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23/09/2006

A familia Office

Com todas as críticas que se faça à Microsoft, a nova família Office, pelo menos o que eu experimentei – Word e o Excel, porque o Outlook do programa Beta que instalei explodiu com minha caixa postal – é porreta. Um baita programa, com inúmeras facilidades, muitas delas incorporadas do Open Office. Na revista em que estava o Beta, a “PC Magazine”, um dos colunistas diz que o problema da Microsoft é que seus produtos são tão bons que dificilmente podem ser aperfeiçoados. Duplo exagero. O OpenOffice tinha chegado a um estágio similar ao Word, e com funcionalidades adicionais muito boas.

Mas a nova família Office é campeã, apesar do desastre que aprontou no meu Outlook.


Escrito por Luis Nassif às 21h40

J'accuse

Na operação Anaconda, o hábito de aceitar indiscriminadamente as acusações fez com que parte da imprensa crucificasse o juiz Ali Mazloum. Publiquei uma coluna contra o massacre no dia 28 de dezembro de 2004. Bastava conferir as acusações que saíam na mídia para perceber que não tinham consistência. Havia um trabalho exemplar das procuradoras em muitas frentes, mas uma acusação inconsistente contra Ali. Mas o que importava era o show.

Na semana passada o Supremo Tribunal Federal resolveu por unanimidade retirá-lo do processo. Unanimidade! No entanto, quando começou o efeito-manada, nada segurava.

Abaixo, a coluna que escrevi

J’accuse

O capitão do exército Alfred Dreyfus foi acusado de ter acobertado ações de inimigos do estado em 13 de outubro de 1894. O juiz Ali Mazloum foi acusado de integrar uma quadrilha de manipulação de inquéritos policiais em 13 de outubro de 2004. A primeira defesa do capitão foi o artigo “J’Accuse”, de Emile Zola, publicado no jornal “L’Aurore”. A primeira defesa do juiz foi do desembargador aposentado Américo Lacombe, em 13 de outubro, na “Folha”, jornal do grupo “Folha da Manhã”. Zola tinha 57 anos na época; Lacombe, 67 anos, mas a idade saiu, por engano, como 57. A principal testemunha de defesa de Dreyfus foi o Grande Rabino da França Zadoc Kahn. A principal testemunha de Ali é a procuradora federal Karen Kahn. E há enorme possibilidade de que, assim como Dreyfus, Ali seja inocente.

O juiz foi apanhado pelo vendaval da Operação Anaconda, um marco na história das investigações do país, devido a um grampo, no qual teria feito ameaças a três policiais rodoviários para que lhe entregassem a íntegra de uma escuta realizada em Brasília em sobre o empresário Ari Natalino, um dos mentores da chamada “máfia dos combustíveis”. O caso estava sob sua jurisdição. Ali havia solicitado escutas em cinco estados, decretou a prisão de Natalino em fevereiro e o condenou em agosto a quatro anos de prisão.

Pressões vieram de todo lado, inclusive do deputado federal Luiz Antonio Medeiros –que foi ao STJ pedir o afastamento de Ali. Depois, descobriu-se que uma das empresas de Natalino figurara como financiadora da campanha de Medeiros.

No dia 4 de setembro o Ministério Público enviou uma fita sobre Natalino, fruto de grampo autorizado por um juiz de Brasília. A interceptação dos telefones incriminava o delegado Alexandre Creniti –cuja prisão temporária havia sido determinada por Ali. Só que a escuta tinha durado dez meses, e Ali  só recebeu trechos selecionados de uma semana. Solicitou todo o material para análise, assim como a procuradora federal regional Karen Kahn, que oficiou o procurador federal Guilherme Schelb e o juiz de Brasília. Nada conseguiram.

Como os policiais rodoviários persistissem em não enviar a íntegra da escuta, Ali telefonou a um deles exigindo o material. Essa ligação, interceptada, foi tratada como abuso de autoridade pelo inquérito Anaconda e tentativa de acobertamento de suspeitos.

Depois que Ali foi afastado, o juiz que o sucedeu constatou a existência dos grampos ilegais e oficiou o juiz de Brasília. O procurador Cristiano Valois de Souza, que sucedeu Karen, conseguiu mais elementos. Quando as investigações caminhavam, o inquérito foi trancado no TRF de São Paulo por uma liminar impetrada por dois procuradores federais regionais, Mário Luiz Bonsaglia e Marcelo Moscogliato.

Está na hora de abrir as cortinas e mostrar o que está acontecendo. Pode ser apenas excesso de zelo, de não se querer macular a Operação Anaconda com um erro clamoroso. Pode ser algo mais grave. E existe uma provável inocente sendo massacrado, sem direito a defesa.


Escrito por Luis Nassif às 20h36

Mídia, governo e hipocrisia

Para os que consideram que a luta da mídia contra Lula é ideológica, remeto à coluna que escrevi em 29 de julho de 2000, sobre a campanha contra Fernando Henrique Cardoso (clique aqui).

É um conjunto de manchetes e matérias sobre o caso Eduardo Jorge. O movimento de manada é o mesmo. A intenção quase explícita é a de derrubar o presidente.

Fica claro que há uma disfunção institucional na mídia, uma gana de derrubar presidentes, herança de Watergate e da campanha do impeachment de Collor.

No dia em que se escrever a verdadeira história da cobertura do impeachment, se verá uma sucessão infindável de manipulações grosseiras, roubos de matérias de repórteres por chefes, uso indiscriminado de dossiês, mentiras das mais inverossímeis. Tudo isso, independentemente das inúmeras falhas e culpas de Collor –as maiores jogadas, aliás, não foram levantadas.

Só que a campanha consagrou jornalistas e elevou a grande imprensa à condição de maior poder nacional. Em meados dos anos 90, jornais e revistas de opinião conquistaram os maiores índices de tiragem da história.

