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23/09/2006

A familia Office

Com todas as críticas que se faça à Microsoft, a nova família Office, pelo menos o que eu experimentei – Word e o Excel, porque o Outlook do programa Beta que instalei explodiu com minha caixa postal – é porreta. Um baita programa, com inúmeras facilidades, muitas delas incorporadas do Open Office. Na revista em que estava o Beta, a “PC Magazine”, um dos colunistas diz que o problema da Microsoft é que seus produtos são tão bons que dificilmente podem ser aperfeiçoados. Duplo exagero. O OpenOffice tinha chegado a um estágio similar ao Word, e com funcionalidades adicionais muito boas.

Mas a nova família Office é campeã, apesar do desastre que aprontou no meu Outlook.


Escrito por Luis Nassif às 21h40

J'accuse

Na operação Anaconda, o hábito de aceitar indiscriminadamente as acusações fez com que parte da imprensa crucificasse o juiz Ali Mazloum. Publiquei uma coluna contra o massacre no dia 28 de dezembro de 2004. Bastava conferir as acusações que saíam na mídia para perceber que não tinham consistência. Havia um trabalho exemplar das procuradoras em muitas frentes, mas uma acusação inconsistente contra Ali. Mas o que importava era o show.

Na semana passada o Supremo Tribunal Federal resolveu por unanimidade retirá-lo do processo. Unanimidade! No entanto, quando começou o efeito-manada, nada segurava.

Abaixo, a coluna que escrevi

J’accuse

O capitão do exército Alfred Dreyfus foi acusado de ter acobertado ações de inimigos do estado em 13 de outubro de 1894. O juiz Ali Mazloum foi acusado de integrar uma quadrilha de manipulação de inquéritos policiais em 13 de outubro de 2004. A primeira defesa do capitão foi o artigo “J’Accuse”, de Emile Zola, publicado no jornal “L’Aurore”. A primeira defesa do juiz foi do desembargador aposentado Américo Lacombe, em 13 de outubro, na “Folha”, jornal do grupo “Folha da Manhã”. Zola tinha 57 anos na época; Lacombe, 67 anos, mas a idade saiu, por engano, como 57. A principal testemunha de defesa de Dreyfus foi o Grande Rabino da França Zadoc Kahn. A principal testemunha de Ali é a procuradora federal Karen Kahn. E há enorme possibilidade de que, assim como Dreyfus, Ali seja inocente.

O juiz foi apanhado pelo vendaval da Operação Anaconda, um marco na história das investigações do país, devido a um grampo, no qual teria feito ameaças a três policiais rodoviários para que lhe entregassem a íntegra de uma escuta realizada em Brasília em sobre o empresário Ari Natalino, um dos mentores da chamada “máfia dos combustíveis”. O caso estava sob sua jurisdição. Ali havia solicitado escutas em cinco estados, decretou a prisão de Natalino em fevereiro e o condenou em agosto a quatro anos de prisão.

Pressões vieram de todo lado, inclusive do deputado federal Luiz Antonio Medeiros –que foi ao STJ pedir o afastamento de Ali. Depois, descobriu-se que uma das empresas de Natalino figurara como financiadora da campanha de Medeiros.

No dia 4 de setembro o Ministério Público enviou uma fita sobre Natalino, fruto de grampo autorizado por um juiz de Brasília. A interceptação dos telefones incriminava o delegado Alexandre Creniti –cuja prisão temporária havia sido determinada por Ali. Só que a escuta tinha durado dez meses, e Ali  só recebeu trechos selecionados de uma semana. Solicitou todo o material para análise, assim como a procuradora federal regional Karen Kahn, que oficiou o procurador federal Guilherme Schelb e o juiz de Brasília. Nada conseguiram.

Como os policiais rodoviários persistissem em não enviar a íntegra da escuta, Ali telefonou a um deles exigindo o material. Essa ligação, interceptada, foi tratada como abuso de autoridade pelo inquérito Anaconda e tentativa de acobertamento de suspeitos.

Depois que Ali foi afastado, o juiz que o sucedeu constatou a existência dos grampos ilegais e oficiou o juiz de Brasília. O procurador Cristiano Valois de Souza, que sucedeu Karen, conseguiu mais elementos. Quando as investigações caminhavam, o inquérito foi trancado no TRF de São Paulo por uma liminar impetrada por dois procuradores federais regionais, Mário Luiz Bonsaglia e Marcelo Moscogliato.

Está na hora de abrir as cortinas e mostrar o que está acontecendo. Pode ser apenas excesso de zelo, de não se querer macular a Operação Anaconda com um erro clamoroso. Pode ser algo mais grave. E existe uma provável inocente sendo massacrado, sem direito a defesa.


Escrito por Luis Nassif às 20h36

Mídia, governo e hipocrisia

Para os que consideram que a luta da mídia contra Lula é ideológica, remeto à coluna que escrevi em 29 de julho de 2000, sobre a campanha contra Fernando Henrique Cardoso (clique aqui).

É um conjunto de manchetes e matérias sobre o caso Eduardo Jorge. O movimento de manada é o mesmo. A intenção quase explícita é a de derrubar o presidente.

Fica claro que há uma disfunção institucional na mídia, uma gana de derrubar presidentes, herança de Watergate e da campanha do impeachment de Collor.

No dia em que se escrever a verdadeira história da cobertura do impeachment, se verá uma sucessão infindável de manipulações grosseiras, roubos de matérias de repórteres por chefes, uso indiscriminado de dossiês, mentiras das mais inverossímeis. Tudo isso, independentemente das inúmeras falhas e culpas de Collor –as maiores jogadas, aliás, não foram levantadas.

Só que a campanha consagrou jornalistas e elevou a grande imprensa à condição de maior poder nacional. Em meados dos anos 90, jornais e revistas de opinião conquistaram os maiores índices de tiragem da história.

De lá para cá, a curva se inverteu por inúmeras razões. Algumas são estruturais, ligadas à entrada das novas mídias, não apenas a Internet, como o avanço da TV a cabo e do rádio – que ganhou status de formador de opinião. Mas outras razões foram decorrência da perda de foco do jornalismo de opinião, que de tanto buscar o espetáculo abriu mão de algumas qualidades intrínsecas do produto: credibilidade, rigor na apuração. Show por show, a TV, a Internet  e os jornais populares levaram.

De lá para cá, a imprensa escrita não se inovou. Sem inovações e criatividade, os únicos momentos de destaque são nas grandes catarses nacionais, em casos como o da Suzane, Wilma, Lalau. Mais ainda, quando os escândalos permitem atingir o poder e tentar recuperar a glória perdida dos tempos do impeachment de Collor.

No segundo governo, Fernando Henrique não caiu devido apenas à sua habilidade política. A reconciliação da grande imprensa com ele se deu após sua saída, mas porque ele era ex, e o alvo era o próximo.

Com esse modelo político em vigor, qualquer presidente estará exposto aos humores da imprensa ao primeiro sinal de vulnerabilidade. Pela relevante razão que o país é ingovernável se o governante não “sujar as mãos”, como colocou o ator Paulo Betti, cometendo esse crime inominável de expor a hipocrisia em público.

É certo que a lambança promovida pelo PT foi ampla, típica de quem chega pela primeira vez ao poder, bem diferente da tolerância discreta do PSDB. Mas é certo, também, que a maior parte desses operadores de Estado começou a atuar muito antes. E foram moedas de troca para assegurar a governabilidade. A grande habilidade política de FHC consistiu em entregar ministérios aos aliados, e fechar os olhos aos operadores. O grande erro de Collor e Lula foi tentar monopolizar os operadores e dar o troco aos aliados -- como, aliás, muito bem colocou o ex-deputado Roberto Jefferson.

Sem reforma política, qualquer governante estará permanentemente exposto aos humores seletivos da mídia. Ou ao exercício permanente da hipocrisia. Aliás, a hipocrisia é elemento essencial de governabilidade.


Escrito por Luis Nassif às 19h17

Eduardo Falú e Ariel Ramirez

Outro gigante do violão sul-americano, o grande argentino Eduardo Falú, tocando “De primas e bordões” (clique aqui).

Veja que preciosidade: um trecho pequeno da “Missa Criolla”, de Ariel Ramirez, uma das obras mais sublimes já compostas na América Latina. Dá para ver Ramires bem de passagem, tocando seu piano. Clique aqui.

Aqui um trecho mais longo, de uma audição de “Misa Criolla” em Toronto, Canadá, este ano (clique aqui).


Categoria: Minhas Músicas
Escrito por Luis Nassif às 16h14

A técnica dos Tabajara

Olha que maravilha Nato Lima explicando sua técnica de violão (clique aqui) e o duo tocando o “Vôo da Mosca” a uma velocidade inacreditável com palheta. Além de trechos de grandes talks-shows em que participaram nos Estados Unidos, como o de Johnny Carson e Eddy Sulivan. .


Categoria: Minhas Músicas
Escrito por Luis Nassif às 15h50

Avaliações da crise

Com toda a dificuldade de se tentar análises em cima do fogo alastrando, vamos a algumas considerações sobre o momento.

Na oposição e no governo há dois grupos claramente se digladiando entre si: os carbonários e os conciliadores. No PT, em ambiente de conciliação crescem as alas mineira e gaúcha; em caso de guerra, volta o predomínio da ala paulista. No PSDB, Aécio Neves aposta na conciliação, Fernando Henrique Cardoso na guerra e José Serra espera para se posicionar.

Tais posições não são estratificadas. Se os ventos da guerra predominarem, conciliadores se tornarão carbonários para não serem expulsos do jogo; e vice-versa.

O clima de hoje é francamente de guerra, inclusive tendo em vista a proximidade das eleições e a expectativa de um segundo turno. Não se pode transpor essa exacerbação para o clima pós-eleitoral, mas também não se pode ignorar seus efeitos sobre ele.

E há outros fatores no jogo. O caso do dossiê comprado sai do âmbito da política e entra no Judiciário. Pela proximidade de muitos dos envolvidos com Lula, não haverá como não respingar no presidente. O Judiciário também é afetado pela política e pelo chamado clamor das ruas. Mas qualquer análise sobre o futuro do governo terá que prever os próximos movimentos do Judiciário. E aí entram as seguintes circunstâncias

1.    Pesam contra Lula, não apenas o dossiê em si, como o clima de arapongagem que tomou conta do jogo, incluindo os grampos no Tribunal Superior Eleitoral. Não há nada que ligue um episódio a outro, inclusive o próprio governo foi alvo de meia dúzia de dossiês, como no caso das contas secretas e dos dólares de Cuba. Mas quando os esquemas se aproximam demais do presidente, acende-se a luz nos demais poderes, seja o presidente o comandante ou, o que é mais provável, o chefe sem controle.

2.    A defesa da legalidade e a popularidade de Lula junto aos eleitores de baixa renda bloquearam as tentativas de impeachment até agora. Mas se a Justiça constatar qualquer sinal de envolvimento de Lula com o episódio compra de dossiê, a legalidade muda de lado.

3.    Embora haja mais que sinais, atos concretos de Lula no sentido de inverter a lógica do primeiro governo, há uma pesada herança de episódios nebulosos antes e depois da eleição. Quando pairam essas desconfianças no ar, a opinião pública midiática costuma dar uma chance aos governantes. A reincidência complica drasticamente a recomposição da imagem. Lula teria que ser muito mais rígido com os seus do que qualquer outro presidente na história recente do país. Mas o episódio revelou, no mínimo, que não dispõe de controle nem sobre seus quadros.

4.    Some-se o fato de que há uma guerra declarada da mídia impressa ao governo, que tende a dar muito mais visibilidade a todos os atos negativos ao governo. Aí se trata de uma lógica à parte, em que entra em xeque a própria capacidade da mídia de continuar influenciando a opinião pública.

