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Minhas Músicas

24/09/2006

Herivelto

 

Estou ouvindo agora a Rádio Funarte (clique aqui) com um repertório do grande Herivelto Martins, nas vozes de Elizeth Cardoso (com o timbre mais grave que chegou no final da vida), do próprio Herivelto, já sentindo o peso dos anos, e de seu filho Peri Ribeiro. Uma beleza!


Escrito por Luis Nassif às 20h33

O violão de Alessandro

Terminar o livro “Cabeça de Planilha” não está apenas acabando com meus fins de semana, como me fazendo perder espetáculos imperdíveis. Um deles foi ontem, o lançamento do CD de Alessandro Penazzi, multi-instrumentista (bandolim, cavaquinho, sopro mas, especialmente, violão). Penazzi já faz parte do Olimpo dos instrumentistas brasileiros de nível internacional. Tanto assim que, a primeira vez que o ouviu, Yamandu Costa o convidou para fazerem um show juntos. Aliás, a personalidade generosa, o talento, a liderança que está firmando no choro, a vontade de descobrir talentos, tornam Yamandú cada vez mais parecido com o grande Raphael Rabello.

Alessandro faz parte do conjunto “Choro Rasgado”, em minha opinião o melhor conjunto instrumental brasileiro da atualidade. Seus diálogos com o violão sete cordas do Zé Barbeiro são para entrar para a história.


Escrito por Luis Nassif às 09h53

23/09/2006

Eduardo Falú e Ariel Ramirez

Outro gigante do violão sul-americano, o grande argentino Eduardo Falú, tocando “De primas e bordões” (clique aqui).

Veja que preciosidade: um trecho pequeno da “Missa Criolla”, de Ariel Ramirez, uma das obras mais sublimes já compostas na América Latina. Dá para ver Ramires bem de passagem, tocando seu piano. Clique aqui.

Aqui um trecho mais longo, de uma audição de “Misa Criolla” em Toronto, Canadá, este ano (clique aqui).


Escrito por Luis Nassif às 16h14

A técnica dos Tabajara

Olha que maravilha Nato Lima explicando sua técnica de violão (clique aqui) e o duo tocando o “Vôo da Mosca” a uma velocidade inacreditável com palheta. Além de trechos de grandes talks-shows em que participaram nos Estados Unidos, como o de Johnny Carson e Eddy Sulivan. .


Escrito por Luis Nassif às 15h50

Os incríveis Indios Tabajara

Em 1962 o duo Índios Tabajaras vendeu 1,5 milhão de cópias de sua gravação do clássico mexicano Maria Elena. Ficou 14 semanas no topo da lista dos discos mais vendidos do país, outras 17 semanas na Inglaterra. O LP seguinte também ficou entre os dez mais vendidos dos Estados Unidos. Ao todo gravaram 48 discos LP, muitos dos quais disponíveis no site do Amazon. O menos talentoso já morreu. Sobrou Nato Lima, o gênio.

Ambos são brasileiros, cearenses, nascidos em 1918 na Serra da Ibiapaba, no município de Tianguá, ao que consta membros de uma tribo Tabajara. Eles teriam nascido Muçaperê e Herundy, nomes que significam respectivamente “terceiro” e “quarto” de uma fileira de 34 filhos do cacique Ubajara. Teriam saído com a família em 1933, levados para a Serra do Cariri pelo tenente Hildebrando Moreira Lima, segundo o site www.nelsons.com.br, que tem a história mais detalhada da dupla.

Dali até 1936 foram três anos de caminhada até chegar ao Rio de Janeiro. A longa caminhada teria sido feita com 16 índios, os pais mais quatorze filhos. No transcorrer dela, teriam conhecido violeiros e cantadores. Atravessaram Pernambuco, Alagoas e à Bahia. No meio do caminho, em uma feira do nordeste compraram uma velha viola e passaram a dedilhar sozinhos o instrumento. Mais tarde, trocaram a viola por uma cuia de feijão. Em Salvador teriam conseguido a proteção do governador, que lhes forneceu passagens para o Rio de Janeiro, onde chegam no início de 1937, quase quatro anos depois.

No Rio, foram registrados como Antenor e Natalício Moreira Lima, sobrenomes do tenente protetor. Em 1945 se apresentaram pela primeira vez como Índios Tabajara na Rádio Cruzeiro do Sul e foram imediatamente contratados.