De lá para cá, a curva se inverteu por inúmeras razões. Algumas são estruturais, ligadas à entrada das novas mídias, não apenas a Internet, como o avanço da TV a cabo e do rádio – que ganhou status de formador de opinião. Mas outras razões foram decorrência da perda de foco do jornalismo de opinião, que de tanto buscar o espetáculo abriu mão de algumas qualidades intrínsecas do produto: credibilidade, rigor na apuração. Show por show, a TV, a Internet  e os jornais populares levaram.

De lá para cá, a imprensa escrita não se inovou. Sem inovações e criatividade, os únicos momentos de destaque são nas grandes catarses nacionais, em casos como o da Suzane, Wilma, Lalau. Mais ainda, quando os escândalos permitem atingir o poder e tentar recuperar a glória perdida dos tempos do impeachment de Collor.

No segundo governo, Fernando Henrique não caiu devido apenas à sua habilidade política. A reconciliação da grande imprensa com ele se deu após sua saída, mas porque ele era ex, e o alvo era o próximo.

Com esse modelo político em vigor, qualquer presidente estará exposto aos humores da imprensa ao primeiro sinal de vulnerabilidade. Pela relevante razão que o país é ingovernável se o governante não “sujar as mãos”, como colocou o ator Paulo Betti, cometendo esse crime inominável de expor a hipocrisia em público.

É certo que a lambança promovida pelo PT foi ampla, típica de quem chega pela primeira vez ao poder, bem diferente da tolerância discreta do PSDB. Mas é certo, também, que a maior parte desses operadores de Estado começou a atuar muito antes. E foram moedas de troca para assegurar a governabilidade. A grande habilidade política de FHC consistiu em entregar ministérios aos aliados, e fechar os olhos aos operadores. O grande erro de Collor e Lula foi tentar monopolizar os operadores e dar o troco aos aliados -- como, aliás, muito bem colocou o ex-deputado Roberto Jefferson.

Sem reforma política, qualquer governante estará permanentemente exposto aos humores seletivos da mídia. Ou ao exercício permanente da hipocrisia. Aliás, a hipocrisia é elemento essencial de governabilidade.


Escrito por Luis Nassif às 19h17

Eduardo Falú e Ariel Ramirez

Outro gigante do violão sul-americano, o grande argentino Eduardo Falú, tocando “De primas e bordões” (clique aqui).

Veja que preciosidade: um trecho pequeno da “Missa Criolla”, de Ariel Ramirez, uma das obras mais sublimes já compostas na América Latina. Dá para ver Ramires bem de passagem, tocando seu piano. Clique aqui.

Aqui um trecho mais longo, de uma audição de “Misa Criolla” em Toronto, Canadá, este ano (clique aqui).


Categoria: Minhas Músicas
Escrito por Luis Nassif às 16h14

A técnica dos Tabajara

Olha que maravilha Nato Lima explicando sua técnica de violão (clique aqui) e o duo tocando o “Vôo da Mosca” a uma velocidade inacreditável com palheta. Além de trechos de grandes talks-shows em que participaram nos Estados Unidos, como o de Johnny Carson e Eddy Sulivan. .


Categoria: Minhas Músicas
Escrito por Luis Nassif às 15h50

Avaliações da crise

Com toda a dificuldade de se tentar análises em cima do fogo alastrando, vamos a algumas considerações sobre o momento.

Na oposição e no governo há dois grupos claramente se digladiando entre si: os carbonários e os conciliadores. No PT, em ambiente de conciliação crescem as alas mineira e gaúcha; em caso de guerra, volta o predomínio da ala paulista. No PSDB, Aécio Neves aposta na conciliação, Fernando Henrique Cardoso na guerra e José Serra espera para se posicionar.

Tais posições não são estratificadas. Se os ventos da guerra predominarem, conciliadores se tornarão carbonários para não serem expulsos do jogo; e vice-versa.

O clima de hoje é francamente de guerra, inclusive tendo em vista a proximidade das eleições e a expectativa de um segundo turno. Não se pode transpor essa exacerbação para o clima pós-eleitoral, mas também não se pode ignorar seus efeitos sobre ele.

E há outros fatores no jogo. O caso do dossiê comprado sai do âmbito da política e entra no Judiciário. Pela proximidade de muitos dos envolvidos com Lula, não haverá como não respingar no presidente. O Judiciário também é afetado pela política e pelo chamado clamor das ruas. Mas qualquer análise sobre o futuro do governo terá que prever os próximos movimentos do Judiciário. E aí entram as seguintes circunstâncias

1.    Pesam contra Lula, não apenas o dossiê em si, como o clima de arapongagem que tomou conta do jogo, incluindo os grampos no Tribunal Superior Eleitoral. Não há nada que ligue um episódio a outro, inclusive o próprio governo foi alvo de meia dúzia de dossiês, como no caso das contas secretas e dos dólares de Cuba. Mas quando os esquemas se aproximam demais do presidente, acende-se a luz nos demais poderes, seja o presidente o comandante ou, o que é mais provável, o chefe sem controle.

2.    A defesa da legalidade e a popularidade de Lula junto aos eleitores de baixa renda bloquearam as tentativas de impeachment até agora. Mas se a Justiça constatar qualquer sinal de envolvimento de Lula com o episódio compra de dossiê, a legalidade muda de lado.

3.    Embora haja mais que sinais, atos concretos de Lula no sentido de inverter a lógica do primeiro governo, há uma pesada herança de episódios nebulosos antes e depois da eleição. Quando pairam essas desconfianças no ar, a opinião pública midiática costuma dar uma chance aos governantes. A reincidência complica drasticamente a recomposição da imagem. Lula teria que ser muito mais rígido com os seus do que qualquer outro presidente na história recente do país. Mas o episódio revelou, no mínimo, que não dispõe de controle nem sobre seus quadros.

4.    Some-se o fato de que há uma guerra declarada da mídia impressa ao governo, que tende a dar muito mais visibilidade a todos os atos negativos ao governo. Aí se trata de uma lógica à parte, em que entra em xeque a própria capacidade da mídia de continuar influenciando a opinião pública.