5.    As armas de Lula para se sustentar serão a popularidade de um presidente recém-re-eleito e sua capacidade de apresentar propostas relevantes para o país no início de governo. Mas, com a guerra aberta, prejudica-se enormemente a condição de aprovar medidas relevantes. Por exemplo, a reforma política seria fundamental para conferir governabilidade a este e a qualquer futuro governo. Mas a leitura que provavelmente será feita pela oposição é que, aprová-la no início do segundo mandato, significará fortalecer Lula e conferir-lhe salvo conduto.

6.    Lula dispõe de trunfos, mas terá que empreender uma dura corrida contra o tempo. O primeiro trunfo é o apoio dado pelas camadas mais humildes, somado ao novo papel da Internet, como coordenador de expectativas difusas não só dos anti-Lula, como dos pró-Lula. O segundo será a capacidade do PT de reconstruir rapidamente uma nova hegemonia. O terceiro, a capacidade do governo começar o ano com um boa agenda positiva. O quarto é o próprio final de campanha, que contribuirá para arrefecer um pouco os ânimos.

Mas lembre-se que, depois das eleições, o juiz não mais será o eleitor mas o Judiciário.


Escrito por Luis Nassif às 12h36

Os incríveis Indios Tabajara

Em 1962 o duo Índios Tabajaras vendeu 1,5 milhão de cópias de sua gravação do clássico mexicano Maria Elena. Ficou 14 semanas no topo da lista dos discos mais vendidos do país, outras 17 semanas na Inglaterra. O LP seguinte também ficou entre os dez mais vendidos dos Estados Unidos. Ao todo gravaram 48 discos LP, muitos dos quais disponíveis no site do Amazon. O menos talentoso já morreu. Sobrou Nato Lima, o gênio.

Ambos são brasileiros, cearenses, nascidos em 1918 na Serra da Ibiapaba, no município de Tianguá, ao que consta membros de uma tribo Tabajara. Eles teriam nascido Muçaperê e Herundy, nomes que significam respectivamente “terceiro” e “quarto” de uma fileira de 34 filhos do cacique Ubajara. Teriam saído com a família em 1933, levados para a Serra do Cariri pelo tenente Hildebrando Moreira Lima, segundo o site www.nelsons.com.br, que tem a história mais detalhada da dupla.

Dali até 1936 foram três anos de caminhada até chegar ao Rio de Janeiro. A longa caminhada teria sido feita com 16 índios, os pais mais quatorze filhos. No transcorrer dela, teriam conhecido violeiros e cantadores. Atravessaram Pernambuco, Alagoas e à Bahia. No meio do caminho, em uma feira do nordeste compraram uma velha viola e passaram a dedilhar sozinhos o instrumento. Mais tarde, trocaram a viola por uma cuia de feijão. Em Salvador teriam conseguido a proteção do governador, que lhes forneceu passagens para o Rio de Janeiro, onde chegam no início de 1937, quase quatro anos depois.

No Rio, foram registrados como Antenor e Natalício Moreira Lima, sobrenomes do tenente protetor. Em 1945 se apresentaram pela primeira vez como Índios Tabajara na Rádio Cruzeiro do Sul e foram imediatamente contratados.

Aí começou a vida artística. Primeiro correram o Brasil. Em 1957 começaram carreira internacional pela América Latina, Argentina, Venezuela e México. Passaram a aprimorar a técnica, a estudar teoria com professores diferentes. Natalicio se especializou no solo e Antenor trabalhou a harmonia. Incluíram em seu repertório peças para violão de Bach, Falla, Albeniz e Villa Lobos.

Finalmente seguiram para os Estados Unidos, com a imagem de índios sendo bem explorada pela RCA. Apresentavam-se de smoking para interpretar músicas eruditas e de índios para tocar música popular.

Em 1960 retornaram ao Brasil, aqui ficaram por mais três anos para depois seguiram novamente para os Estados Unidos, onde estouraram pouco depois com Maria Elena.

Deve existir muita lenda nessa história. O fato é que, ao longo dos anos, os Índios Tabajara foram sendo esquecidos no universo musical brasileiro, especialmente na confraria do violão, e mais lembrados pelo seu lado folclórico. Contribuiu, em muito, o estilo estandartizado da dupla, tipo “violão-feito-para dançar”, em vigor na época, e também o repertório, fortemente calcado na música mexicana.

Folclore e estandartização à parte, uma pesquisa nesses sites de Internet oferece um quadro surpreendente da dupla. Em todas as faixas, mesmo nas mais óbvias, há uma técnica refinada, um estilo de tocar vigoroso, próprio da escola de João Pernambuco e Dilermando Reis. Aliás, não há termo de comparação entre Nato Lima e Dilermando: o talento de Nato é desproporcionalmente superior.

Em algumas faixas especiais, percebe-se o fenômeno que foram, intérpretes de um patamar superior, ombreando-se com os maiores violonistas brasileiros de todos os tempos.

Suas interpretações de "Valsa Criola", do venezuelano Antonio Lauro, e "Valsa em Dó Sustenido Menor", de Chopin, mereciam ser ouvidas por todos os jovens violonistas cultivadores da rapidez suja. Moonlight Serenade fica à altura das melhores interpretações do grande Oscar Aleman, que se especializou nela.

Deixaram seguidores de peso. O guitarrista Carlos Santana os menciona como sua lembrança musical mais antiga. O violonista Chet Atkins, falecido em 2001, era fã da dupla e gravou um álbum com eles e o pianista Floyd Cramer em Nashville.

Conversei com Nato há uns dois anos. Merecem ser devidamente entronizados no universo dos maiores violonistas brasileiros de todos os tempos.


 
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Categoria: Minhas Músicas
Escrito por Luis Nassif às 10h30

O Índice de Transferência Tecnológica


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 09h25

Os indicadores de tecnologia

Do leitor Camilo Telles

Prezado Nassif,

Olhe este post no blog do Paul Kedrosky. Ele comenta sobre um estudo de uma instituto americano que criou alguns índices para transferência de tecnologia e comercialização de propriedades intelectuais. O estudo inclui uma análise da america latina que começa na pag. 291. O Brasil ganha uma página no estudo.
No post do blog tem o link para o estudo, o ínicio dele basicamente é a descrição da metodologia. O estudo aborda a indústria de biotecnologia.

Você sempre comenta da necessidade de termos índices para acompanhar os resultados dos investimentos realizados, inclusive o Paul Kedrosky vai na mesma direção:

"Nevertheless, the key table is the following one. Maybe use it to decide how to direct your donations. Click on it for a larger version:

A entrada você encontra aqui

Acho que é uma contribuição interessante.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 09h21

22/09/2006

Nomes singulares - 4

Do Ricardo Oliveira

Caro Nassif

Minha esposa é professora. Ao levar um de meus filhos para acompanha-lá em uma festa da escola onde trabalha, apresentou a ele um de seus alunos, DE PRIMEIRO nome FILOGÔNIO. Ao chegar em casa, meu filho então com 4 anos, me disse que a escola da Mãe era super legal, pois tinha meninos, meninas e FILOGÔNIO......coitado, meu filho até catalogou em uma lista a parte o pobre garoto!!!!!!......quer o pior......era FILOGONIO júnior ou filho....daí já é um pouco de vingança do PAI.

Do Henry Henkels 

Aqui em Santa Catarina existe uma firma do ramo moveleiro cujos proprietários são da família Fuck, nome relativamente comum entre alemães. Lá nos idos 1950 tiveram a brilhanete idéia de batizar um neném com o nome Niceto. Mais tarde, já empresário bem sucedido, a empresa começou a exportar para os EUA. Houve algumas gozações quando nosso herói declinava seu nome “Niceto Fuck” aos potenciais clientes. Hoje parece que já se acostumaram.

Do José Caciraghi 

Tive em São Paulo, um colega de trabalho com o nome de Osmar Siano Filho.

Do César Valente

Em Florianópolis um líder estudantil falecido muito jovem, há alguns anos, que teve grande participação na “novembrada”, aquele episF3dio em que o Figueiredo chamou a estudantada pra briga, se chamava Adolfo Dias. Claro que nas solenidades públicas e nos jornais todos se se referem a ele como Adolfo Luís Dias.

Do Walter Macedo

Meu caro Luís Nassif,

Confesso que por ignorância não o conhecia, e que encontrar esse seu blog foi prá mim um grande achado... Mas em se tratando de nomes diferentes, lembro-me certa feita de uma viagem que que fiz ao sul do Piauí, e lá pude constatar a existência de uma família de 11 filhos, todos com nomes bastantes originais, alguns deles ainda lembro mesmo depois de passados 20 anos, e veja as pérolas: Índio Tupinambá Guerreiro, Índia Bartira Meridã, Jurema Flor do Nordeste, Camaçari Madeira de Fazer Carro (de boi, viu Nassif...) – esse último ainda hoje tenho dificuldade de acreditar ser verdadeiro. Havia também naquela cidade quase uma constelação inteira de presidentes, desde Lincon a George Uóshton, que o escrivão da cidade não tinha obrigação de saber como é que se escreve nome presidente americano. Lembro também de ter ido à cidade de Curimatá assistir a uma peleja valendo pelo importantíssimo Campeonato Regional do Piauí. O jogo aconteceu em um campo de dimensões.

Do Roberto Amaral

Trabalhei na Nossa Caixa em 1984; na época, chamava-se "Caixa Econômica do Estado de São Paulo". Mas não era o nome do banco que era esquisito. Certa vez, uma senhorinha foi à agência e abriu uma conta; seu nome era "Céu dos Anjos ..." (não lembro o sobrenome). Esperava-se um bom tempo até chegar o talão de cheques (vários dias). Quando ela foi retirá-lo, seu nome havia sido grafado como "Céu da Boca ...". Não sei se foi sacanagem ou desatenção do Depto. de Proc. Dados, pois nada era online como hoje, mas que deu o maior rebu, isso deu mesmo.

Da Luciana

Nassif,

desafio alguém a apresentar um melhor que "Buchetti Pirota", sobrenome de um excelentíssimo juiz de direito de uma das varas cíveis de S.Paulo, é melhor até que Fábio Fresca, outro ilustre pretório.

 


Escrito por Luis Nassif às 17h22

Nomes singulares - 3

Na Rua Maria Antonia, tem um prédio de nome Clemente Pinto, acho que algum vulto do século 19, que deve ter deixado enorme prole.

Do Beto

Tive um colega de escola em BH chamado OMAR MOTTA.

Do Dílson Gonzaga

E o tesoureiro predestinado chamado "Jacinto Lamas"....é o maior...

Nota do Blogueiro: esse é campeão.

Do Ivan Massaroca, ops, Massocato

Fiz uma pequena viagem e perdi este post dos nomes. Massocato já me rendeu muita irritação. Meu antigo amigo Ronaldo só se referia a mim como "mau socado", assim com "u" mesmo. Onde será que anda o Ronaldo?... "Massocado" é o mais freqüente. A redenção é quando alguma garota resolve dar bola (sim, eu sou desse tempo...) e me chama de "massogato".

Compensa.

Do José Emanuel Cunha LIma

Tenho duas filhas, À mais velha, demos o nome Elizabeth, em homenagem a Mãe de Minha esposa. À mais nova, Isabel, nome da Avó de Minha Esposa. Muito tempo depois descobri que Elizabeth é Isabel em Inglês e que Isabel é Elizabeth em Espanhol... Até hoje não sei se os ascendentes de minha esposa sabiam disso...

Do João Cleber, que me apresentou o sobrenome Costa Curta

Quando trabalhei no departamento de emissão da Varig recebi o passaporte de um gajo português chamado Manoel Boceta Portas.

Do Rômulo Luis Telles

Nassif,

no trabalho conheci um colega que o sobrenome era paletô. Perguntei a ele se era francês, ele me respondeu: Meu pai era o único sa cidade que usava paletó, e era conhecido como Zé do paletó, assim quando fui registrado herdei o seu sobrenome.

