todo.

O resultado foi a cartelização cada vez maior da economia, o aparecimento de grandes grupos na economia formal (o que foi bom), mas às custas dos concorrentes mais fracos; de grandes grupos na economia informal, o esmagamento de pequenas e médias empresas e o crescimento da informalidade, da criminalidade a níveis recordes.

O modelo, fundado em juros altos, câmbio apreciado, falta de oxigênio para pequenas e micro empresa, não fecha. E as estatísticas não revelam esse quadro. Quando se fala em aumento do emprego formal, está se analisando esse universo restrito das grandes corporações. Quando o dólar cai para R$ 2,10, as grandes empresas fazem antecipação das exportações, recebem, aplicam no mercado financeiro e conseguem, com a rentabilidade das aplicações, um câmbio equivalente a R$ 2,40. Já os pequenos, morrem. Com isso, vão sendo aplacadas as críticas dos setores influentes, e o país continua em marcha lenta.

Qualquer projeto de país não pode prescindir das micros, pequenas e médias empresas. São elas que completam a teia econômica, que garantem emprego, renda, revascularizam a economia e são fundamentais até para poder germinar grandes empresas no futuro. Ao seu asfixiamento, a economia responde com aumento da criminalidade, com limites de crescimento para o mercado interno, transformando cada movimento de crescimento em vôo de galinha.

Nesses anos todos, esse modelo imediatista, predador, da política monetária foi conquistando espaço com esse acomodamento provocado pela divisão de ganhos entre o setor financeiro e os grandes grupos da economia real. Ao celebrar os lucros dos bancos e das 180 maiores, Lula pensa estar falando de dois universos distintos. Não está. No Brasil, a divisão é entre grandes e pequenos.

 


 “Todos os direitos reservados, sendo proibida a reprodução total ou parcial.”

Se quiser incluir seu nome no maling, clique aqui e envie o e-mail. Se não abrir o e-mail, escreva para coluna@dvnet.com.br e coloque a palavra Incluir no Assunto.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 17h27

Ainda sobre Suzane

Do leitor Francisco Ravaglia

Concordo com seu ponto de vista que não houve uma abordagem mais crítica ou investigativa sobre o crime e sua principal acusada ou idealizadora.

Você citou o Truman Capote : Assistindo ao filme , caso o filme seja fiel aos fatos , fiquei com a certeza de que a obra prima "A Sangue Frio " foi escrita porque o Capote não soube até finalizar o livro qual era o motivo de tão bárbaro crime . O livro já estava pronto em partes e faltava o final , o motivo , o porquê . Ao descobrir que o motivo do crime foi uma tentativa sem sucesso  de roubo de dinheiro que rendeu aos criminosos 40 a 50 dólares , o Capote entrou na maior depressão.

Era pouco , nada que significasse uma motivação para uma tragédia . Para o Capote um motivo como este era insignificante, era muito pouco  para um trabalho brilhante que ele desenvolveu ao longo de 4 ou 5 anos . Veja que "A Sangue Frio" foi o último livro que o Capote consegui escrever .

Talvez o caso da Suzane seja igual sem uma motivação específica além do dinheiro, pode ser que as duas mortes bárbaras idealizadas pela filha das vítimas foi por um motivo fútil, dinheiro, um pouco de dinheiro .  


Escrito por Luis Nassif às 16h02

A rádio Funarte

Mais uma rádioweb com programação sensacional de música brasileira: a rádio Funarte (clique aqui). Uma sugestão: entre no sistema de buscas e coloque Fabiana Cozza. Depois, ouça “Embarcação” (Francis Hime-Chico Buarque). Depois digam se exagerei quando a considerei uma nova Elizeth.

Agora estou ouvindo João Nogueira na rádio Funarte. Mas que baita sambista!


Categoria: Minhas Músicas
Escrito por Luis Nassif às 14h06

O CNMP e a ação dos procuradores

Sem a mesma visibilidade do Conselho Nacional de Magistratura, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) (www.cnmp.gov.br) começa a soltar resoluções tentando uniformizar as investigações pelo órgão. Inclusive para evitar a repetição de casos como o de Eduardo Jorge, vítima de perseguição implacável, que o deixou sem saber como se defender.

Já está no site do CNMP a prévia da resolução que na semana passada recebeu diversas contribuições que deverão ser consolidadas esta semana.

A resolução trata, inicialmente, das prerrogativas do procurador de promover a ação penal cabível, instaurar e arquivar inquéritos e requisitar o inquérito policial.

Qualquer procedimento investigatório criminal deverá ser concluído em 90 dias, e para prorrogar deverá haver fundamentação por parte do procurador. Cada unidade do MP manterá controle eletrônico do andamento dos procedimentos criminais, para controle dos órgãos superiores.

Todos os atos serão públicos. O presidente do procedimento criminal poderá decretar sigilo das investigações, mas fundamentando o pedido.