5.    As armas de Lula para se sustentar serão a popularidade de um presidente recém-re-eleito e sua capacidade de apresentar propostas relevantes para o país no início de governo. Mas, com a guerra aberta, prejudica-se enormemente a condição de aprovar medidas relevantes. Por exemplo, a reforma política seria fundamental para conferir governabilidade a este e a qualquer futuro governo. Mas a leitura que provavelmente será feita pela oposição é que, aprová-la no início do segundo mandato, significará fortalecer Lula e conferir-lhe salvo conduto.

6.    Lula dispõe de trunfos, mas terá que empreender uma dura corrida contra o tempo. O primeiro trunfo é o apoio dado pelas camadas mais humildes, somado ao novo papel da Internet, como coordenador de expectativas difusas não só dos anti-Lula, como dos pró-Lula. O segundo será a capacidade do PT de reconstruir rapidamente uma nova hegemonia. O terceiro, a capacidade do governo começar o ano com um boa agenda positiva. O quarto é o próprio final de campanha, que contribuirá para arrefecer um pouco os ânimos.

Mas lembre-se que, depois das eleições, o juiz não mais será o eleitor mas o Judiciário.


Escrito por Luis Nassif às 12h36

Os incríveis Indios Tabajara

Em 1962 o duo Índios Tabajaras vendeu 1,5 milhão de cópias de sua gravação do clássico mexicano Maria Elena. Ficou 14 semanas no topo da lista dos discos mais vendidos do país, outras 17 semanas na Inglaterra. O LP seguinte também ficou entre os dez mais vendidos dos Estados Unidos. Ao todo gravaram 48 discos LP, muitos dos quais disponíveis no site do Amazon. O menos talentoso já morreu. Sobrou Nato Lima, o gênio.

Ambos são brasileiros, cearenses, nascidos em 1918 na Serra da Ibiapaba, no município de Tianguá, ao que consta membros de uma tribo Tabajara. Eles teriam nascido Muçaperê e Herundy, nomes que significam respectivamente “terceiro” e “quarto” de uma fileira de 34 filhos do cacique Ubajara. Teriam saído com a família em 1933, levados para a Serra do Cariri pelo tenente Hildebrando Moreira Lima, segundo o site www.nelsons.com.br, que tem a história mais detalhada da dupla.

Dali até 1936 foram três anos de caminhada até chegar ao Rio de Janeiro. A longa caminhada teria sido feita com 16 índios, os pais mais quatorze filhos. No transcorrer dela, teriam conhecido violeiros e cantadores. Atravessaram Pernambuco, Alagoas e à Bahia. No meio do caminho, em uma feira do nordeste compraram uma velha viola e passaram a dedilhar sozinhos o instrumento. Mais tarde, trocaram a viola por uma cuia de feijão. Em Salvador teriam conseguido a proteção do governador, que lhes forneceu passagens para o Rio de Janeiro, onde chegam no início de 1937, quase quatro anos depois.

No Rio, foram registrados como Antenor e Natalício Moreira Lima, sobrenomes do tenente protetor. Em 1945 se apresentaram pela primeira vez como Índios Tabajara na Rádio Cruzeiro do Sul e foram imediatamente contratados.

Aí começou a vida artística. Primeiro correram o Brasil. Em 1957 começaram carreira internacional pela América Latina, Argentina, Venezuela e México. Passaram a aprimorar a técnica, a estudar teoria com professores diferentes. Natalicio se especializou no solo e Antenor trabalhou a harmonia. Incluíram em seu repertório peças para violão de Bach, Falla, Albeniz e Villa Lobos.

Finalmente seguiram para os Estados Unidos, com a imagem de índios sendo bem explorada pela RCA. Apresentavam-se de smoking para interpretar músicas eruditas e de índios para tocar música popular.

Em 1960 retornaram ao Brasil, aqui ficaram por mais três anos para depois seguiram novamente para os Estados Unidos, onde estouraram pouco depois com Maria Elena.

Deve existir muita lenda nessa história. O fato é que, ao longo dos anos, os Índios Tabajara foram sendo esquecidos no universo musical brasileiro, especialmente na confraria do violão, e mais lembrados pelo seu lado folclórico. Contribuiu, em muito, o estilo estandartizado da dupla, tipo “violão-feito-para dançar”, em vigor na época, e também o repertório, fortemente calcado na música mexicana.

Folclore e estandartização à parte, uma pesquisa nesses sites de Internet oferece um quadro surpreendente da dupla. Em todas as faixas, mesmo nas mais óbvias, há uma técnica refinada, um estilo de tocar vigoroso, próprio da escola de João Pernambuco e Dilermando Reis. Aliás, não há termo de comparação entre Nato Lima e Dilermando: o talento de Nato é desproporcionalmente superior.

Em algumas faixas especiais, percebe-se o fenômeno que foram, intérpretes de um patamar superior, ombreando-se com os maiores violonistas brasileiros de todos os tempos.

Suas interpretações de "Valsa Criola", do venezuelano Antonio Lauro, e "Valsa em Dó Sustenido Menor", de Chopin, mereciam ser ouvidas por todos os jovens violonistas cultivadores da rapidez suja. Moonlight Serenade fica à altura das melhores interpretações do grande Oscar Aleman, que se especializou nela.

Deixaram seguidores de peso. O guitarrista Carlos Santana os menciona como sua lembrança musical mais antiga. O violonista Chet Atkins, falecido em 2001, era fã da dupla e gravou um álbum com eles e o pianista Floyd Cramer em Nashville.

Conversei com Nato há uns dois anos. Merecem ser devidamente entronizados no universo dos maiores violonistas brasileiros de todos os tempos.