Do Fernando Marques

Nassif,

Em UNAI-MG, tem um colegio chamado 'Pinto Brochado'... Soube recentemente que alguns laboratorios farmaceuticos estao querendo 'patrocinar' o dito colegio...atitude louvavel eu acho...em todos os sentidos eh claro...rsrsr

Do Flávio H. de Carvalho

Caro Nassif,

essa coisa de nome "esquisito" ou "provocante" é mesmo sensacional. Outro dia estava na fila do elevador de um desses edifícios de consultórios médicos, e lendo o painel de nomes me deparei com o Dr. Ricardo Pinto Bravo - Proctologista. Não é piada não, é sério!! Sem entrar no mérito da competência do referido doutor, será que dentre tantas especialidades ele não poderia ter escolhida outra? Proctologista, com esse nome? Deve ser dura a vida dele....

Do Gilson Lima

Em Governador Valadares, existe um senhor que se chama General Franco. Isto mesmo, o primeiro nome é General e o segundo Franco.

Do Marcelo

Na antiga carteira rural do Banco do Brasil, agência de Guaçuí(ES) tinha um cliente chamado Adolpho Dias.

 


Escrito por Luis Nassif às 14h12

O destempero de Ciro

A idéia fixa de Ciro Gomes é sua perdição. Ele tem predicados, uma impetuosidade que, quando for acompanhada de bom senso, permitirá prestar bons serviços ao país. Só que não consegue se conter.

Nas edições online de hoje, esculhamba com os petistas paulistas que foram comprar o dossiê, mas diz que “já se sabia que tudo começou na gestão de José Serra”. Quando Ciro era candidato, seu vice, Paulinho da Força Sindical, foi torpedeado por um dossiê. Imediatamente, Ciro acusou Serra, o que foi reverberado pela mídia em geral. Tempos depois, se descobre que havia sido montado pelo mesmo grupo do PT que queria comprar o dossiê Vedoin.


Escrito por Luis Nassif às 13h56

A economia

É simplismo achar que o jogo político no Brasil se decide entre partidos políticos. O jogo é muito mais profundo, e se divide entre os que advogam a subordinação total ao fluxo externo de capitais e a rapa.

Tanto é claro isso que parte da reeleição de Lula está sendo garantida por defensores da velha ordem, como Tasso Jereissatti, Artur Virgilio e parte da mídia que incensava Antonio Palocci e que achava que a subordinação ao mercado é uma maneira de conseguir a disciplina que os políticos não são capazes de assegurar.

Durante toda a campanha contra Lula, esses setores sempre fizeram questão de ressaltar o “excelente” desempenho de Palocci no governo. Depois que começa a campanha eleitoral, quem poderia criticar a política econômica de Lula?

Parte da opinião pública que se escuda nos jornais não tem a menor idéia do que é economia em crescimento. Apenas os mais velhos, que passaram pela década de 70, têm idéia do que é isso, das oportunidades das empresas cresceram, dos empregos brotarem, de universitários saindo colocados das universidades. O eleitor só conhece estagnação. E passou quatro anos lendo que a estagnação do Palocci era virtuosa. E leu o grande estadista Pedro Malan proclamando em artigo no “Estadão” que “vencemos” (nós quem, mesmo?). E leu FHC dizendo que o melhor do governo Lula foi ter preservado a sua política econômica.

Como é que o candidato Geraldo Alckmin poderia se apresentar como alternativa a uma política econômica defendida pelos cardeais do seu partido? O drama brasileiro é que esse financismo barato, auto-referenciado, virou ideologia, tão emburrecedora quanto a que sustentou por mais tempo do que devia o protecionismo interno.


Escrito por Luis Nassif às 11h58

O risco da inércia

O risco do segundo governo Lula não está em qualquer pendor totalitário. Está em sucumbir à inércia, como o segundo governo FHC. Politicamente fraco, presidentes tendem a adotar políticas econômicas cada vez mais cautelosas e conservadoras. A possibilidade de um Banco Central menos otodoxo é muito menor em ambiente de crise política.

De certo modo, a crise ajuda no mesmo movimento de 2002, que levou à captura do governo pelo tal do mercado.


Escrito por Luis Nassif às 11h49

Primeiro ou segundo turno?

Algumas reflexões sobre o momento.

Entre Lula eleito no primeiro turno e Lula eleito no segundo, prefiro no primeiro. Há quem diga que eleição em primeiro turno deixaria Lula com uma sensação de impunidade que o levaria a cometer loucuras no segundo mandato.

Não penso assim. Entre as características de Lula não está o de se meter em aventuras, como Chaves ou Morales. Poderá ser levado a isso se colocado contra a parede, numa tentativa de impeachment.

Pelo contrário, Lula tem, de forma acendrada, a tendência à conciliação e às concessões. Quando diz que lamenta que os muito ricos da economia real não gostam dele, apesar de terem ganhado tanto dinheiro quanto o mercado, mostra claramente seu estilo: o de conceder a todos os que tenham capacidade de pressão.

Seu modelo de governabilidade consiste em montar uma base eleitoral com os não incluídos, e uma base de governabilidade com quem têm poder de pressão.

Hoje em dia, há um forte movimento no governo, para começar o segundo mandato anunciando um conjunto de reformas e de pactos de governabilidade, de maneira a reverter o desgaste de tantos escândalos continuados.

Um segundo turno faria rolar sangue, queimaria definitivamente as pontes, e faria Lula entrar extremamente fragilizado em um segundo governo. Pode levar à sua queda, mas pode levar a uma guerra interna. Ou seja, um Lula fraco e ameaçado é mais perigoso do que um Lula ameaçado mas com condições de governabilidade.


Escrito por Luis Nassif às 11h47

Os nomes singulares - 2

Do Leão Machado Neto 

Fui colega no Dante do Ravioli, dono do Empório Ravioli. Há muitos anos apresentaram ao Ravioli uma pessoa, cujo nome era Capelletti. Ao ouvir o nome Capelletti, Ravioli partiu para cima do coitado imaginando que fosse brincadeira. Não era. O meu nome mesmo, sempre foi motivo de piadas. Na época do cursinho era um inferno. Não podia atrasar nas aulas. Se o fizesse, quando botava a cara na porta todos rugiam.

Do Donato Leal

Nassif,

Essas historias envolvendo nomes são realmente interessantes. Ocorreu inclusive comigo em razão do primeiro nome -Domingos - muita gozação quando garoto: "quem morre no sábado, enterra no domingo".

Era de lascar. Valeu, grande abraço.

Do Eduardo Buscariolli 

Virando a esquina de uma rua onde morei havia o Bar e Mercearia do Fracasso, um botequinho de esquina tocado pela família Fracasso. Apesar da proximidade, nunca frequentei a tal mercearia, pelo temor do que pudesse encontrar nas prateleiras.

Do Edison Bittencourt

Eu conheci um mineiro que chamava-se Jesse James.

Do Ricardo Berbara

Busquem em Ipanema, Rio, o Dr Boamorte..existe. Um médico.

Do Gesil Amarante 

O meu nome (e do meu pai, eu sou o Segundo) vem de Getúlio+Brasil (Costumava usar este nick na internet na época "áurea" dos chats da UOL). Tem um tio meu que teve mais azar que eu. Seu nome é Gelivar. Meu avô gostava mesmo do Vargas...

Do Fábio de Jesus Orenhas 

Conheci uma pessoa que se chamava R.Fracassi. Imagine as piadas. No colégio existia um aluno que se chamava Oiluarb (isso mesmo, Braúlio, ao contrário, no tempo que esse nome não significava nada). Uma boa idéia de nomes curiosos é tentar traduzir os nomes alemães (Schumacher, por exemplo, sapateiro) e por aí vai.


Escrito por Luis Nassif às 11h22

21/09/2006

Os gaúchos e o PT

Coluna Econômica - 22/9/2006

De fora, o que se observa no PT são os seguintes movimentos:

O núcleo gaúcho do PT pouco a pouco vai assumindo a dianteira na construção de uma nova hegemonia partidária. Ainda não têm liderança nacional suficiente para preencher o enorme vácuo deixado pelo esfacelamento do antigo centro dirigente paulista. Mas dentro do governo seu poder cresceu ainda mais nas últimas horas.

Em um eventual segundo mandato, pode estender essa influência às instâncias regionais do partido superando resistências, remanejando estruturas e corrigindo acefalias. De certa forma é uma ironia da História que essa travessia termine nas mãos daquele núcleo mais claramente posicionado à esquerda do pragmatismo paulista.

Ao contrário do que imaginavam os chamados “realistas” do PT, apenas o pragmatismo foi insuficiente para assegurar a convivência entre a estrutura partidária e o exercício do poder em escala federal.

Usina da mais rigorosa --e ainda incompleta-- crítica petista às experiências fracassadas do socialismo no mundo, o núcleo gaúcho acumula, além do nível teórico diferenciado, um histórico de prática administrativa inovadora.

Em que pese derrotas eleitorais de 2002 e 2004, e as inevitáveis disputas internas, talvez seja aquele que conseguiu se manter mais íntegro, do ponto de vista estrutural e ideológico nessa transição complexa do partido de militância para o partido no poder.

Além do ex-ministro e candidato outra vez ao governo, Olívio Dutra –uma das legendas do PT--, tem entre seus quadros mais notórios o atual coordenador político de Lula, Tarso Genro. Socialista, Tarso é também um homem de reflexão, debruçado sobre o grande desafio dos socialistas que é administrar o capitalismo e conviver com o mercado, sem abdicar de princípios nem de valores humanistas. E também Raul Pont, ex-prefeito de Porto Alegre. Os gaúchos conseguiram mergulhar no poder durante muitos anos, sem saírem enlameados.

Ao lado desse pendor de natureza mais reflexiva, mas que não ignora a realpolitik, o PT gaúcho trouxe para o Planalto talvez a principal revelação administrativa da esquerda brasileira no exercício do poder depois da redemocratização: Dilma Roussef. Hoje ela é considerada por Lula e todo o núcleo central do Planalto como uma espécie dínamo de eficiência na coordenação administrativa e no planejamento de governo.

Do encontro entre o núcleo gaúcho e o pragmatismo de coloração mineira do PT liderado pelo prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, pode nascer alguma ramo verde na chamuscada paisagem da política brasileira.

Mas são apenas ensaios de uma reorganização partidária. Essa tentativa de reconstrução se dará em um segundo governo Lula (caso as pesquisas se confirmem) conturbado, trabalhando em baixo de tiroteio cerrado durante todo o tempo, tanto da parte dos adversários quanto dos aliados.

Afora as dificuldades internas do partido, dificilmente haverá aliados, fora do PMDB, disposto a aceitar o lenço branco.

Vai ser um primeiro semestre emocionante.


Leitores chamam a atenção para o fato de que, se na prefeitura de Porto Alegre o PT conseguiu avanços, no governo do estado cometeu inúmeros desastres de cunho puramente ideológico, como impedir o acordo com a Ford (que se foi para a Bahia). Aí me lembrei também que impediu os programas de qualidade, não conseguiu acertar a pesada herança de endividamento deixada por Antonio Britto, tratou saneamento com preconceito ideológico. Nada como a interação do Blog para ampliar o escopo da análise.


 

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Escrito por Luis Nassif às 23h51

Os nomes singulares

No jantar aqui em Comandatuba, onde voltei para outra palestra, um companheiro de mesa me conta que conheceu um Nacional Ferres do Futuro Provisório. E também a dona Losângela, que assim se chamou em homenagem a Los Angeles.

Logo que fui para São Paulo, no começo dos anos 70, me divertia lendo a Lista Telefônica e anotando nomes estranhos. Uma vez, nem tinha começado a trabalhar ainda, resolvi escrever para o “Pasquim”. Paulo Francis tinha feito uma das notas dele esculhambando a música popular. Com meu amigo João Cleber, o Cidadão, fomos até a Biblioteca Mário de Andrade e, dois fedelhos, copiamos um monte de nome de compositores alemães dos anos 20 que foram influenciados pela música popular e mandamos uma carta para o Francis, com o pomposo codinome de João Costa-Curta. O pseudônimo foi tirado de um cliente do Banco Irmãos Guimarães, onde o Cidadão trabalhava. Paulo Francis ficou até um pouco inibido na sua resposta, ante tanta demonstração de erudição. Nem conseguimos a tréplica porque o pessoal do Pasquim foi preso antes.