Para ver a íntegra da resolução clique aqui.


Escrito por Luis Nassif às 13h45

27/08/2006

As propostas do CDES

Coluna 25/8/2006

O CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social) foi constituído no início do governo Lula, para juntar os setores representativos da sociedade brasileira, visando uma futura “concertação” – o grande acordo nacional, seguindo o modelo espanhol.

Suas plenárias às vezes são muito verborrágicas. E, há, claramente, a falta de uma institucionalidade que permita transformar em ação as idéias que por lá passam. Embora –segundo me informam alguns conselheiros—foi lá que se maturaram as idéias do crédito consignado e do aumento do salário mínimo.

Mesmo assim, é um excelente exercício de democracia ouvir o presidente da multinacional brasileira apresentar suas idéias, seguido pelo representante da indústria, dos movimentos sociais, do ministro da reforma agrária, do DIEESE.

Na reunião de ontem, presentes Lula e praticamente todo o Ministério, o Ministro Tarso Genro identificou os pontos consensuais do Conselho, que servirão de base para os debates nos próximos meses. Ressalve-se que, entre os conselheiros, há alguma resistência quanto à consolidação das propostas, que, segundo alguns deles, acaba tendo o viés do redator que as consolida –no caso, o governo.

O modelo de sintetizar em enunciados é eficaz e ajuda na consolidação de novos paradigmas. Depois, obviamente, há que se aprofundar os temas propostos.

A lista de temas é extensa, mas vamos a dois exemplos de enunciados, no campo político e do desenvolvimento.

1. Enunciados políticos: propõe regulamentar as formas de participação direta do eleitor (plebiscito, referendo e iniciativa popular), priorizar a reorganização do sistema partidário, financiamento público de campanha e votação em lista.

Pelo menos duas das propostas são bastante polêmicas: a questão da democracia direta e a votação em lista –onde os partidos definem quem serão os parlamentares que constituirão a bancada a que eles terão direito.

2. Enunciados do modelo de desenvolvimento: propõe uma meta de taxa média de crescimento de 6% do PIB real. E que os instrumentos fiscais e monetários sejam ajustados para permitir a combinação de baixa inflação e alto crescimento econômico. Propõe também políticas que, simultaneamente, promovam a redução das desigualdades, medida pela renda domiciliar média mensal. Os princípios gerais passam pelo reforço da educação e da saúde e aumentos continuados do salário mínimo. E também a implementação de políticas industriais e tecnológicas de estímulo ao desenvolvimento regional. Reitera a importância do sistema de metas inflacionárias, como pré-condição para a redução dos juros. Também propõe metas de redução de “spread” bancário associadas à redução do compulsório pelo Banco Central, além de melhoria na gestão de gastos do governo. No campo das políticas industriais, reitera a necessidade de saltos na inovação, e do uso eficiente dos bancos públicos e dos acordos comerciais. Nas políticas de comércio exterior, há um destaque especial para turismo.

A proposta, obviamente, implicará em desmontar a cidadela criada no início do Real, da composição do CMN (Conselho Monetário Nacional) e do COPOM (Comitê de Política Monetária).

 

“Todos os direitos reservados, sendo proibida a reprodução total ou parcial.”

 


Se quiser incluir seu nome na lista, clique aqui e envie o e-mail. Se não abrir o e-mail, escreva para coluna@dvnet.com.br e coloque a palavra Incluir no Assunto.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 22h02

Procura-se presidente para o BC

O grande desafio de um provável segundo governo Lula será o Banco Central. Terá que encontrar um presidente ao mesmo tempo confiável aos olhos do mercado, competente para ousar enfrentar os limites da queda dos juros e responsável para avaliar os efeitos dos juros altos sobre outros campos da economia.

Vamos a um mero exercício especulativo sobre o perfil desse personagem. Aponto três nomes mas, no decorrer da semana, vamos ver se, com a ajuda de vocês, identificamos novos atores.

1. Fernão Bracher.

O banqueiro central dos sonhos de qualquer presidente. Trânsito internacional, reputação ilibada, conhecimento de mercado e vocação de homem público.

2. Geraldo Carbone, ex-presidente do BankBoston.

Conhecimento comprovado sobre economia e mercado, experiência executiva comprovada à frente do BankBoston e vocação de homem público.

3. Joaquim Levy, ex-Secretário do Tesouro Nacional.

À frente da Secretaria do Tesouro Nacional empreendeu esforço louvável para induzir à redução e à criação de uma curva dos juros. Conhecendo o outro lado da novela dos juros altos – a dificuldade em controlar a dívida – teria muito mais sensibilidade para tratar com o tema.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 15h09

A matemática da planilha

O Blog não exibe os comentários de posts de dias anteriores. Em função disso, se houver tempo hoje vou fazer um resumo dos argumentos pró e contra o uso da taxa básica de juros de cada país, para comparar rentabilidade de setores.


Escrito por Luis Nassif às 08h20