 
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Categoria: Minhas Músicas
Escrito por Luis Nassif às 10h30

O Índice de Transferência Tecnológica


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 09h25

Os indicadores de tecnologia

Do leitor Camilo Telles

Prezado Nassif,

Olhe este post no blog do Paul Kedrosky. Ele comenta sobre um estudo de uma instituto americano que criou alguns índices para transferência de tecnologia e comercialização de propriedades intelectuais. O estudo inclui uma análise da america latina que começa na pag. 291. O Brasil ganha uma página no estudo.
No post do blog tem o link para o estudo, o ínicio dele basicamente é a descrição da metodologia. O estudo aborda a indústria de biotecnologia.

Você sempre comenta da necessidade de termos índices para acompanhar os resultados dos investimentos realizados, inclusive o Paul Kedrosky vai na mesma direção:

"Nevertheless, the key table is the following one. Maybe use it to decide how to direct your donations. Click on it for a larger version:

A entrada você encontra aqui

Acho que é uma contribuição interessante.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 09h21

22/09/2006

Nomes singulares - 4

Do Ricardo Oliveira

Caro Nassif

Minha esposa é professora. Ao levar um de meus filhos para acompanha-lá em uma festa da escola onde trabalha, apresentou a ele um de seus alunos, DE PRIMEIRO nome FILOGÔNIO. Ao chegar em casa, meu filho então com 4 anos, me disse que a escola da Mãe era super legal, pois tinha meninos, meninas e FILOGÔNIO......coitado, meu filho até catalogou em uma lista a parte o pobre garoto!!!!!!......quer o pior......era FILOGONIO júnior ou filho....daí já é um pouco de vingança do PAI.

Do Henry Henkels 

Aqui em Santa Catarina existe uma firma do ramo moveleiro cujos proprietários são da família Fuck, nome relativamente comum entre alemães. Lá nos idos 1950 tiveram a brilhanete idéia de batizar um neném com o nome Niceto. Mais tarde, já empresário bem sucedido, a empresa começou a exportar para os EUA. Houve algumas gozações quando nosso herói declinava seu nome “Niceto Fuck” aos potenciais clientes. Hoje parece que já se acostumaram.

Do José Caciraghi 

Tive em São Paulo, um colega de trabalho com o nome de Osmar Siano Filho.

Do César Valente

Em Florianópolis um líder estudantil falecido muito jovem, há alguns anos, que teve grande participação na “novembrada”, aquele episF3dio em que o Figueiredo chamou a estudantada pra briga, se chamava Adolfo Dias. Claro que nas solenidades públicas e nos jornais todos se se referem a ele como Adolfo Luís Dias.

Do Walter Macedo

Meu caro Luís Nassif,

Confesso que por ignorância não o conhecia, e que encontrar esse seu blog foi prá mim um grande achado... Mas em se tratando de nomes diferentes, lembro-me certa feita de uma viagem que que fiz ao sul do Piauí, e lá pude constatar a existência de uma família de 11 filhos, todos com nomes bastantes originais, alguns deles ainda lembro mesmo depois de passados 20 anos, e veja as pérolas: Índio Tupinambá Guerreiro, Índia Bartira Meridã, Jurema Flor do Nordeste, Camaçari Madeira de Fazer Carro (de boi, viu Nassif...) – esse último ainda hoje tenho dificuldade de acreditar ser verdadeiro. Havia também naquela cidade quase uma constelação inteira de presidentes, desde Lincon a George Uóshton, que o escrivão da cidade não tinha obrigação de saber como é que se escreve nome presidente americano. Lembro também de ter ido à cidade de Curimatá assistir a uma peleja valendo pelo importantíssimo Campeonato Regional do Piauí. O jogo aconteceu em um campo de dimensões.

Do Roberto Amaral

Trabalhei na Nossa Caixa em 1984; na época, chamava-se "Caixa Econômica do Estado de São Paulo". Mas não era o nome do banco que era esquisito. Certa vez, uma senhorinha foi à agência e abriu uma conta; seu nome era "Céu dos Anjos ..." (não lembro o sobrenome). Esperava-se um bom tempo até chegar o talão de cheques (vários dias). Quando ela foi retirá-lo, seu nome havia sido grafado como "Céu da Boca ...". Não sei se foi sacanagem ou desatenção do Depto. de Proc. Dados, pois nada era online como hoje, mas que deu o maior rebu, isso deu mesmo.

Da Luciana

Nassif,

desafio alguém a apresentar um melhor que "Buchetti Pirota", sobrenome de um excelentíssimo juiz de direito de uma das varas cíveis de S.Paulo, é melhor até que Fábio Fresca, outro ilustre pretório.

 


Escrito por Luis Nassif às 17h22

Nomes singulares - 3

Na Rua Maria Antonia, tem um prédio de nome Clemente Pinto, acho que algum vulto do século 19, que deve ter deixado enorme prole.

Do Beto

Tive um colega de escola em BH chamado OMAR MOTTA.

Do Dílson Gonzaga

E o tesoureiro predestinado chamado "Jacinto Lamas"....é o maior...

Nota do Blogueiro: esse é campeão.

Do Ivan Massaroca, ops, Massocato

Fiz uma pequena viagem e perdi este post dos nomes. Massocato já me rendeu muita irritação. Meu antigo amigo Ronaldo só se referia a mim como "mau socado", assim com "u" mesmo. Onde será que anda o Ronaldo?... "Massocado" é o mais freqüente. A redenção é quando alguma garota resolve dar bola (sim, eu sou desse tempo...) e me chama de "massogato".

Compensa.

Do José Emanuel Cunha LIma

Tenho duas filhas, À mais velha, demos o nome Elizabeth, em homenagem a Mãe de Minha esposa. À mais nova, Isabel, nome da Avó de Minha Esposa. Muito tempo depois descobri que Elizabeth é Isabel em Inglês e que Isabel é Elizabeth em Espanhol... Até hoje não sei se os ascendentes de minha esposa sabiam disso...

Do João Cleber, que me apresentou o sobrenome Costa Curta

Quando trabalhei no departamento de emissão da Varig recebi o passaporte de um gajo português chamado Manoel Boceta Portas.