Agora, enquanto me preparo para dormir, vou fuçando na Lista Eletrônica da Telefônica. Tem muita gente da família Fiasco, de quem me lembrei por conta de um presidente da Associação Comercial de Minas, nos anos 70, que tinha o comprometedor (para o cargo) sobrenome de Fiasco.

Entre os insetos, só consegui descobrir uma grande família Carrapato, com o seu Jonas e a dona Amália. No campo dos animais, não encontrei nenhum Eqüino, mas achei um senhor Ikino.

Procurei Sujeira, e encontrei Sujira. Procurei uma família Ruim, encontrei dona Cleonice. Mas também achei a dona Elica, que é Boa; e a Lívia que é Médio.

Procurei algum representante da família Nádegas, que solicitou mudança no cartório para Bundas (piada infame dos anos 70). Só encontrei uma senhora Nadgas, mas como primeiro nome. Ou seja, por opção mesmo.

Depois me arrependi dos palavrões e localizei a dona Carlas Casta. E, entre os castos, também a dona Antonia. Cócegas, não encontrei, mas achei o Cussiga.

No terreno dos rituais, encontrei membros da família Tridente, a Maria Teresa, o Christian e a Gisele. Aí resolvi procurar a inspiradora família Costa Curta. A lista não é longa. Na verdade, é bem menor que a família Costa Longa.

Tem muito Azar na lista, mas tem a Ovanete, que é Boa Sorte.

E quem quiser colaborar com a lista, que conte outra.


Escrito por Luis Nassif às 23h50

A crise e o câmbio

Lá vem a história de crise política para explicar o dólar. Um ano e meio de tiroteio sem fim não mexeu com dólar. Porque mexeria agora, a uma semana das eleições em que Lula é favorito?

A razão óbvia da volatilidade do dólar foram os movimentos no mercado de commodities que provocaram a segunda maior quebra de fundo “hedge” da história. O resto é história. Só faltava depois de quatro anos prestando continência ao mercado, que a eleição de Lula pudesse inspirar alguma preocupação.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 20h21

CPIs, catarse e técnica

Alguns leitores criticam, aqui, o fato do ex-governador Geraldo Alckmin ter impedido CPIs em sua gestão. Outros criticam o ex-presidente FHC pelo mesmo motivo. Acho a CPI uma instituição que se presta a golpismo político, chantagens e que, raramente, produz algo de prático. Republico, aqui, pedaço de coluna minha de 2001 (portanto em pleno governo FHC) criticando o instituto da CPI, em polêmica com um colega de jornal:

Comecei a questionar as CPIs na CPI do Impeachment, apesar de ter sido o jornalista que mais atacou Collor antes da CPI (de acordo com livro de Cláudio Humberto). Fui também o principal crítico da grande pizzaria em que se transformou a CPI dos Precatórios e a dos bancos. E isso porque acho que CPI só serve para fazer barulho e atrapalhar a produção de provas.

Grosso modo, a defesa que o artigo faz da CPI centra-se em dois pontos. Um, nas vantagens legais sobre outras formas de investigação (como inquérito policial e investigações do Ministério Público). Outro, na sua presumível eficácia sobre as demais formas.

No plano legal ela teria mais facilidades em conseguir quebrar sigilos bancários e telefônicos do que o MP e a PF. É falso. Quando o pedido é bem fundamentado nem MP nem PF têm encontrado dificuldades em obter autorização judicial para a quebra do sigilo. Ou se esquece que as denúncias sobre a Sudam foram levantadas em cima de mais de 300 horas de “grampo” autorizado pelo Judiciário? (...)

Outra “virtude” da CPI –segundo o artigo—seria o “o confronto de tendências opostas entre os numerosos investigadores”. Ora, mas essa característica é justamente o que impede a eficácia das CPIs. Confronto de “tendências opostas” é bom para questões políticas, e até para julgamentos finais, jamais para investigações, operação que exige critério, método, estratégia e sigilo. Nas CPIs têm-se levantamentos feitos de forma amadorística, sem preocupação de colher provas e submetidos ao critério subjetivo das “tendências opostas”. E esses critérios são exclusivamente o da manipulação de ênfases, sem nenhuma preocupação técnica.

Outra pretensa “virtude” das CPIs seria seu caráter público. Ótimo! Na CPI do Narcotráfico o público mais atento ao caráter público e democrático das sessões foram os narcotraficantes. Era só ligar a TV Senado ou TV Câmara, conferir o nome da testemunha de acusação, e elimina-la em seguida.

Outra grande “virtude” das CPIs seria o fato de abrir oportunidade “ao acaso, ao inesperado, a fatos e comportamentos catárticos”. Na CPI dos Precatórios, a “catártica” senadora Maria Emília saía distribuindo documentos sigilosos à mídia, garantindo seu espaço nas manchetes e permitindo aos acusados montar suas estratégias para desqualificar as provas. É possível acreditar que se chegaria aos falsários da Sudam através desses métodos “catárticos”?

Aliás, apresentar o caso Collor como prova da eficácia da CPI (que o cassou) e da ineficácia das demais formas de investigação (que não o alcançaram) é atropelar os fatos. Pela Constituição, o resultado de uma CPI tem que ser remetido ao MP. A perna penal não avançou porque quando o processo chegou na PF, não havia uma prova substantiva recolhida, apesar das inúmeras evidências sobre os métodos de atuação de PC. Além disso, o espírito “catártico” da CPI permitiu que muitos dos tais “anões” do Orçamento –outra  CPI apresentada como modelo de sucesso, apesar de não ter levado à punição penal de nenhum dos acusados-- se transformassem em heróis da mídia.


Escrito por Luis Nassif às 18h26

O programa de Lula

No domingo passado, o Projeto Brasil, que coordeno, em parceria com a Associação Paulista dos Jornais (APJ) analisou o programa do Geraldo Alckmin, através de uma entrevista com ele. Neste domingo analisará o de Lula, mas com base na leitura do seu programa e na contextualização dos diversos temas. Como não houve a entrevista não foi possível questionar o candidato sobre o ponto central: sem mudar a política monetária e sem programas claro de gestão, onde irá buscar os recursos para financiar seu programa?


Escrito por Luis Nassif às 16h20

A TAM e a Matarazzo

Há algumas semanas alertei para os problemas que a TAM passaria a enfrentar, por ter perdido o foco no cliente e a visão estratégica. No auge do seu poderio e do seu faturamento, como conseqüência da quebra de Vasp, Varig e Transbrasil, a companhia está plantando as sementes da futura decadência, se não tratar urgentemente de montar um planejamento estratégico e retomar o foco no cliente como eixo central.

O alerta agora é de Emerson de Almeida, presidente da prestigio Fundação Dom Cabral (eleita pelo Financial Times uma das 25 escolas de negócio mais relevantes do mundo). Em entrevista a Ricardo Grinbaum do “Estadão” (clique aqui), ele vaticina que a TAM poderá ter o mesmo destino da Matarazzo e da Cofap.

Está em tempo de reverter a sina que assola empresas familiares brasileiras e preservar o grande legado do inesquecível Comandante Rollim.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 15h39

O futuro de Alckmin

Outro dia viajei com o candidato Geraldo Alckmin para Juiz de Fora, para entrevistá-lo no avião. Mantenho minha avaliação geral sobre sua inexperiência como gestor. Positivamente, não é do ramo.

Mas, fora da entrevista, na conversa que mantivemos, passou uma serenidade e uma dignidade que chamam a atenção nessa mar de baixarias em que se transformou a política. Independentemente dos resultados das eleições, certamente terá muito a contribuir para o novo PSDB.


Escrito por Luis Nassif às 14h39

20/09/2006

Sem partidos

Coluna Econômica

O episódio do dossiê Vedoin mostra, claramente, um PT em pedaços. As demissões dos presidentes da campanha de Lula à presidência, de Aloizio Mercadante ao governo São Paulo, é clara evidência do racha.

Essa quebra se deu com o fracasso das lideranças paulistas que comandaram o partido na última década. Sindicalistas e representantes da corrente Articulação –liderada por José Dirceu—conseguiram juntar todas as tendências do PT debaixo de um modelo centralizador, que funcionou na eleição de Lula, e na garantia da governabilidade, ao enquadrar seus radicais.

No poder, esse estilo não funcionou. Mantiveram métodos de atuação que funcionavam no ambiente restrito de cidades administradas pelo partido, jamais no horizonte amplo de um país.

Um a um, foram caindo seus principais líderes, Dirceu, Antonio Palocci, José Genoíno, Delúbio Soares, Luiz Gushiken. No seu lugar, começou a se levantar uma nova ordem no governo, com os Ministros Tarso Genro e Dilma Rousseff, Patrus Ananias e Luiz Dulci. Esse grupo passou a articular lideranças estaduais que não haviam se envolvido na lambança do “mensalão”, o prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel, o governador do Acre Jorge Viana, o prefeito de Aracaju Marcelo Dedá, entre outros.

Mas, nesse ínterim, a nação PT se esboroou com uma estrela partida ao meio. Mesmo antes dos escândalos, os dirigentes petistas tinham pouco controle sobre seus livre-atiradores. Não cuidaram sequer de fazer um mapeamento adequado dos que foram jogados na máquina federal após as eleições. Depois da implosão do partido, antes que ocorresse a reconstrução –que está longe de ser alcançada—esses grupos se viram soltos no mundo, como livre-atiradores iraquianos após a queda de Sadam Husseim, sozinhos ou obedecendo às ordens da velha liderança.

Essas, forjadas na guerra contra qualquer inimigo, perceberam que estarão fora do jogo se vingar a estratégia do governo de buscar um armistício após as eleições. É o que explica essa sucessão de cabeçadas e essa maluquice de tentar melar o jogo, com o “dossiê Vedoin”, a quinze dias de uma vitória que parecia fácil.

Do lado do PSDB o quadro não é melhor. Há um conjunto de tucanos, liderados por Fernando Henrique Cardoso, que só conseguirá sobreviver em ambiente de guerra. Uma outra ala, liderada por Aécio Neves –e que certamente contará com o apoio de Geraldo Alckmin após as eleições—aposta em uma disputa política civilizada. O terceiro grande nome do partido, José Serra, ainda está quieto, sem definir publicamente qual será sua posição. Neste momento, está propenso à guerra. Baixada a temperatura das eleições, poderá repensar sua estratégia.

Tem-se, portanto, em crise os dois principais partidos políticos brasileiros formados na redemocratização. O PT perdeu-se nessa estratégia guerrilheira aloucada; o PSDB, nessa ceia de cardeais definindo, sem consulta alguma, os candidatos do partido.

Vinte e um anos após o início efetivo da democracia civil, o país não conseguiu consolidar um sistema partidário digno do nome. Daí a relevância da reforma política, assim que começar o próximo governo, seja quem for o vencedor.

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Escrito por Luis Nassif às 23h53

O segredo coreano

Minha filha Bibi aprendeu com uma coleguinha coreana, a Jian, um método infalível de fazer multiplicação por nove. Apesar da Jian pedir sigilo, compartilho com os leitores.

Veja a conta 9 x 8.

Abra as duas mãos. Começa a contar de trás para diante, começando em dez e terminando no 8 (se for 9 x 5, termine no 5), a partir do mindinho da mão direita. 10-9-8, vai parar no dedo médio da mão direita. Abaixe o dedo. À direita do dedo médio ficarão dois dedos (o anular e o mindinho da mão direita). À esquerda, sete dedos (o indicador e o polegar da mão direita e os cinco da mão esquerda). A conta será 72.

Experimente.


Escrito por Luis Nassif às 19h36

A conspiração

Pessoal,

Vamos parar de teoria conspiratória com esse dossiê. Se o dossiê tiver acusações fundamentadas, basta o PT protocolá-lo na Justiça. Se está com o próprio PT, a troco de quê cobrar apuração por parte da mídia? A mídia está escondendo fatos aos quais o próprio PT têm acesso?