Aí começou a vida artística. Primeiro correram o Brasil. Em 1957 começaram carreira internacional pela América Latina, Argentina, Venezuela e México. Passaram a aprimorar a técnica, a estudar teoria com professores diferentes. Natalicio se especializou no solo e Antenor trabalhou a harmonia. Incluíram em seu repertório peças para violão de Bach, Falla, Albeniz e Villa Lobos.

Finalmente seguiram para os Estados Unidos, com a imagem de índios sendo bem explorada pela RCA. Apresentavam-se de smoking para interpretar músicas eruditas e de índios para tocar música popular.

Em 1960 retornaram ao Brasil, aqui ficaram por mais três anos para depois seguiram novamente para os Estados Unidos, onde estouraram pouco depois com Maria Elena.

Deve existir muita lenda nessa história. O fato é que, ao longo dos anos, os Índios Tabajara foram sendo esquecidos no universo musical brasileiro, especialmente na confraria do violão, e mais lembrados pelo seu lado folclórico. Contribuiu, em muito, o estilo estandartizado da dupla, tipo “violão-feito-para dançar”, em vigor na época, e também o repertório, fortemente calcado na música mexicana.

Folclore e estandartização à parte, uma pesquisa nesses sites de Internet oferece um quadro surpreendente da dupla. Em todas as faixas, mesmo nas mais óbvias, há uma técnica refinada, um estilo de tocar vigoroso, próprio da escola de João Pernambuco e Dilermando Reis. Aliás, não há termo de comparação entre Nato Lima e Dilermando: o talento de Nato é desproporcionalmente superior.

Em algumas faixas especiais, percebe-se o fenômeno que foram, intérpretes de um patamar superior, ombreando-se com os maiores violonistas brasileiros de todos os tempos.

Suas interpretações de "Valsa Criola", do venezuelano Antonio Lauro, e "Valsa em Dó Sustenido Menor", de Chopin, mereciam ser ouvidas por todos os jovens violonistas cultivadores da rapidez suja. Moonlight Serenade fica à altura das melhores interpretações do grande Oscar Aleman, que se especializou nela.

Deixaram seguidores de peso. O guitarrista Carlos Santana os menciona como sua lembrança musical mais antiga. O violonista Chet Atkins, falecido em 2001, era fã da dupla e gravou um álbum com eles e o pianista Floyd Cramer em Nashville.

Conversei com Nato há uns dois anos. Merecem ser devidamente entronizados no universo dos maiores violonistas brasileiros de todos os tempos.


 
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Escrito por Luis Nassif às 10h30

17/09/2006

O Tom Jobim sessentão

Daniel Piza, além de bom ensaísta, escreve uma coluna dominical bastante agradável e variada do “Estadão”, e consegue fazer jornalismo cultural provocativo sem ser truculento. Na coluna de hoje , ele lamenta o fato dos nossos gênios sessentões – como Chico e Caetano --, depois dos sessenta perderem o ímpeto renovador. E menciona Tom Jobim como caso único, não só na música, como na literatura e nas artes brasileiras, de quem manteve esse ímpeto renovador mesmo após a fase da maturidade, com “Matita Perê”.

Tom teve uma fase pré-bossa nova esplendorosa, assim como a fase pós-bossa nova. Em todas as fases, se reinventou.

Há dois detalhes que comprometem o raciocínio de Piza. Tom Jobim gravou “Matita Perê” em 1973, com 46 anos.  Com essa idade, Chico Buarque e Edu Lobo compuseram sua maior obra prima, “O Grande Circo Místico”. Chico compôs ainda o “Brejo da Cruz”, um clássico que nada tem a ver com sua produção anterior;    “Vai Passar”, o grande hino de abertura; “Choro Bandido”, com Edu. Depois dessa idade, compôs as “Minhas Meninas”, de matar; “Estação Derradeira”, “Frevo Diabo” (com Edu), “Todo o Sentimento” (com Cristóvão Bastos), “Valsa Brasileira” (com Edu).

Também tenho dúvidas em relação a outros artistas. O gênio de Pedro Nava brotou aos 70 anos, Evaldo Cabral de Mello e José Murilo de Carvalho continuaram produtivos e criativos após os 60 anos, o próprio Villa-Lobos produziu copiosamente até perto da sua morte, Cartola compôs “As Rosas Não Falam” com mais de 70, além de Lúcio Costa e Niemayer na arquitetura.