Do Rômulo Luis Telles

Nassif,

no trabalho conheci um colega que o sobrenome era paletô. Perguntei a ele se era francês, ele me respondeu: Meu pai era o único sa cidade que usava paletó, e era conhecido como Zé do paletó, assim quando fui registrado herdei o seu sobrenome.

Do Fernando Marques

Nassif,

Em UNAI-MG, tem um colegio chamado 'Pinto Brochado'... Soube recentemente que alguns laboratorios farmaceuticos estao querendo 'patrocinar' o dito colegio...atitude louvavel eu acho...em todos os sentidos eh claro...rsrsr

Do Flávio H. de Carvalho

Caro Nassif,

essa coisa de nome "esquisito" ou "provocante" é mesmo sensacional. Outro dia estava na fila do elevador de um desses edifícios de consultórios médicos, e lendo o painel de nomes me deparei com o Dr. Ricardo Pinto Bravo - Proctologista. Não é piada não, é sério!! Sem entrar no mérito da competência do referido doutor, será que dentre tantas especialidades ele não poderia ter escolhida outra? Proctologista, com esse nome? Deve ser dura a vida dele....

Do Gilson Lima

Em Governador Valadares, existe um senhor que se chama General Franco. Isto mesmo, o primeiro nome é General e o segundo Franco.

Do Marcelo

Na antiga carteira rural do Banco do Brasil, agência de Guaçuí(ES) tinha um cliente chamado Adolpho Dias.

 


Escrito por Luis Nassif às 14h12

O destempero de Ciro

A idéia fixa de Ciro Gomes é sua perdição. Ele tem predicados, uma impetuosidade que, quando for acompanhada de bom senso, permitirá prestar bons serviços ao país. Só que não consegue se conter.

Nas edições online de hoje, esculhamba com os petistas paulistas que foram comprar o dossiê, mas diz que “já se sabia que tudo começou na gestão de José Serra”. Quando Ciro era candidato, seu vice, Paulinho da Força Sindical, foi torpedeado por um dossiê. Imediatamente, Ciro acusou Serra, o que foi reverberado pela mídia em geral. Tempos depois, se descobre que havia sido montado pelo mesmo grupo do PT que queria comprar o dossiê Vedoin.


Escrito por Luis Nassif às 13h56

A economia

É simplismo achar que o jogo político no Brasil se decide entre partidos políticos. O jogo é muito mais profundo, e se divide entre os que advogam a subordinação total ao fluxo externo de capitais e a rapa.

Tanto é claro isso que parte da reeleição de Lula está sendo garantida por defensores da velha ordem, como Tasso Jereissatti, Artur Virgilio e parte da mídia que incensava Antonio Palocci e que achava que a subordinação ao mercado é uma maneira de conseguir a disciplina que os políticos não são capazes de assegurar.

Durante toda a campanha contra Lula, esses setores sempre fizeram questão de ressaltar o “excelente” desempenho de Palocci no governo. Depois que começa a campanha eleitoral, quem poderia criticar a política econômica de Lula?

Parte da opinião pública que se escuda nos jornais não tem a menor idéia do que é economia em crescimento. Apenas os mais velhos, que passaram pela década de 70, têm idéia do que é isso, das oportunidades das empresas cresceram, dos empregos brotarem, de universitários saindo colocados das universidades. O eleitor só conhece estagnação. E passou quatro anos lendo que a estagnação do Palocci era virtuosa. E leu o grande estadista Pedro Malan proclamando em artigo no “Estadão” que “vencemos” (nós quem, mesmo?). E leu FHC dizendo que o melhor do governo Lula foi ter preservado a sua política econômica.

Como é que o candidato Geraldo Alckmin poderia se apresentar como alternativa a uma política econômica defendida pelos cardeais do seu partido? O drama brasileiro é que esse financismo barato, auto-referenciado, virou ideologia, tão emburrecedora quanto a que sustentou por mais tempo do que devia o protecionismo interno.


Escrito por Luis Nassif às 11h58

O risco da inércia

O risco do segundo governo Lula não está em qualquer pendor totalitário. Está em sucumbir à inércia, como o segundo governo FHC. Politicamente fraco, presidentes tendem a adotar políticas econômicas cada vez mais cautelosas e conservadoras. A possibilidade de um Banco Central menos otodoxo é muito menor em ambiente de crise política.

De certo modo, a crise ajuda no mesmo movimento de 2002, que levou à captura do governo pelo tal do mercado.


Escrito por Luis Nassif às 11h49

Primeiro ou segundo turno?

Algumas reflexões sobre o momento.

Entre Lula eleito no primeiro turno e Lula eleito no segundo, prefiro no primeiro. Há quem diga que eleição em primeiro turno deixaria Lula com uma sensação de impunidade que o levaria a cometer loucuras no segundo mandato.

Não penso assim. Entre as características de Lula não está o de se meter em aventuras, como Chaves ou Morales. Poderá ser levado a isso se colocado contra a parede, numa tentativa de impeachment.

Pelo contrário, Lula tem, de forma acendrada, a tendência à conciliação e às concessões. Quando diz que lamenta que os muito ricos da economia real não gostam dele, apesar de terem ganhado tanto dinheiro quanto o mercado, mostra claramente seu estilo: o de conceder a todos os que tenham capacidade de pressão.

Seu modelo de governabilidade consiste em montar uma base eleitoral com os não incluídos, e uma base de governabilidade com quem têm poder de pressão.

Hoje em dia, há um forte movimento no governo, para começar o segundo mandato anunciando um conjunto de reformas e de pactos de governabilidade, de maneira a reverter o desgaste de tantos escândalos continuados.

Um segundo turno faria rolar sangue, queimaria definitivamente as pontes, e faria Lula entrar extremamente fragilizado em um segundo governo. Pode levar à sua queda, mas pode levar a uma guerra interna. Ou seja, um Lula fraco e ameaçado é mais perigoso do que um Lula ameaçado mas com condições de governabilidade.