Escrito por Luis Nassif às 18h44

A faixa de Gaza paulista

O que está acontecendo hoje em dia, com guerras de dossiês e tudo o mais, é a implosão dos partidos políticos brasileiros.

Do lado do PT, a crise dos líderes paulistas liberou  coadjuvantes dotados de micro-agendas em vários lugares do país. Um observador privilegiado do PT me conta que esses grupos se movem um pouco por interesse de sobrevivência, um pouco por convicção. E passaram a subordinar o principal ao secundário, do mesmo modo que os defensores das micro-reformas na economia. O resultado, em ambos os casos, são iniciativas sem um grão de consistência estratégica.

Daí o paradoxo aparente, me diz ele, de um time a esmurrar o juiz com o jogo ganho de três a zero, a minutos do final. Em um hora em que é necessário pensar grande e enxergar o passo seguinte da história (pacificação, projetos, pactos etc.) essa opacidade ressuscita gritos de guerra da batalha anterior.

Mas é fake, diz ele. É uma ação desprovida de encaixe na nova hegemonia em fraldas dentro do governo. Formada na crise anterior, e tendo passado com sucesso pelo teste de recosturar certa estabilidade, ela será submetida a outra maratona dificílima a 15 dias do pleito.

Por incrível que pareça, continua, está em melhores condições de superá-la do que na crise anterior.  Os cargos têm novos ocupantes com poder, estrutura e foco no conjunto, não na luta pela sobrevivência individual; há uma estratégia esboçada e uma delegação nova (leia-se, apoio de Lula) para ir adiante e pavimentar o terreno --custe o que custar.

Os tucanos menos radicais sabem disso, continua ele. Mas dentro do PSDB a situação interna hoje é muito similar ao estilhaçamento vivido pelo PT no auge do “mensalão”.  Os sinais das urnas estão provocando isso: esfacelamento de núcleos dirigentes, falta de sintonia entre projetos individuais e os do partido;  vácuo na estratégia e rebaixamento de responsabilidades históricas.

Para alguns do PSDB e do PT, pacificação pode significar final de carreira. Daí a intenção de muitos de prolongar o conflito na faixa de Gaza paulista, lutando a guerra do dia anterior. Com o risco, claro, de uma bomba, como esse dossiê, conflagrar o resto do país.


Escrito por Luis Nassif às 18h37

O dossiê dos sanguessugas

Vários leitores entraram no Blog cobrando uma posição minha sobre as acusações do dossiê Vendoin contra José Serra e Barjas Negri.

Não vou dar minha posição pela mesma razão que não dei sobre inúmeros outros escândalos, inclusive as acusações envolvendo o ex-Ministro Humberto Costa, do PT: é impossível qualquer conclusão a partir do que sai publicado na mídia.

O que diz Vendoin, segundo a IstoÉ? Basicamente duas informações. A primeira, que na gestão Serra os pagamentos saiam mais facilmente. Para haver favorecimento, teria que mostrar que apenas os pagamentos às prefeituras envolvidas com a Planan saíam mais facilmente. Se todas as liberações saíam com facilidade, é sinal de eficiência. Se só as da Planan, sinal de favorecimento. Não li em nenhum lugar que a rapidez era exclusividade dos contratos em que a Planan estaria envolvida.

A segunda acusação é acerca de um empresário de Piracicaba que teria se apresentado como intermediário de Barjas, depois que Serra saiu do Ministério. De seu lado, Barjas sustenta que todas as liberações eram anunciadas pela Internet, permitindo acompanhamento e dispensando a atuação de intermediários.

À luz do que saiu publicado, quem pode garantir quem tem razão?

Se o fato de ser um dossiê comprado não é suficiente para desqualificar as acusações, muito menos para avalizá-las.


Escrito por Luis Nassif às 17h46

O dossiê e as batalhas do PT

Para entender o caso da compra de dossiê, é preciso analisar dois tipos de conflito político atuais. Um deles é a disputa entre o PT e o PSDB. O outro, a disputa entre a ala paulista do PT e a ala nacional. O terceiro ponto, é entender o estilo político de Lula.

Comecemos pelo terceiro. Lula e Fernando Henrique Cardoso são irmãos siameses na arte de administrar conflitos e tendências em seus partidos ou no governo.  Não tomam posição. Tentam ficar por cima das paixões, e interpretar os rumos do vento. Só quando clareia o horizonte, ou os ventos se transformam em furacões, é que assumem posições.

Muitas vezes essa incapacidade de decidir foi confundida com fraqueza, tanto em FHC quanto em Lula. Não é fraqueza, é estilo político.

Vamos ao segundo ponto: as disputas entre facções do PT. O partido é um arquipélago que se divide não apenas entre tendências, mas entre regiões que, não raras vezes subdividem-se em várias tendências.

Entre as tendências horizontais (nacionais), há a ala sindicalista, que junta militantes de São Bernardo, Campinas, o pessoal mais próximo a Lula, de Jacó Bittar e Zeca do PT a Luiz Marinho. Há a ala Dirceu, que tornou-se majoritária no Diretório Nacional depois de fincar bases no PT paulista. Na ala paulista, há uma franca divisão entre Aluízio Mercadante (tem projeção nacional, mas não tem quadros) e a militância que se formou em torno de Martha Suplicy, coordenada por Rui Falcão – originalmente do grupo de Dirceu mas que, depois, tentou ganhar luz própria. Agora, na crise, devem se reaproximar de novo. Nessas duas tendências –a sindical e a “dircelista” pontificam quadros paulistas

Mas há diversas tendências regionais, até agora pouco articuladas, e que não se meteram nas trapalhadas do “mensalão” e companhia. São quadros como os mineiros Pimentel, Dulci e Patrus, os gaúchos Tarso, Dilma, o nortista Jorge Vianna, o nordestino Marcelo Dedá.

A ala paulista começou a se perder nos escândalos do ano passado, inclusive devido a um erro estratégico de Lula –o de não querer alianças com grandes partidos—que a levou a empregar métodos bisonhos na caça de aliados. Com os escândalos, Lula começou a jogar a carga ao mar e se escudar nas alas petistas que não se queimaram. É quando começam a brilhar as estrelas de Tarso e Dilma, que começam a aglutinar as tendências regionais. Em um eventual segundo governo, o tom seria dado por eles.

A perda de espaço do grupo paulista se completaria com a derrota de Mercadante para José Serra. Sem espaço no governo, sem cargos em São Paulo, o PT paulista seria afastado definitivamente da condução do PT nacional.

É esse desespero que explica esse movimento da compra do dossiê pelo PT paulista.

Não se reduza a responsabilidade de Lula. Em direito existe a responsabilidade civil e a criminal. Quando ruiu o Shopping Osasco-Plaza, a responsabilidade penal foi do arquiteto; a civil do Shopping que o contratou. Quando caiu o avião da TAM, a responsabilidade penal foi da Fokker, a civil da TAM.

No governo, mesmo que se prove que a responsabilidade penal não foi de Lula, como chefe do governo, vai ter que arcar com a responsabilidade civil, com um profundo desgaste adicional, quando mal se curava das feridas das batalhas anteriores.


Escrito por Luis Nassif às 10h55

Queimando as pontes

A caminhada do PT rumo ao poder teve uma trajetória tortuosa, em que a parte mais visível era uma militância aguerrida, e a parte mais sombria esquemas complicados, montados no âmbito das prefeituras petistas e do sindicalismo.

Nessa atividade, se desenvolveram os operadores do partido, atuando com desenvoltura depois que José Dirceu assumiu a liderança e impôs seu pragmatismo e seu estilo leninista.

O estilo foi eficiente durante certo tempo, permitindo ao PT assumir o poder e assegurando a governabilidade naquele início de mandato, quando o mercado temia que se pudesse cometer loucuras na condução da política econômica.

Depois, virou veneno puro. Especialmente depois que o PT não avaliou corretamente os dois erros capitais que levaram à degola de Collor.

O primeiro, o de tentar centralizar as ações de todos os operadores da máquina pública. O segundo, de não montar nenhuma espécie de monitoramento sobre os seus quadros.

Os operadores vicejam no Estado brasileiro e servem a todos os partidos e governos. São “empreendedores” que descobriram maneiras de tirar dinheiro do Estado, seja através de liberação de recursos do orçamento, seja através dos departamentos de compras de grandes estatais. Atuam preferencialmente na Saúde, Infraero, na área de compras de grandes estatais, como os Correios e o setor elétrico.

Nas alianças políticas, o bolo é dividido de duas formas: na parte de cima, Ministérios e Secretarias; na parte de baixo, os operadores. Esse modelo vigora em praticamente todos os governos, de Sarney a Lula, tendo tido grande avanço no período PC Farias, que montou os grandes esquemas na Saúde. No governo FHC, por exemplo, os eletrocratas eram cargos do PFL. Os esquemas na Saúde vigoram desde PC Farias, pelo menos.

A estratégia desastrosa do PT, e a de Collor, foi a de tentar centralizar todos os esquemas. Depois, montar alianças turbinando os pequenos partidos para que sangrassem os maiores com "mensalões" ou ajuda para campanha.

Além disso, ambos permitiram a ocupação da máquina pública por militantes ou aliados sem impor nenhuma regra de conduta. Qualquer partido mais experiente teria enquadrado, antecipadamente, os militantes e, na primeira oportunidade degolado meia dúzia para servir de exemplo.

Depois que foi derrubado, Collor disse, em algumas entevistas, que um de seus grandes erros foi ter desmontado o SNI e não dispor de serviços de inteligência para monitorar as ações de aliados dentro do governo –àquela altura, a prepotência do poder fazia PC andar com desenvoltura por todos os cantos. O mesmo ocorreu com o governo Lula, que ainda cometeu a suprema imprudência de permitir que Delúbio Soares fosse visto no Palácio, dando entrevistas dizendo que o partido era sócio do poder. Era como tivesse dado ordem para matar a todos os operadores que entraram na máquina pública.

Ali estava o germe de todas as crises futuras. Quando estourou o escândalo Waldomiro, trincou a armadura que protege todo governante em início de mandato. Seguiu-se uma campanha similar ao do impeachment, onde a falta de informações do governo sobre seus próprios quadros foi fatal.

A primeira onda de escândalos deu a Lula a chance de se livrar dos barras-pesadas e recompor a governabilidade. Com a segunda onda de escândalos, todo o trabalho de construir pontes para a governabilidade foi por água abaixo.

 


Escrito por Luis Nassif às 09h05

As associações de classe

Coluna Econômica - 20/9/2006

Um dos grandes problemas institucionais do setor privado brasileiro é a baixa representatividade e eficiência de associações setoriais.

Em uma economia cada vez mais integrada, em que as estratégias precisam ser definidas em nível de cadeia produtiva, as associações setoriais ou inter-setoriais teriam um papel relevante a desempenhar.

Caberia a elas levantar indicadores do setor, fornecer subsídios para ações conjuntas, fazer diagnósticos e propostas, criar ferramentas de bechmark. Mas, como regra geral, são organizações burocratizadas, que acabam sendo utilizadas para promoção pessoal de seus executivos ou para ações entre amigos, abrigando velhos companheiros do setor.

Volto ao caso da saúde suplementar, que comentei ontem. Nenhum operador ou hospital, individualmente, irá deflagrar ações preventivas de saúde, pelo receio de que seu investimento vá para o ralo se o cliente mudar de plano. É um pensamento anacrônico e demonstra profunda falta de visão estratégica desses operadores, de não saber como se tornar essencial para seu cliente. Se se limita a cobrir internações, o cliente muda de plano e não sente nenhuma diferença.

Mas o papel de associações inter-setoriais, existentes ou que venham a ser criadas, é essencial. Apenas uma associação que congregue os diversos agentes da cadeia da saúde teria possibilidade de levantar todos os indicadores, estabelecer diagnósticos, identificar pontos falhos e propor ações conjuntas.