Do leitor Luiz Eduardo, no comentário que postou:

Nassif,

permita-me o "vale tudo" que é arte, para desabonar a tese do Piza (estendeu-a a todas?). Nosso grande gravador, Marcelo Grassman, está com 81 anos e fez uma exposição deslumbrante este ano. Renina Katz tem a mesma idade, está a todo vapor. Maria Bonomi, 70, então nem falar: viu o mega painel da estação da Luz? No Rio, Eduardo Sued, mais de 80, de vento em popa, renovando sua pintura e fazendo quadros deslumbrantes de mais de 20m2 (não imagina a energia que isso requer). Ana Letycia anda a mil, também inovando. Se precisar de mais exemplos, mando. Acho que não é preciso falar do Gilberto Mendes, um dos nossos maiores compositores eruditos vivos, não?

 


Escrito por Luis Nassif às 14h23

16/09/2006

O rei do juri

Leio, em uma notícia sobre a morte do coronel Ubiratan, que o marido da advogada Liliana Prizivalle (mãe de Carla, ex-namorada do coronel) é o desembargador aposentado Alberto Marino Jr.

Para quem não se lembra, Marino Jr foi promotor de Justiça e considerado o “rei do júri” em São Paulo, com centenas de casos em que se sagrou vencedor.

Para os músicos, é mais conhecido como o filho de Alberto Marino, o compositor da melodia de “Rapaziada do Braz” e como autor da letra: "Lembrar / deixei-me lembrar / meus tempos de rapaz no Braz".


Escrito por Luis Nassif às 09h47

15/09/2006

Facundo y Ramirez

Dos CDs que recebi esta semana, além de Ariel Ramirez, ganhei o de Facundo Ramirez, filho de Ariel, interpretando peças do pai.

Também é um senhor pianista, que herdou o estilo do pai, de entremear pancadas secas no piano, com jorro de notas. Há peças preciosas de Ariel, como “O Provinciano”, de 1939, tratando com um requinte inigualável o folclore argentino – que só mais recentemente, com Daniel Barenboim e Martha Argerich, chegou à nossa mesa.


Escrito por Luis Nassif às 18h28

O som de Ariel Ramirez

Escrever sobre música traz uma vantagem fantástica: os músicos passam a procurar-nos. Acabo de receber, pelo correio, um CD com 23 gravações do grande pianista argentino Ariel Ramirez, que me foi enviado por sua filha. Deixa resolver a questão do player do Blog para poder disponibilizar essas preciosidades para vocês.

Ela, aliás, é amiga da Maria Thereza Arida, prima do Pérsio, que está morando atualmente em Nova York, mas foi dona do melhor restaurante de comida árabe que já passou por São Paulo.


Escrito por Luis Nassif às 16h37

10/09/2006

O maestro brasileiro

Este ano completam dez anos da morte do maior maestro da história da música erudita brasileira, Eleazar de Carvalho. Vou recolher material para uma coluna sobre o maestro na próxima semana. Quem quiser contribuir com informações, escreva para luisnassif@uol.com.br ou luisnassifonline@uol.com.br

Eleazar foi para a regência o que Villa-Lobos para a composição brasileira. Nos anos 40, precisando passar pela Marinha para completar a formação, Eleazar foi na cara e na coragem para Boston e se apresentou ao grande maestro Sergey Koussevitzky, no Berkshire Music Center (Massachusettts). Com cinco minutos de conversa, ganhou o maestro.

Koussevitzky tinha dois alunos brilhantes. Um, o cearense de família pobre, que juntou o dinheiro para ir para os EUA tocando no Cassino da Urca; outro, Leonard Berstein, de família judia rica, filho dileto da sociedade de Boston.

Quando elogiavam Berstein para Koussevitzky, ele retrucava: “Precisam ouvir o brasileiro, que é melhor ainda”.


Atenção: este ano completa cem anos Braguinha, um dos formadores da música popular brasileira. Está vivo e lúcido.


Escrito por Luis Nassif às 11h06

Barrios, o mestre maior

Quase todo sábado reúno músico em casa. É porta aberta. Aparecem violonistas, cavaquinheiros, acordeonistas, trombonistas, pianistas, cantoras, compositores, na grande confraternização em torno da música brasileira.