Escrito por Luis Nassif às 11h47

Os nomes singulares - 2

Do Leão Machado Neto 

Fui colega no Dante do Ravioli, dono do Empório Ravioli. Há muitos anos apresentaram ao Ravioli uma pessoa, cujo nome era Capelletti. Ao ouvir o nome Capelletti, Ravioli partiu para cima do coitado imaginando que fosse brincadeira. Não era. O meu nome mesmo, sempre foi motivo de piadas. Na época do cursinho era um inferno. Não podia atrasar nas aulas. Se o fizesse, quando botava a cara na porta todos rugiam.

Do Donato Leal

Nassif,

Essas historias envolvendo nomes são realmente interessantes. Ocorreu inclusive comigo em razão do primeiro nome -Domingos - muita gozação quando garoto: "quem morre no sábado, enterra no domingo".

Era de lascar. Valeu, grande abraço.

Do Eduardo Buscariolli 

Virando a esquina de uma rua onde morei havia o Bar e Mercearia do Fracasso, um botequinho de esquina tocado pela família Fracasso. Apesar da proximidade, nunca frequentei a tal mercearia, pelo temor do que pudesse encontrar nas prateleiras.

Do Edison Bittencourt

Eu conheci um mineiro que chamava-se Jesse James.

Do Ricardo Berbara

Busquem em Ipanema, Rio, o Dr Boamorte..existe. Um médico.

Do Gesil Amarante 

O meu nome (e do meu pai, eu sou o Segundo) vem de Getúlio+Brasil (Costumava usar este nick na internet na época "áurea" dos chats da UOL). Tem um tio meu que teve mais azar que eu. Seu nome é Gelivar. Meu avô gostava mesmo do Vargas...

Do Fábio de Jesus Orenhas 

Conheci uma pessoa que se chamava R.Fracassi. Imagine as piadas. No colégio existia um aluno que se chamava Oiluarb (isso mesmo, Braúlio, ao contrário, no tempo que esse nome não significava nada). Uma boa idéia de nomes curiosos é tentar traduzir os nomes alemães (Schumacher, por exemplo, sapateiro) e por aí vai.


Escrito por Luis Nassif às 11h22

21/09/2006

Os gaúchos e o PT

Coluna Econômica - 22/9/2006

De fora, o que se observa no PT são os seguintes movimentos:

O núcleo gaúcho do PT pouco a pouco vai assumindo a dianteira na construção de uma nova hegemonia partidária. Ainda não têm liderança nacional suficiente para preencher o enorme vácuo deixado pelo esfacelamento do antigo centro dirigente paulista. Mas dentro do governo seu poder cresceu ainda mais nas últimas horas.

Em um eventual segundo mandato, pode estender essa influência às instâncias regionais do partido superando resistências, remanejando estruturas e corrigindo acefalias. De certa forma é uma ironia da História que essa travessia termine nas mãos daquele núcleo mais claramente posicionado à esquerda do pragmatismo paulista.

Ao contrário do que imaginavam os chamados “realistas” do PT, apenas o pragmatismo foi insuficiente para assegurar a convivência entre a estrutura partidária e o exercício do poder em escala federal.

Usina da mais rigorosa --e ainda incompleta-- crítica petista às experiências fracassadas do socialismo no mundo, o núcleo gaúcho acumula, além do nível teórico diferenciado, um histórico de prática administrativa inovadora.

Em que pese derrotas eleitorais de 2002 e 2004, e as inevitáveis disputas internas, talvez seja aquele que conseguiu se manter mais íntegro, do ponto de vista estrutural e ideológico nessa transição complexa do partido de militância para o partido no poder.

Além do ex-ministro e candidato outra vez ao governo, Olívio Dutra –uma das legendas do PT--, tem entre seus quadros mais notórios o atual coordenador político de Lula, Tarso Genro. Socialista, Tarso é também um homem de reflexão, debruçado sobre o grande desafio dos socialistas que é administrar o capitalismo e conviver com o mercado, sem abdicar de princípios nem de valores humanistas. E também Raul Pont, ex-prefeito de Porto Alegre. Os gaúchos conseguiram mergulhar no poder durante muitos anos, sem saírem enlameados.

Ao lado desse pendor de natureza mais reflexiva, mas que não ignora a realpolitik, o PT gaúcho trouxe para o Planalto talvez a principal revelação administrativa da esquerda brasileira no exercício do poder depois da redemocratização: Dilma Roussef. Hoje ela é considerada por Lula e todo o núcleo central do Planalto como uma espécie dínamo de eficiência na coordenação administrativa e no planejamento de governo.

Do encontro entre o núcleo gaúcho e o pragmatismo de coloração mineira do PT liderado pelo prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, pode nascer alguma ramo verde na chamuscada paisagem da política brasileira.

Mas são apenas ensaios de uma reorganização partidária. Essa tentativa de reconstrução se dará em um segundo governo Lula (caso as pesquisas se confirmem) conturbado, trabalhando em baixo de tiroteio cerrado durante todo o tempo, tanto da parte dos adversários quanto dos aliados.

Afora as dificuldades internas do partido, dificilmente haverá aliados, fora do PMDB, disposto a aceitar o lenço branco.

Vai ser um primeiro semestre emocionante.


Leitores chamam a atenção para o fato de que, se na prefeitura de Porto Alegre o PT conseguiu avanços, no governo do estado cometeu inúmeros desastres de cunho puramente ideológico, como impedir o acordo com a Ford (que se foi para a Bahia). Aí me lembrei também que impediu os programas de qualidade, não conseguiu acertar a pesada herança de endividamento deixada por Antonio Britto, tratou saneamento com preconceito ideológico. Nada como a interação do Blog para ampliar o escopo da análise.


 

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Escrito por Luis Nassif às 23h51

Os nomes singulares

No jantar aqui em Comandatuba, onde voltei para outra palestra, um companheiro de mesa me conta que conheceu um Nacional Ferres do Futuro Provisório. E também a dona Losângela, que assim se chamou em homenagem a Los Angeles.