Uma associação certamente facilitaria a criação de um cartão magnético único para as operadoras, um cadastro único de clientes, estatísticas unificadas do setor. E, se definisse padrões de qualidade para seus associados, se tornaria um fator de normatização e certificação do setor.

A partir desse levantamento prévio, poderia se constituir no local para a discussão integrada de novas formas de atuação do setor.

Em países com sistemas mais desenvolvidos de financiamento da saúde, o pagamento é feito por capitação (ou seja, o hospital, ou laboratório clínico ou laboratório farmacêutico recebe de acordo com a população atendida). Esse modelo torna todos os elos da cadeia solidários na redução de custos.

Por sua vez, a própria associação, ou a Agência Nacional de Saúde (ANS) tratará de definir pesquisas periódicas para avaliar o grau de eficiência de cada plano, se a economia não resultou em piora no atendimento. Esse é o modelo moderno de regulação pelo mercado.

Hoje em dia, fator expressivo de custo são pacientes que não seguem o tratamento e voltam, tempos depois, com a saúde em pior estado. Além do drama pessoal dele, há um tremendo impacto de custo sobre a operadora. Uma unificação de bancos de dados permitiria, por exemplo, o monitoramento individual de cada pacientes em tratamento, identificação de famílias com riscos potenciais de doença, empresas ou setores com índices relevantes de doença do trabalho, para serem alvos dessa ação preventiva.

Estou dando o exemplo da saúde porque me debrucei sobre o tema nos últimos dias. Mas esse tipo de papel da associação é essencial para a melhoria de cada setor e da economia em geral.

 

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Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 08h01

19/09/2006

A reação dos barra-pesadas

Ainda há pouca sensibilidade em relação aos movimentos da opinião pública em um ambiente democrático. A não ser em períodos de catarse ampla (como no trauma pós-Torres Gêmeas),  a opinião pública tende a se insurgir contra toda forma de excesso de poder. Na democracia, o sistema de pesos e contrapesos acaba operando com base nos sinais que emanam da opinião pública.

Quando surgiram os escândalos Waldomiro e “mensalão”, passaram a impressão de que Lula tentava se revestir de superpoderes. Houve uma enorme reação da opinião pública midiática.

Nos meses seguintes, a chamada grande imprensa moveu uma campanha implacável contra Lula, e dobrou o fio. Passou a sensação de que o superpoder a ser contido era o da mídia. Vários membros do governo foram caindo, passando a impressão de que o governo estava se livrando dos barra-pesadas, ao mesmo tempo em que o excessos da mídia vitimizava Lula.

O caso do dossiê da revista “IstoÉ” dá uma guinada no pêndulo. De repente, a euforia da vitória, ou sei lá o quê, passa a sensação de impunidade, que leva a essa operação desastrosa. Os fantasmas do passado, que pareciam exorcizados pelos excessos da mídia voltam a aparecer.

O episódio provavelmente não inverterá o resultado das eleições. Mas trará dificuldades quase insanáveis para o governo Lula a partir de 1º de janeiro, quando começar seu segundo mandato. Enfraquece fundamente a posição de todos aqueles que tentavam afastar o radicalismo. E só fortalece os que desejam a guerra, tanto do lado da oposição quanto do lado do PT.

O episódio, aliás, passa a idéia clara de que partiu de setores do PT que seriam alijados do jogo, na hipótese, remota, de um pacto de governabilidade. Não se sabe se a intenção foi atingir a canidatura oposicionista ou torpedear as pontes que estavam sendo lançadas por Tarso Genro, Luiz Dulci, Dilma Rousseff e outros preocupados com a governabilidade.

Mas é evidente que as entranhas do governo continuam abrigando toda sorte de barras pesadas e que dificilmente Lula irá abrir mão deles, a não ser quando descobertos em flagrante.


Escrito por Luis Nassif às 23h08

Os leitores e o biodiesel - 2

De Célio Mendes

Nassif,

a indústria automobilística e sua tecnologia evoluíram bastante desde o inicia da década de 1980 (época do Min. Aureliano) lembro que naquela época o que tornava viável o uso do álcool era o fato de ele trabalhar com uma taxa de compressão bem mais alta que a da gasolina, isto fazia com que mesmo tendo um menor poder calórico consegui-se compensar isso efetuando mais trabalho por ciclo do pistão, hoje com o advento dos microprocessadores pode-se contornar esse problema, estão ai os carros flex que não me deixam mentir, qualquer estudo feito na década de 1980 tinha uma realidade tecnológica diferente da que ora desfrutamos.

 

De Roberto,

Os leiloes de Compra de Biodiesel darao incetivos a implantacao de varias usinas de Biodiesel de alta rentabilidade, visto que esta usinas estao sendo orcadas entre 30 milhoes e 70 milhoes de reais com prazo para entrar em operacao de 1ano a 2 anos com uma producao entre 50a 110milhoes de litros anuais,sao fundamentais para dar suporte e garantir o investimento para melhorar a produtividade tanto no melhoramento genetico das oleaginosas,como na melhoriad os processos produtivos que permitam um maior aproveitamento na extracao do oleo e melhorias no rendimento dos motores que irao usar o Biodiesel.

De Carlos Alberto Pinto Gonçalves

Nassif,

o projeto de Biodiesel ainda tem que amadurecer, mas já temos outro projeto chamado H-Bio em que o petróleo e o óleo de soja brutos são misturados e refinados juntos, me parece que numa proporção de 90 % petróleo/ 10 % óleo de soja. Seriam aproveitadas as indústrias esmagadoras de soja econstruídas algumas outras. Com isso teremos uma alternativa muito boa para os próximos 20 anos até desenvolverem uma tecnologia adequada para o biodiesel. Como subproduto da soja, teremos principalmente farelo, que poderemos usar amplamente na alimentação bovina na época da seca, pois tem uma alta porcentagem de proteínas. Ainda de quebra resolveremos o problema de preços e estocagem da soja.

Do leitor Athos

Nassif,

tenho acompanhado seu blog. Considero muito sério, competente e bom. Parabéns! Quanto ao biodiesel é um grande erro porque não é necessário transformar óleo vegetal (OVN) em diesel para usá-lo como combustível. É possível usar OVN em motores diesel usando-se um kit adaptador, se não usar o adaptador pode-se misturar diesel com OVN (que tem sido feito em regiões no MT) ou ainda, existe um motor alemão (ELKO) desenvolvido por Ludwig Elsbett que funciona somente com óleo vegetal. Isto sim é fantástico Nassif, as implicações são enormes e você pode imaginar o porque e entender porque estas idéias são boicotadas ou consideradas coisas de visionários. Acesse o site www.fendel.com.br e avalie por você mesmo. Dê um desconto na forma como os textos são apresentados. O importante são as idéias.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 13h01

Os leitores e o biodiesel - 1

De Carlos José Marques

Nassif,

ao que parece Biodisel (Ester Metilico ou Etílico) é uma etapa, tecnologicamente falando, transitória. Gasta energia na transformação, gera um monte de glicerina como sub-produto e mais alguns resíduos ambientais.

Ao que parece a coisa vai evoluir mesmo para processos/motores que usem puro Oleo vegetal, e da soja, que parece historicamente o mais barato.

De Fernando Magrello

Nassif

Não  vi nos argumentos nada impeditivo. Parecem argumentos antigos, não sei. (eg.: antigamente não dava para uma pequena propriedade rural se industrializar, mas a tecnoligia hoje tem permitido, como na cadeia do leite). Por outro lado, não tenho visto questionamentos na imprensa e nas Universidades, portanto, é sempre importante questionar.

A escala progressiva do Biodiesel é que parece vai ser o dinamizador do setor. Também  temos que lembrar que com a provavel (provavel mesmo) queda nos preços das commodities a soja poderá ser usada. Serviria como um estabilizador. De qualquer forma, repito, a discussão não-ideologica é valida.

De Celso Maggione

Nassif,

algumas colocacoes quanto a viabilidade ou nao do biodiesel: 1 - Petroleo e finito. 2 - Das 190 oleaginosas, escolhe-se as 3 ou 4 viaveis. 3 - Mamona tem aplicacoes nobres, mas basta aumentar a producao para se obter queda dos precos, inclusive das aplicacoes mais nobres. 4 - Pequenos produtores sao viaveis sim em cooperativas e desde que a usina tenha um percentual proprio de producao (vide citricultura). 5 - Capacitacao tecnica profissional dos empresarios e fornecedores. Os estudos precisam ser atualizados.

De Cleber Souza

Prezado Nassif,

sugiro que você dê uma expiada na experiência européia. Eles estão produzindo e utilizando biodiesel para melhorar o ar de suas cidades. Já desenvolvem tecnologias para a produção do ester sem perdas no processo e eles não tem insolação e nem grandes extensões agrícolas como o Brasil. Esse papo das oleaginosas seria melhor colocado sob o ponto de vista de sua produtividade e adequação regional. Sob o ponto de vista químico já há solução para os problemas que cada uma delas carregaria para o processamento, claro que com custos, mas nada que a teconologia não conserte e diminua os custos. É claro que quando sabemos que o custo de produção da Petrobrás é de US$6 o barril muita gente pode se perguntar "por quê biodiesel", ou ainda aqueles que estão excluidos do processo certamente são mais "críticos" do mesmo, mas eu tenho certeza que o Brasil ganhará muito com ele..


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 13h00

O caos da saúde complementar

Coluna Econômica - 19/9/2006

Um dos setores mais mal resolvidos do país é o de saúde suplementar. É um caos administrado por uma porta, a Agência Nacional de Saúde (ANS).

A cadeia produtiva do setor engloba planos de saúde, cooperativas médicas, hospitais, médicos, laboratórios clínicos e laboratórios farmacêuticos. O setor não se fala, não é solidário na administração de custos, não compartilha bancos de dados nem estatísticas, não valoriza a gestão.

O resultado é um caos. Os médicos prescrevem livremente, como se fôssemos um país europeu. Há uma lambança em pedidos de exame, sem avaliação adequada da relação custo/eficácia.

Sem estatísticas e sem metodologia, os planos se defendem da pior maneira. Na ponta do cliente pessoa física, se especializando em arrumar argumentos para não prestar o atendimento. Na ponta da pessoa jurídica, abolindo qualquer análise atuarial. Simplesmente constituem uma carteira de empresas. Se a empresa for superavitária para o plano (o que ela paga é inferior ao que o plano gasta com seus funcionários) é mantida; se deficitária, é afastada sem nenhuma contemplação, como é a prática da Amil, a líder do setor.

Operadoras e seguradoras mais organizadas ao menos tentam manter pequenas empresas em grupo, administrando a carteira e não individualmente.  Mas nenhuma investe em programas abrangentes de prevenção, por algumas razões, das quais a principal é o temor de, depois de investir, perder o cliente para concorrentes. A segunda razão é que não adianta uma empresa atuar em cima da sua clientela, mas o setor entender o universo de clientes como um todo unico.

Se o setor fosse minimamente organizado, a questão da prevenção seria trabalhada por todos os planos de saúde atuando de maneira coordenada. Haveria investimento em uma infra-estrutura comum, deixando para a competição o que faz a diferença para o cliente final.

Na relação planos-hospitais, ou planos-laboratórios clínicos, haveria a compra antecipada de leitos ou exames, pagando por capitação (pelo universo da população atendida) tornando quem atua na ponta (hospitais, médicos ou laboratórios) co-respnsável pela administração de custos. E administrar custos não significa meramente reduzir exames, mas conseguir a melhor combinação custo-resolutibilidade. O paciente que não é curado no primeiro atendimento, volta pior e mais caro.

O grande órgão articulador deveria ser a ANS. Caberia a ele providenciar a unificação dos bancos de dados, das estatísticas, criar “ratings” para premiar as boas operadoras e punir as más. Mas é um órgão apático, medroso, incapaz de fiscalizar e incapaz de bloquear as dezenas de operadoras aventureiras que entram e saem do mercado a todo momento.