Em alguns momentos, o violão baixa no terreiro da sala. Interrompe-se o som e os grandes da história do violão ressurgem nos casos e lendas transportados através dos tempos pelos atuais violonistas que ouviram de seus mestres que também ouviram de seus mestres até chegar aos mestres maiores. Aí se mergulha nos acordes do tempo e se chega ao uruguaio Isaías Sávio, a João Pernambuco, Américo Jacomino, a Levino Conceição, é claro, a Villa Lobos. E, depois de se chegar a todos, chega-se ao pai de todos, dos violonistas clássicos e dos populares que transformaram o Brasil na pátria do violão: o paraguaio Agustín Barrios Mangoré.

A confraria dos violonistas brasileiros o conhece desde os primeiros acordes de violão. O resto do mundo passou a conhecê-lo de alguns anos para cá, depois que o inglês John Williams, na época o mais talentoso violonista em atividade, o classificou de “o melhor de todos” para violão, mais importante que Sor e Guiliani e mais importante compositor para guitarra que Villa Lobos. Aí exagerou, mas tudo bem.

Não é pouco. Até pouco tempo atrás o espanhol Segóvia era considerado o maior nome do violão do século 20. Barrios antecipou o trabalho que Segóvia realizaria, de criação de um repertório para violão, inclusive adaptando os clássicos para o violão, Bach (cuja influência ele estenderia a Villa Lobos), Schuman e Choppin. Mas foi mais que isso. Foi um compositor iluminado. Se Segóvia ajudou a consolidar a escola de violão espanhola, vindo de uma tradição já existente, de Sor e Tárrega, Barrios fundou aquela que se tornaria a maior escola de violão contemporâneo: a brasileira e latino-americana. Segóvia sabia tanto do valor de Barrios que o boicotou em uma excursão européia, que Barrios começou pela Bélgica.

Na noite recheada de histórias, em minha casa, Fábio Zanon, considerado recentemente pelo Times um dos violonistas da década, toca e chora Barrios. Com as unhas quebradas, Marcelo Khayat, um dos maiores intérpretes de Barrios, recorda-se de uma apresentação sua em uma cidade do mais longínquo rincão do Pará. Um senhor velhíssimo foi cumprimentá-lo e contou que ele não tinha sido o primeiro grande violonista a visitar o local. Muitas décadas antes por lá passou Barrios.

Em meados da década de 1910, o violão brasileiro ainda era tímido, utilizado para acompanhamento nas modinhas, e começando a se aprimorar nos bordões de acompanhamento, que seria sua marca registrada. A primeira apresentação brasileira de Barrios foi em 1916. Em pouco tempo mudou o curso do violão brasileiro, passando a levar o novo som para todo o país.

Barrios nasceu em 5 de maio de 1885, de família numerosa, quinto de sete irmãos, na pequena cidade de San Bautista de las Misiones, no sul do Paraguai. Estudou filosofia, teosofia e violão. Em 1898 iniciou estudos de guitarra clássica com Gustavo Sosa Escalada.

Depois, saltou de país em país. De Assunção foi para Argentina, Uruguai, passou pelo Chile e chegou ao Brasil. No trajeto foi incorporando todos os ritmos latino-americanos, misturou com a influência espanhola, especialmente de Tárrega, jogou um molho especial de Bach e criou a mais divina música que o violão produziu no século 20.

Passou a desenvolver novas técnicas, desvendando caminhos jamais antes percorridos, arpejos, escalas, modulação, harmônicos e trêmulos. O século não viu coisa igual no violão. A “Valsa Número 3”, a “Valsa Número 4”, que Khayat interpretou melhor do que ninguém, “La Catedral”, talvez a maior peça de violão clássico do século 20, “Choro da Saudade”, que Paulinho da Viola relançou,  “Las Abejas”, que nada fica a dever a Bach, “Una Lismona por el Amor de Dios”. Talvez só Villa-Lobos o tenha superado.

Em 1930 mudou o nome para Agustín Barrios Mangoré, em homenagem a um chefe guarani que enfrentou os conquistadores espanhóis. Depois, saiu do Brasil, passou pela Venezuela, onde sua influência foi decisiva para transformar o maestro Antonio Lauro em um dos grandes compositores de violão das Américas, com suas valsas venezuelanas.