Logo que fui para São Paulo, no começo dos anos 70, me divertia lendo a Lista Telefônica e anotando nomes estranhos. Uma vez, nem tinha começado a trabalhar ainda, resolvi escrever para o “Pasquim”. Paulo Francis tinha feito uma das notas dele esculhambando a música popular. Com meu amigo João Cleber, o Cidadão, fomos até a Biblioteca Mário de Andrade e, dois fedelhos, copiamos um monte de nome de compositores alemães dos anos 20 que foram influenciados pela música popular e mandamos uma carta para o Francis, com o pomposo codinome de João Costa-Curta. O pseudônimo foi tirado de um cliente do Banco Irmãos Guimarães, onde o Cidadão trabalhava. Paulo Francis ficou até um pouco inibido na sua resposta, ante tanta demonstração de erudição. Nem conseguimos a tréplica porque o pessoal do Pasquim foi preso antes.

Agora, enquanto me preparo para dormir, vou fuçando na Lista Eletrônica da Telefônica. Tem muita gente da família Fiasco, de quem me lembrei por conta de um presidente da Associação Comercial de Minas, nos anos 70, que tinha o comprometedor (para o cargo) sobrenome de Fiasco.

Entre os insetos, só consegui descobrir uma grande família Carrapato, com o seu Jonas e a dona Amália. No campo dos animais, não encontrei nenhum Eqüino, mas achei um senhor Ikino.

Procurei Sujeira, e encontrei Sujira. Procurei uma família Ruim, encontrei dona Cleonice. Mas também achei a dona Elica, que é Boa; e a Lívia que é Médio.

Procurei algum representante da família Nádegas, que solicitou mudança no cartório para Bundas (piada infame dos anos 70). Só encontrei uma senhora Nadgas, mas como primeiro nome. Ou seja, por opção mesmo.

Depois me arrependi dos palavrões e localizei a dona Carlas Casta. E, entre os castos, também a dona Antonia. Cócegas, não encontrei, mas achei o Cussiga.

No terreno dos rituais, encontrei membros da família Tridente, a Maria Teresa, o Christian e a Gisele. Aí resolvi procurar a inspiradora família Costa Curta. A lista não é longa. Na verdade, é bem menor que a família Costa Longa.

Tem muito Azar na lista, mas tem a Ovanete, que é Boa Sorte.

E quem quiser colaborar com a lista, que conte outra.


Escrito por Luis Nassif às 23h50

A crise e o câmbio

Lá vem a história de crise política para explicar o dólar. Um ano e meio de tiroteio sem fim não mexeu com dólar. Porque mexeria agora, a uma semana das eleições em que Lula é favorito?

A razão óbvia da volatilidade do dólar foram os movimentos no mercado de commodities que provocaram a segunda maior quebra de fundo “hedge” da história. O resto é história. Só faltava depois de quatro anos prestando continência ao mercado, que a eleição de Lula pudesse inspirar alguma preocupação.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 20h21

CPIs, catarse e técnica

Alguns leitores criticam, aqui, o fato do ex-governador Geraldo Alckmin ter impedido CPIs em sua gestão. Outros criticam o ex-presidente FHC pelo mesmo motivo. Acho a CPI uma instituição que se presta a golpismo político, chantagens e que, raramente, produz algo de prático. Republico, aqui, pedaço de coluna minha de 2001 (portanto em pleno governo FHC) criticando o instituto da CPI, em polêmica com um colega de jornal:

Comecei a questionar as CPIs na CPI do Impeachment, apesar de ter sido o jornalista que mais atacou Collor antes da CPI (de acordo com livro de Cláudio Humberto). Fui também o principal crítico da grande pizzaria em que se transformou a CPI dos Precatórios e a dos bancos. E isso porque acho que CPI só serve para fazer barulho e atrapalhar a produção de provas.

Grosso modo, a defesa que o artigo faz da CPI centra-se em dois pontos. Um, nas vantagens legais sobre outras formas de investigação (como inquérito policial e investigações do Ministério Público). Outro, na sua presumível eficácia sobre as demais formas.

No plano legal ela teria mais facilidades em conseguir quebrar sigilos bancários e telefônicos do que o MP e a PF. É falso. Quando o pedido é bem fundamentado nem MP nem PF têm encontrado dificuldades em obter autorização judicial para a quebra do sigilo. Ou se esquece que as denúncias sobre a Sudam foram levantadas em cima de mais de 300 horas de “grampo” autorizado pelo Judiciário? (...)

Outra “virtude” da CPI –segundo o artigo—seria o “o confronto de tendências opostas entre os numerosos investigadores”. Ora, mas essa característica é justamente o que impede a eficácia das CPIs. Confronto de “tendências opostas” é bom para questões políticas, e até para julgamentos finais, jamais para investigações, operação que exige critério, método, estratégia e sigilo. Nas CPIs têm-se levantamentos feitos de forma amadorística, sem preocupação de colher provas e submetidos ao critério subjetivo das “tendências opostas”. E esses critérios são exclusivamente o da manipulação de ênfases, sem nenhuma preocupação técnica.

Outra pretensa “virtude” das CPIs seria seu caráter público. Ótimo! Na CPI do Narcotráfico o público mais atento ao caráter público e democrático das sessões foram os narcotraficantes. Era só ligar a TV Senado ou TV Câmara, conferir o nome da testemunha de acusação, e elimina-la em seguida.

Outra grande “virtude” das CPIs seria o fato de abrir oportunidade “ao acaso, ao inesperado, a fatos e comportamentos catárticos”. Na CPI dos Precatórios, a “catártica” senadora Maria Emília saía distribuindo documentos sigilosos à mídia, garantindo seu espaço nas manchetes e permitindo aos acusados montar suas estratégias para desqualificar as provas. É possível acreditar que se chegaria aos falsários da Sudam através desses métodos “catárticos”?