Agora, como passo final dessa descoordenação, operadoras de planos de saúde começam de novo a verticalizar, a montar hospitais, laboratórios, na contramão da história e do bom senso.

A única saída, em determinado momento, será permitir a entrada de capital externo, que traga conhecimento para a montagem de parcerias e articulação dos diversos atores da cadeia produtiva.


“Todos os direitos reservados, sendo proibida a reprodução total ou parcial por meio impresso.”

 

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Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 08h28

18/09/2006

Dúvidas sobre o biodiesel

Amanhã tento trazer mais dados. Mas hoje conversei longamente com um técnico que participou de um grupo de estudos criado pelo ex-Ministro das Minas e Energia, Aureliano Chaves, para analisar o biodiesel.

A conclusão foi que a produção seria inviável, por várias razões. A primeira, é que existem 190 oleaginosas no país, e cada uma é única. Homogeinizar as moléculas é processo bastante oneroso que inviabilizaria economicamente a produção.

O segundo problema é que existem aplicações muito mais nobres para o óleo de mamona e o dendê, que agregam mais valor, custam mais, o que inviabilizaria sua utilização para um fim pouco nobre, de queimar no motor. No caso da soja, as avaliações de preços levam em conta o preço da saca de soja em grão. Mas a produção de soja gera um conjunto grande de derivados, também nobres, que acabam por aumentar substancialmente o custo para efeito de comparação.

Finalmente, é impossível, segundo esta fonte, apostar em agricultura familiar fornecendo mamona, dendê ou palma. Nos anos 80, o senador Alexandre Costa (sogro de Edemar Cid Ferreira) conseguiu com Sanrney a implantação de uma usina para explorar o óleo de babaçu no Maranhão. O fornecimento da matéria prima seria de pequenos produtores. A produtividade era incompatível com a escala industrial da usina.

Segundo ele, todos esses estudos foram produzidos pela Embrapa. Por isso mesmo, não consegue entender a posição de técnicos do órgão, sustentando a viabilidade do biodiesel.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 21h40

A reincidência

O mercado não precificou a descoberta de que a compra do dossiê contra José Serra estava sendo intermediada por um homem de confiança de Lula. Mas o episódio é desastroso para todos os setores que apostavam em uma conciliação pós-eleições, na possibilidade de um pacto de governabilidade que garantisse a aprovação de reformas e a adoção de medidas pró-desenvolvimento.

É um desastre. Depois dos problemas com o “mensalão” e demais, Lula estava com hábeas corpus preventivo perante parte da opinião pública. Considerava-se que os desastres iniciais se deviam à falta de prática e de controles. E que, depois do desgaste com os escândalos, a depuração já teria sido feita.

A reincidência é um banho de água fria.


Escrito por Luis Nassif às 21h34

O rebaixamento do Brasil

O rebaixamento do “rating” do Brasil pela Goldman Sachs, no grupo dos BRICs é mais uma prova de que o crescimento entrou na ordem do dia dos bancos de investimento e agências de risco.

A partir de ontem, o “rating” do Brasil passa a ser inferior aos da China, Rússia e Índia.

Porque não caiu antes, se há doze anos a economia está estagnada? Simplesmente porque os bancos e agências de risco analisam as economias nacionais sob o prisma dos investidores. Com juros altos, e garantia de pagamento, o Brasil era bem avaliado.

Agora que os juros vão cair inexoravelmente, em função da falta de álibis do Banco Central, as alternativas de investimento vão para a economia real. E cadê o crescimento?


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 21h31

17/09/2006

O desastre do Incor

Tenho as melhores lembranças do Incor. Ele garantiu sobrevida de alguns anos à minha mãe. O que foi feito com ele nos últimos anos foi calamitoso. A Fundação Zerbini deve R$ 200 milhões e está a ponto de fechar.

Seria relevante que o Ministério Público apressasse e tornasse públicas as investigações sobre a atuação do ex-presidente da Fundação José Ramires e de seu principal executivo Mário Gorla na montagem desse desastre. Inclusive a desastrada avincursão brasiliense deles, uma história que até hoje não foi devidamente contada.


Escrito por Luis Nassif às 22h25

A saúde privada desarticulada

Acabei de dar uma palestra em Comandatuba para a área de saúde privada. É um setor completamente desarticulado. Planos de saúde, hospitais, laboratórios clínicos, indústria de equipamentos, médicos, não têm a menor ação articulada para se conseguir reduzir custos sem reduzir a eficácia do tratamento.

Não há informações sistematizadas sobre esse universo de clientes dos planos, não há troca de informações, não há compartilhamento de bancos de dados. Com essa falta total de sintonia, os operadores privados estão começando a verticalizar, montando hospitais e laboratórios, o que é uma loucura disfuncional e dispendiosa, a que se recorre quando o setor não tem nenhuma capacidade de articulação entre seus agentes.

Dento de algum tempo vão surgir novos personagens no setor, novas empresas com modelos de atuação capazes de articular as ações dos diversos agentes do setor, que vão acabar dominando a área.

Vou começar a escrever mais sobre o tema, aproveitando as idéias que desenvolvi à tarde para a palestra. Depois, vou colocando aqui para receber críticas e observações.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 22h14

Sofismas econômicos

Há dois sofismas econômicas que vivem sendo repetidos a torto e a direito. Na sexta passada, quase me atraquei com o ex-Ministro Maílson por conta disso.

O primeiro é que enquanto o Brasil não melhorar a infra-estrutura e reduzir o custo Brasil, não poderá baixar juros. Não há a menor relação de causalidade. É evidente que o custo Brasil precisa ser melhorado. Mas, quando é ineficiente, essa ineficiência determina um patamar de preços mais alto. Ocorre que inflação não é patamar de preço, mas variação de preço. O fato de se ter uma economia ineficiente eleva os preços (em relação a uma economia eficiente) mas não provoca inflação. O que Maílson propõe é que se espere a economia ser eficiente, para então reduzir os juros, que só então liberará recursos para investir em infra-estrutura e deixar a economia eficiente.

Nem comento nada minha reação quando ele disse que se a taxa Selic cair para 10% a inflação irá explodir, o capital externo irá fugir e o mundo irá acabar.

O segundo sofisma é a idéia de que o país precisa atrair capital externo para investimento ou para financiar a dívida pública. Não há o menor sentido nisso. O Brasil não tem moeda conversível. Quando o capital externo entra, é convertido em reais. Em seguida, o Banco Central compra os dólares para impedir maior apreciação do câmbio –o que tem um enorme custo fiscal. Depois, os reais que entram na economia são enxugados para evitar expansão monetária indevida. Conclusão: cada um dólar que entra na economia deixa como saldo um dólar a mais de endividamento interno, e um dólar a menor de poupança interna.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 22h10

Pactos sem sangue

Pessoal, vamos combinar algumas regras de convivência.

Existem inúmeros Blogs por aí que permitem rolar sangue, chute no saco, dedo no olho, na discussão política e econômica. Portanto, não falta espaço para a catarse.

Este Blog, quando não mergulha nesse tipo de catarse, recebe contribuições preciosas dos leitores, um contraditório rico e esclarecedor. Quando um leitor solta um ataque mais virulento, a luz se apaga e a discussão fica parecendo rock dos Mamonas Assassinas, a “suruba do português”, na qual se envolvem até leitores que, fora da guerra, têm trazido ótimas contribuições para a discussão.

Proponho o seguinte: na próxima guerra a gente combina aqui, e vamos juntos guerrear lá --nos Blogs políticos, que adoram ver o sangue rolar.

Daí voltamos para cá, saciados, e prosseguimos na discussão acesa e respeitosa sobre política, economia e cultura.


Escrito por Luis Nassif às 14h40

O massacre da Daslu

Quando a Polícia Federal, Receita e Ministério Público organizaram a bem sucedida e planejada invasão da Daslu, a loja era a queridinha da sociedade paulistana e dos políticos nordestinos, incensada pelos jornais e revistas, em um deslumbramento vexaminoso. Provavelmente fui o único jornalista a sair em defesa da operação.

Agora, que a Daslu caiu em desgraça, e a dona empreende uma luta hercúlea para salvá-la, as mesmas publicações que a incensavam comandam o linchamento. Antes, provas contundentes de formação de quadrilha eram ignoradas. Agora, qualquer acusação, por mais inverossímil, é aceita.

Torço para que Eliana Tranchesi dê a volta por cima, enquadre a Daslu na legalidade e consiga sobreviver.


Escrito por Luis Nassif às 14h33

Os intelectuais engajados

Dentre todos os públicos, o mais apaixonado pela figura do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso é o grupo de intelectuais tucanos, entre os quais se destacam Boris Fausto, Leôncio Martins Rodrigues e Bolívar Lamounier.

Na apresentação que fiz, do meu próximo livro “Cabeça de Planilha”, no encontro do DNA (uma ONG que discute políticas públicas em um ambiente que vai de Gustavo Franco a João Paulo Stédile) uma socióloga insurgiu-se contra as críticas que fiz ao governo FHC.

É curioso como até cabeças teoricamente mais sofisticadas recorrem a clichês presentes em algumas das nossas revistas mais superficiais. Um deles é que quem critica FHC é a favor do fechamento econômico dos anos 80. Aceita-se esse pensamento bifásico na mídia, não de intelectuais presumivelmente sofisticados.

Quando Stédile –também presente à palestra—argumentou alguma coisa sobre a enorme transferência de poupança brasileira para o exterior, a professora apontou para seu celular e foi definitiva: “Se não fosse o governo Fernando Henrique, nem celular você teria para falar”.

Intelectuais engajados são extraordinariamente parecidos. Para os intelectuais tucanos FHC refundou o Brasil. Se não fosse ele, nem celular teríamos. Para os petistas, Lula só recebeu “herança maldita” e produziu, do nada, tudo de bom que surgiu depois.

Não existe nada de mais daninho do que as igrejinhas acadêmicas e o intelectual engajado.


Intelectual independente é aquele que põe a cabeça para fora e dá a cara para bater principalmente quando enfrenta ventos contrários. Alguns dos porta-vozes mais estridentes da esquerda uspiana, como Paulo Arantes, sumiram do mapa quando, em vez de patrulheiros, se tornaram patrulhados. E deixaram o desgaste de empunhar a bandeira para Marilena Chauí, vítima de uma campanha sórdida, do mesmo porte das campanhas sórdidas produzidas por seus colegas contra pensadores independentes, quando os ventos sopravam a favor.

Marilena Chauí merece meus respeitos.


Escrito por Luis Nassif às 14h31

O Tom Jobim sessentão

Daniel Piza, além de bom ensaísta, escreve uma coluna dominical bastante agradável e variada do “Estadão”, e consegue fazer jornalismo cultural provocativo sem ser truculento. Na coluna de hoje , ele lamenta o fato dos nossos gênios sessentões – como Chico e Caetano --, depois dos sessenta perderem o ímpeto renovador. E menciona Tom Jobim como caso único, não só na música, como na literatura e nas artes brasileiras, de quem manteve esse ímpeto renovador mesmo após a fase da maturidade, com “Matita Perê”.

Tom teve uma fase pré-bossa nova esplendorosa, assim como a fase pós-bossa nova. Em todas as fases, se reinventou.

Há dois detalhes que comprometem o raciocínio de Piza. Tom Jobim gravou “Matita Perê” em 1973, com 46 anos.  Com essa idade, Chico Buarque e Edu Lobo compuseram sua maior obra prima, “O Grande Circo Místico”. Chico compôs ainda o “Brejo da Cruz”, um clássico que nada tem a ver com sua produção anterior;    “Vai Passar”, o grande hino de abertura; “Choro Bandido”, com Edu. Depois dessa idade, compôs as “Minhas Meninas”, de matar; “Estação Derradeira”, “Frevo Diabo” (com Edu), “Todo o Sentimento” (com Cristóvão Bastos), “Valsa Brasileira” (com Edu).