Sua caminhada terminou em El Salvador, em contato com a natureza, da qual era religiosamente seguidor. Morreu em 1944, deixando na alma brasileira e de toda a América Latina a sua presença eterna.

 


Escrito por Luis Nassif às 09h08

09/09/2006

Alfonsina y el Mar

Uma das mais belas canções latino-americanas de todos os tempos é “Alfonsina y El Mar”. Originalmente foi composta para piano pelo grande pianista argentino Ariel Ramirez. Tempos depois, o letrista, poeta, jornalista e historiador Felix Luna colocou letra, em homanagem à poeta Alfonsina Stormi, que se matou se atirando ao mar. Conheci ambos em um único dia, inesquecível, no reveillon do ano passado.

A gravação clássica é de Mercedes Sosa. A seguir, alguns gravações captadas no Youtube.

Gravação do violonista brasileiro Jorge Cardoso (clique aqui).

No violão de Agustín Carvelaro (clique aqui).

Na voz de Romina Maroso (clique aqui).


Escrito por Luis Nassif às 23h02

Carvelaro e outros interpretam Barrios

A propósito do violão latino-americano, veja aqui o grande mestre uruguaio Abel Carvelaro, criador de um método que mudou a forma de interpretação violonística, executando o Prelúdio Op. 5 de Agustín Barrios (clique aqui).

E aqui Dustin Jones interpretando “La Catedral”, peça máxima de Barrios, tão tocada pelos brasileiros que parece ter sido feita aqui (clique aqui).

O leitor Daniel Mendes localizou uma virtuose chinesa tocando Barrios (clique aqui). O nome é Jie Lin. Quase uma criança, mas uma virtuose que ainda vai dar o que falar.

Olha aí que duo, também de jovens chinesas, Wang Yameng e Su Meng (clique aqui). Meu Deus, esses chineses vão dominar tudo. Ouçam a pegada, o andamento que imprimem a Barrios, como reduzem e aumentam a intensidade como se tivessem nascido e vivido no Mercosul. Barrios é universal, mas essa escola chinesa de violão e inacreditável. Posso estar exagerando à luz do entusiasmo da primeira audição, mas me parecem bem superiores a David Russel, o grande nome atual da escola inglesa. Conseguem transmitir o romantismo das peças de Barrios de tal maneira, que fica parecendo que o mecânico frio é Russel.


Escrito por Luis Nassif às 22h46

O violão de Eduardo Falu

O Brasil vive correndo atrás dos ingleses, na descoberta do violão latino-americano. Não falo do paraguaio Agustín Barrios, que faz parte da história do violão brasileiro. Mas o venezuelano Antonio Lauro precisou, primeiro, ser redescoberto por John Williams para começar a freqüentar o repertório de violão brasileiro. Apenas um brasileiro, Marcelo Khayat – grande vocação que o violão perdeu para o mercado financeiro – navegava pelas águas de Lauro.

Outro sobre o qual andei escrevendo na “Folha” é o maravilhoso argentino Eduardo Falu. Violonista, compositor, cantor de primeiríssima, Falu está começando a entrar nas rodas de violão brasileiro pelas mãos de Yamandu Costa.

No vídeo, confira David Russell, o sucessor de John Williams, tocando Falu (clique aqui).

Para mim, o melhor CD de Falu é em duo com Paco Pena, violonista flamengo.


Escrito por Luis Nassif às 22h39

Solando em Moscou

Saí na hora do almoço para conhecer o novo bar onde toca o Conjunto Paulistano. Recomendo: fica bem na esquina da Estados Unidos com a Augusta. O Paulistano é composto pelo João Macacão ao violão de sete cordas, o Joãozinho Torto no cavaquinho e o Tigrão no pandeiro. O solista varia. Hoje estava lá o Aleh Ferreira, grande bandolinista, compositor e arranjador aqui de São Paulo.

O Aleh lançou um novo CD, “Choros Inéditos”, com composições próprias. Tem um site: www.alehferreira.com.br. E me contou que em maio gravou dois concertos seus com a Orquestra Sinfônica de Moscou. Em breve, os concertos serão lançados por aqui.

Aproveitei e desenferrujei um pouco no bandolim. Hoje à noite, se esse bendito livro que estou terminando permitir, acho que vou aceitar o convite para uma fugida no Magnólia, boteco à antiga perto da Rua Aurélia, na Lapa.


Escrito por Luis Nassif às 18h38