Aliás, apresentar o caso Collor como prova da eficácia da CPI (que o cassou) e da ineficácia das demais formas de investigação (que não o alcançaram) é atropelar os fatos. Pela Constituição, o resultado de uma CPI tem que ser remetido ao MP. A perna penal não avançou porque quando o processo chegou na PF, não havia uma prova substantiva recolhida, apesar das inúmeras evidências sobre os métodos de atuação de PC. Além disso, o espírito “catártico” da CPI permitiu que muitos dos tais “anões” do Orçamento –outra  CPI apresentada como modelo de sucesso, apesar de não ter levado à punição penal de nenhum dos acusados-- se transformassem em heróis da mídia.


Escrito por Luis Nassif às 18h26

O programa de Lula

No domingo passado, o Projeto Brasil, que coordeno, em parceria com a Associação Paulista dos Jornais (APJ) analisou o programa do Geraldo Alckmin, através de uma entrevista com ele. Neste domingo analisará o de Lula, mas com base na leitura do seu programa e na contextualização dos diversos temas. Como não houve a entrevista não foi possível questionar o candidato sobre o ponto central: sem mudar a política monetária e sem programas claro de gestão, onde irá buscar os recursos para financiar seu programa?


Escrito por Luis Nassif às 16h20

A TAM e a Matarazzo

Há algumas semanas alertei para os problemas que a TAM passaria a enfrentar, por ter perdido o foco no cliente e a visão estratégica. No auge do seu poderio e do seu faturamento, como conseqüência da quebra de Vasp, Varig e Transbrasil, a companhia está plantando as sementes da futura decadência, se não tratar urgentemente de montar um planejamento estratégico e retomar o foco no cliente como eixo central.

O alerta agora é de Emerson de Almeida, presidente da prestigio Fundação Dom Cabral (eleita pelo Financial Times uma das 25 escolas de negócio mais relevantes do mundo). Em entrevista a Ricardo Grinbaum do “Estadão” (clique aqui), ele vaticina que a TAM poderá ter o mesmo destino da Matarazzo e da Cofap.

Está em tempo de reverter a sina que assola empresas familiares brasileiras e preservar o grande legado do inesquecível Comandante Rollim.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 15h39

O futuro de Alckmin

Outro dia viajei com o candidato Geraldo Alckmin para Juiz de Fora, para entrevistá-lo no avião. Mantenho minha avaliação geral sobre sua inexperiência como gestor. Positivamente, não é do ramo.

Mas, fora da entrevista, na conversa que mantivemos, passou uma serenidade e uma dignidade que chamam a atenção nessa mar de baixarias em que se transformou a política. Independentemente dos resultados das eleições, certamente terá muito a contribuir para o novo PSDB.


Escrito por Luis Nassif às 14h39

20/09/2006

Sem partidos

Coluna Econômica

O episódio do dossiê Vedoin mostra, claramente, um PT em pedaços. As demissões dos presidentes da campanha de Lula à presidência, de Aloizio Mercadante ao governo São Paulo, é clara evidência do racha.

Essa quebra se deu com o fracasso das lideranças paulistas que comandaram o partido na última década. Sindicalistas e representantes da corrente Articulação –liderada por José Dirceu—conseguiram juntar todas as tendências do PT debaixo de um modelo centralizador, que funcionou na eleição de Lula, e na garantia da governabilidade, ao enquadrar seus radicais.

No poder, esse estilo não funcionou. Mantiveram métodos de atuação que funcionavam no ambiente restrito de cidades administradas pelo partido, jamais no horizonte amplo de um país.

Um a um, foram caindo seus principais líderes, Dirceu, Antonio Palocci, José Genoíno, Delúbio Soares, Luiz Gushiken. No seu lugar, começou a se levantar uma nova ordem no governo, com os Ministros Tarso Genro e Dilma Rousseff, Patrus Ananias e Luiz Dulci. Esse grupo passou a articular lideranças estaduais que não haviam se envolvido na lambança do “mensalão”, o prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, o governador do Acre Jorge Viana, o prefeito de Aracaju Marcelo Dedá, entre outros.

Mas, nesse ínterim, a nação PT se esboroou com uma estrela partida ao meio. Mesmo antes dos escândalos, os dirigentes petistas tinham pouco controle sobre seus livre-atiradores. Não cuidaram sequer de fazer um mapeamento adequado dos que foram jogados na máquina federal após as eleições. Depois da implosão do partido, antes que ocorresse a reconstrução –que está longe de ser alcançada—esses grupos se viram soltos no mundo, como livre-atiradores iraquianos após a queda de Sadam Husseim, sozinhos ou obedecendo às ordens da velha liderança.

Essas, forjadas na guerra contra qualquer inimigo, perceberam que estarão fora do jogo se vingar a estratégia do governo de buscar um armistício após as eleições. É o que explica essa sucessão de cabeçadas e essa maluquice de tentar melar o jogo, com o “dossiê Vedoin”, a quinze dias de uma vitória que parecia fácil.

Do lado do PSDB o quadro não é melhor. Há um conjunto de tucanos, liderados por Fernando Henrique Cardoso, que só conseguirá sobreviver em ambiente de guerra. Uma outra ala, liderada por Aécio Neves –e que certamente contará com o apoio de Geraldo Alckmin após as eleições—aposta em uma disputa política civilizada. O terceiro grande nome do partido, José Serra, ainda está quieto, sem definir publicamente qual será sua posição. Neste momento, está propenso à guerra. Baixada a temperatura das eleições, poderá repensar sua estratégia.

Tem-se, portanto, em crise os dois principais partidos políticos brasileiros formados na redemocratização. O PT perdeu-se nessa estratégia guerrilheira aloucada; o PSDB, nessa ceia de cardeais definindo, sem consulta alguma, os candidatos do partido.

Vinte e um anos após o início efetivo da democracia civil, o país não conseguiu consolidar um sistema partidário digno do nome. Daí a relevância da reforma política, assim que começar o próximo governo, seja quem for o vencedor.

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