Também tenho dúvidas em relação a outros artistas. O gênio de Pedro Nava brotou aos 70 anos, Evaldo Cabral de Mello e José Murilo de Carvalho continuaram produtivos e criativos após os 60 anos, o próprio Villa-Lobos produziu copiosamente até perto da sua morte, Cartola compôs “As Rosas Não Falam” com mais de 70, além de Lúcio Costa e Niemayer na arquitetura.


Do leitor Luiz Eduardo, no comentário que postou:

Nassif,

permita-me o "vale tudo" que é arte, para desabonar a tese do Piza (estendeu-a a todas?). Nosso grande gravador, Marcelo Grassman, está com 81 anos e fez uma exposição deslumbrante este ano. Renina Katz tem a mesma idade, está a todo vapor. Maria Bonomi, 70, então nem falar: viu o mega painel da estação da Luz? No Rio, Eduardo Sued, mais de 80, de vento em popa, renovando sua pintura e fazendo quadros deslumbrantes de mais de 20m2 (não imagina a energia que isso requer). Ana Letycia anda a mil, também inovando. Se precisar de mais exemplos, mando. Acho que não é preciso falar do Gilberto Mendes, um dos nossos maiores compositores eruditos vivos, não?

 


Categoria: Minhas Músicas
Escrito por Luis Nassif às 14h23

Sérgio Buarque e a Nova Escola

Imperdível a entrevista de Silviano Santiago a Ubiratan Brasil, do Caderno 2 do “Estadão”, falando sobre seu último livro, em que compara o pensamento de Sérgio Buarque com o de Otávio Paz. Especialmente no trecho em que mostra como Sérgio analisava a Nova Escola, que pretendia transformar a escola liberal e a competição como alternativa à escola tradicional e às mães severas.

Buarque, segundo Silviano, sustenta que “as boas mães causam, provavelmente, mais estragos que as más, na acepção mais generalizada e popular desses vocábulos”. Defende a palmatória: “A vara tem um efeito que termina em si, ao passo que se forem incentivadas as emulações e as comparações de superioridade, lançar-se-ão, com isso, as bases de um mal permanente, fazendo com que irmãos e irmãs se detestem uns aos outros”.

Defende a educação severa: “A modernidade não estava nos pioneiros da Escola Nova mas passava, antes, pela mãe do aluno e a mão do professor, ambas más”.

Nesses tempos de escolas especializadas em criar monstrinhos sem limites, é interessante notar que os escritos de Sérgio Buarque são de 1932.


Escrito por Luis Nassif às 14h13

A TV Tan-Tan

Mais um vôo TAM. Cada comandante define o volume da TV a bordo de acordo com o seu critério. Alguns são discretos outros, como no vôo de hoje, em volume maior do que minhas filhas pequenas ouvindo “As Rebeldes”. Não existe um manual de procedimento dizendo em quantos decibéis colocar o volume, quando começar, quando terminar a apresentação. É um desgaste tão grande para os passageiros, e tão simples de resolver, que me remete a um comentário anterior: ou a TAM redescobre a qualidade, a importância de trabalhar os detalhes do atendimento, ou será atropelada pela GOL.


Escrito por Luis Nassif às 14h11

Juros e saúva

Meu colega e amigo Celso Ming vem batendo em duas teclas em sua coluna no “Estadão”. A primeira, que seria absurdo fixar metas de crescimento do PIB. A segunda é que a insistência na redução dos juros lembraria o famoso bordão dos anos 30, “ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil”. E sugere acabar com a idéia fixa nos juros.

Dois pontos para o Celsão considerar em suas análises.

O primeiro, o fato de, na prática, o BC trabalhar com tetos de metas de crescimento. Essa loucura do PIB potencial é o quê? O BC monitorando indicadores de crescimento e puxando os juros cada vez que a economia ameaça decolar, mesmo que não haja impacto no índice de preços. Ou seja, uma das famílias de indicadores na qual o BC se baseia para não baixar os juros são os níveis de atividade e de capacidade ociosa da indústria, por conta dessa superstição do “PIB potencial” (que diz, com base em alquimia, que o Brasil não pode crescer mais do que 3,5% ao ano).

A outra é a analogia entre saúvas e juros. Existem três preços fundamentais na economia: juros, câmbio e salários. Além de ser um dos três, a taxa de juros influencia o segundo, que é o câmbio. E ambos influenciam o terceiro, que são os salários. Sem considerar os impactos fiscais.

Até dá para minimizar os efeitos da saúva, não o dos juros sobre a economia.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 14h10

O voto de Palocci

O apoio de Palocci para que o presidente do Banco Central Henrique Merelles seja Ministro da Fazenda (clique aqui) tem tanta relevância quanto o meu voto para a indicação do diretor-geral do FMI. Depois que descobriu que Palocci o enganava com a história de que Ministérios tinham recursos e não sabiam gastar, Lula não aceita receber sequer telefonemas de seu ex-czar da economia.

A esperteza da dupla Palocci-Paulo Bernardes consistia em jogar recursos em programas de baixa viabilidade dos ministérios (por exemplo, aqueles com problemas ambientais) e depois, quando o Ministro reclamava da falta de verbas, tentar mostrar para Lula que havia dinheiro que o Ministério não sabia gastar.


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 08h35

Fantasma o espírito-que-anda

Apesar do cinema, da televisão, apesar dos computadores e viedogames que surgiram nos últimos anos, tenho cá para mim que a maior influência cultural que a juventude do século 20 teve foram os quadrinhos. Nem me refiro aos infantis, que fizeram a glória de Disney e de Maurício de Souza, mas aos épicos, que vieram para substituir os livros de aventura dos séculos anteriores.

Dos gibis da minha infância, poucos tiveram a força e a fantasia de Fantasma, “o-espírito-que-anda”. Descendente de um náufrago branco, que quatro séculos antes veio dar em uma praia de Bengala, na África, depois que piratas mataram seu pai e afundaram o navio em que viajavam, o Fantasma dos anos 50 era o 21º da linhagem. Além do nosso personagem, vez por outra os quadrinhos falavam do 9º Fantasma, o mais forte de todos –uma lenda que se sobrepunha à outra--, do pai do Fantasma, que foi morto por um bandido e posteriormente vingado pelo filho.

Todos os Fantasmas, quando assumiam a titularidade, faziam um juramento sobre a caveira do assassino do primeiro deles, prometendo batalhar para destruir “todas as formas de pirataria, ambição e crueldade”.

Os símbolos e características do personagem eram fantásticos. Ele tinha dois anéis, um da caveira (com que marcava o queixo dos adversários com seus murros) e outro da paz, que deixava uma tatuagem que funcionava como um passaporte, respeitado em toda selva. Vivia na Caverna da Caveira, em plena Floresta Negra, cercado por uma corte de pigmeus, e era tratado como o homem que nunca morria. Conheceu Diana Palmer, filha do professor Davidson, antropólogo famoso, tornou-se seu namorado e vez por outra ia visitá-la na cidade, vestindo apenas uma capa, óculos escuros e um chapéu. Tudo para cobrir o uniforme mítico, roxo no original, mas que se transformou em vermelho na versão brasileira por problemas gráficos, e uma máscara que nunca tirava. Diziam as lendas que todo mundo que visse Fantasma sem a máscara morreria.

À paisana, nosso herói se transformava em Kit Walker, mas só se sentia bem quando voltava para a selva, onde era aguardado, já na estação de trem, por seu cavalo branco, Herói, pelo lobo Capeto e pelo chefe dos pigmeus, Guran.

Creio que nenhum dos personagens em quadrinhos, e poucos dos romances, reproduziu tão bem o mito do homem selvagem. Havia Tarzan, é verdade, algumas rainhas e princesas da selva, mas o Fantasma era imbatível. Tinha história, genealogia, tesouros fantásticos em uma caverna, o ritual de soberano da selva, era branco em um continente negro –o que suscitava críticas dos politicamente corretos--, mas só se sentia à vontade rodeado de seus pigmeus. Quando visitava a cidade, todos os símbolos da ”civilização” ficavam inexpressivos, sem história, perto do homem que vivia em uma caverna sem nenhum formalismo, mas que tinha, entre seus tesouros, a taça de vinho de Alexandre Magno e a coroa de Cleópatra.

Embora o quadrinho ainda não tivesse sido erigido à condição de arte, a molecada comentava ávida os diversos desenhistas que emprestaram sua caneta para compor o personagem. O criador do personagem foi Lee Falk, também “pai” do mágico Mandrake.

Dos desenhistas, o primeiro deles foi Ray Moore, um dos mais importantes da história em quadrinhos. Depois, veio Wilson McCoy, o que eu mais gostava, e, nos anos 60, Sy Barry, um clássico, e irmão de Dan Barry, um dos grandes desenhistas de Flah Gordon.

Um dos assistentes de Sy Barry tinha relação estreita com o Brasil. Era André LeBlanc, nascido no Haiti em 1921 e falecido nos Estados Unidos em 1998. São deles os desenhos inesquecíveis da edição das histórias infantis de Monteiro Lobato que herdei de meus pais.

Figura interessante esse LeBlanc. Além de ter ajudado Sy Barry em Fantasma, nos anos 40 foi assistente de Will Eisner, na série The Spirit, e também desenhou Flash Gordon.

Mais tarde mudou-se para o Brasil e ajudou a desenvolver a indústria de quadrinhos por aqui. É dele “O Guarani”, de José  de Alencar, que inaugurou a série “Clássicos Ilustrados”, da Edição Maravilhosa. Depois, quadrinizou quase todos os romances de José Lins do Rego e muitos outros da editora Ebal.

Naqueles tempos de moleque, só uma coisa me intrigava no Fantasma. Sendo ele tão forte, tão rápido que os sucessivos desenhistas sequer conseguiram captar seu murro, limitando-se a descrevê-lo com uma linha oval e depois mostrar o rival desmaiado com a marca da caveira no queixo, que história é essa de que o 9º Fantasma era mais forte? Sempre tive para mim que o 9º era típico exagero de histórias em quadrinhos.

 

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Categoria: Crônicas
Escrito por Luis Nassif às 08h05

O Conselho de Economistas de Lula

Avança a idéia de um Conselho de Economistas assessorando Lula, na eventualidade de um segundo governo. Delfim Netto seria o coordenador. Há uma articulação sobre um nome de respeito que possa substituir Henrique Meirelles na presidência do Banco Central. Um dos nomes cogitados é o do ex-presidente do Banco Centra Fernão Bracher – que mencionei dias atrás, aliás, como o melhor nome para o cargo com quem poderia contar qualquer governo.

Há avaliações sobre as relações de Bracher com a antiga equipe de Dílson Funaro e com Delfim. Pelo que sei, são relações civilizadas, já que todos estavam na mesma trincheira de criticar os erros absurdos da política cambial do governo FHC e, agora, do governo Lula.

No círculo próximo a Lula, considerava-se que o clima de desarmamento estava caminhando bem, inclusive junto a José Serra. Mas a carta-bomba de FHC antecipou a disputa de 2010. Agora, o escândalo do dossiê dos Vedoins esgarçou ainda mais a relação, embora Lula tenha se posicionado bem, segundo esses setores.

Também se sonha que nesse Conselho de Economistas esteja o economista Yoahiski Nakano, já que a idéia seria conferir ao conselho um caráter ecumênico e diversificado, a exemplo de outros países.

 


Categoria: Economia
Escrito por Luis Nassif às 01h17

Reconstrução ameaçada

O governo Lula conseguiu um hábeas corpus quando parte da opinião pública debitou os problemas de “mensalão” e envolvimento com esquemas barras pesadas a uma falta inicial de discernimento, ao predomínio de José Dirceu e outros sobre o partido.

Depois, tornou-se vítima de uma campanha desestabilizadora da mídia, que acabou despertando solidariedade de segmentos da opinião pública. Se a tentativa de compra de dossiês não for bem esclarecida, e demonstrar envolvimento de lideranças petistas no esquema, o efeito será fulminante sobre a tentativa do partido de se reconstruir após o escândalo do “mensalão”.


Escrito por Luis Nassif às 01h00